BENGALAS PERDE CABEÇA E INVENCIBILIDADE DIANTE DO BACANA
O jogo mais que prometia, pois se tratava do confronto entre dois dos líderes do Grupo A. de um lado, o artilheiro Yanes; do outro, Guitolê. Esperava-se um jogo equilibrado e cheio de gols. Viu-se um jogo absolutamente tranqüilo por parte do Bacana, enquanto no Bengalas reinou o descontrole e um futebol totalmente atípico do que a equipe vinha mostrando até então. Resultado: uma goleada história de só por 7 a 1, pois caso Yanes estivesse num dia minimamente inspirado, o placar poderia ter marcado 15 a 1 sem nenhum problemas.
Mal iniciou a partida e duas indicações que as coisas não saíram conforme o desejo do Bengalas: Vitor Saraiva, o Vitinho, abriu o placar e o matador Guitolê tomou o cartão amarelo por entrada mais dura. Isso era apenas o início de algo muito pior que viria.
Mesmo com o gol e co um a menos o Bengalas tratou de equilibrar as ações do jogo, deixando espaço para os contra-ataques. Num destes, Yanes recebeu na área livre e só não marcou porque errou na hora de matar a bola. O primeiro lance de perigo do Bengalas foi criado justamente por um jogador do Bacana – Demehur tenta drible em seu campo de defesa e perde para Guitolê, apelando para a falta. Na cobrança, bola na trave e rebote para Fernando Forte chutar forte pra fora.
A partir daí, com uma marcação dos atacantes no meio de campo, o Bengalas passou a ter mais sorte no jogo. Bizu entrou e passou a jogar de pivô, ajeitando aos companheiros. Numa destas, deixou o irmão Guitolê livre para chutar para grande defesa de Gustavo Santiago. O goleiro estreante do Bacana fazia aí sua primeira de grandes defesas no decorrer de todo o jogo.
Mas o Bacana sabia a hora certa de atacar. E num ataque conquistou escanteio, que foi batido no segundo pau, onde estava Marcelo Rocha livre, pesado e solto para tocar de primeira e marcar o segundo e belo gol do Bacana. Três minutos depois, aos 12, Yanes recebe na esquerda e dá ótimo passe para Leo Napolitano mandar pras redes num 3 a 0.
Perdendo, nada restava ao Bengalas que atacar, enquanto o Bacana fazia seu jogo de se defender e contra-atacar. Vitinho e Luisinho, que chegou atrasado, tratavam de lançar bolas pra Yanes e Rômulo. O time amarelo levava perigo sempre com Guitolê, que brigava muito no meio de campo para recuperar a bola. Bizu fazia bem a parede para o bate, mas Santiago estava lá para garantir o zero no placar. E Guitolê teve mais pelo menos 3 chances de marcar no primeiro tempo, sem contar um chute de primeira de Giu após escanteio que passou raspando a trave. Mas o time não conseguiu sair do zero no primeiro tempo.
O segundo tempo foi a radicalização do primeiro: Bacana, em pleno domínio de jogo, tocava a bola e perdia gols e gols incríveis, principalmente com Yanes. O Bengalas, perdido, não sabia o que fazer nem como fazer. Tudo piorou com a expulsão do artilheiro Guitolê logo nos primeiros minutos de jogo. Ele acertou em cheio Vitinho no meio de campo e nem falou nada quando viu o cartão vermelho na mão do árbitro. Saiu quieto, ciente do merecimento da punição que o tira das próximas duas rodadas.
Com um a menos, o passeio do Bacana começou com Luisinho cortando pra dentro e chutando para boa defesa de Robson. Após choque dentro da área, o mesmo goleiro Robson deixou o campo para a entrada do carismático Bizu no gol. A idéia era tentar o goleiro linha, aproveitando que o camisa 7 tem noções de goleiro. Mas o Bengalas estava mesmo perdido em campo, tanto que não deu 2 minutos e Bizu já deixava o campo para o retorno do camisa 1.
E foi aí que Yanes finalmente fez um golzinho para não passar em branco. Era o quarto do Bacana. O Bengalas enfim fez o seu de honra numa falta cobrada por Wilson Zequinha. A bola desviou e enganou o goleirão. No lance seguinte, o Bacana deve ter ficado com raiva pois numa cobrança de falta de muito perto Demehur acertou uma cacetada no rosto de Zequinha. Foi possível ouvir o estalo da bola no osso. Zequinha nem se mexeu e continuou a jogar, como se não tivesse sido nele a bolada.
O Bacana seguia seguro e perdendo gols. Yanes perdeu um, dois, três, quatro, cinco gols em seqüência, para desespero dele e do time todo, que podia ver um placar elástico e seu camisa 9 no topo disparado da artilharia. E foram gols de frente para o goleiro e mais ninguém, para acentuar o desespero. Coube a Vitinho pegar um rebote após Rômulo carimbar a trave e fazer o quinto gol. De rebote também foi o sexto gol, o segundo do capitão Marcelo Rocha, que saiu quase voando comemorando pra cima da torcida com sorriso de orelha a orelha. Aos 24 minutos, para matar de vez um time que entrou praticamente morto em campo, o zagueirão que parece argentino em razão de suas madeixas loiras Jorge Pereira avançou pelo meio e mandou um canudo reto para fechar a goleada em 7 a 1.
Bacana segue 100% e líder, desbancando outro favorito com propriedade e autoridade, mostrando que o time está maduro para ir mais longe na competição. Jaó Bengalas mostrou incapacidade de reação e agora tem pela frente Fúria e Acidus sem seu principal jogador de ataque. A estrela de Bizu vai ter de brilhar solitária nesses jogos.
KADÊNCIA SOFRE MAS VENCE UM DIABOS LARANJAS DESFALCADO
A despeito de ter sido iniciada com atraso, a acirrada disputa entre Kadência e Diabos Laranjas reuniu uma grande quantidade de espectadores e ofereceu a eles muita emoção e entretenimento. Todavia, os torcedores do Kadência, acostumados com o futebol de qualidade oferecido pela equipe, provavelmente se decepcionaram. A ausência do goleiro Renato não justifica o fraco desempenho apresentado pela equipe da cerveja Crystal, que, apesar da vitória e dos bons momentos, por muito pouco não sucumbiu ante ao jogo rápido dos endiabrados. Cabe salientar que esses últimos, além de terem começado a partida sem o competente Argentino e com um a menos em campo, jogaram sem duas peças fundamentais para a defesa do time: a muralha Porps e o zagueiro Emerson Neném, suspensos na última partida.
Quem deu início à ação do jogo, contudo, foi o próprio Kadência. Mal o juiz apitara e Cristiano, em uma rápida investida pela lateral direita, cruzou para Pedrinho Henrique cabecear. Vavá, integrante da linha que estava substituindo o goleiro Porps, prontamente espalmou a bola para o canto oposto. Pedrinho, ligeiro, não perdeu o rebote e chutou novamente, dessa vez no alto do gol. Mas o arqueiro, como fez em vários outros momentos da partida, compensou sua baixa estatura com muita determinação e saltou, anulando gol que já era considerado certo pelo adversário.
A equipe amarela prosseguiu devagar. Paulinho, habitualmente o grande armador do time, estava nulo no início da partida, assim como o craque Pedrinho, que demorou a pegar na bola após brilhante começo. A tarefa de atacar coube então a Luiz Eric e Cristiano: enquanto o primeiro recebia passes de Julian e avançava driblando pelo meio, o segundo partia com velocidade pelas laterais, onde a zaga do rival parecia vulnerável. Já o Diabos se focava na defesa e tentava armar contra-ataques com Ronei e Juba. Para a sorte do Kadência, Julian estava protegendo sua área com empenho e habilidade.
Entretanto, os endiabrados mudaram o quadro do duelo aos 4 minutos, quando o goleiro substituindo Renato, Wellington deixou o chute cruzado de Du Rodrigues escapar de suas mãos. O golpe de sorte aparentemente estimulou o time preto-laranja, uma vez que este passou a ousar mais na hora de atacar e chutar ao gol. Ronei, em especial, se encheu de coragem e passou a ameaçar o oponente todo instante com suas investidas rápidas e passes ligeiros.
O Kadência não deixou barato e revidou com dois gols em menos de um minuto. Aos 6, aproveitando uma oportunidade de contra-ataque, Julian fez explodir a rede do Diabos com um chutão no canto esquerdo. Logo em seguida, Paulinho mostrava que estava vivo em campo ao colocar a bola para descansar no cantinho do gol rival. Era o Kadência acordando e mostrando que não era um adversário com quem se podia brincar.
A partir desse momento, o Diabos se viu em uma situação bastante delicada, visto que seu ataque não estava coeso o suficiente para romper a dura marcação de Max Batata e Julian. A defesa da equipe, desfalcada, também encontrava dificuldades para resistir à pressão do Kadência. Seria uma questão de tempo para o time cair. No entanto, para a sorte da mesma, Argentino e Cleber finalmente chegaram para jogar. Ao ver que a dupla se aproximava da quadra, o Diabos tratou logo de pedir tempo para se recompor e integrar os reforços à situação. Uma esperança brotava nos corações e mentes dos jogadores.
