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A figura do torcedor ganha espaço no Chuteira, acompanhando a tendência de “profissionalização” do mesmo - só faltam as cheerleaders. Porém, a questão que fica é: até onde sou torcedor e até onde posso ir?

Nos primórdios da competição, a torcida a favor ou contrária a uma equipe se restringia aos jogadores de outros times. Também, com menos de dez times compondo as primeiras temporadas do Chuteira, seria natural a presença ínfima do torcedor comum. Porém, o crescimento vertiginoso da competição fez com que os donos das equipes passassem a levar parentes e amigos para assistir aos seus jogos. Com isso, o campeonato foi ganhando também a presença de torcedores cada vez mais “preparados”.

Torcida Zica, uma das mais presentes e fervorosas incentivadoras do lado de fora

Se você chama um amigo, ele traz outro consigo; se chama a namorada, a mesma carrega uma colega a fazer companhia; se chama sua mulher, logo vem os filhos a tiracolo. E assim segue o ciclo dos torcedores que ajudam a abrilhantar as tardes de sábado. E como fica bonita a competição! A satisfação é enorme quando o lado de fora das quadras é tomado por famílias, mulheres, amigos e crianças. É o prazer de ter certificado a qualidade do trabalho em termos de organização. Não estou puxando ‘sardinha’ para o meu lado, já que faço parte do comitê organizador do Chuteira. Trata-se de satisfação na concepção da palavra, uma vez que ver pessoas desfrutando de uma peleja é plenamente gratificante.

Demagogo aquele que nunca se encantou com as torcidas femininas – em sua maioria, composta pelas mulheres e namoradas dos jogadores. Como esquecer, por exemplo, as ‘resenhetes’ (meninas que ajudavam o antigo Só Resenha a ser o time mais ‘chato’ de jogar contra) ou as ‘arouquetes’ (devotas do Arouca). Mais recentemente, as mulheres torcedoras do Camaro e do Primatas, entre outros. Namorados ou casados, esqueçam a ciumeira: deleite-se ao saber que suas parceiras só têm olhos a vocês! E com a presença delas, o jogo ganha em simpatia.

Seguindo, é um desfastio acompanhar os pais de alguns jogadores presentes todo o sábado. Impossível deixar de lado a dona Sueli, que toda rodada desde 2010 (ano que ingressei no Chuteira de Ouro), no mínimo, acompanha seus dois filhos Dicredo nos jogos do SPQSF. Ganhando ou perdendo, subindo ou descendo de divisão, ela fica aflita do lado de fora torcendo pelo sucesso dos seus meninos. E a lista de pai e mãe não para: é o ‘seo’ Roberto Motta, pais dos três Mottas (Thiago e Adriano, no Fúria e Juninho Peli, no Condor’s); Chicão, pai do Feco e do Marcelinho (Primatas); o pai do Puff (Basicus); o Luciano matriz, pai do Muralha (Morada Choque); a mãe do Elói (Inflação); ‘seo’ Gallego, pai do Diego (goleiro do CAV)... e por aí vai. Além dos pais, irmãos compõem a torcida.

Harry, torcedor símbolo da celeste do Zenite

Se há torcida, há festa. É o que sempre acontece na maioria dos jogos do Zenite. Sempre que podem, os torcedores (liderados pelo fanático celeste Harry) levam batuques, bumbos, pandeiros, entre outros instrumentos, para elevar a alegria nos jogos do time. Claro que às vezes aparece um árbitro turrão e tenta diminuir o estardalhaço, que é grande mesmo e muitas vezes insuportável de aguentar por minutos seguidos. Sim, o barulho é forte, mas a compensação vem em saber que eles, torcedores, fazem parte e podem influir no espetáculo, sempre a favor de seu time predileto. Dependendo de seu peso, chega a definir um vencedor. Como o alambrado é colado às linhas que demarcam a quadra, é comum ter o torcedor ‘grudado no ouvido’ tanto do árbitro quanto dos adversários. Isso acaba mexendo com os ânimos.

A mulherada marca presença na torcida uniformizada do Camaro, hoje na Prata

Entretanto, saber até onde pode ir e respeitar o limite do outro é necessário. Na verdade, eis o maior desafio enfrentado por cada jogador: policiar-se. E isso porque ele, o jogador fora de quadra, não passa a ser um mero torcedor quando seu time não está atuando. Afinal, seu nome ainda consta em súmula, e o comportamento deve ser de jogador. Para esse caso, exclui-se a pessoa expulsa de quadra que pensa ser automaticamente um torcedor. Não me esqueço do caso de um jogador do Corleone que, no mata-mata no semestre passado, foi expulso de quadra e não parou de xingar os árbitros do lado de fora. Assim que abordado, ele simplesmente virou-se a um dos organizadores do Chuteira e disse ser apenas um torcedor comum naquele momento. Não, meu caro, você não era um torcedor. Ainda era jogador.

