Ícone do Chuteira, Rodrigo Barath acerta seu futebol com o NGM. O rosa do Basicus, agora, é só do lado de fora das quatro linhas, comandando a equipe
Existem atletas que nasceram para determinadas equipes. Você já imaginou um dos maiores artilheiros do Chuteira de Ouro, Renê, vestindo outra camisa que não a do SNG? Ou o xerife da zaga do Acidus, Lói, desfilando sua raça e técnica com as cores diferentes do tradicional amarelo-limão? Fica complicado deixar de associar determinados jogadores com suas equipes de origem, mas um atleta fará com que as estruturas do PlayBall estremeça: no dia 26 deste mês, quando o NGM entrar em quadra para realizar sua primeira partida na Série Bronze, o homem-forte do Basicus, Rodrigo Barath, sustentará uma das camisas branca e laranja, conforme anunciou o Chuteira via twitter semana passada.
A notícia pegou de surpresa o universo do Chuteira, já que Barath é reconhecidamente um rosa apaixonado, fundador do time. Quem ganha com isso é o NGM. “Acho que essa mudança é um exemplo de que, se acreditamos em bons relacionamentos, em bom comportamento e dedicação, dentro de campo, pode aparecer uma recompensa”, revela o zagueiro.
Porém, ele não se desligará do Basicus – ele será o novo técnico do time, substituindo a Clebão. Confira abaixo empolgante entrevista com Rodrigo Barath, nova contratação do NGM.
O que irá se passar na cabeça de Rodrigo Barath nos momentos que irão anteceder a estreia dele no II Chuteira de Bronze, no qual, ao invés de vestir a camisa rosa do Basicus, estará vestindo as cores branca e laranja do NGM?
Realização e felicidade. Tudo por ter, aos 33 anos – e no meio de uma galera que corre tanto – a oportunidade de escolher. Por poder me arriscar, por receber a confiança de pessoas de um novo time, por ter chance de honrar e me dedicar a um novo esquadrão, fazer mais amigos e aprender mais. Estou feliz mas sei que esta felicidade traz pressão. Irônico, não? Ser feliz com pressão, com responsabilidade.
Você tem consciência que será um choque para ilustres admiradores do Chuteira há anos vê-lo com outra camisa que não seja a do Basicus, certo? O que pensa sobre isso?
Você especificou jogadores e declaro: desejo que a admiração exista sim, pois eu também sou um ser humano que quer reconhecimento pelas coisas que fiz e que acredito que posso fazer no Chuteira, pelas oportunidades e apoio que tive até hoje. No geral, imagino que será legal, não imagino um impacto ou choque para os atletas, para o Chuteira.
Por que essa decisão de jogar por outra equipe depois de tanto tempo?
Para entender bem minhas decisões, confesso: não quero parar de jogar (tenho muito que aprender no futebol – dentro e fora) e tinha a vontade de cuidar do Basicus. Mas jogar e cuidar de um mesmo time é uma experiência que não quero ter, pelo menos agora. Para aliar as duas vontades, a decisão foi optar e informar os envolvidos – Basicus, Clebão (então técnico do Basicus) e Márcio (manager do NGM) – sobre minhas intenções, de aceitarem as condições de eu jogar pelo NGM e cuidar do Basicus. Acreditei nisso e as coisas foram se encaixando. Desejo que continuem se encaixando, para podermos trabalhar em paz.
E por que o NGM?
Primeiro pela honra de ser lembrado e convidado pelo Totó, que encabeçou o contato e me apresentou para o Márcio. Teve um projeto? Sim, mas o que mais me chamou atenção foi o convite. Senti-me honrado mesmo. Depois que me apresentei pela primeira vez para treinar, vi que o NGM respira o mesmo ar do SNG. Vi que a atmosfera é futebolística e gostei do acolhimento, organização e filosofia do grupo. Lá tenho a oportunidade de estar entre pessoas que me receberam muito bem e que, também, respiram futebol, priorizando integração de equipe, família e qualidade técnica, fora estar ao lado do ‘The King’ (risos). Estou adorando!
