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FÚRIA E FORA DE SÉRIE FAZEM JOGO DE SANGUE, SUOR E LÁGRIMAS

Talvez o leitor do Chuteira não conheça a história desses dois times. Fúria e Fora de Série, de uma certa forma, estão mais ligados do que se possa imaginar. Do atual elenco do Fúria, nada menos que 7 jogadores são oriundos da primeira formação do Fora de Série. Sim, isso mesmo. O Fúria, apesar de já existir anteriormente - jogavam campeonatos de futsal na Casa Verde -, nasceu para o Chuteira de Ouro de uma dissidência do Fora de Série. E como toda equipe que brota de outra, traz consigo a rivalidade que promete, no dia 18 de abril, colocar em campo sangue, suor e lágrimas em busca dos 3 pontos.

Apesar do jogo envolver antigos ex-companheiros que hoje são rivais, o discurso de ambos os lados é o de uma partida como outra qualquer, cuja importância não reside no adversário, mas sim nos pontos que o time precisa em busca da vaga. "Há um gosto especial por ser uma partida muito importante para gente, pois vencendo podemos nos firmar como um time que busca a classificação e o seu espaço no Chuteira, nada mais, precisamos vencer e o Fora também isso vai ser ótimo para todos que assistirem", despista o capitão Luis Gabriel. "A importância do jogo é pela condição que a gente se encontra na tabela: 6 pontos e em 6º lugar. Por isso sim, se torna especial", confirma Clebão. Para o Fúria, se vencer e o Kadência não fizer os 3 pontos, pode valer a liderança do Grupo A, já que o MachuPichu folga na rodada.

Para o jogo válido pela 6ª rodada do Grupo A, o Fora de Série não contará com Carlão Augusto, expulso diante do Kiaka por reclamação do banco de reservas. O camisa 13, então um dos destaques da nova formação, vem se mostrando instável dentro e fora de campo, o que prejudica seu desempenho. A ausência de Carlão foi comemorada pelo Fúria. "O Carlão vai fazer falta. Ele faz diferença na saída de bola e nos chutes de longa distância", opina Luis Gabriel.

No Fúria, após as expulsões no jogo contra o Kiaka e o rótulo recebido por muitos de time mais violento e odiado pelos demais, as coisas mudaram. Depois daquele problema o time não foi mais vermelhado e recebeu apenas 3 amarelos em duas partidas. "Nosso time tem um estilo muito característico de vibrar e não desistir de nenhuma bola. No início do campeonato, exageramos um pouco, reclamamos muito da arbitragem de maneira errada e esquecemos de jogar. Com isso, os cartões surgiram e o rótulo de time violento também, mas acho que houve também exagero de alguns, pois o único jogo que fizemos muitas faltas foi contra o Kiaka, um jogo em que realmente não achamos a bola. Teve também os conselhos do Lucas, que nos cobrou algumas coisas e pudemos expor a ele a nossa situação. Depois disso, nosso time cresceu", explica Gabriel Sucão.

Mas é certo que, para o já clássico contra o Fora, o Fúria vai se doar mais em campo do que de costume. Raça e vibração vêm sendo a grande marca da equipe na competição, sem contar seu 8º jogador, a torcida majoritariamente feminina que, do lado de fora, empurra e incentiva os furiosos a todo momento em busca do gol. São namoradas, pais, primos e amigos mais próximos que religiosamente estão em todo jogo do Fúria no Chuteira, com muitos gritos e rojão.

"Nosso time tem um estilo muito característico de vibrar e não desistir de nenhuma bola", fala Gabriel. "E com uma torcida assim não tem como desistir de uma bola sequer, afinal ela não desiste de nos apoiar, então temos que retribuir esse carinho, com muita vontade e vitórias de preferência. Essa é vantagem e é isso influencia muito no nosso jogo", completa, lembrando que ter do lado de fora tanto incentiva acaba por fazer com que todos se doem mais dentro de campo.

Mas e o Fora, como vai reagir a essa ruidosa torcida? Para Clebão, o problema maior não é a torcida, mas sim a qualidade do adversário. "Não acredito que o fator torcida seja o grande trunfo, mas que ajuda e inflama a equipe, isso é nítido", aponta ele. "Pela qualidade técnica que eles têm, quem jogar contra o Fúria tem que jogar bola, focar-se no jogo e mais nada, pois se prestar atenção na torcida, perde o jogo com certeza", aconselha.

Destaque do time, é dos pés do habilidoso Thiago Motta, 5 gols na competição, que o Fúria espera derrotar seus ex-companheiros e praticamente selar a classificação. Afinal, com 9 pontos hoje, chegaria a 12 pontos faltando 3 rodadas para o fim.

Da mesma forma, o Fora de Série parece que resolveu o maior problema do time nas competições anteriores - o setor ofensivo. Reconhecidamente um time que sabe se defender, comandado por seu capitão Rica, um dos melhores zagueiros do Chuteira, constando na Seleção do VI Chuteira de Ouro, era no quesito fazer gols que o Fora de Série mais pecava. Com a revelação Rodrigo Cunha, artilheiro do time com 5 gols, o time azul celeste reencontrou o caminho das redes. Entretanto, Clebão lembra que o ataque no geral vem funcionando. "O Rodrigo foi uma peça que chegou através do Du e que jogou muito bem contra o Estudiantes, no último amistoso antes do campeonato. Tenho certeza, que ele vai ajudar muito no nosso padrão de jogo . Mas temos ainda o Kadu, que sempre está motivado a mostrar serviço, e o Iago, uma aposta nossa também para esse torneio", ressalta ele.

Porém, se o setor ofensivo se encontrou, a instabilidade de resultados parece ser o grande problema da equipe. Afinal, depois de 5 partidas, o Fora venceu apenas duas, e não na sequência. A cada vitória vinha uma derrota, ou a cada derrota vinha uma vitória. "Parece que depois de ganhar uma partida, o time infla e pensa que pode ganhar quando quer e de quem quiser. Foi visível isso depois das vitórias contra SNG e Tosco", explica. A ser assim, após a derrota para o Kiaka na rodada passada viria agora uma vitória... Caberá ao Fúria quebrar com essa sequência intercalada, para o bem ou para o mal.
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