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NA PRORROGAÇÃO, CAV É NOVO CAMPEÃO DA OURO

Davi abriu o placar em grande estilo e anotou o tento de empate a um minuto do fim do tempo regulamentar; nervosismo e descontrole emocional com a arbitragem fizeram Bacana perder o título que estava em suas mãos e amargar o terceiro vice-campeonato



TEXTO Heron Ledon
FOTOS Weinny Eirado

Que jogaço! Para muitos, uma das melhores finais do Chuteira de Ouro, se não a melhor! E realmente não é para menos. O duelo entre CAV e Bacana foi de encher os olhos dos amantes do futebol. Era difícil de apontar um favorito devido à boa e regular campanha do Atlético da Vila e da reação do adversário nos últimos jogos – sobretudo ao eliminar os fortes Arouca e Mulekes. Talvez com uma sutil preferência dos palpites, o time de Caio Fleischmann contou com o meia Davi para mais uma vez guiar os companheiros à vitória. No entanto, o Bacana, embalado por Tales e Cezinha, apesar de tenso desde o início do duelo, conseguiu a virada no segundo tempo, mas, após confusão com a arbitragem, os jogadores se alteraram e cederam o empate. Vitinho Lessa, então, surgiu como elemento surpresa e anotou o gol de ouro, para a alegria dos atleticanos!


CAV: campeão do XIV Chuteira de Ouro


E quem começou com tudo desde o início foi mesmo o CAV. Logo no primeiro minuto, Davi tocou para Jorginho, que enfiou a bola para Barata bater de primeira de dentro da área à esquerda do goleiro Daniel, levando perigo à sua meta. O Atlético até chegava bem, fazia boas trocas de passes e mantinha a posse de bola, porém faltava-lhe a boa conclusão dos lances para o gol sair. Já o Bacana estava muito nervoso em campo e também no banco de reservas. A equipe não conseguia pôr a bola no chão e pouco chegava ao ataque. E ainda só não teve a situação complicada porque seu arqueiro afastou um cruzamento perigoso de Marcel e Bettoni acertou um belo voleio na trave.


Bacana: vice-campeão do XIV Chuteira de Ouro


No entanto, já que a postura do time não mudara e os atletas do CAV não conseguiam abrir o placar, falou mais alto a jogada individual de um craque para as redes serem sacudidas. Davi recebeu a gorducha no meio, pedalou e limpou para cima de Felipe Laet, escolheu o canto e bateu com categoria à esquerda de Daniel. A bola ainda tocou o poste antes de entrar. Um belo gol, para tranquilizar os atleticanos e... Acordar o Bacana!


De mãos dadas e debaixo de fumaça tricolor, CAV entrou em campo para a decisão


O time de vinho, que tinha dificuldades de ligar a defesa ao ataque pelo chão, também devido à ausência de Demehur, conseguiu encaixar o toque de bola na segunda parte da primeira etapa. Com a volta a campo de Cezinha, que, irritado, havia pedido para sair, o Bacana chegou ao empate. Carlos Alberto cobrou escanteio para ele, que bateu de primeira da entrada da área no canto esquerdo de Diego, deixando tudo igual.


Davi, homem do jogo e MVP do campeonato, fez o primeiro e o terceiro gols do CAV na partida


Apesar de Barata ter carimbado o travessão, o oponente não acuou e procurou a virada, principalmente com o próprio Carlos Alberto, que arriscou um belo chute – defendido por Diego Gallego – e fez um cruzamento preciso para Yanes, sozinho no segundo pau, porém não aproveitado.


Duelo de gigantes: Tales conseguiu um gol e um pênalti na briga com Bettoni, mas no final o zagueiro caveira foi quem comemorou


O segundo período já começou mais equilibrado, com ambos os times criando boas oportunidades e quase que com um duelo particular entre Cezinha e Cidrão para ver quem desempataria primeiro a partida. O 17 do vinho arriscou um bonito arremate do meio-campo, mas Gallego foi buscar no canto. O rival respondeu em contra-ataque pelo meio, até abrir para a esquerda e bater com perigo para fora. Em seguida, mais uma vez Diego evitou que o meia do Bacana chegasse às redes com uma ótima defesa. E, então, não teve jeito. Barata rolou para Cidrão dentro da área, que protegeu e virou para cima de Napolitano e não quis nem saber: fuzilou para o fundo do gol!


Coração na ponta da chuteira: jogo foi de muita raça e superação, especialmente na marcação


Yanes ainda salvou em cima da linha outra conclusão do atacante oponente, após uma confusão na área. Ao perceber que faltava calmaria ao ataque bacana para segurar e cadenciar a bola, o técnico Marcelão colocou Tales para não sair mais e executar essas funções. Com menor euforia, assim, o camisa 8 deixou o placar igualado mais uma vez no duelo. Em contra golpe, Felipe recebeu na esquerda e tocou para Tales, tirando da marcação. O atacante dominou a pelota na intermediária e, com muita frieza, bateu firme no canto esquerdo de Gallego, sem chances para o goleiro.


