Feriado na cidade de São Paulo. Enquanto a população, em massa, se aglomera nas estradas serranas em busca de um pouco de mar, lula à dorê, cervejinha gelada e festinhas, na Pompéia Paulistana, o monte Vesúvio do PlayBall se prepara para entrar em erupção.
A última rodada classificatória do Chuteira de Ouro & de Prata promete acaloradas emoções para equipes e jogadores, uma vez que serão definidos todos os classificados, que continuarão na briga. Porém, talvez para muitos a atração maior resida não no cume do monte, por onde sairá o jorro de calor humano, mas sim da parte de baixo, do pé da tabela, onde a disputa é certamente tão ou mais acirrada para escapar do rebaixamento.
Na Ouro, enquanto as últimas, e poucas vagas, nos playoffs são decididas, o descendo tem tudo para ser uma verdadeira e sanguinária batalha. Como já constatado em notícia anterior, 4 equipes lutam contra o “Z1” no Grupo A. No Grupo B, por outro lado, todos os holofotes estarão voltados para um confronto apenas: Fora de Série x Bacana. Dali sairá um time na Prata e outro na Ouro.
Ambas as equipes, com campanhas muito abaixo do esperado, conquistaram apenas 4 pontos em 8 partidas disputadas. No entanto, o posto de lanterninha acaba sendo ocupado pelo Fora, uma vez que seu saldo é um gol menor que o da equipe bordô (-13 a -14) que, dessa forma, assume vantagem do empate. “Não estamos pensando no empate mas sim na vitória. Usaremos somente essa vantagem do empate se precisar e nos minutos finais”, afirma Marcelão, que de tão magro passou despercebido na rodada em que seu time apanhou feio do SNG.
Já os líderes da equipe sem serial number, Clebão e Rica, em conjunto esnobaram o handicap negativo: “Estamos encarando isso como um ponto positivo. A obrigação da vitória sempre faz o time correr e se ajudar mais. Se jogássemos pelo empate talvez o time se acomodaria e jogaria muito na defesa”.
Ainda no jogo, ambos os managers demonstram confiar nos seus jogadores, contudo, ao falar do fator psicológico para o embate, os discursos são dissonantes:
“Infelizmente estamos passando por essa situação complicada, mas acredito no potencial do meu time. Todos estão focados para conquistar a vitória e manter a equipe na série ouro”, comenta Marcelão. “Estamos tranquilos. O time mostrou uma grande evolução no final da competição, principalmente nos últimos dois jogos”, acredita Clebão.
A grande pergunta que fica no ar, entretanto, é: como duas boas equipes foram parar dessa forma na zona de rebaixamento? Os homens do Fora ressaltam o equilíbrio da competição e o fator sorte para o time estar na penúria que está: “Toda derrota é difícil, principalmente quando se trata de um campeonato tão equilibrado como este VIII Chuteira de Ouro. Faltou praticamente tudo para nós, até mesmo sorte”, finalizam. Já o Bacana-mór prefere apontar o mau rendimento de sua esquadra: “Nunca vi o time tão apático em todos os jogos que nem nessa edição do Chuteira”, confessa em seguida, tenta uma explicação: “Por termos chegado à final no semestre passado começamos o campeonato displicentes e de salto alto. Depois dos primeiros jogos a ficha caiu, mas os resultados continuaram não vindo. Essa queda se dá devido às ausências que tivemos de alguns jogadores importantes em alguns jogos. Dedé (Demehur), Luisinho e Rômulo, se jogaram três jogos juntos, foi muito. Tirando o Rato, Guido e João que não podem ir aos jogos.”
Por fim, após quando o assunto é futuro, sempre há aquele velho medo de um possível rebaixamento culminar no apocalipse de uma equipe. Com relação a isso, Clebão e Marcelão garantem que seus brasões jogam a Prata, se necessário: “Se cair, ano que vem o Bacana jogará a Série Prata de cabeça erguida e com a obrigação de subir para a Ouro. Não estamos pensando nisso, e nem podemos! Mas assim que o campeonato terminar começaremos um planejamento e com certeza algumas coisas mudarão”, analisa. Já Clebão carrega no discurso a vontade e esperança dignas de um quixote moderno, daqueles otimistas inveterados que acreditam até o segundo final. “O Fora sempre vai existir, não vai morrer. O Fora vai continuar porque o lugar dele é na Ouro. Te digo mais uma coisa: o Fora não vai cair!”.
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