O jogo seguiu equilibrado até o final do primeiro tempo. O Kadência, apesar de carregar uma precisão ímpar em suas jogadas, precisava urgentemente de uma injeção de ânimo. Os únicos integrantes da equipe que não deixaram a raça de lado foram Julian e Luiz Eric: a dupla foi responsável por algumas das melhores jogadas do Kadência nesse momento do duelo. Enquanto isso, o Diabos passou a jogar mais ofensivamente, já que Argentino estava lá para fechar o meio de campo e fazer a ponte para que os velozes Ronei e Juba atacassem com maior eficiência pelas laterais. Tal estratégia se mostrou bem sucedida, pois, em poucos minutos, Ronei empatou com chute por cima do goleiro.
Embora tenha voltado com mais garra e com seu mortal toque de bola no segundo tempo, o Kadência decepcionou ao dar uma série de brechas para o Diabos e perder muitos gols que poderiam ter decidido a partida facilmente. Tanto isso é verdade que, após inúmeras investidas da equipe, o gol só veio aos 7 minutos, quando o chute de Pedrinho entrou milagrosamente na rede depois de bater na trave e rebater nas costas do goleiro Vavá. Porém, para compensar a gama de chances desperdiçadas por seu time, o mesmo jogador fez uma reposição de forma magistral que acabou resultando no gol de cabeça de Paulinho, no minuto seguinte.
Os endiabrados, mais apáticos nesse segmento do jogo, também perderam boas chances de ampliar seu placar. Argentino e Ronei articularam jogadas excelentes para Fabrício marcar. No entanto, o atacante estava sempre atrasado e nunca conseguia finalizá-las. Mas eis que em uma delas o jogador, mesmo sofrendo com a pressão de Julian, conseguiu abrir espaço pela lateral esquerda e chutar cruzado para o gol.
Os instantes finais da peleja foram os mais emocionantes, pois a situação de ambos os times era crítica. O Kadência foi obrigado a colocar Julian como goleiro após Wellington ser amarelado por conta de uma disputa de bola com Juba. Por conta disso, a equipe se fechou na defesa. Já o Diabos se retraiu depois de levar o quinto gol, a um minuto do fim, marcado por Pedrinho, e de ter Argentino expulso de campo com o azul por conta do segundo cartão amarelo.
Em um ato de coragem e revolta com a atitude de seu time, o goleiro Vavá abandonou sua área e disparou no meio de campo. O arqueiro postiço driblou velozmente toda a resistência que encontrou pela frente e, estando cara a cara com Julian, fez o passe para Lillo ampliar. Mas não havia tempo para mais nada. Final de jogo.
Com a vitória, o Kadência segue invicto na liderança do “grupo da morte” e enfrenta um ameaçado Roleta Russa na rodada seguinte. O Diabos, por sua vez, sofreu um tombo feio por conta de sua primeira derrota e das vitórias dos líderes de sua chave: caiu da segunda para a quinta posição. Para piorar, o time enfrenta o sempre favorito SNG na próxima etapa. Será o renascimento ou o início de um declínio dos endiabrados? É esperar para ver.
MELVILLE “SE VINGA” DO BASICUS E FAZ 8 a 2
Melville (atual vice-campeão) e Basicus (o time que ainda não venceu um jogo oficial) realizaram o segundo confronto na história do Chuteira de Ouro. No primeiro, em maio de 2008, ninguém levou a melhor, mas por muito pouco, se não fosse o gol nos minutos finais do Melville para empatar o jogo em 2 a 2 e tirar, ou melhor, arrancar o doce do Basicus, que poderia alcançar a primeira vitória após campanha pífia na quinta edição do Chuteira.
E a semana que antecedeu o confronto foi de promessas de massacre por parte do capitão do Melville, Mauricio Miranda, já que no primeiro confronto não jogaram com os principais jogadores do elenco, os primos Alemão e Felipe. Se essa seria a justificativa, deu certo, o Basicus foi realmente massacrado.
O jogo começou corrido e o Basicus todo modificado das demais partidas e com uma novidade, Publius, que veio do Acidus para engrossar a lista de jogadores oriundos do time “matriz”. Cavalera e Fernando não compareceram, Du e Saulo e Love atrasados, Publius foi logo estreando como titular no novo time, com Paulinho e Leo na zaga, ele e Harada e dois dos três Rodrigos, Imperatore e Barath, no ataque.
Com um time bem mais leve, o Melville tratou de atacar em velocidade, e com rapidez chegou a dois gols, com Waltinho e Felipe em 6 minutos de jogo. E também com velocidade o Basicus diminuiu, com Rodrigo Imperatore, após cobrança de escanteio pela esquerda.
Du Formiga (debilitado) e Saulo, do Basicus, chegaram no meio do primeiro tempo e entraram na batalha, mas o que se viu foi uma zaga sem condições físicas ideais para agüentar a velocidade e a temperatura em campo. Antes do terceiro gol do Melville, Rodrigo Barath pediu que Du Formiga relaxasse mais no jogo, após reclamação árdua com Harada. Du logo reagiu e mostrou o dedo médio para Barath, que revidou o gesto na mesma altura. Leo, que estava no banco descansando, comentou que isso poderia desestabilizar o time. Foi o que aconteceu.
O Basicus levou o terceiro gol, justamente em lance envolvendo Du, que tomou um corte fantástico de Felipe na lateral e viu o jogador cruzar para o capitão Mauricio marcar. A discussão entre os dois jogadores se acirrou com palavrões e gestos indecentes, o que ajudou somente o juiz a decidir que os dois jogadores, do mesmo time, mereciam o cartão amarelo. Publius foi para cima do juiz, perguntando qual sobre a razão dos cartões amarelos e também foi contemplado com o canarinho. Basicus com “menos três” jogadores por dois minutos, até o término do primeiro tempo. Sorte que o time não levou mais gols.
Começo de segundo tempo e não demorou para o Melville fazer mais três gols, com Waltinho duas vezes e mais um de Felipe. O destaque negativo do segundo tempo continuou sendo Du Formiga, que, ainda debilitado, até se esforçou para pegar um lançamento longo, mas colocou a mão na bola e levou o cartão azul, que o tirou do jogo e também o tira do próximo.
Quase desmantelado, o Basicus ainda marcou mais um, com Publius, após grande jogada de Paulinho. Entretanto, até que este gol saísse, aos 20 minutos, o Melville já tinha perdido gols e dominava amplamente a partida. Alemão ainda marcou mais dois gols para fechar a goleada, um deles com muita precisão, pegando de primeira um rebote que bateu forte na parede do gol de Goku.
“Vingança” e promessa cumpridas, restou ainda ao Basicus quase um nocaute de Rodrigo Barath, que levou uma bolada no olho direito, após tentar, bravamente, desviar um arremate contra seu gol. O jogador foi ao chão e imediatamente foi substituído.
Além do olho roxo, outro Rodrigo saiu lesionado também. Rodrigo Imperatore vai desfalcar o Basicus, após dividida em que chutou o pé de um dos jogadores do Melville. Imperatore sofreu uma fissura em um dos dedos do pé esquerdo e vai ficar de molho.
“O Basicus detém um recorde de tomar mais cartões amarelos em um único lance. Foram três de uma vez só”, disse rindo para não chorar o capitão Rodrigo Barath.
O próximo adversário do Basicus é o Estudiantes, que venceu o Roleta Russa, enquanto o Melville pega o outro desesperado, o Fora de Série. Quem pontuará primeiro, Basicus ou Fora de Série, eis a questão. Mas, na verdade, a pergunta é: algum deles pontuará além do jogo que os colocam frente a frente?
OSASQUENSE PERDE PARA MSM E SEGUE AO FUNDO DO POÇO
No início da disputa com o Mentira Sem Maldade, parecia mesmo que o Atlético Osasquense haveria se reabilitado completamente da goleada homérica que levou do Fúria na semana passada. O time de verde começou bem a partida e nem sentiu a ausência de seu craque Paulinho, repelindo com facilidade as investidas de Kadson, do MSM, e atacando com força e velocidade pelas laterais com o trio Gustavo Vecchi, Done e Danilo Ramos. Tanto isso é verdade que, logo aos 6 minutos, a equipe abriu o placar com um chute cruzado do primeiro, após rebote de Bill.
Entretanto, a máscara do Osasquense caiu no lance seguinte, quando Kadson, após receber um passe lateral de Bruninho Fontes e ficar frente a frente com o goleiro Medina, tocou de leve para o gol, empatando a partida. O lance aparentemente teve um efeito moral muito forte, visto que o Atlético se desesperou e perdeu toda a coesão que apresentou nos primeiros minutos de jogo.
A pugna seguiu no toma lá dá cá, com ambos os times atacando e contra-atacando constante e intensamente. No entanto, o astuto Mentira, que apesar das derrotas tem mostrado uma evolução significativa em seu futebol, levava uma ligeira vantagem nas ofensivas, pois seus ataques eram coordenados, enquanto os do Osasquense não tinham a menor sintonia e se limitavam a investidas individuais, ora de Fabiano ora de Danilo. Os mentirosos contavam com as precisas jogadas de seu trio ofensivo, composto por Nathan, Felipe e Kadson. Além de apresentarem um bom toque de bola, os três sabiam mesmo como usar dribles rápidos para abrir espaço no meio de campo.