A contradição dentro de cada pessoa acaba sendo uma embolada para si próprio. Sou jogador, sou torcedor? Eis a questão. Seu nome consta em alguma súmula, você é jogador. Portanto, cuidado com seu comportamento fora de quadra. Algumas discussões nascem a partir de provocações que poderiam ser evitadas. Assim como torcedores que adoram tomar partido de um amigo dentro de quadra. Há uma discussão, empurra-empurra, e lá está o valentão de prontidão para invadir a quadra. Vá fundo, mas saiba que o time que você irá ‘defender’ será punido severamente. Afinal, problemas dentro de quadra devem ser resolvidos pelas pessoas que estão... dentro de quadra. Nunca por torcedor do lado de fora do alambrado.

Não foram poucos os entreveiros envolvendo torcida. Um caso recente de invasão de quadra por parte de terceiros contribuiu para eliminar uma equipe da Liga. Outrora, quem perdeu pontos foi o Coringa. Só que a maior reclamação dos jogadores é contra – desculpem-me, moças – as torcedoras. Quase todos são unânimes ao afirmar que a voz feminina irrita dentro de quadra, muitas vezes contribuindo para que o jogador perca o controle emocional. A torcida do Bonde dos Abelhas já teve um problema parecido em duelo do time ante o Condor’s. Nada de mais grave aconteceu, ainda bem. Só que o incentivo foi tanto que o adversário (mesmo perdendo parcialmente a cabeça) quase fez bobagem. Além desses, outros vários casos de mulheres do lado de fora levando a confrontos do lado de dentro podem ser citados, mas nao é necessário mais recordar.

Enfim, o papel do torcedor é esse: incentivar, encher o saco do rival, torcer pelo time da pessoa amada. Porém, lembre-se que você está ali para se divertir também. E divertir-se com a desgraça não faz parte dos valores que o campeonato prega. Torça, sim, e muito. Zique, sim, e muito. Só não se esqueça que há outros seres humanos próximos. Se não tem amor em São Paulo, no Chuteira existe. Se mesmo assim ainda não está convencido, pelo menos respeite os mais velhos que estão lá aproveitando o sábado. Respeite as crianças, que se espelham nas suas atitudes como torcedor. Afinal, é importante seu papel dentro do Chuteira de Ouro.
Comentários (5)
out 16, 2013

Douglas, mais uma vez parabéns pela matéria, mas em alguns casos citados sou obrigado a discordar, pois a torcida feminina embeleza qualquer espetáculo, porém ressalto que muitas delas não sabem o limite, e, isso pode ocasionar problemas dentro e fora das quadras. O exemplo mais recente, foi o jogo entre SQS e Roleta, dia 05/10, onde as torcedoras do SQS, proferindo palavrões e ofensas pessoais ao técnico do Roleta, que pela emoção do jogo poderia ter consequências piores. Tudo isso porque o Roleta virou o jogo, e o técnico do Roleta dava instruções para seu time controlar o jogo e tentar a vitória. Quando citou os pais, esqueceu-se de mim, que além de pai, compareço todos os jogos e oriento meu time dentro de quadra. Independente do esquecimento, são horas de alegria e tensão que passamos todos os sábados. Todos torcem por um ou outro resultado, independente da amizade, todos fazem com que suas agremiações estejam sempre em destaque no Chuteira.

out 17, 2013

Esqueceram-se de Dona Irene e Seu Laurindo. Presentes em todos os jogos meu e do Pedro Lodetti, desde os tempos de Jeremias. Dona Irene, que inclusive, levantou o troféu de campeão do Chuteira de Aço. Torcedores fieís.

out 19, 2013

Douglas, matéria excelente...inteligente...perspicaz... Mas poupar a Karin , do Inflação, das meninas irritantes foi um ato de muita compaixão de sua parte...kkkkk

out 21, 2013

Matéria sensacional!! Deixo aqui meus agradecimentos à torcida Zica que nos últimos jogos nos apoiou bastante, principalmente no nosso duelo contra os Leões do Brás pela sexta rodada do Chuteira de Aço!! Zenite, tamo junto!!! Ass, Piauí - goleiro do AbusadosFC.

nov 10, 2013

Perfeito Douglas! Todos temos nossas responsabilidades, principalmente se fazemos parte do quadro de participantes do torneio. Parabéns pela matéria