Foram duas batalhas para vencer a guerra. O herói Paolo surgiu e decidiu para o Báguas nos momentos que o time mais precisou

Há uma frase do técnico Muricy Ramalho que caberia muito bem no último dia da Taça inverno, quando se conheceu finalmente o 24º time a compor o V Chuteira de Bronze. “A bola pune”. Sim, ela puniu o Lodetti na grande final diante do Báguas, quando o time cansou de perder gols até ter de decidir nas penalidades o título.
Antes de adentrar os 40 minutos da final, aconteceram as partidas semifinais. O Lodetti chegou empolgando, ao ritmo de Pedrinho, que esbanjava habilidade no campo ofensivo do CSKA. No primeiro tempo ele fez um gol e deu uma assistência, ajudando o time a fazer um 3 x 1 tranquilo. Um detalhe interessante do jogo é que se o Lodetti comandava as ações em campo, o adversário conseguir algumas investidas. Numa delas, penalidade anotada. O placar indicava 1 x 0, mas o artilheiro Marcelo chutou no meio e facilitou para Gian, que defendeu.
Talvez nem se tivesse marcado o CSKA conseguiria segurar o ritmo forte do alvi verde, que tocava muito bem a bola e aproveitava a velocidade nos contra-ataques com Marquinhos, autor de dois gols, e Toretta. Assim, a equipe repetiu o placar do primeiro tempo no segundo e passou às finais com um 6 x 2.
Na outra semifinal, a revanche do jogo de abertura para o Hangover, que perdeu de virada para o Báguas e vinha engasgado. O Báguas saiu na frente com Jorge, mas sua equipe queria complicar e num lance de ataque em falta conseguiu voltar a bola e tocar para lateral. O Hangover cobrou rapidamente, nova lambança e um golaço de cobertura do artilheiro Dunga. O empate no primeiro tempo ficou de bom tamanho para um jogo em que as equipes não conseguiam jogar em razão do excesso de reversões. Paolo, camisa 8 do Báguas, que o leitor ainda lerá muito nas linhas abaixo, era o mais visado – não acertava um! Definitivamente, cobrar lateral não é com ele.

Em mais uma decisão por pênaltis de uma taça, Báguas se deu bem na semi e na final
Porém, há sempre um desígnio divino que, de repente, de onde menos se espera, indica aquele a se destacar e aparecer como o heroi. O futebol não é um conto de fadas ou narrativa mitológica, mas não se pode negar que nele nascem e vivem os heróis da modernidade. E no 11 de agosto, Paolo foi, sem dúvida, o homem máximo do Báguas.
O segundo tempo era do Hangover, tanto que Dunga voltou a marcar ao só ter o trabalho de empurrar quase debaixo da trave. Com 2 x 1, o Báguas se viu atrás no placar e tendo de correr atrás. Eis que Paolo começou a aparecer. Forte, parrudo, parecia um touro lutando no meio da defesa adversária. Por cima, por baixo, chutando e tentando dribles, bufava a cada lance como se estivesse numa tourada (ele sendo o touro, claro). Foi assim que ele conseguiu o que parecia impossível a um time que vinha com apenas dois reservas e jogava sob um sol forte e clima abafado: ele marcou dois gols e virou o jogo. Entretanto, as coisas nunca são fáceis para os herois, tanto que o Hangover empatou nos acréscimos com Pato e levou o jogo para as penalidades. Na série inicial, todos converteram suas cobranças – inclusive Paolo – e eis que surge um segundo heroi, que seria o elemento a completar a grande jornada laranja. O goleiro Symon, com sua camisa regata e mais de 1,90m, esticou a perna e defendeu a cobrança de Gaga. Sofrimento garantido e vaga na final.

Tal qual um fantasma, Paolo, do Báguas, assustou as defesas de Hangover e Lodetti e foi o grande herói do titulo e da chegada do time à Série Bronze. Jogador foi eleito o MVP do torneio
A decisão foi mais empolgante ainda que as semi. E o jogo de ambos os finalistas se repetiu: o Lodetti tinha mais posse de bola e volume de jogo, mas pecava nas finalizações. O Báguas se defendia e procurava o homem iluminado. De início, as coisas pareciam sorrir para o Lodetti, que logo marcou com Toretta. O 1 x 0 seguiu para o segundo tempo graças a dois fatores: Symon e a falta de pontaria dos atacantes.
Era a hora de convocar o heroi para a batalha final. E lá estava Paolo para resolver a parada. E ele resolveu, e não foi da forma mais simples, mas sim anotando o gol mais bonito do campeonato. O camisa 8 fez fila ao driblar 5 jogadores do time adversário e bater baixo no canto do goleiro. Tudo igual de novo! Era isso? Claro que não, pois o Lodetti pressionou e fez o segundo, com João completando em cima da linha.

Técnico do Lodetti chamou a atenção para o tanto de gols perdidos da equipe, que viria a ser punida o fim com a derrota nos pênaltis
Em 2 x 1, o Lodetti se deu ao luxo de perder gol atrás de gol, tanto que no tempo pedido o que se podia ouvir do técnico Diego era justamente isso – não pode perder tantos gols assim! Mas seus jogadores não ouviram a lição, tanto que Pedrinho, Marquinhos e Camillinho perderam de montar uma goleada na final. Camillinho, então, não deve ter dormido à noite pensando na bola que ele mandou por cima quando escorou sozinho a menos de um metro do gol e sem goleiro! Um gol impossível de perder, daqueles que parece que houve intervenção divina para não acontecer.

Symon, do Báguas, foi decisivo nas semi e nas finais, não só pegando muito no jogo normal como defendendo pênaltis. Goleiro foi eleito o MVG da competição
Eis que a bola resolveu punir. Paolo (olha ele aqui de novo!) escorou de cabeça uma bola lançada na área e mandou no canto baixo do goleiro! Impressionante! Era novo empate, desta vez persistente até o apito final dos árbitros, que designaram que o campeão seria conhecido na disputa de pênaltis. Exato, era hora de Symon aparecer de novo. Jorge, Cesinha e... sim, ele, Paolo, balançaram as redes pelo Báguas. Do lado do Lodetti, Toretta e Camillinho fizeram o seu, mas coube a João, que fez um belo campeonato, chutar e ver Symon defender e ver a comemoração da equipe adversária pela ascensão à Série Bronze do Chuteira.

Toretta, torcedor e Camillinho recebem a taça de vice-campeão ao Lodetti
PREMIAÇÃO INVIDUAL
Artilharia
Dunga (Hangover) – 13 gols
MVP
Paolo (Báguas)
MVG
Symon (Báguas)
Comentários (0)