E foi com essa trinca que o MSM ampliou seu placar, marcando não apenas um, mas dois gols, ambos do artilheiro Kadson. O primeiro resultou de uma tabela bem executada com Nathan, que enganou o goleiro Medina e permitiu que Kadson ficasse livre para marcar 2 a 0 para o Mentira, aos 12 minutos. Já o segundo foi fruto de um petardo que foi morrer no barbante do gol adversário, poucos minutos depois.
A situação do Atlético ficou ainda mais complicada aos 18 minutos, quando Marcos Beraba marcou o quarto gol do Mentira. Mal o jogo havia começado e a equipe de Osasco já estava levando uma nova goleada! Esse pensamento e os incentivos bradados por Guiné – que, por ter sido suspenso na última partida, torcia de fora de campo – talvez tenham dado novo fôlego a alguns integrantes do time, já que estes passaram a se comunicar mais na hora de articular ataques e construíram algumas boas jogadas juntos e conseguiram revidar a pressão do rival por algum tempo com contra-ataques perigosos.
Mas como tudo o que é bom no Osasquense dura pouco, a raça do trio logo se dissipou. Motivo: o pênalti cometido pelo goleiro aos 21 minutos. Em uma disputa de bola na área, Medina acabou chegando com excesso de força no reestreante Magneé. O árbitro não perdoou e amarelou o arqueiro, deixando a já fraca defesa do Atlético ainda mais vulnerável nesse finalzinho de primeiro tempo. O próprio jogador que sofreu a falta bateu o pênalti, ampliando o já elevado placar do MSM e encerrando a primeira metade do jogo. O apito do juiz veio como um gongo salvador para o time verde, que precisava urgentemente de um tempo para se recompor.
Dito e feito: após o intervalo, o Osasquense retornou com mais raça e passou a ser uma ameaça constante para o gol do MSM. Este, por outro lado, voltou apático, relaxado com o placar que o favorecia. Por mais que o trio de frente do MSM ainda representasse perigo, ele não intimidava tanto quanto no primeiro tempo.
Se aproveitando do descaso do adversário, o Atlético seguiu pressionando e conseguiu diminuir com um gol de Fabiano, que veio aos 5 minutos. O Mentira se assustou e pediu tempo para respirar. Contudo, essa medida não adiantou muito, uma vez que o Osasquense cresceu e acabou fechando o MSM em seu próprio campo. Para a sorte da equipe azul, o novo goleiro Felipe Araújo estava afiado: o arqueiro defendeu uma série de chutes de Bill e de Gustavo Vecchi garantiu a estaticidade do placar.
O quadro do jogo mudaria aos 15 minutos, quando Flávio Pinga, um dos poucos do MSM que mantinham a mesma determinação do primeiro tempo, não desperdiçou uma brecha no ataque do rival: após tomar a bola e disparar pelo centro, o jogador parou na área adversária, girou e bateu no meio do gol, anunciando a vitória inevitável dos mentirosos.
A partir daí, o Osasquense ruiu de vez. Todo o conjunto que o time se esforçara para manter no segundo tempo foi por água abaixo. Seu último sopro de vida veio aos 23, momento em que Gustavo conseguiu abrir espaço na defesa do MSM e ajeitar para Danilo diminuir o prejuízo de mais goleada anunciada.
O Mentira segue na zona de classificação, com 6 pontos e na 7ª colocação do Grupo A. O Osasquense, por sua vez, permanece entre os lanternas do campeonato e conta com um dos piores saldos de gol dessa edição do Chuteira: - 23 (só perde para o Basicus, por enquanto). No entanto, a sexta rodada promete ser dificílima para ambos: o primeiro vai encarar o sempre perigoso Fiorella, enquanto o segundo pegará um necessitado por pontos MachuPichu, que deu muito trabalho ao Acidus no jogo passado (veja matéria nesta edição). Logo, se os dois não se cuidarem, correm o risco de terem como fator em comum a desclassificação.
ACIDUS VENCE MACHUPICHU EM SHOW DE GOLS PERDIDOS
Para quem jogou e que viu o primeiro jogo de Acidus x MachuPichu, lá no III Chuteira, certamente se sentiu num grande replay quando da 5ª rodada do VI Chuteira. Isso porque o jogo foi muito similar em termos de jogabilidade e de resultado – jogo equilibrado, com chances de gols para os dois lados e a vitória suada de virada para o Acidus. Entretanto, foi um jogo de lances incríveis, com aos menos 7 bolas na trave e coisas que poucos acreditavam que poderiam ver. Em quase todas elas o goleiro Diego esteve no centro das atenções – afinal, falhou, tomou um frangaço por debaixo das pernas, fez um gol de falta e perdeu um pênalti. Para o bem ou para o mal, Diego foi o nome do jogo.
O jogo mal começara e no primeiro lance do Machu, no meio de campo, meio sem querer Philip chegou atrasado e acertou o pé do adversário. O árbitro não pensou duas vezes e nem considerou ser o primeiro confronto do jogo para amarelar o atacante. E esse jogador a menos deu aos peruanos a possibilidade de tomar a iniciativa do jogo, com o Acidus se encolhendo para esperar o tempo passar.
O Acidus tinha em campo um time mais ofensivo em razão da ausência de suas peças do setor defensivo. Sem Rafão, Pedrinho, Pedro e Marquinhos, coube a Lói a retaguarda com a ajuda de Barata e a volta dos jogadores de meio e frente. No ataque, Philip, Robinho e Lucas se revezavam e Kirk jogava com mais liberdade. No MachuPichu, a ordem parecia ser defender e contra-atacar, principalmente com o velocista Renato Seckler, sempre procurando a referência Ricci na área.
E o gol de abertura do placar saiu aos 7 minutos, quando a bola foi cruzada na área do Acidus para cabeçada que pegou Diego no contrapé. O goleiro espalmou, mas colocou a redonda nos pés de Thiago Branco, que mandou para as redes.
Mal tomou o gol o Acidus descontou. Em cobrança de escanteio, a bola ia na cabeça de Lucas no segundo pau quando o goleiro Pipo tocou de leve para desviá-la. A bola caiu nos pés de Philip, que cortou para dentro e em sua característica mandou para o gol, igualando o placar. Mas o empate não ajudou muito o Acidus, pois o MachuPichu tinha espaço para jogar, principalmente pelas laterais já que o meio não conseguia acompanhar completamente todas as jogadas. E foi numa jogada pela ponta – com a ajuda fantástica do goleiro Diego – que o time de Danilo Silva, que ainda estava no banco, voltou a ficar na frente no marcador. Renato Seckler foi até quase a linha de fundo e cruzou fraco. A bola foi lenta até Diego, que encostou na trave e se abaixou para encaixá-la contra seu peito. A danada da redonda bateu em sua barriga e escapou, preferindo passar por entre seus braços. Ao abaixar as mãos para segurá-la, acabou por tocá-la pra dentro do gol por entre suas pernas. Um frango sem precedentes na carreira do grande goleiro.
A falha e o gol devem ter abatido os jogadores do Acidus, pois não demorou para Ricci subir livre no segundo pau para cabecear para o chão e fazer 3 a 1 para o time dos peruanos, que vinham lutando para se manter vivos na competição. Minutos antes o Acidus promoveu a estréia do meia Ricco, que entrou no lugar de Lucas para tentar fazer o meio de campo do time andar mais rapidamente. Ele seria uma das peças-chave para a virada do time amarelo-limão, que começou com o próprio Diego três minutos depois.
Uma falta a poucos passos da área foi a oportunidade que Diego viu de se redimir. Ele saiu de sua meta e ajeitou a bola. Chutou forte e rasteiro, ao lado da barreira. O goleiro Pipo tentou buscar com os pés, mas acabou mesmo buscando no fundo do gol com as mãos para que seu time desse a saída de bola. O Acidus diminuía e encontrava forças para a virada.
O fim do primeiro tempo foi marcado por chances de gols de ambos os lados, principalmente com Ricci e Kirk. Danilo entrou em seguida para dar maior movimentação no ataque no lugar de Ricci e conseguiu criar algumas jogadas efetivas de gol. Mas parece que o azar de Diego até então se reverteu em sorte, pois em jogada de Danilo e conclusão cara a cara com o goleiro, Renato Seckler mandou no travessão, para angústia dos acidianos.
O Acidus saiu com tudo ao ataque, mesmo com Barata diversas vezes, abandonando seu campo de defesa para apenas Lói se virar para tirar as bolas. Ao mesmo tempo que criava oportunidades de gol, o time era contra-atacado com velocidade e competência. Por falta de pontaria de todos e vontade de chutar forte de Kirk, o placar não foi alterado até o segundo tempo.
Ao dar início ao segundo tempo, parecia clara a tática do Acidus – atacar e fazer gols. A tática era suicida, claro, ainda mais contra um time de personalidade e acostumado a jogar bem fechado e contra-golpear como o MachuPichu. As jogadas eram criadas, mas nada de fazer gols. Ricco deixou Philip na cara do gol, que viu Pipo defender seu chute em uma ocasião e outra a bola raspar a trave. Kirk se esforçava, saía na cara do gol, mas na hora da conclusão vinham chutes vesgos, daqueles dados na “orelha” da bola e que iam pra fora. Robinho também teve suas chances, mas Taka e Renato Carrer, além das longas pernas de Gustavo Carrer, impediam que ele pudesse chegar perto do gol adversário.
