Uns sobem, outros descem. Bastaram sete rodadas para que o Chuteira de Prata em sua 15ª edição conhecesse o seu primeiro promovido à Ouro e também o seu primeiro rebaixado. E ambos no Grupo A.
No último fim de semana, o Fora de Série alcançou sua sexta vitória em seis partidas. A goleada por 8 x 3 sobre o Absolutos garantiu a vaga do time nas quartas de final e também o seu retorno ao Chuteira de Ouro após um único semestre na segunda divisão.
Fora da Prata, mas dentro da Ouro!
O Fora de Série é uma das equipes mais tradicionais do Chuteira, compondo a liga desde 2007. Viveu um sobe e desce tremendo, chegando a uma final de Série Ouro (10ª edição) e quase caindo para a Bronze. Porém, algo chama a atenção no time nos últimos três anos – uma organização fora que fez o time crescer muito dentro de campo. “A chegada do Thiago Dacal
[que assumiu o papel de técnico do Fora de Série em 2012], a entrega e a crença dos jogadores a tudo aquilo que era proposto fizeram o Fora subir dentro de um plano traçado e chegar na Ouro para ali se manter”, conta Sega, atual treinador da equipe.
Vivenciando esse período todo como atleta, Sega assumiu o comando técnico do time no segundo semestre do ano passado, após a saída do então treinador Deco, que ficou um ano à frente do Fora após a saída de Dacal. E justamente no seu primeiro campeonato como treinador veio o baque. Campanha horrorosa na Ouro, com apenas uma vitória em nove partidas e rebaixamento para a Prata (2º semestre de 2015). “Repensei minha continuidade, mas dentro de mim havia, além de uma dívida, um sentimento de que havia muito espaço para crescimento, desenvolvimento e aprendizado”, conta o comandante.
Quando o Fora bateu o favorito HidroNG na 3a. rodada, o time sabia que era questão de tempo para subir
Não apenas Sega, mas os jogadores acreditam que o revés acachapante do ano passado possibilitou ao grupo perceber que era preciso dar algo a mais, resgatar o comprometimento e o espírito de equipe para voltarem mais fortes. “Um rebaixamento pode ser benéfico se for bem assimilado. Assim que caímos já nos reunimos e, juntos, fizemos um pacto de que o foco deveria ser prioridade”, conta o goleiro Ramon.
No início desta edição da Prata, a equipe apontada como grande favorita para conquistar o acesso era o HidroNG, que vinha de dois títulos seguidos (Aço e Bronze) e estava a quase um ano sem ser derrotado. Além disso, o Grupo A contava com equipes fortes como Divino, Real Madruga, Leões do Brás, Bode e Absolutos, todos ainda na briga pela classificação. Mas a postura do Fora de Série foi boa desde o começo.
Após duas vitórias difíceis contra Leões do Brás e La Coruja nas duas primeiras rodadas, a terceira partida foi contra o então favorito HidroNG. E após vencer por goleada, as expectativas do Fora mudaram. “Após esta vitória o time se soltou e os resultados vieram, além de combinações que nos favoreceram. O acesso veio antes do esperado”, analisa Sega.
Ainda com mais duas partidas a fazer na primeira fase e a oportunidade de brigar pelo título, o time não pode se desconcentrar. A superação da equipe até aqui pode ser jogada fora com uma eliminação nas quartas e uma campanha ruim no próximo Chuteira de Ouro. Por isso, é essencial se manter em alto nível. “Esse semestre estamos com alguns jogadores míticos se aposentando. Nada mais justo que ver esses caras levantando a taça no final do campeonato”, comenta Ramon.
“Para o retorno à Série Ouro, o principal objetivo imediato é se consolidar na divisão para então pensar passo a passo em como crescer nos semestres seguintes e em como alcançar objetivos ambiciosos”, afirma Sega, com os pés no chão.
Ele se diz feliz e avisa que o time voltou ainda mais forte. “O que podem esperar do Fora no próximo semestre é um time mais preparado, que resgatou seu orgulho, seu espírito de luta, e mais do que nunca o grito “nunca, nunca, nunca vou te abandonar, FORA”, finaliza.
La Coruja quer voltar a voar alto
Se a história de reconstrução do Fora de Série puder servir de inspiração para algum outro time, há quem esteja atrás de uma recuperação semelhante. Na ponta oposta da tabela no Grupo A, o La Coruja perdeu por 9 x 0 do Bode na última partida, sua sexta derrota consecutiva e, ainda com duas partidas a disputar já não pode mais alcançar o penúltimo colocado É Verdadeee. Assim, o time volta à Bronze após ter sido promovido na última temporada.
No segundo semestre de 2015 a equipe começou claudicante na Bronze, mas arrancou nas rodadas finais da primeira fase e foi muito bem nos playoffs, garantindo o acesso. O ano virou e na Copa Apertura, primeira competição da equipe em 2016, o resultado foi bom. A eliminação veio apenas na semifinal contra o futuro campeão #TorceContra.
Porém, as expectativas da equipe, que retornou à Prata após seis anos, não foram cumpridas. “A Copa Apertura foi uma experiência positiva. Nós entramos na competição por dois motivos: o fato de nunca treinarmos para os jogos e a oportunidade de enfrentar equipes de outras divisões”, conta Guti, principal destaque do time no ano passado. “Internamente nós sabemos que o La Coruja da Apertura é o verdadeiro La Coruja. Chegamos na Prata animados e com moral, mas nos perdemos no meio do caminho”, afirma.
O time poderoso de fevereiro na Copa Apertura deu lugar a outro apático na Prata, em que nada deu certo
Ainda com dois jogos a fazer, é natural que a equipe esteja abatida. Mas, para o camisa 14, o time ainda tem motivos para brigar por pontos nas duas partidas. “Não queremos ser rebaixados como a pior equipe da Prata. O objetivo é pontuar e já fazer experiências para a Bronze, recuperar a moral e a confiança. Não temos nada a perder. Nós vamos jogar pela história do nosso time e com muito respeito aos adversários”, pontua.
Para o próximo semestre, as ambições da equipe estarão em alta. “Assim que foi decretado o rebaixamento, nós colocamos na cabeça que vamos voltar para a Bronze para conquistar nosso primeiro título no Chuteira”, diz Guti. “Vamos reestruturar o time e buscar um novo estilo de jogo. A ideia é voltar para a Prata campeão e com uma outra postura”.
Eleito para a seleção do Chuteira de Bronze do ano passado, Guti é um dos líderes do time em campo e tem tudo para ser o principal destaque na reconstrução do La Coruja. E ele já deixa o recado para o semestre que vem: “Vamos fazer uma grande disputa e nos divertir, como sempre”.
Rodadas finais prometem emoção
Apesar das duas pontas já definidas, as duas últimas rodadas do Grupo A da Prata prometem fazer o Playball tremer. A diferença entre o segundo colocado e o primeiro time fora do G-6 é de apenas três pontos (12 a 9). Divino (12 pontos), Real Madruga (10), Leões do Brás (10), Bode (9), HidroNG (9) e Absolutos (9) estão na disputa não apenas por uma vaga nos mata-matas, mas também pela classificação direta às quartas de final. Só um deles pode passar direto pelas oitavas. Mas um também ficará de fora.
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