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JOGA 13 E O RETORNO ÀS ORIGENS

Time caiu pra Série Prata de forma inesperada. Para tentar voltar à principal divisão do Chuteira, terá o auxilio de jogadores que ajudaram a construir o time em preto e amarelo

20 de novembro de 2010, última rodada da fase de classificação do X Chuteira de Ouro. Em quadra, um dos times outrora apontado como favorito ao título era derrotado pelo Fora de Série e, de forma agonizante, dava adeus à principal divisão do Chuteira. Quem ali respirava os ares da partida ficou incrédulo com o veredicto final: a tradição e o bom futebol do Joga 13 estavam rebaixados. Os atletas, cabisbaixos, não conseguiam esconder a frustração e a decepção por uma campanha medíocre.

12 de março de 2011. O momento, agora, é outro. O Joga 13 teve que levantar a cabeça e seguir em frente. Porém, dessa vez, os dirigentes foram matreiros e reformularam a equipe. Engana-se quem pensa que, mais uma vez, o time tentará formar uma seleção pra Série Prata. Os medalhões se foram, mas Lele e companhia resgataram jogadores do passado do time para tentar levar o 13 de volta à Ouro. Nos bastidores do universo Chuteira, já se usa a nomenclatura ‘Joga 13 volta às origens’. É um recomeço árduo, porém, necessário. “Nós estamos com muita vontade de jogar a Prata só neste semestre, e vamos fazer isso. Vamos jogar com toda vontade que jogaríamos na Ouro, pois sabemos que, pelo ano passado, nós merecemos essa situação”, assimila o fundador e nome-forte do time, o goleador Lele. Desconhecendo a Prata por sempre jogar a Ouro, Lele prega a humildade: “Precisamos respeitar os times e jogar com toda vontade”.

A base do time continua a mesma: Lele no comando de ataque, Doce e Choco no meio, Rodrigo na defesa. A diferença para este ano é que estão de volta Fino, Guma, Bruninho, Daniel e André, todos jogadores que fizeram parte da primeira formação da equipe, quando adentraram no Chuteira, na 3ª edição. É a nostalgia tentando resgatar os momentos ímpares de um passado nada remoto. “Voltei porque amo o 13. Aqui é família, união, amizade, alegria. Quero sempre prestigiar as emoções junto com meus parceiros. 13 é isso. Além de tudo, é superação”, declara o apaixonado Guma, para compor uma das zagas mais famosas do Chuteira junto ao canhão Rodrigo.

Segundo Lele, foram os próprios ex-jogadores que se ofereceram para resgatar a autoestima perdida. “Na hora em que mudamos a filosofia do time – de tirar quem não tava jogando bem e montar uma seleção – nós nos perdemos e caímos. Esses jogadores que saíram e agora voltaram demonstraram raiva com o rebaixamento e vontade de subir o time que eles ajudaram a fundar. Nós todos abraçamos a ideia”, revela Lele, fazendo um mea culpa.

Ao contrário de muitos comentários dizendo que o 13 havia contratado ‘jogadores mercenários’ para disputar o X Chuteira de Ouro, Lele rechaça essa fama: “Mercenários, não, porque todos no Chuteira, ou quase todos, pagam o campeonato”. Outra tese desmistificada é a de que havia muitas brigas internas no grupo. Contudo, a realidade era outra, e bem mais simples do que se passava no imaginário dos torcedores. “Faltou entrosamento mesmo, ninguém conseguia fazer nada. Não tivemos brigas internas durante a competição passada. Tivemos um futebol abaixo do que o 13 mostra, isso sim”, esclarece o artilheiro.

A realidade é implacável. E, juntado os cacos da decepção, o 13 iniciou sua luta na Série Prata. Logo de cara, um clássico ante o Bucets. O time de Tom e Denys Volpe – ao contrário dos pensamentos pessimistas lançados contra seu time – endureceram o jogo e arrancaram um histórico empate em 5 gols. “Infelizmente nem nós, e acho que nem o Bucets, jogou com o time principal. Ou, pelo menos, quase completos. Mas, creio (e não estou desmerecendo eles) que tivemos erros na marcação que não costumamos ter, e tomamos um gol ‘espírita’ no fim do jogo que confesso não ter entendido”, descreve um cético Lele. Mesmo assim, o time terá mais 8 partidas para chegar à Ouro de forma antecipada.

Com o empate, iniciou-se uma jornada nova na vida do 13. A Prata, agora, faz parte da rotina do time. “Essa é a realidade do 13. E afirmo que é uma ótima realidade. É muito prazeroso chegar ao PlayBall e voltar a ver todos nós com vontade e pensando só em subir o 13. E é isso que faz um time campeão”, conta Lele, que ainda bebe de uma fonte inspiradora: “Tomo por exemplo o Fora de Série, time unido, isso que levou os ‘caras’ a chegarem na final passada. Cansamos de vê-los bebendo depois do jogo, conversando juntos, churrasco e etc.”, desabafa, com esperança. E o ‘matador’ do 13 não esconde sua amargura: “No passado, a gente chegava, jogava e cada um saía pra um canto. Isso quando a gente não chegava em cima da hora do jogo”.

O caminho de volta à Série Ouro é complexo. Muitos interesses estarão em quadra. O nível técnico da Prata aumentou nos últimos anos, graças aos bons times montados por Só Resenha, Fúria, Canhedo Beppu, Red Devils, SPQSF, entre outros, no passado. E está sendo mantido com equipes do gabarito de Ras Time, MachuPichu, Cachorro Velho, além de mais agremiações que engrandecem a divisão. Porém, o 13 tem experiência e está em busca do velho conjunto para regressar ao lugar de onde jamais queria ter saído. “Não só acredito no time, como entrei de cabeça nesse projeto Série Ouro. A festa preta e amarela começou, e só vamos parar jogando a principal divisão, onde é o lugar do Joga 13”, crê mais um veterano que retorna ao time, Bruninho. Outro atleta ‘das antigas’ também manda seu recado: “Voltei porque eu sou titular! (risos)”, finaliza Fino.
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