Pelo MachuPichu, as jogadas saíam pelas pontas, puxadas por Danilo ou Renato Seckler, com Tebas ajudando na subida rápida ao ataque. E foi assim que o MachuPichu carimbou mais uma vez a trave antes de ver Lucas retornar ao jogo, aos 7 minutos, no lugar de Robinho e empatar a partida. A jogada foi de Philip pela direita, que se livrou do zagueiro e viu o camisa 9 chegando na área livre. Ele tocou um pouco atrás, mas Lucas conseguiu ainda matar e ajeitar para o chute no alto, sem chances para Pipo. Em agradecimento à torcida, que estava em peso prestigiando o jogo na expectativa desse gol, Lucas comemorou com muita empolgação e passou da conta, o que rendeu a ele um cartão amarelo e 2 minutos fora.
Mas mal ele chegou ao banco, viu Philip invadir a área e sofrer uma falta de Tebas, que chegou de carrinho no mínimo com imprudência. O árbitro apitou pênalti sem pestanejar. Era a chance da virada. Na cobrança, Diego correu para bater, talvez pressionado pelas falhas anteriores. Tebas levou o cartão amarelo e ficou reclamando muito e atrasando a cobrança. Ao sair, saiu devagar quase parando e, bem a seu estilo, que já o tinha suspendido na rodada anterior, chutou a grade com raiva. Não houve outra solução aos árbitros a não ser azular o jogador, que aí sim ficou mais raivoso ainda. Diego partiu para a bola e, pasmém, ela explodiu no travessão. A danada subiu e Diego ainda tentou alcançar de cabeça, mas Pipo foi mais veloz. O Acidus acabava de perder um pênalti e a virada.
O jogo ficou mais do que aberto. O MachuPichu não tentava ataques mais contundentes, mas apostava nos contra-ataques, e o Acidus se lançava com tudo para tentar a vitória. E aí foram 15 minutos de um tremendo show de gols perdidos de ambos os lados. Kirk mostrou que parecia que não seria dessa vez que seu gol sairia. Philip recebeu de Ricco bola açucarada na esquerda e bateu com certa displicência para vê-la ainda tocar o pé da trave. Chutes para fora, por cima, com defesas dos goleiros, certo era que a bola não queria mais entrar, parecia satisfeita com o placar igual. Mas o Acidus não. E de forçar, inclusive com Barata, Lói se viu diversas vezes sozinho contra 2 ou 3 atacantes adversários. Danilo punha de lado para passar dele, mas logo vinha seu pé salvador para tirar a bola para a lateral. Foram mais 3 bolas na trave do Acidus em gols praticamente feitos e outras defesas de Diego.
Nos 5 minutos finais, o Acidus passou a dominar amplamente as jogadas e a atacar com maior coordenação. As trocas de passes possibilitaram outra bola na trave. Com menos de 3 minutos para o fim, Kirk retornou ao campo para decidir o que, segundo ele, estava escrito nas estrelas que aconteceria – ele marcar um gol. Aos 24 minutos, Philip recebeu na direita e dividiu com a zaga. Levou vantagem e seguiu adiante, dividindo de novo, desta vez com o goleiro. A bola ia saindo para a linha de fundo quando ele se esforçou para evitar. Conseguiu numa nova dividida, o que fez com que ela fosse cruzada para a área, onde estava Kirk. O camisa 8 chutou forte e reto, quase como um desabafo para ver a bola ainda passar raspando as pernas de Carrer e explodir na parece atrás da rede do gol. Explosão de alegria no Acidus com o gol que coroava uma tática suicida que acabou dando certo.
“O MachuPichu respeita muito nosso time. Eles acabaram se encolhendo e conseguimos virar o placar”, comentou Robinho ao final do jogo. Na saída, a alegria do time amarelo-limão, que segue na cola dos líderes, agora com 10 pontos, contrastava com a decepção do MachuPichu. “Não saí de campo puto ou bravo, mas sim triste”, lamentou o capitão Danilo, que mais uma vez perde Tebas para uma partida por lance de incrível infantilidade.
Com 3 pontos, o MachuPichu encara o Osasquense com a obrigação da vitória para ainda pleitear uma vaga no G-8. Ao Acidus, a boa fase parece ter voltado e tem pela frente dois jogos complicados – Pagalanxe e Bengalas – para mostrar que o bom futebol está de volta.
PIRANHA CONFIRMA RECUPERAÇÃO CONTRA FORA DE SÉRIE
Se nas etapas passadas o Fora de Série decepcionou ao apresentar um futebol morno e descoordenado, o mesmo não pode ser dito a respeito de sua atuação contra o Muleke Piranha. Verdade seja dita: apesar de ter sido derrotada novamente, a equipe trabalhou com muita raça e desejo de ganhar. O amplo placar de 5 a 2 pode inicialmente dar a impressão de que o jogo foi fácil para o Piranha. No entanto, o Fora lutou até o último segundo e por muito pouco não mudou o saldo da partida.
Logo nos primeiros minutos da disputa, ficava claro que o Fora de Série brigaria muito pela vitória. Normalmente defensivo, o time começou o jogo tentando marcar gols. Carlão e Rica, a dupla dinâmica da zaga do Fora, tocavam a bola pelo meio com o intuito de abrir espaço para que Clebão e Cadu pudessem receber os passes e chutar direto para o gol. Se não fosse a intervenção do habilidoso zagueiro Leandro Segala, não apenas nesse momento, mas ao longo de toda a partida, e do goleiro Amauri, talvez o resultado fosse outro, já que o time celeste conseguiu criar uma gama de boas oportunidades de estrear o placar.
Percebendo a fragilidade de seu meio de campo e sentindo a pressão do rival, o Piranha passou a se fechar e armar rápidos contra-ataques pelas laterais, com Thiago e Robson tomando a linha de frente. Em uma dessas investidas, o primeiro conseguiu abrir para seu time com um chute forte cruzado que sepultou a bola na rede do adversário aos 12 minutos.
O duelo, que inicialmente estava pendendo para o Fora de Série, tornou-se mais equilibrado após o gol. Com ambos os times jogando na ofensiva, os atacantes das duas equipes começaram a se emparelhar e a bola acabou ficando travada no meio de campo. Foi nesse instante que começou a onda de cartões amarelos que assolaria o Muleke Piranha até o final do jogo. O grande desafio do time passou a ser manter 7 jogadores em campo. De fato, em alguns casos a punição foi justa. Todavia, em outros lances os cartões saíram caros demais.
Os primeiros a serem amarelados foram Fezão e Leandro. Assim que eles receberam os cartões, o Fora de Série pediu tempo para reestruturar seus ataques. Estando em vantagem numérica, bastaria uma jogada bem colocada para que o Piranha cedesse. Contudo, segundos depois, o goleiro reserva da equipe levou um cartão amarelo por ter invadido o campo. Clebão reclamou da decisão da arbitragem e acabou ganhando também o seu. Isso agravou o quadro do Fora de Série, pois o time perdeu um de seus pivôs justo em um momento importante da disputa.
Os últimos segundos do primeiro tempo foram marcados pelo lance que poderia ter empatado o duelo caso Tonhão não o tivesse desperdiçado: Rica interceptou e passou para Danilo, que seguiu tabelando com Tonhão pelo centro. Esse último, estando na cara do gol, arruinou tudo ao chutar torto para fora. Tonhão vem sendo o jogador que mais perde gols na competição.
A indignação tomou conta do time comandado pelo goleiro Betão. Até mesmo Rafael Chulapa, habitualmente polido e discreto, se irritou com a oportunidade de ouro perdida pelo companheiro e o xingou com voz de lamento.
O Piranha voltou mais forte e ofensivo no segundo tempo. Mal o jogo começara e Thiago já mandava uma bomba em direção ao gol adversário. Porém, a trave parecia ser a sina do jogador nessa metade do jogo, uma vez que, não apenas esse, mas a maioria de seus chutes sempre acabava barrada pelo travessão.
Para compensar o gol perdido por Tonhão no tempo anterior, Chulapa assistiu Cadu com um passe precioso para que este pudesse empatar a partida. E o camisa 7 assim o fez, marcando o primeiro do Fora logo nos primeiros minutos. O gol estimulou a equipe, que passou a focar suas atenções no ataque. Tanto isso é verdade que, segundos depois,Chulapa por muito pouco não ampliou com um gol de cabeça. Era o Fora de Série mostrando a seus detratores que sua força ofensiva não estava falida.
Mas o gás do time diminuiu quando Salada marcou o segundo do Piranha aos 9 minutos. Enquanto a defesa do Fora esperava a bola para o que acreditavam ser um tiro de meta, a bola foi cobrada em escanteio rapidamente e o capitão do time azul dourado tratou de completar com um chutão que explodiu forte na rede do rival, pegando de surpresa jogadores e espectadores. Recalamaçoes da inversão do lance, mas fato foi que o gol era do Piranha.
