Capitão Bettoni, cobrando falta, fez o gol que levou o time da Vila a conquistar o título; Condor’s, mesmo perdendo, mostra força para a disputa do V Chuteira de Bronze

O CAV renasceu. Depois de uma aparição meteórica – na qual emergiu da Série Bronze à Série Ouro em apenas um ano, e, neste período, ter somado um título e um vice-campeonato – a equipe de Vitinho Lessa estava em xeque dentro do Chuteira de Ouro, tudo por conta da eliminação precoce nas quartas de final na última edição da Ouro. Mas o VI Festival Bola na Rede ajudou o time a se reencontrar: enfrentando a equipe consistente e aguerrida – que vendeu caro o título – do Condor’s, o CAV valeu-se de uma cobrança de falta para furar o bloqueio adversário e, com muita disposição, segurar o resultado e levantar a taça. À equipe de Gugu permanece, além do vice-campeonato, a certeza de que o Condor’s tem tudo para, finalmente, subir de divisão na próxima temporada da Série Bronze. Ao CAV, fica a lição de que dias melhores poderão voltar se os comandantes do time tiverem consonância nos pensamentos.
A decisão mexeu com os vários jogadores de outras agremiações que compareceram ao PlayBall para ver a decisão. Incrédulos, os mais desavisados se surpreendiam ao ouvir o nome Condor’s na grande final. Já o nome CAV era ‘batata’. Os jogadores-torcedores foram se acomodando do lado de fora da quadra 6. A maioria queria ver o Condor’s campeão. Mas, acima de tudo, a maioria queria prestigiar mais uma grande decisão do esporte bretão. Pontapé inicial dado, os jogadores foram à luta. Porém, o que se viu do começo ao fim foi um jogo truncado, de muita disposição e marcação, mas sem grandes jogadas de efeito de craques como Neno, Cidrão ou Bruninho. Assim, a torcida sofreu um pouco...
Uma ideia do equilíbrio na decisão foi medida através das melhores chances para ambos os lados: em cobranças de falta. A descrição fica até relativamente mais tranquila, pois a bola parada ditou o ritmo da final. à leitura, ficará um pouco maçante ver que as duas primeiras oportunidades foram do Condor’s em cobranças de falta, mas que Gallego as defendeu com certa tranquilidade. Depois dos dois lances de bola parada, o que se viu foi um CAV com a posse da pelota, tocando sem desespero até encontrar um espaço na forte defensiva do Condor’s. Na primeira chegada da equipe, Bettoni experimentou da intermediária, e a bola subiu passando rente ao travessão. Logo em seguida, Cidrão fez boa jogada pela esquerda e chutou. Sandrinho, goleiro do Inflação emprestado ao Condor’s, espalmou para a frente e, no rebote, Marcel encheu o pé, mas a bola foi por cima. A resposta veio com Neno pelo lado esquerdo, que fez grande jogada e chutou cruzado à área, mas Bruninho chegou atrasado e perdeu a chance de esticar o pé para inaugurar o marcador.
A final, pela parte técnica, não empolgava, mas, pela parte tática e pela disposição dos jogadores, trazia nervosismo aos torcedores. Em cobrança de falta, Neno rolou de lado para Cesinha soltar a bomba que passou por cima da meta de Gallego. No contra-ataque, Marcel foi acionado pelo lado esquerdo, na corrida; ele dominou e chutou forte, mas Sandrinho estava atento e espalmou a bola a escanteio. Foi o último lance de perigo real e imediato da etapa una.
Durante o intervalo, um erro foi reparado: o tempo de jogo da decisão, conforme previsto em regulamento, deveria ser de 50 minutos, porém, fora dado apenas 20 minutos de primeiro período. O aviso foi dado que a etapa final iria até 25. E as reclamações já começavam. O segundo tempo começou com mais movimentação. Todavia, com um número excessivo de faltas. Não foi à toa que as jogadas de bola parada acabaram se tornando a tônica do tempo decisivo.
Logo de primeira, Marin arriscou o chute em cobrança de falta, mas a bola saiu sem muito perigo. A marcação do CAV era implacável, anulando jogadores de qualidade como Diony e Bruninho. A contrapartida era a boa defesa do Condor’s, que não deixava Vitinho e cia. chegar à meta de Sandrinho. Na primeira boa tentativa do time da Vila, Cidrão foi lançado no flanco esquerdo e chutou de primeira, mas o goleiro espalmou de forma sensacional a escanteio – evitando a abertura do placar. Depois, em cobrança de falta pelo lado esquerdo, Bettoni chutou por cima. Em nova cobrança de falta, desta vez ao Condor’s, Neno calibrou o pé e acertou um tirombaço, mas Gallego se esticou todo e realizou defesa monstruosa. Em seguida, nova cobrança de falta ao Condor’s: antes da linha divisória da quadra, Marin chutou rasteiro, mas Gallego caiu no canto esquerdo para jogar a pelota a escanteio.
Nesta altura da decisão, o Condor’s era mais ativo nas jogadas de ataque. Ao contrário, o CAV não conseguia encaixar uma jogada de contra-ataque. Porém, o Condor’s sim. Em um contragolpe fulminante do time de Bomba, Bruninho recebeu na entrada da área e chutou forte, mas seu tiro foi descalibrado e acabou subindo – desperdiçando chance clara de tento. Depois, Marin avançou pelo lado direito e chutou forte cruzado, mas a bola saiu com muito perigo.
A etapa final estava mais aberta, com as equipes visando um possível gol de título. O CAV não conseguia atacar com eficiência e, ainda, acumulava faltas. Os jogadores do Condor’s chegaram a se revoltar com a mesária que controlava as faltas, alegando que a mesma não havia computado uma falta a mais que supostamente havia acontecido. E foram justamente as faltas que decidiram o título, só que ao CAV.

