Se, quando criança, alguém perguntasse o que você seria quando crescesse (ou o que seus pais desejassem que você fosse), certamente as respostas mais populares – e tradicionais – seriam médico, engenheiro ou advogado. Hoje, com tantas outras profissões em moda, as três continuam em alta, e suas vagas nas melhores universidades disputadas a tapa e foice. No Chuteira, neste sábado teremos o confronto que coloca frente a frente os engenheiros do Canhedo Beppu e os médicos do Med Taubaté. Em termos de futebol, quem levará a melhor?
O time do Canhedo Beppu representa a empresa de mesmo nome e nasceu justamente da vontade dela de trazer lazer e unir seus funcionários. No Canhedo jogam engenheiros, estagiários, funcionários do administrativo e alguns (3) convidados. “Temos como patrono o engenheiro Humberto Matsushita – sócio diretor da empresa, que, além de cobrar o serviço diário de engenharia, também nos cobra resultados e principalmente postura dentro do campo. O time tem como seus organizadores o atleta-treinador-estagiário Fernando Fernandez e eu”, conta Cristopher Melo, “atleta-estagiário”, como ele se define.
Se é a empresa que liga os atletas do Canhedo, o do Med Taubaté, como o nome indica, é a formação em medicina em Taubaté que os aproxima. Na verdade, o time é formado por estudantes que ingressaram a partir de 2000. Com orgulho em ostentar o nome de sua faculdade de Medicina, praticamente todos na equipe são médicos, com apenas um jogador não fazendo parte desse seleto grupo de profissionais. Bruno Dal Sasso, responsável pela reunião dos jogadores para a disputa do Chuteira de Prata e irmão do emblemático Peruca, do Treinadores do Braz, revela o porquê do nome da equipe: “Pelo amor e tesão que a gente tem pela nossa faculdade, e por sempre querer elevar seu nome, seja no futebol ou qualquer outra área”.
Cada um puxando sardinha para o seu lado, sempre com bom humor – seja engenheiro ou médico – as duas equipes prometem disputar com todas as forças os três pontos que estão em jogo para assim chegar mais perto da ponta do Grupo B do II Chuteira de Prata, liderado hoje pelo Elefantes Indomáveis. Acompanhe na seqüência um bate-bola com Cristopher, do Canhedu Beppu, e com os companheiros Aníbal e Bruno, da equipe Med Taubaté.
CRISTOPHER MELO, CAMISA 3 DO CANHEDO BEPPU
Engenheiro é tido como estudioso e calculista, características pouco usuais em boleiros. O Canhedo veio para mostrar que engenheiro também sabe jogar bola?
Na verdade viemos para quebrar paradigmas. Não concordamos que os boleiros não apresentam essas características. Como exemplo temos o Romário, um grande calculista - calculou o número de gols ao longo de sua carreira, esquecendo apenas do número de filhos que levariam à sua falência; o Ronaldo, estudioso da feminilidade masculina; o Domingos, que sabe calcular a intensidade de sua força, entre muitos outros filósofos da bola (Jardel – “Quando o jogo está a mil minha naftalina sobe”, Vicente Matheus – “o difícil como vocês sabem, não é fácil”, Vampeta – “Eles fingem que me pagam e eu finjo que jogo”).
Vocês jogavam no time da faculdade? Como se saíam?
Sim, mas não só na faculdade, mas também no time da rua, da escola, do prédio, da praia, da fazenda e até em alguns times profissionais. A maioria não se saiu muito bem e resolveu estudar – felizmente para a empresa, que ganhou bons funcionários e atletas frustrados, que estão sempre tentando mostrar o bom futebol.
Qual a vantagem em ser engenheiro para jogar futebol?
Projetamos esquemas táticos mirabolantes, construímos uma forte marcação, estudamos detalhadamente todos adversários, definimos os pontos críticos, estabelecemos metas, arquitetamos belos gols, temos uma estrutura sólida e inabalável, além de gerenciarmos conflitos internos e externos como ninguém; o resto mostraremos dentro de campo.
A maioria do time tem sobrenome oriental, sinal de ascendência. Você acha que os “japoneses” do Canhedo são melhores do que os dos outros times?
Para a Canhedo Beppu, os melhores são apenas bons. Todos os nossos atletas-funcionários passam por uma rigorosa seleção, seja no âmbito profissional ou no esportivo, que engloba uma bateria de exames médicos, físicos e psicológicos, para que então possa passar por uma semana de experiência em nossa empresa. Depois de dois, ou três, anos puxando o saco do nosso “capitão-sócio-engenheiro-camisa 10-o homem do dinheiro”, Luiz Siviero, terá a chance de participar de um treinamento e mostrar sua habilidade.
No confronto Médicos x Engenheiros, quem você acha que levará a melhor?
Acreditamos na força da Engenharia e na força da Canhedo Beppu. Afinal, um médico mata um só de cada vez, agora o engenheiro pode matar uma multidão de uma vez só. Se cuida, Med-Taubaté, pois quem constrói os hospitais de vocês somos nós!
ANIBAL, CAMISA 10 DO MED TAUBATÉ, E BRUNO DAL SASSO, CAMISA 3
Médico tem muito o que estudar e pouco tempo para jogar bola?
ANIBAL: Atualmente temos muito é que trabalhar. Gostaríamos de ter mais tempo para estudar e mais ainda para jogar bola (risos). Tanto que jogamos quase sempre com o número limite de jogadores, pois sempre tem um plantão aqui e outro ali...
Aliás, médico sabe jogar bola? O time de vocês vencia sempre os jogos entre faculdades?
ANIBAL: Se médico sabe jogar bola? Todos se lembram do Sócrates, mas existem muitos estudantes e médicos bons de bola que escolheram a medicina ou que apenas não deram sorte. Afinal, somos brasileiros também.
BRUNO: Temos exemplos de médicos como Tostão, Sócrates, que serviram a seleção Brazuca nas copas. Acho que por esses nomes dá pra afirmar que médico sabe jogar bola. Nos jogos da faculdade o nível é bem competitivo, ganhávamos alguns jogos, perdíamos outros, mas sempre entre os primeiros e disputando títulos. Lá eram jogos de campo e salão.
Qual a vantagem em ser médico para jogar futebol?
ANIBAL: A vantagem de ser médico, além de toda inteligência, claro (risos), seja talvez por sabermos lidar melhor sob pressão. Lembrando ainda que nas competições médicas os treinos e os jogos são levados muito a sério. São competições realmente duras e decididas nos detalhes assim como qualquer outra grande competição.
No confronto Médicos x Engenheiros, quem você acha que levará a melhor e por quê?
ANIBAL: É claro que vai dar médicos, porque ninguém pode com mais de seis anos de entrosamento. Além do talento dos jogadores.
BRUNO: Não conheço o time do Canhedu, mas sei que o nosso vai dar trabalho. Aposto nos médicos!
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