Após o gol, um fato pitoresco ocorreu fora do campo: um torcedor alcoolizado chegou próximo à quadra onde ocorria a disputa e começou a xingar e falar mal dos jogadores. Inicialmente, a presença do rapaz até divertiu os que estavam prestigiando o evento. Mas depois de um certo tempo, aquilo foi se tornando um empecilho, aborrecendo os demais torcedores. Felizmente, nenhum jogador deu corda para o homem, o que evitou conflitos semelhantes ao que ocorreu posteriormente, no jogo entre Fúria e Fiorella (veja matéria abaixo).
Em seguida, aos 14 minutos, veio o empate do Fora de Série. Chulapa, que perdeu muitos gols em partidas anteriores, finalmente se redimiu e conseguiu marcar um gol semelhante ao que fora defendido no começo do segundo tempo por Guaraná: o camisa 10 aproveitou o cruzamento de Jegue e, com uma cabeçada certeira, matou a bola no cantinho esquerdo da rede adversária. O lance alimentou a fome de bola do Fora de Série e trouxe novo equilíbrio para o jogo.
A peleja permaneceu parelha até os 15 minutos, quando Guaraná, o Rogério Ceni do Chuteira, marcou mais um de seus famosos gols de falta. Outrora controlado, o Fora de Série se desestruturou após levar o terceiro: o time foi com todo seu elenco para o ataque e deixou a defesa livre para o oponente deitar e rolar. O Muleke Piranha se aproveitou desse descuido e ampliou com dois gols, um de Fezão e outro de Thiago, fechando o embate em 5 a 2 em cima do Fora de Série.
Apesar de estar sobrevivendo na sexta posição, o Muleke Piranha terá uma prova de fogo na próxima etapa: enfrentar um reabilitado e cheio de moral Joga 13. Já a situação do Fora de Série não podia ser pior: além de estar junto com o Basicus no grupo dos lanternas do grupo, o time pega na semana que vem o mortal Melville Power, que agora anseia pelos três pontos para que possa alcançar a liderança do grupo da morte.
FIORELLA VENCE FÚRIA APERTADO
Quem pôde acompanhar a disputa entre Fúria e Fiorella certamente saiu do Playball com um sorriso nos lábios. O duelo, sem dúvida um dos mais pegados da quinta rodada, foi repleto de técnica, raça, jogadas plásticas e muita, muita emoção. Falar que o Fiorella não é mais o mesmo só porque este teve trabalho para vencer o Fúria é cometer um equívoco que desmerece ambas as equipes, uma vez que a primeira teve uma ótima atuação e a segunda mostrou um entrosamento ímpar e um nível técnico bastante distinto daquele visto nos jogos contra Aurora e Acidus.
O começo da peleja foi bastante tenebroso para o Fiorella. O capitão Ricardo Tavano foi obrigado a assumir o lugar do goleiro Fábio Fonseca, já que este ainda não havia chegado ao Playball. Para complicar a situação do time, uma grande quantidade de torcedores do Fúria compareceu naquele dia, o que acabou gerando, direta ou indiretamente, uma enorme pressão psicológica sobre o time vermelho.
No entanto, o time campeão aparentemente conseguiu driblar esse quadro negativo, visto que rapidamente começou a apertar com Sebastião Alves e Kleberson atacando pelas laterais, enquanto Tiago Silva tratava de avançar pelo centro. Tigues, que andava sumido, ficou incumbido de levar a bola da defesa ao meio de campo, além de ser um ótimo interceptador das investidas dos fuiosos. Valendo-se de muito toque de bola, esse quarteto conseguiu encurralar o time rival nos primeiros minutos, pondo o goleiro Betão para trabalhar.
Mas o Fúria não demorou a reagir. Exaltado pela torcida, Thiago Motta passou a minar a defesa adversária com jogadas velozes pelas laterais. Seu irmão Adriano logo entrou na dança e passou a assistir o companheiro. Aos 8 minutos, a dupla deu um belo susto no goleiro Tavano: aproveitando o lançamento alto de Adriano, Thiago saltou e aplicou uma espécie de voadora na bola. Se não fosse a astúcia improvisada do goleiro em se posicionar no lugar certo e espalmar a redonda, o Fúria provavelmente teria estreado o marcador e mudado o curso do jogo inteiro.
Os furiosos cresceram na partida e passaram a devolver em dobro a pressão que sofreram nos instantes iniciais. E foi assim até o final do primeiro tempo. Thiago Motta foi o grande destaque desse segmento do jogo, bombardeando o gol do Fiorella a todo instante. Os atacantes só não marcaram porque Sebastião Alves mostrou pulso firme na zaga inimiga e o goleiro postiço Tavano segurou bem as investidas. A trave também ajudou bastante, já que barrou uma série de chutes.
Falando em defesa, o Fúria também teve seus méritos. É inconcebível deixar de mencionar o excelente desempenho de Everton Furlan e Fagner, que trabalharam muito bem em conjunto, destruindo praticamente todas as jogadas armadas pelo Fiorella no primeiro tempo e protegendo Betão com maestria.
Nem a chegada do goleiro Fábio Fonseca tranqüilizou o acuado Fiorella. Pelo contrário: minutos depois, o time teve de juntar forças para segurar o arqueiro, pois este entrou em frenesi após ser xingado repetidas vezes por um “torcedor” alcoolizado. Assim que os árbitros apitaram o intervalo, Fábio Fonseca saiu furioso de campo e foi atrás do responsável pelas ofensas. Felizmente, o rapaz bêbado, que já havia tumultuado a partida entre Muleke Piranha e Fora de Série, foi embora minutos antes, evitando uma briga que poderia acabar em tragédia e ofuscando o brilho da bela partida que ali estava acontecendo.
O Fiorella parecia mais controlado no segundo tempo. O time campeão começou tocando a bola na retaguarda com o objetivo de desestabilizar os meio-campistas adversários e abrir espaço para Tigues e Tiago Silva chutarem ao gol. A estratégia funcionou e acabou tirando o Fúria do controle do jogo. Entretanto, o goleiro Harley, que normalmente entra no segundo tempo no lugar de Betão, trabalhou bem e não deixou sair o gol. Da mesma forma atuou a trave, que segurou pelo menos dois chutes mortais de Tiago Silva.
O primeiro gol da disputa veio e foi do Fiorella. Tigues aproveitou uma saída de bola mal concluída pelo Fúria e, com um chute cruzado, cravou a redonda no fundo do gol. O lance intimidou os furiosos, que passaram a se fechar na defesa instintivamente. Encorajado, o Fiorella prosseguiu atacando com toques de bola rápidos e mortais. Kleberson, Tigues e Rogério Silva colocaram o Fúria na roda com tabelas e recuos precisos, fazendo cair por terra até mesmo as tentativas de corte de Fagner, que vinha sendo um gigante. Todavia, não foi dessa forma que o time obteve seu segundo gol, mas sim se aproveitando de outro erro do Fúria na saída de bola. Kleberson não perdoou a falha e completou para o gol com pouco mais de 5 minutos do segundo tempo.
O jogo seguiu tenso para o Fúria. A equipe tentava a todo custo escapar do cerco ofensivo do Fiorella. Contudo, a cada minuto que passava ficava mais evidente o desespero do primeiro e o controle do último sobre a posse de bola. As poucas chances de empate que o Fúria teve – a maioria fruto de ataques velozes e chutes certeiros de Número 7 – foram aniquiladas pelo travessão.
O nervosismo do time chegou ao ápice aos 18, quando a cobrança de falta de Adriano, que havia resultado no gol de rebote de Luis Gabriel, foi anulada pelo árbitro por ter sido cobrada com antecedência ao apito. O Fúria foi obrigado a bater outra falta. Como um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, o gol não saiu.
O tricolor só conseguiu diminuir nos últimos instantes da partida, com um gol que muitos não conseguiram ver ou entender. Segundo uma breve descrição do goleiro Betão, o lance foi fruto de uma bomba cruzada de Luis Gabriel, na frente da qual Adriano se enfiou. O camisa 10 interceptou a trajetória da bola e, sem querer, acabou empurrando-a com o corpo para dentro do gol. Mas faltava apenas um minuto para o final do jogo, que acabou mesmo em Fiorella 2 x 1 Fúria. Não houve espaço no campo para a tristeza. Da mesma forma que os integrantes do time vencedor, os furiosos estavam sorridentes, orgulhosos pela excelente performance e evolução de sua equipe. Porém, na próxima etapa, o jogo vai ser duro: o Fúria pega o raçudo Bengalas, que, mesmo sem o craque Guitôle, vai fazer de tudo para se recuperar da derrota vergonhosa para o Bacana. Caso o tricolor mantenha a determinação com a qual jogou contra o Fiorella, a partida provavelmente será uma das mais quentes da semana que vem.
