Apontado como o grupo mais fraco, Grupo B da Bronze dá banho de futebol no mata-mata e emplaca os quatro semifinalistas. O que explica isso?
“O Grupo A é muito mais forte que o B”. Esta frase foi proferida por muitos dos presentes no dia do sorteio dos grupos do III Chuteira de Bronze. Não tinha alma viva com a ousadia de apostar que os finalistas estariam no Grupo B. Pois bem, estavam todos errados, e quem tivesse apostado, hoje colheria os frutos de tão improvável afirmação. Afinal de contas, após quase quatro meses do sorteio, o cenário é o seguinte: nenhuma equipe do chamado de “grupo da morte”, o Grupo A, está entre os quatro melhores times da competição. Com isso, a pergunta é inevitável: realmente o Grupo A era mais forte que o Grupo B?
“O Grupo A foi apontando com muita razão como o mais difícil, e ainda acho-o mais difícil. O grupo se tornou forte durante o campeonato após ótimo começo de DPGamos, Toque Me Voy e Real Vuvuzelas, times que não esperávamos como favoritos”, relata Fabio Reimberg, líder do Império Celeste – equipe que alcançou a Série Prata vencendo o Grupo A, mas que sucumbiu nas oitavas de final para o Bacaninha.
No decorrer do torneio parecia que o Grupo A era mesmo o mais forte. Afinal, na metade da fase de classificação, cinco times tinham a possibilidade de terminar a rodada seguinte em primeiro lugar. Eram eles: Império Celeste, Mercenários, Só Quem Sabe, Toque Me Voy e o DPGamos. A contrapartida era o Grupo B, onde o Bonde dos Abelhas reinava soberano, apenas com o Condor’s no seu encalço. Além disso, na comparação dos grupos, o penúltimo colocado da chave A (Irado’s) tinha mais pontos que o penúltimo da chave B (Invictus). A discussão, à época, foi a tônica dos sábados no PlayBall.
Medir o equilíbrio entre as chaves pode ser complicado, já que nem sempre a qualidade de um time pode ser mensurada pelo número de pontos conquistados pela agremiação. Além disso, entre um torneio e outro as equipes se mexem, mudam elenco, contratam jogadores, se fortalecem, perdem jogadores. O mercado gira e a cada edição é uma nova formação. Assim, apontar favoritos de antemão seria arriscado. É o que pensa Bruno Costa, o BB Chapeleiro, camisa 11 do XTJ (equipe advinda do Grupo A, eliminada nas quartas de final): “Temos a velha mania de apontar favoritos. Com raras exceções a alguns times, ninguém sabe o que cada equipe está fazendo entre cada campeonato, como estão se preparando, quem joga na equipe etc”. BB é objetivo e dá a sua explicação para o sucesso da chave menos comentada antes: “Os times do Grupo B mostraram mais vontade que os do Grupo A na reta final”.
Tido como o bicho papão da competição, o Mercenários chegou com fama de imbatível em se tratando de Bronze. “Vai passar sem perder um jogo”, “Já subiu e já é campeão” foram algumas afirmações ouvidas pelos corredores do PlayBall. A rigor, o time tinha todas as chances de subir na 1ª fase e mesmo de ser campeão, mas com o Império surpreendendo, qualquer deslize foi fatal às pretensões da equipe de Bruno Bollito. O empate diante do lanterna Futsampa na penúltima rodada tirou a chance da Prata.
Sobre a pecha de favorito, Bollito sempre rechaçou o termo e buscava certo anonimato. Segundo ele, a pressão do favoritismo pesou na hora H. “Sofremos no jogo das quartas de final o que havíamos sofrido no decorrer do campeonato: muitos apontaram a gente como um dos favoritos, favoritismo esse conquistado devido a grandes resultados em amistosos e na Taça Inverno”, atesta Bollito, que emenda: “O time ficou nervoso e ansioso para tentar decidir logo o resultado ante o TCM. Isso fez com que nosso jogo não fluísse”.
A presença da equipe campeã da Taça Inverno no Grupo A pesou para ele ser considerado o grupo da morte, porém, Bollito não afirma nem nega se achava de fato melhor. “Não sei dizer ao certo se o Grupo A era superior ou inferior ao Grupo B, mas acredito que colocaram o Grupo A como mais forte porque ali estavam os times melhores colocados do Festival e os times que tiveram melhor resultado no II Chuteira de Bronze”, pondera o camisa 8 do Mercenários.
O TCM, apesar de certa tradição dentro do Chuteira, vinha de rebaixamento e não figurava entre os times destacados ao título da Bronze. Fazia parte do Grupo B. Classificou-se na terceira posição e liquidou duas equipes do Grupo A tidas como superiores (Toque Me Voy e Mercenários). “Colocavam Império e Mercenários como favoritos para a vaga direta na Prata e mesmo para ganhar o campeonato, mas esqueceram que do outro lado têm equipes que, se não são iguais tecnicamente, se igualam na vontade, na raça e na determinação”, desabafa Marcião, manager e goleiro da equipe que enfrentará o BDA nas semifinais. “Depois desse semestre, muito time demonstrou que não há vencedores de véspera e que o jogo é jogado na quadra durante os 50 minutos de partida”, finaliza ele, radiante com o desempenho de sua equipe e com as eliminações dos amigos Toque Me Voy e Condor’s.
No outro confronto, o Bacaninha – 8º colocado na fase de classificação – também acabou com o sonho de dois times do Grupo A (Império e XTJ) e terá pela frente o NGM, do artilheiro Memé. O NGM – que derrubou o Só Quem Sabe (Grupo A) nas oitavas – conta com o talento de Caio Ribeiro no seu plantel, mas outros jogadores ajudaram a levar um dos times mais queridos do Chuteira à sua primeira semifinal.
Marcio Avena, manager do NGM, rechaça a pecha de grupo mais forte. “Qualquer que fosse o resultado no sorteio das chaves os grupos teriam o mesmo equilíbrio durante o campeonato. No semestre que vem podem ter certeza que a emoção na Série Bronze vai ser ainda maior. Estão se criando novas rivalidades, e as equipes vão se conhecendo melhor, como já acontece na Ouro”, acredita Marcio. Para ele, a diferença nos grupos (se houver) está na raça dos jogadores: “O que fez a diferença mesmo é a vontade de vencer das equipes e, principalmente, tentar superar os times que estão acima na tabela”.
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