Muita gente que olha hoje a tabela pode achar que o Melville Power é um time novo no Chuteira. Na verdade, o Melville jogou o II Chuteira e muitos dos seus jogadores – a base da equipe – constou no Assurra do III Chuteira. Da segunda edição do Chuteira, o Melville não tem muitas boas lembranças. Quem não se lembra daquela equipe que disputou o II Chuteira de Ouro e praticamente já se dava como finalista quando foi surpreendida pela aguerrida Equipe Bróder na semifinal, derrota aquela que não apagou a boa imagem do time que certamente contava com um dos melhores elencos, recheado de jogadores de muita qualidade?
Para o V Chuteira de Ouro, o Melville incorporou o Power a seu nome, querendo de fato mostrar que o time tem a força que faltou no passado. E parece que desta vez o salto alto não será peça do vestuário do uniforme da equipe. Comandada na defesa pela experiência de Garo, Josi e Maurício, este o capitão, e no ataque pela velocidade e precisão de Alemão e Felipe, em três partidas foram três vitórias – contra Fiorella, Kadência e Só Lance – e um futebol gradativamente mais eficiente e bonito. Ao que parece, os 9 pontos na tabela e a liderança isolada do Grupo B nada tem haver com sorte ou algo parecido. Aliás, sorte é a birra dos jogadores do Melville, que ficaram mordidos com a matéria do Chuteira News sobre o jogo de estréia da equipe, quando a vitória de 1 a 0 sobre o Fiorella foi dita resultado de sorte. Depois disso, a cada vitória da equipe, seus jogadores saiam de campo e questionavam os repórteres: “Olha a sorte aí de novo”, “E aí, hoje foi sorte de novo?”, “Quero ver até onde nosso time vai ganhar por sorte”.
Certamente a sorte é parceira do Melville, mas a rigor a liderança e o belo futebol demonstração até aqui tem mais a ver com competência e um futebol de resultados que parece tender a ser a marca da equipe. Com um jogo firme e rápido, o Melville dominou até agora seus adversários e soube matar os jogos nos momentos certos, não dando abertura para possíveis tropeços. Ao que parece vem despontando como um dos possíveis adversários para o SNG na segunda fase. Aliás, este é o desejo e anseio de todos. “Queremos Bróder e SNG. Como o primeiro não está, queremos só o SNG. Mas antes vamos bater nos demais, o Acidus e o Basicus estão na lista de prioridades”, diz rindo e com alarde Maurício, também conhecido por Queixinho, que estava naquela final do III Chuteira jogando pelo Assurra e tem sede de vingança.
Se as coisas continuarem nesta toada, o Melville tem tudo para se classificar bem, mesmo em 1º do grupo, e chegar com tudo na segunda fase e, quem sabe, fazer mesmo uma final contra o SNG. Para tanto, é preciso evitar o clima de “já ganhou” e de oba-oba e não deixar que a torcida supervalorize o que a equipe vem jogando e possa prejudicar na reta final. Ou seja, deve-se evitar que o time esbarre no seu próprio salto alto novamente, como foi no passado, quando pensavam na final do torneio e esqueceram que havia antes uma equipe bem montada e cheia de vontade como foi o Bróder. A julgar por declarações de membros da equipe em comentários no site, parece que esse ainda é um ponto em que Melville tem de tomar muito cuidado. No grupo B existem muitas equipes que merecem respeito e podem vir a surpreender o até agora imbatível Melville.
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