SNG VENCE NO SUFOCO BRÓDER
Se na semana anterior ao duelo entre EB e SNG o respeito foi mútuo entre dois bicampeões, dentro de campo o que se viu ao final da partida foi a total falta de respeito - afinal, a briga iniciada com a entrada dura do goleiro Macaco em Tejeda de nada acrescentou ao belo espetáculo que as equipes deram em campo. Menos mal que os capitães dos times reconheceram o erro e saíram de quadra conversando e em paz. Renê e Mutssa estavam tranqüilos após o jogo, mas indignados com alguns jogadores e especialmente com a omissão da arbitragem, quem nem amarelo deu a Macaco, o que levou Allan, que voltava de suspensão, a sair de seu campo para arrumar toda a confusão.
Em se tratando de futebol, o SNG já saiu perdendo antes mesmo de começar o jogo, afinal, a equipe teve nada menos que 6 ausências de seus 17 jogadores inscritos. O setor defensivo ficou reduzido a Vairo e Allan, pois Mario ainda não havia chegado e o goleiro Sampa saiu de férias por quase um mês. Coube ao experiente Messi a missão de defender a meta da equipe, assim como a Biro fazer de zagueiro enquanto o colega não chegava.
As duas tradicionais equipes entraram em campo muito questionadas pela imprensa e pelos demais jogadores do Chuteira, que viam uma certa decadência nos respectivos primeiros campeões do Chuteira. O jogo começou equilibrado, com chances para as duas equipes. E a maior necessidade – decorrente do ponto solitário na tabela e a desconfortante 10ª posição na classificação, levou a EB a marcar primeiro, com Mutssa logo aos 6 minutos.
O SNG não deixou por menos e logo em seguida empatou com Renê. O Broder se fechava no seu campo e saía rápido para o contra-ataque. E assim levava perigo ao gol defendido por Messi, pois num lance acertou a trave e em outro Mutssa perdeu um gol incrível cara a cara com o goleiro. A partir daí o SNG passou a ter mais volume de jogo, com a entrada de Mario e o meio com Biro e Tejeda e Fabinho. Tanto que, aos 17 minutos, após cobrança de escanteio, Renê enfim virou a partida fazendo seu gol numero 99 no Chuteira e criando expectativas em todos de que naquela partida sairia o gol 100. Mas no primeiro tempo não aconteceu mais nada.
Na volta para o segundo tempo, o panorama não mudou. Os times atacavam e tinham chances de marcar. Até que numa das jogadas, Abelha lançou Renê na ponta que, de chaleira, deixou o mesmo Abelha na cara do gol. Ele chutou, a bola bateu no goleiro e subiu. Lentamente a danada foi cair dentro do gol do Broder para decretar 3 a 1 no placar. Houve muita reclamação por parte dos bróders, que alegavam que a bola tocou na rede de cima da quadra, o que teria de ser dado o lateral. Discussão e discussão, mas o gol foi validado. O SNG ensaiava uma goleada.
Com uma diferença de dois gols, o Broder foi pra cima já que precisava desesperadamente da vitória. Numa saída de bola errada de Fabinho, Werner rouba a bola e diminui para o Bróder, dando esperança ao time alvi-rubro. O jogo seguiu com pressão da EB, mas sem muito foco nas investidas ao ataque. e foi em outro lance de bobeira do SNG, aos 23 minutos, quando lateral foi batido para Messi, que sem saber o que fazer com a bola o goleiro chutou para frente. A bola foi interceptada e a jogada prosseguiu pela ponta esquerda. Após cruzamento, Mario corta com o braço e o pênalti é marcado, para desespero do SNG que, claro, não concordou com a marcação e via uma partida tranqüila se transformar num pesadelo. Na cobrança, Mutssa mandou no canto direito de Messi, que foi pra bola mas não conseguiu evitar o empate. Eram jogados 23 minutos.
E nos minutos finais o jogo esquentou de vez. A EB partiu pra cima sentindo que poderia vencer. O SNG tratou de se fechar e sair no contra-ataque. E foi o que aconteceu quando Tejeda recebeu bola recuperada na defesa e partiu em disparada pela lateral direita. Gabriel Borges seguiu em seu encalço e, quando Tejeda cortou para dentro para invadir a área, o jogador deu um toque por baixo, enquanto o goleiro Macaco saía com tudo por cima, com o pé de cima para baixo bem no meio do pequeno Tejeda. Foi a deixa para o tempo fechar de vez. Indignados e com Tejeda se contorcendo ao chão, o SNG pedia vermelho ao goleiro. Allan, que voltou da suspensão de 3 jogos após briga com arbitragem, saiu correndo do bando de reservas e chegou com a mão na cara de Macaco, quase lhe aplicando um soco. Aí o tempo fechou, todos os jogadores se envolveram – uns para separar, outros para bater, e o espetáculo ficou de lado para uma confusão tremenda.
A arbitragem esperou que os ânimos se acalmassem para tomar as devidas atitudes. E a ação dos árbitros foi amarelar Gabriel Borges, pela falta no lance, dar cartão vermelho para Edu, do Broder, e azul para China, Allan e Fabinho, os dois últimos do SNG. Depois de tudo isso, apenas esses cartões e dessas cores. Houve indignação de jogadores que assistiam à partida diante da falta de pulso dos árbitros. Por muito menos o vermelho foi sacado outras vezes.
O jogo reiniciou com Memé ajeitando a bola com carinho para a cobrança. Eram 26 minutos quando a pelota saiu de sua posição de inércia para seguir rasteira e forte no canto oposto do goleiro e decretar mais uma derrota no fim do jogo da EB. E mais uma vitoria do SNG, que comemorou demais o gol, principalmente Memé, que abriu o sorrisão que esconde o olho,aqueles de orelha a orelha.
SNG chega a 11pontos e segue em 3º lugar no Grupo B. Já a EB, com seu ponto solitário, mostrou mais uma vez que pode ganhar seus jogos, faltando mais atenção nos minutos finais, como foi com SNG e Kadência.
AURORA VENCE VERAS POR GOLEADA
Embalado pela série de quatro vitórias consecutivas, o Aurora entrou em campo pela 5ª rodada do Chuteira de Ouro determinado a atropelar o instável The Veras e confirmar sua excelente fase. E o que se viu na quadra 4 do Playball foi um verdadeiro massacre promovido pelo esquadrão do meia Pena: 7 a 3, com requintes de crueldade. E o placar só não foi maior graças a uma atuação fenomenal do goleiro Benga, autor de seis intervenções inacreditáveis, dignas de serem chamadas de milagre.
A partida começou à feição do Aurora, em ritmo alucinante e explorando a velocidade do camisa 10. A bola parecia queimar nos pés dos jovens atletas do The Veras, que não conseguiam nem de longe repetir a bela atuação que tiveram na rodada anterior frente ao Bengalas. Diante desse quadro, o placar não tardou muito até ser inaugurado. O autor do gol? Claro, Pena, em um chute rasteiro, forte e colocado de fora da área. Após o tento, o Aurora pareceu se acomodar e as poucas investidas ofensivas do The Veras passaram a dar resultado. Após linda jogada de Victor, o matador Moura apareceu livre no segundo pau para empatar o jogo.
O empate não abalou o incansável time do Aurora, que voltou à carga e obrigou o goleiro Benga a operar uma incrível série de três milagres. O The Veras parecia hipnotizado e se limitava a assistir passivamente a tudo. Para complicar ainda mais a situação do time azul-grená, o zagueiro Cucio foi admoestado de maneira bisonha com um cartão amarelo. Como era de se esperar, a insistência do time de amigos de Pirituba foi premiada: ao final do primeiro tempo, o marcador apontava incontestáveis 4 a 1, com dois gols do pivô Wellington e outro do estreante Mauro Luiz.
No segundo tempo, com o reforço do experiente zagueiro Flama, o The Veras melhorou razoavelmente e conseguiu jogar com um pouco mais de tranqüilidade. Contudo, com a atuação opaca de seu meio-campo, o time não conseguia criar chances e pouco obrigava o bom arqueiro Leo Alemão a trabalhar. Valendo-se desse espantoso domínio, o Aurora seguiu marcando gols, com Mauro Luiz novamente e outro do também estreante Ricardo Augusto. A essa altura da partida, o centroavante Wellington, o meia Maradona e o ponta Mauro transformaram-se em protagonistas do jogo, demonstrando que, ao contrário do que muitos pensam, a equipe de Pirituba não depende exclusivamente do talento de Pena. Em um lance controverso, a atrapalhada arbitragem inverteu uma falta e deu o segundo amarelo – que resultou num cartão azul – ao zagueiro Cucio, que deixou o campo desconsolado. “Eles não precisariam disso para nos vencer”, lamentou o camisa 11, enquanto passava cabisbaixo pelo portão.
O Veras contou ainda com a ajuda de seu goleiro Benga, que fez mais três defesas a queima-roupa, para não levar uma goleada histórica. É bem verdade que o time ainda achou tempo para descontar, com o artilheiro Moura, em duas cabeçadas certeiras. Mas nada que amenizasse a impactante derrota sofrida. Merecida, por sinal. Ao fim da partida, o capitão Pedro resumiu o jogo parafraseando Johann Cruyff, técnico do Barcelona em 1992, em referência ao São Paulo de Telê: “Se é pra ser atropelado, que seja por uma Ferrari”.
Veras volta a campo para tentar fazer o que todos fizeram até agora – vencer o Tosco – enquanto o Aurora volta a jogar para tentar o que ninguém conseguiu até agora – vencer o Bacana.