Condor’s foi guerreiro e vice-campeonato sela favoritismo da equipe para a Série Bronze que começa no fim do mês
Cobrança da intermediária para o capitão Bettoni. Ele encheu o pé e acabou acertando o canto direito de Sandrinho, rasteiro, que nada pôde fazer. Muita comemoração dos jogadores, que viram um verdadeiro paredão ser penetrado. Em vantagem, o CAV começou a fazer o que sabe de melhor: defender e contra-atacar. Em jogada rápida, Marcel recebeu na entrada da área e bateu colocado, mas o goleiro espalmou a escanteio. O Condor’s saiu no desespero atrás da igualdade. Bruninho cobrou falta da entrada da área, mas Gallego espalmou. E o último lance foi um teste para cardíaco: Marin fez linda assistência para Bruninho dentro da área. O artilheiro da competição chutou, a bola desviou em Gallego e bateu na trave. Na volta, a bola bateu na barriga do zagueiro do CAV e foi a escanteio. Era a chance de empate se esvaindo na sorte e competência de Gallego. Os árbitros encerraram a partida, e a festa do CAV foi grande.

Capitão Bettoni fez o gol do título e levantou o caneco
Do lado de fora, a torcida do Condor’s estava indignada. “Não aceito. Mudaram as regras do campeonato no dia de decisão? Se no primeiro tempo foi dado 20 minutos, que fosse o mesmo tempo do segundo. E não aconteceu isso. Vergonha”, desabafou Roberto Motta, técnico do Fúria que prestigiava o Condor’s. Já os jogadores não se conformavam com, segundo eles, o número de faltas a menos anotadas e as que realmente aconteceram. Gugu, Bomba, Coloral, entre outros, não se conformavam. O capitão Neno, mesmo feliz com sua equipe, não escondeu a indignação. “Fiquei um pouco chateado com a forma que foi tratada essa final. Um desrespeito com os times”, declarou o camisa 10. Mesmo assim, Neno já projeta um segundo semestre cheio de emoções. “Espero manter esse time para a Bronze. Temos agora o Quintanilha chegando pra deixar o time mais forte e nosso objetivo é vencer o máximo de jogos e subir para a Prata já na fase de classificação”, falou Neno.

Sim, ele voltou! Roberto Solcia volta ao comando técnico do CAV após juras de amor com direção e já sai com título
Já o campeão CAV era só alegria. Bettoni levantou o caneco e a festa foi enorme. Jogadores se abraçavam e só aguardavam o famoso ‘tapa nas costas’ do comandante Roberto Solcia – outro que rensaceu no cenário do Chuteira de Ouro. Enquanto a cerveja era o combustível da comemoração – inclusive na taça do campeonato –, Fernando Cidrão exaltava a conquista do time e a valentia do adversário. “O jogo foi muito amarrado, com as duas equipes com muita vontade de serem campeãs. Os dois times mereciam o título. Mas aproveitamos a bola parada para fazer o gol da conquista”, comentou o craque da camisa 7, também artilheiro e MVP do festival.

Manager e camisa 10 Caio Fleischmann estava extasiado com a conquista: festa foi até altas horas e regada a muita cerveja
O CAV se junta à galeria dos campeões do festival e, assim, vê o ano de 2012 salvo com este título. Pode ser o recomeço de uma das equipes mais comentadas e temidas do Chuteira de Ouro.
PREMIAÇÃO INDIVIDUAL
Artilharia
Fernando Cidrão (CAV) e Bruninho (Condor’s) – 7 gols

Artilheiro e MVP do festival, Cidrão era só sorrisos ao fim do jogo
MVP
Fernando Cidrão (CAV)
MVG
Diego Gallego (CAV)
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