Como ficará sua situação em relação ao Basicus? Não pode haver um conflito de interesses com NGM e Basicus disputando a mesma divisão?
Bom, eu respeito muito a ordem dos fatores. Mas, depois da twittada postada em 08 de fevereiro (anúncio oficial da contratação de Barath pelo NGM), tenho que responder e deixar tudo claro, antes de mais mal-entendidos. Hoje cuido do Basicus como técnico também. Sobre o conflito de interesses, não estou tendo problemas com nenhuma das partes. Se isso acontecer, vou ter que tomar uma decisão justa. Esse é o risco de executar duas funções. O negócio é deixar tudo claro para que isso não gere desconfiança, mas sim que aumente a confiança do grupo.
E a situação do Basicus? Como está sendo a montagem da equipe?
Os jogadores do Basicus estão informados e já me chamaram de “traíra”, mas entenderam. A equipe está pronta, com um plantel de 13, 14 jogadores para começar. A base não mudou: Starck, Ladeira, Bolas, Puff, Buiu, Veneza e Cava continuam. Paulinho está voltando, e mais cinco jogadores chegaram à equipe: o volante Bocha (ex-Roleta Russa), o zagueiro Rodrigo (irmão do Bocha), o meia Mininel e o atacante Rafael. No gol, vem Guilherme, e a intenção é ter mais um goleiro, pois não podemos perder um zagueiro do porte de Ladeira para o gol, como aconteceu no ano passado. O bom é que estamos fazendo de tudo para alinhar a equipe, conversando muito e tentando colocar na prática muitos desejos (comportamentos, estratégias, possibilidades) dos jogadores, para que joguem com garra, felizes e focados no primeiro objetivo, que é voltar à Série Prata.
Como o Basicus pretende apagar a má imagem deixada e voltar à Prata?
Não penso em má imagem. O Basicus já viveu momentos bem piores. No passado, sofríamos só perdendo. Tenho orgulho do time e das pessoas que se dedicam e que estão conosco até hoje. Temos jogadores voltando, uma prova de que o Basicus tem algo muito forte. Se tiver que apagar algo, que passemos uma borracha na tristeza no semestre passado. O jogo que realizamos contra SPQSF e Primatas foram exemplos de que poderíamos fazer mais, mas isso é consciência do grupo, só quem jogou os dois jogos sabe disso. Garanto que muita coisa mudou naquelas duas partidas, porém, tarde. Esse é um ano de mudanças, sim, e temos necessidade de aprimorarmos a questão técnica.
O Barath era conhecido por seu jeito paizão de dirigir o time. Em 2011 há indícios que a tolerância zero com alguns tomou conta da “nova direção”. Como será o Barath, afinal?
Justo, simples assim. Acredito que, com clareza, as pessoas entendem o que defendemos e a importância dos interesses individuais e coletivos. Continuo tolerante, mas a partir do momento que percebo que algo pode interferir na integridade de uma ou mais pessoas do grupo, rapidamente tenho que rever meus conceitos e tomar decisões. Uma palavra que estou usando muito também é participação. Temos jogadores de diversas idades, diversas ideias, e o pensamento de uma pessoa de 18 anos é bem diferente de uma de 30. Estou estimulando a participação de todos nas decisões para o time e reflexões individuais. É importante saberem o que se passa na minha cabeça e as responsabilidades de ser presidente, técnico de um grupo, cuidar de pessoas. Eles estão me ajudando muito, me ensinando muito, e o melhor: tomando decisões para a vida deles. Paizão? Vou completar 34 anos em março, e outro dia me peguei falando que tinha compromisso com meus 13 filhos.
Em um eventual confronto NGM x Basicus, como ficará a situação de Rodrigo Barath?
Ficarei de fora assistindo. Ou torcerei para o jogo acontecer (se acontecer) em uma data que eu tenha um compromisso ‘daqueles’. Justo?
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