JOGA 13 RESSUSCITA COM GOLEADA SOBRE GIRO SP
Como a bola começou sob domínio do Joga 13, o embate foi iniciado com o tradicional petardo do capitão Rodrigo. A bomba deu um susto em todos os que estavam em campo e na torcida, já que passou raspando o travessão esquerdo da Giro e por muito pouco não entrou. O lance parece ter intimidado a equipe preto e laranja, uma vez que esta começou o jogo de forma tímida, diferente da configuração agressiva e terrorista com a qual está acostumada a jogar.
A estratégia primordial da Giro era clara, porém aparentemente eficaz contra o 13: Peixão e Flavião tocavam a bola devagar na retaguarda com o intuito de atrair e concentrar a pesada marcação adversária em um único ponto, deixando o caminho livre para que os matadores Cabrito e Mário pudessem chegar à área rival pelas laterais e marcar gols. No entanto, o time de Batata não contava com a zaga poderosa do 13, representada principalmente por Guma, e com atuação brilhante de Choco no meio de campo – sem dúvida, a melhor performance do jogador até agora nessa edição do campeonato. Graças ao camisa 21, uma série de bolas ameaçadoras da Giro foi convertida em contra-ataques de igual periculosidade.
O Joga 13 não demorou a pôr em prática os conselhos bradados pelos fanáticos torcedores J e Lucão, que estavam do lado de fora gritando muito. O lema “Aperta, 13” passou a ser seguido à risca, com Lele e Rafinha sufocando a zaga adversária. Para não ser encurralada, a Giro voltou com sua velha tática ofensiva e emparelhou a peleja, que ficou toma lá da cá por algum tempo. Esse novo quadro da partida pôs ambos os goleiros para trabalhar. Caieras, do Joga 13, se destacou bastante ao realizar defesas difíceis, como a que anulou a perigosa cobrança de Cabrito, aos 7 minutos. Mas o arqueiro da Giro, Guilherme Magoo, não ficou por baixo. Prova disso foi a ogiva de Rodrigo que ele defendeu segundos depois da jogada comentada acima.
No entanto, a glória de Guilherme caiu a cinzas aos 10 minutos, quando uma cobrança de falta de Rodrigo passou pela barreira e foi lentamente morrer no canto do gol. O goleiro ainda tentou ir com os pés, mas não alcançou a redonda. O lance foi um divisor de águas na disputa, visto que a Giro, apesar de ainda ter construído algumas boas jogadas no restante do jogo, se desestruturou e aos poucos foi se entregando.
O equilíbrio voltou ao prélio e seguiu até o final do primeiro tempo. Se a Giro respirava ofensivamente nas investidas de Cabrito, o Joga 13 martelava com as investidas de Choco. Este último merece um destaque ainda maior, visto que, por conta da atuação praticamente nula de seu parceiro Lele, duramente marcado por Peixão, acabou criando jogadas individuais. Nos instantes finais, a Giro – motivada pelos incentivos que o técnico Batata urrava – até levou certa vantagem e ameaçou várias vezes o goleiro Caieras. Todavia, o lendário arqueiro do 13 não cedeu e o intervalo logo veio para esfriar os ânimos do time atacante.
O segundo tempo foi marcado pelo declínio vertiginoso da Giro e pela onda contínua de gols do Joga 13. A primeira até criou boas oportunidades nos primeiros minutos. Entretanto, com o passar do tempo, o placar desfavorável foi enchendo o time de desespero, o que acabou gerando discussões internas que limaram a harmonia e coesão na hora de armar jogadas e se defender. O 13 se aproveitou dessa situação e tomou as rédeas da partida, ampliando seu placar com quatro golaços.
O jogo recomeçou de forma emocionante, com uma investida perigosíssima de Cabrito que certamente teria se convertido em gol caso Rodrigo não estivesse lá para fazer o corte. O 13 não se acuou com a pressão e revidou, partindo para cima com Choco, mais aceso que no primeiro tempo, e Lele buscando sair da área e caindo pelas laterais. Como a zaga da Giro já se encontrava perdida, desorientada, não foi difícil para a dupla de atacantes amarrar o jogo na área da equipe preto laranja e começar um bombardeio sem precedentes. Porém, aquele não era o dia de Lele, artilheiro supremo do Joga 13: o camisa 9 perdeu uma gama de gols fáceis que poderiam ter expandido o placar de seu time e contribuído imensamente para que a meta de 100 gols do jogador fosse alcançada.
Ao contrário de Lele, Choco não perdoou. Para aumentar o brilho de sua espetacular atuação, o atacante cravou dois gols na Giro, sepultando os últimos resquícios de união que havia nas ações desse time. O primeiro veio aos 13, quando o camisa 21 recebeu reposição precisa de Caieras e chutou. O goleiro Wectom, que entrou no lugar de Guilherme, espalmou a bola com prontidão, mas não conseguiu pegar o rebote chutado pelo mesmo jogador. Já o segundo gol foi resultado de uma saída errada de bola da Giro. Choco só se deu o trabalho de recuperar a bola na área, girar e bater, marcando 3 a 0 para o Joga 13.
Em seguida, Lele finalmente conseguiu marcar o seu. O jogador lucrou com o buraco que Doce e Bruninho haviam deixado na zaga inimiga e, sozinho com o goleiro, completou com um chute rasteiro. Após levar o gol, a Giro teve seu último rampante de coesão e raça na forma de um chutão cruzado de Flavião. Caso Caieras não interviesse a tempo, a bomba teria se consolidado em um lindo golaço de honra.
A Giro, que já estava com os nervos à flor da pele, implodiu de vez quando o técnico Batata foi expulso. Àquela altura furioso com o rumo que a partida havia tomado, se exaltou ao reclamar de uma falta e acabou xingando o árbitro. O juiz logo sacou o vermelho e tirou o instrutor de campo. A punição pelo jeito não serviu de exemplo a Kbral, reserva do 13, já que este foi expulso segundos depois por motivo semelhante.
O gol de falta de Rodrigo, o quinto do 13, foi o estopim para a confusão lamentável que ocorreu no final do duelo. Manente perdeu a cabeça totalmente depois do que considerou uma cotovelada e mandou o sarrafo em Lele, fazendo uma falta absurda e externando todo o desespero e raiva de um time que sofria uma goleada. O defensor foi expulso e a confusão foi geral, com muito empurra-empurra e tudo mais. Sem agressões, o jogo seguiu até seu fim já sem clima de buscar o gol de ambas as equipes. O Joga 13, que tinha amadurecido sua vitória, colheu contra a Giro SP.
Resta ao 13 retomar o caminho das vitórias, pois, de acordo com os gritos exaltados de seus integrantes no final da partida, “o Joga 13 voltou”. Enquanto a Giro recolhe cacos para tentar a reabilitação diante da Equipe Bróder.
TOSCO MOSTRA QUE DE FATO NÃO NASCEU PRA VENCER
Enfim o amaldiçoado Atlético Pagalanxe desencantou! Ao bater o lanterna Tosco pelo exorbitante placar de 9 a 1, o time laranja não apenas conquistou 3 preciosos pontos na tabela como também se encheu de moral e esperança, livrando-se da “zica” que incorporou no início dessa edição do Chuteira – e que agora parece estar assolando o Tosco.
O confronto começou embolado no meio de campo, com ambos os times disputando a posse de bola. Todavia, o Pagalanxe não demorou em se sobressair, visto que o Tosco estava em um dia muito ruim: além de não apresentar conjunto e coerência em suas jogadas, a equipe transpirava desânimo e apatia. Dessa forma, não foi difícil para Julio Cruz abrir o placar com um gol de cabeça logo aos 2 minutos, anunciando que uma goleada estava por vir.
O Tosco não teve nem tempo para reagir. Segundos depois de estrear o marcador, o mesmo Cruz arrancou pela lateral esquerda e costurou a área do oponente. De frente para o goleiro Kbeça, chutou alto. O arqueiro saltou certinho na bola e a espalmou. No entanto, Bruno Corneta, de cara para o gol e livre de qualquer marcação, pegou o rebote e finalizou com um leve toque na bola.
Após marcar seu segundo gol, o Atlético relaxou e passou a jogar em ritmo de treino. Mas nem essa colher de chá ajudou o Tosco a se recuperar. O time preto amarelo até arriscou algumas jogadas pelo centro com Flavinho e Marquinho, mas a falta de sintonia de ambos fazia com que os ataques não oferecessem perigo algum ao goleiro Erich.
Em seguida, mais dois gols do Pagalanxe. O primeiro, marcado aos 10, resultou de uma bela cobrança de falta de Gustavo Japonês. Já o segundo foi um golaço de Julio Cruz, que após costurar todo o meio de campo sozinho, mandou uma bomba cruzada para explodir nas redes do Tosco, mostrando dessa forma que o Atlético estava seguindo à risca as instruções clamadas a todo instante pelo técnico Pedro Velardo, de volta à equipe depois da contusão: “marcar muitos e muitos gols”.
O Pagalanxe seguiu dominando o jogo com facilidade, mas um ímpeto milagroso de determinação tomou conta do Tosco, permitindo que o time marcasse seu primeiro e único gol com o chute rasteiro de Nicola, assistido pelo passe do gigante Feijão.
