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MULEKES TRAVESSOS

Toque de bola rápido e apurado, estilo ofensivo de jogo, entrosamento entre seus atletas e gols, muito gols. Na história recente do futebol, torcedores se encantaram com a Seleção Brasileira de 1982 que desfilou talento e magia por gramados da Espanha na Copa daquele ano, ou com o Vasco da Gama campeão brasileiro de 1989 – quando fora chamado de SeleVasco e contava com ataque poderoso comandado por Bebeto –, ou ainda com o Palmeiras dos 100 gols de 1996. Recentemente, quem encantou o mundo do futebol foi o Santos de Neymar, Ganso e Robinho, que faturou dois títulos em 2010.

Pois o Chuteira de Ouro também possui um time que privilegia o toque de bola e a ofensividade, sempre atacando como forma de sufocar e vencer o adversário: trata-se do Mulekes, líder do Grupo A da série Ouro. Espólio do Kadência, que trocou de nome neste semestre, o time trouxe consigo a característica que mais o destacava. “Jogamos sempre pra frente, essa é a nossa característica desde os tempos de Kadência”, afirmou o capitão da equipe, Leandro Caetano, ou Leandrinho, como gosta de ser chamado.

A mudança do nome, de Kadência para Mulekes, traduz melhor o estilo de jogo da equipe. A defesa já possui jogadores com características ofensivas: Pipo é zagueiro, mas leva a camisa 11 às costas e sabe atacar muito bem, além de contar com um chute potente e preciso. No meio de campo, o time possui atletas inteligentes que abastecem os atacantes: Alê Mendonça, Gian Verticchio e Fernando Caetano dão o toque de bola necessário ao Mulekes. Quem agradece são os atacantes.

O setor mais privilegiado – tamanha a eficiência dos zagueiros e dos meio-campistas – é o ataque. Ronan é rápido e perigoso; o irmão de Fernando, Leandrinho, usa a camisa 9 e atormenta os zagueiros adversários, mas o destaque é mesmo Leo Valente, vice-artilheiro da atual edição com 9 gols, artilheiro nato e um faro apurado para marcar gols. E o Mulekes ainda conta com Allison Dias, rápido e forte no momento de pressionar o oponente. Na rodada passada, quando Leo Valente chegou nos minutos finais do jogo, foi Allison a comandar e a se destacar no setor ofensivo, fazendo nada menos que 4 gols.

Mas todo bom time, tem que ter um comandante à altura. E essa tarefa cabe ao pai dos irmãos Caetano: Zé Carlos. Com a presença dele, o time consegue pôr a cabeça em ordem, sem se abater quando a adversidade chega para atrapalhar os planos da equipe durante uma partida. E o profissionalismo é a tônica de Zé Carlos. “Ele tem cobrado muito de mim e do meu irmão. Por ser nosso pai e técnico ele tem que mostrar que não temos privilégios e que joga quem estiver melhor”, traduz Leandrinho o comportamento dado pelo técnico aos seus atletas.

Com 30 gols em 4 jogos, o Mulekes tem o ataque mais poderoso do certame. Mesmo assim, o time demonstra pés nos chão em relação à competição, não se iludindo com o início avassalador. “O campeonato ainda está no começo e vários vão crescer na competição. Muitos times têm chances de ser campeão”, acredita Leandro. A prova de que o time está focado na classificação, sem desmerecer os outros competidores, vem do próprio capitão: “Eu não sabia que o Mulekes era ‘time sensação’ do campeonato (risos)”, confessa ele referindo-se ao apelido que a equipe recebeu da imprensa do Chuteira e de atletas de outros times.

Enfrentar o Mulekes é uma tarefa das mais complicadas aos adversários. 4 times já experimentaram o poderio ofensivo e as travessuras dos meninos. “O Mulekes é um baita time. Podem não ter a melhor defesa do campeonato, mas o ataque compensa. Parece o São Paulo de 2002, quando tomava muitos gols, mas fazia muito mais. Jogamos contra eles na primeira rodada e parecia que o jogo era nosso quando abrimos 3 x 0. Doce ilusão, pois o Valente entrou e acabou com o jogo. O menino é prodígio”, comentou Lucas, técnico do Acidus, sobre o jogo em que seu time perdeu de virada por 8 x 4.

O técnico Wanderlei Luxemburgo já dizia: “As pessoas me criticam por eu nunca ter conquistado uma Libertadores. Mas isso não me machuca. Dizem que para se vencer Libertadores tem de dar pontapé, praticar antijogo. Eu prefiro buscar esse título jogando futebol envolvente e bonito, como todas as minhas equipes têm demonstrado”. É com esse pensamento típico do futebol brasileiro que o Mulekes vai mostrando brilho nos gramados do Chuteira de Ouro.
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