Tales comemora o segundo gol do Bacana, o de empate, pouco antes de...



... ele mesmo sofrer pênalti e ver Rômulo convertê-lo chutando forte no meio do gol


Além de todo o espetáculo que as equipes davam em campo, mais um duelo à parte era travado: Bettoni versus Tales. Era uma disputa de gato e rato, basicamente uma marcação individual, que, inclusive, impossibilitou as perigosas subidas do defensor que, por diversas vezes, acabam em gols. E o vencedor desse confronto foi atacante do Bacana. Em uma das oportunidades, ele recebeu na esquerda, fez o giro no adversário e bateu cruzado, para a defesa de Diego. No escanteio, o xerife atleticano cometeu pênalti em Tales e levou o amarelo. Rômulo foi para a cobrança e encheu o pé no meio do gol, virando o placar e colocando a sua equipe com uma mão na taça, já que havia uma superioridade de futebol àquela altura do jogo.


Com 3 x 2, Rômulo teve a chance de matar o jogo sem goleiro, mas a defesa salvou


Todavia, virou tormenta aquilo que era calmaria. Em uma confusão de cartão amarelo e substituição dos jogadores de vinho, Yanes achou que tinha de estar fora de campo, porém seus companheiros disseram para ele voltar e perguntaram ao árbitro Renato se ele estava autorizado a permanecer em campo e, segundo os atletas, ele o fez. No entanto, quando Yanes retornou, o pessoal do CAV imediatamente reclamou com o árbitro, que, por sua vez, paralisou o jogo e mostrou o cartão azul ao camisa 9 bacana. Pronto! Confusão armada! Bate-boca e revolta tomaram conta dos atletas de Marcelão. Enquanto uns tentavam apaziguar, mesmo irados, outros exigiam uma satisfação da arbitragem. De nada adiantou. O Bacana ficou com um jogador a menos, o que era o justo, já que Carlos Alberto, antes de Yanes, entrar, havia recebido amarelo por retardamento de jogo.


Nos minutos finais, a confusão: amarelo para Carlos Alberto, azul para Yanes e muita reclamação quanto ao árbitro ter autorizado ou não a entrada do atacante na substituição




Quando a bola voltou a rolar, desestruturados – como no início da partida, ou pior – os jogadores do Bacana viram o pior acontecer: o empate. Com um atleta a menos, sobrou espaço para Davi limpar na intermediária e bater rasteiro no canto direito de Daniel, igualando o placar a um minuto do fim do jogo. E só não foi pior porque Cidrão havia cabeceado sozinho para fora no primeiro poste, após cruzamento do meia também.


Na prorrogação, Daniel fez dois milagres, mas...



... ele não conseguiu impedir a chegada de Vitinho como um raio para tocar para o gol e decretar o título ao CAV


Veio a prorrogação, e o olhar desacreditado que invadia os atletas do CAV antes do gol de empate, agora, pertencia ao adversário. Um misto de revolta e talvez de receio por mais um vice-campeonato tomou conta do Bacana. A equipe praticamente não viu a cor da bola no tempo extra. O goleiro Daniel fez duas ótimas defesas nos chutes de Marcel e de Davi, mas não pôde evitar a tragédia... Bola alçada na área, e Vitinho, surpreendendo a todos, correu por trás da zaga para desviar sozinho ao fundo das redes! Era o tão sonhado título – mais uma vez perdido pelo Bacana e agora conquistado pelo CAV!


Na comemoração, o técnico Roberto levou literalmente um banho de água fria (com gelo ainda)


Revolta e tristeza restaram aos bacanas após a partida, que preferiram não comentar sobre todos os ocorridos. Já o árbitro Renato alegou que, quando o questionaram sobre a volta de Yanes, disse: “Vamos seguir o jogo, vamos seguir o jogo”, convicto de sua decisão no calor da partida, sem querer dizer que permitiu a sua entrada.


Caio recebe a taça de campeão da Ouro: a obsessão chega ao fim?



Festa e comemoração debaixo de muita chuva


Além do título, Davi também pode comemorar, já que é o MVP da Ouro e foi a peça-chave dessa conquista, apesar de valorizar o time como um todo. “O grupo é muito unido, aqui também tem muita conversa quando perdemos, para nos corrigirmos. Eu cheguei agora e fui bem recebido. Independente de eu ser o melhor do campeonato, é o CAV quem ganhou. Para eu jogar, tem que ter alguém marcando. O grupo está de parabéns”, diz o meia campeão.


Bacana não quis receber medalhas e taça, ficando a cargo de Marcelão carregar os prêmios: muita reclamação e indignação ao fim pelo lado bacana


Ficha técnica Final XIV Chuteira de Ouro:

15 de dezembro de 2012 – quadra 14

Clube Atlético da Vila (CAV) 3 (1) x (0) 3 Bacana

Gols: Davi (2), Cidrão e Vitinho (CAV); Cezinha, Tales e Rômulo (B)

Cartão amarelo: Bettoni e Caio (CAV); Guido, Carlos Alberto, Caco, Cezinha, Yanes (B) Cartão azul: Yanes (B)
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