O Tosco passou de alvo à ameaça, atacando a todo instante pelas laterais com Melo e Feijão, este um dos poucos do time que mostraram raça do início ao fim. Junto a Marquinhos, seguiam pressionando pelo centro, driblando e armando passes com seus companheiros atacantes. A ofensiva do trio realmente acuou o Pagalanxe e chegou a travar o jogo, mesmo que somente por alguns minutos, na área do mesmo.
Parecia que a partida ficaria pegada daqui para frente. Os laranjinhas, porém, revidaram e destruíram toda a força de vontade do rival com o gol de Nardelli, fechando o primeiro tempo com o imponente placar de 5 a 1.
Como era de se esperar, a segunda metade da disputa foi orquestrada conforme ditava o Pagalanxe. Assim que o árbitro apitou o início do segundo tempo, o trio Daniel Dadain, Bruno Corneta e Julio Cruz começaram a castigar o goleiro adversário com chutes dos mais variados tipos e distâncias. Não obstante, o arqueiro não se intimidou e, mesmo estando abandonado pela zaga de seu time, apanhou bolas perigosas que poderiam ter feito muito estrago na rede do Tosco.
Mas uma hora o gás de Kbeça acabaria e aí seria o fim definitivo do Tosco. Isso aconteceu quando Nardelli recebeu de Daniel e chutou cruzado no cantinho direito, sem chances de defesa. Pouco tempo depois, Cruz marcou mais, também auxiliado por Daniel.
Mas o Tosco reagiu: Feijão e Luci, em uma tentativa desesperada de reverter a situação de seu time, começaram a marcar única e exclusivamente a saída de bola do Atlético. A medida foi inócua, pois a situação emocional do time já estava em frangalhos: o Tosco estava mesmo condenado a ruína.
A derrota veio de forma rápida e indolor. A esta altura, o Tosco, nos raros momentos que dispunha da posse de bola, tocava a esmo, sem objetivo. Estava claro que o time assumia a sua condição de massacrado. Julio Cruz e Corneta, com tranqüilidade, trataram de abater o rival com um gol cada, fechando com glória a ressurreição do Pagalanxe e mantendo o Tosco na posição que ele parece merecer até o momento: a lanterna.
Porém, o Pagalanxe tem um árduo desafio pela frente. Encarar o Acidus na semana que vem não será uma tarefa nem um pouco fácil, ainda mais levando em conta os resultados dos jogos recentes deste último. Esse será, sem dúvida, o teste definitivo para checar se o Atlético se reabilitou ou se a partida contra o Tosco foi um surto temporário de qualidade e entrosamento.
ROLETA PERDE PARA ESTUDIANTES E SEGUE AMEAÇADO
Roleta Russa, 5 pontos, e Estudiantes, 7 pontos, entraram em campo em situação similar: era vencer ou vencer para continuar na cola dos líderes e não deixar que o pelotão de baixo se aproximasse. O jogo tinha sido marcado por comentários no site de que seria um grande jogo e que não havia nada de rivalidades criadas antecipadamente, como colocaram alguns jogadores. As estrelas maiores estavam em campo: de um lado, Caio, de outro, Kuminha. Esperava-se muito deles, mas de fato pouco se viu. Com muito toque de lado e pouca coisa de concreto, ambos estiveram aquém do futebol outrora apresentados. Mesmo assim, o primeiro soube usar de experiência para dar a vitória ao Estudiantes a poucos minutos do final da partida.
O começo do jogo foi equilibrado, mas sem grandes chances para ambas as equipes. O jogo ficava mais no meio de campo e perigo mesmo só três oportunidades que Rick teve que foram defendidas em saídas providenciais do goleiro Richard nos pés do atacante Roleta. O Estudiantes não chegava e Tavinho estava muito tranqüilo embaixo das traves. Mas não tardou para o Roleta dominar o meio de campo com a força física de Gegê e de Pina. Baru ficava na sobra e os dois tinham mais liberdade para apoiar e ajudar Kuminha na condução do time ao ataque. E assim a equipe rubra chegou ao gol de Richard, que continuava antecipando-se bem e evitando mesmo as conclusões.
Por parte do Estudiantes, a jogada mais utilizada – para não dizer só utilizada – foi a bola aérea na cabeça de Junior. O camisa 4 subia mais alto que qualquer um do Roleta e, com a não saída do gol de Tavinho, ele conseguia cabecear com perigo. Numa destas, mandou no travessão. Em outras, a bola passou perto. Foi só aos 20 minutos que o Estudiantes deu seu primeiro chute efetivo a gol, pois o meia Caio, ao invés de chutar ao gol, estava preferindo o toque em busca dos companheiros, principalmente Piero e Pit. Em jogada individual pela esquerda, sua especialidade, o camisa 7 passou por 3 jogadores do Roleta praticamente dentro da área para chegar na cara de Tavinho e ficar sem ângulo.
E o domínio do Roleta se converteu em vantagem no placar quando Rick pega rebote após defesa do goleiro. A bola sobrou e ele não perdoou, para comemoração “sai zica”e muitos aplausos do amigo R. Barath, que estava vendo ao jogo e tinha pedido ao centroavante um gol para espantar a zica. Dito e feito. Com a entrada de Luiz Eduardo (sim, o goleiro) no ataque, o Roleta ainda criou ao menos duas chances, que o próprio Luiz viu serem defendidas pelo goleiro.
Sem muita coordenação, o Estudiantes viu o Roleta chegar com perigo e ter o controle das ações no primeiro tempo, o que seria invertido no segundo tempo, quando o Estudiantes passaria a atuar mais pelas laterais, principalmente com Leandro Raito pela esquerda e Caio pela direita.
O jogo ficou mais aberto e ganhou em emoção. Brian entrou para dar mais velocidade ao contra-ataque e Martins para dar melhor saída de bola da defesa para o ataque. E a tática deu resultado, pois, em contra-ataque, Martins recebeu livre para invadir a área e tocar com categoria por cima do goleiro para fazer 2 a 0 para o Roleta. Parecia que a vitória estava muito próxima.
Mas não tardou para o Estudiantes chegar enfim ao seu merecido gol quando, após dividida de Rafael Vasques na esquerda com a zaga, a bola sobrou pra ele que avançou pela lateral com a finalidade de fazer o cruzamento. Ele tocou para dentro da área buscando Luiz Hummel, mas a bola não encontrou o pé do atacante, mas sim do zagueiro Baru, que chegou a mil por hora como se fosse um centroavante e no afã de tirar acabando mandando um balaço pra dentro do gol, para desespero do goleiro Luiz Eduardo, que tinha entrado no gol do Roleta no segundo tempo. Baru sentiu o baque, tanto que logo quis ser substituído e ficou no banco um tanto cabisbaixo, mas nada que logo não pudesse ser recuperado e ele voltasse a incentivar o time.
O gol acordou as duas equipes, que tiveram de se virar na defesa para impedir mais gols e buscar o ataque. Apagado, Kuminha nada fez de genial como se costumou a ver em seus jogos, enquanto Caio conseguia fazer o mais difícil (para ele, mais fácil) que era cortar os defensores e errava na hora do passe final. Ou então seus companheiros erravam o alvo ou a zaga conseguia bloquear a finalização. Fato é que Luiz Eduardo trabalhou muito pouco.
E se trabalhou pouco em defender, ele teve de ir buscar a bola no barbante quando Rafael Vasquez empatou a partida ao ver a bola espirrar para ele poucos passos da área. Mandou um tiro forte e marcou o empate. Faltavam poucos minutos para o fim do jogo e ambos os times sabiam que um gol ali seria fatal. E o jogo aberto e livre do primeiro tempo deu lugar a um jogo mais truncado no segundo, com diversas faltas por parte do Roleta Russa. E na somatória das faltas o Roleta ia ficando próximo do limite de faltas permitido. Bocha entrou na segunda metade do segundo tempo e só teve tempo de fazer mais uma falta para ser sacado de campo. A má fase do jogador parece estar longe de acabar. E foi Kuminha quem fez a sétima falta do Roleta, num quase carrinho em cima da linha do meio de campo na lateral. O jogador foi agraciado com o cartão amarelo e o time ficou refém pendurado nas faltas. Time avisado, mas parece que Brian teve um branco danado quando, após dividida de Martins no meio, o camisa 23 chegou bicando bola e tudo mais e fazendo a oitava falta da equipe, para total desespero de Martins, que gritou muito com o jogador ciente da bobagem que ele tinha acabado de fazer. Tiro de 9 metros para o Estudiantes. Caio ajeita com carinho e, de pé direito, manda no lado esquerdo de Luiz, que ainda chegar a tocar na bola mas tem de se contentar em tira-la de dentro do gol com o placar de 3 a 2 para o adversário. Explosão de alegria no Estudiantes e decepção no Roleta.
E dois minutos depois os árbitros encerraram a partida. Estudiantes fazia 3 pontos e chegava a 10, deixando o Roleta com seus 5 pontos e uma situação no mínimo complicada, já que viu o Joga 13 se aproximar na tabela e tem pela frente o líder Kadência.
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