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Ele te convida para jogar, ouve reclamações, tem de te cobrar, briga pelos interesses da equipe, pensa no próximo adversário... Já parou para analisar o que o representante do teu time faz para que você sinta a emoção de ser um jogador?


Organização. Palavra que remete a ordem, progresso, máfia, seita... Palavra que dá calafrios para quem gosta de estar fora da lei. Palavra que impõe respeito para quem é de direito. Instituição, grupo... futebol. A vida é uma organização, na qual as pessoas se programam para sobreviver de forma individual, ou simplesmente se reúnem para relacionar os objetivos e interesses comuns entre eles. Na parte individual, a organização pode servir tanto a um planejamento de como será a vida – de um indivíduo – de um determinado ponto em diante, ou simplesmente a organização do quarto, ao dormir ou ao acordar. Coletivamente, a organização pode ser em prol de uma equipe. Mais precisamente, um time de futebol. E quem organiza tem o controle. Quem organiza tem a chave para que o interesse do grupo seja levado adiante. Quem organiza é o manager

Palavra da língua inglesa que designa o homem a cuidar dos interesses de um esportista. Se você acabou de ler a oração descrita, lembre-se da pessoa que te convidou para fazer parte de um universo o qual você já almejou em um passado remoto. Um dia, você quis ser um jogador de futebol profissional. Poder entrar no gramado do Maracanã (tá certo que com o ‘maior do mundo’, as gerações nascida nos anos 1990 não tiveram a oportunidade de sentir o glamour que era o estádio que abrigará a final da Copa do Mundo de 2014) vestindo a camisa de um gigante do Rio de Janeiro, ou fazer um gol no Morumbi e sair correndo para os braços da torcida, ou tirar a bola de cima da linha justamente em um Ba-Vi... Sim, se você já imaginou essa cena um dia, pode se sentir mais um frustrado do futebol. Só que o manager da tua equipe lhe estendeu uma oportunidade para que a imaginação, ao invés de virar uma frustração, pudesse se tornar realidade. Mesmo que alternativa, como em De Volta Para O Futuro – Parte II.

Pois o manager, ou representante, como queira, é o homem que sempre sonhou em colocar sua equipe de paixão para funcionar. Sem ele, a engrenagem não funciona. E o carro não funciona. O representante da equipe tem de cuidar de tudo e mais um pouco, quando necessário. Pensa que manager só cobra dinheiro de você (claro, refiro-me aos casos de jogadores que pagam para atuar)? Pensa que manager só te cobra um posicionamento melhor em quadra em relação aos interesses do time? Não, caro amigo, o representante da tua equipe faz mais que isso. Aliás, muito mais que isso.

É só colocar no papel e fazer as contas: ele manda mensagem no começo da semana alertando o dia, horário e em qual quadra será a próxima partida; pergunta quem poderá comparecer ao embate; olha na tabela tanto a posição do seu time quanto à do adversário e já manda aquele texto gigantesco exortando atenção e respeito ao próximo rival; já monta na cabeça qual será o plantel e a melhor formação para entrar em quadra, ou repassa tudo isso ao técnico (depende do caso de um time não possuir a figura do manager-técnico); confirma as presenças e ausências novamente dois dias antes da partida; recebe e-mail por parte da organização do campeonato com a relação dos uniformes para a rodada e corre atrás de prepará-los ao jogo; leva coolers ou galões de água ao elenco; coloca seu time em quadra; findada a partida, recolhe uniforme (a maioria dos times faz isso, deixar com uma pessoa, normalmente o manager, a responsabilidade pelas vestimentas) para que sejam lavados; passa outro sermão; vai para casa pensar no que errou e no que acertou. E outra semana começa. Tudo (de) novo.

O trabalho do representante não fica limitado a isso somente. Antes de o campeonato começar, ele precisa recrutar jogador, mesmo que já seja do elenco em temporadas passadas. Mais que isso: o manager precisa ser um relações-públicas, afinal, muitos são os interesses, tanto coletivos quanto individuais. Quantas vezes o representante já não ouviu a frase “Eu pago também e quero jogar igual a fulano”? Pronto, a equipe jamais será campeã ou avançar de fases, pois um pensamento individual atrapalha o interesse coletivo. Quando um jogador profere a frase descrita, ele não entende o que é um espírito de grupo e, principalmente, não entende o que representa a camisa que ostenta. Quem tem de gerenciar uma crise como esta? Sim, o manager, que tem de explicar que hoje o jogador pode ter atuado pouco, mas em outra oportunidade será o titular. Paciência.

Ou até mesmo reclamação interna com colega ou amigo, que o jogador prefere reportar ao manager para tentar resolver. “Ah, fulano não toca a bola”, ou, “Ah, o cara não para de reclamar e eu não aguento”. Diga aí, representante do teu time, quantas vezes você não ouve casos assim? Quando joguei também em campeonatos, tinha pena do meu representante, porque mais chato e exigente que eu em quadra está para nascer. Só que sempre soube do valor do manager, pois, com ele, voltei a adentrar a quadra e sentir o gosto de uma competição após 6 anos – e o sabor da competição, no futebol, é delicioso. Mais que isso: com ele, sabia da existência de um porto-seguro para que eu pudesse desempenhar o meu sonho de ser um atleta profissional, frustrado com as idas e vindas da vida.

Como trabalho com organização, também, sempre fiquei parado em frente às quadras observando a estrutura dos times. E fico maravilhado com trabalhos desenvolvidos por alguns managers: o Marcelão, o ‘sr. Bacana’, que sempre passa pelos corredores do PlayBall com sua sacola amarela, na qual carrega os uniformes de seus dois times; de Caio Fleischmann, que saiu de uma equipe e montou seu próprio reduto, elevando o CAV a uma ascensão monstruosa em tão pouco tempo; de Sérgio e Luciano, à frente do Peneira, equipe que obteve acesso à Prata e capricha na estrutura; de Simon, que montou outra versão do Di Primeira e está ‘penando’um pouco, mas que não desanima; ou a figura taciturna de Ricardo Tavano, sempre misterioso com seus óculos ecuros a comandar seu Fiorella; além, claro, do mister manager Baru, fanático a ponto de montar três versões do Roleta Russa (hoje duas, já que o Clássico encerrou sua participação no Chuteira).

Desculpe-me, caro leitor, nao citar todos os managers das 78 equipes da Liga Chuteira de Ouro. São eles que fazem os sábados ficarem mais vibrante e emocionante. Se você é fiel escudeiro do seu manager, parabéns também, pois seu trabalho é inspirador. Afinal, colocar uma equipe para funcionar, independente da qualidade técnica do elenco, é um desafio descomunal. Tratar da cabeça de cada jogador para que pense coletivamente não é fácil. Moldar o pensamento do torcedor da equipe para que apenas incentive e não parta para agressões verbais ou físicas é um sacrifício instigante. Fazer de um time um time campeão é uma glória. Vocês, managers, ou representantes, tanto faz, são guerreiros. E assim devem continuar para manter a chama de jogar futebol acesa. Estamos com vocês.
Comentários (5)
set 02, 2013

Muito bom texto Douglas!!! Como manager e jogador, confirmo q eh exatamente como vc retratou haha.

set 03, 2013

mto bom!!!!! gostei do texto e estou começando a me aprofundar nesse contexto... e como é dificil!!!!

set 04, 2013

Matéria muito boa, parabens!

set 04, 2013

Bela máteria Douglas , sabemos que sem organização ou objetivos traçados , não se chega a lugar algum. Parabéns pela nova cara do site.

set 09, 2013

Parabéns Douglas..belo texto. Parabéns Vitão...belo manager!