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ESTUDIANTES CRESCE NA HORA CERTA E ESPERA POR NOVA FINAL

Quem não se lembra do Goiás de 2003, que terminou o primeiro turno na lanterna e fez a melhor campanha do segundo turno com a chegada do técnico Cuca? Ou do Corinthians de 2004, que, com Tite, e mais de 10 vitórias por 1 x 0, saiu da lanterna à quase classificação na Libertadores? Ou por que não, nesse ano, o Fluminense, do mesmo Cuca, que milagrosamente fugiu de um quase certo descenso?

Muito comum no futebol, a reação de uma equipe após um começo de campeonato irregular também se vê presente no Chuteira de Ouro. Embora o Estudiantes de la Vila nunca tenha sido seriamente cotado ao rebaixamento tal qual os exemplos supracitados do Brasileirão, a equipe listrada é certamente o exemplo de reação da temporada.

Se dividirmos em duas partes a campanha na fase classificatória dos aprendizes portenhos, vemos resultados claramente bipolares. Nos 4 primeiros confrontos, os alvirrubros venceram apenas o Treinadores do Braz (6 x 5), na 4ª rodada, e perderam para EB (4 x 2); Bengalas (7 x 4) e Acidus (6 x 4) nas rodadas 1, 3 e 5, respectivamente. Em suma, o aproveitamento dos estudantis foi de apenas 25% nesse período.

Entretanto, na metade final das rondas classificatórias, os ventos começaram a soprar em outra direção para os vice-campeões do VI Chuteira de Ouro. Os vilões venceram The Veras (8 x 6); Joga 13 (7 x 2) e Fúria (5 x 4) nas rodadas 6, 7 e 9, respectivamente. Somando-se esses triunfos ao empate com os Primatas na rodada 8 (3 x 3), o aproveitamento da equipe sobe a impressionantes 83,3%, garantindo classificação com uma satisfatória quarta posição.

Para Rafinha, zagueirão da equipe e – para muitos – um dos destaques defensivos da competição, a explicação para a arrancada é bastante simples: “[A reação] Se atribui, principalmente, ao maior entrosamento do time no decorrer da competição e a maior presença de todos os jogadores nas partidas”. O defensor ainda completa: “No começo, não tínhamos o Lorente e o Piero, peças fundamentais para a boa troca de passes. Isso fez com que o nosso time criasse poucas jogadas, produzindo pouco, com a presença desses jogadores – juntamente com o Iram – o time ganha velocidade e qualidade no passe, podendo assim produzir mais jogadas”, analisa.

Já Rafael Lorente, meia atacante da equipe, atribui a ascensão de sua esquadra à união. “Precisávamos vencer para voltar a moral, e sempre que possível jogar com o time completo. E foi o que aconteceu: vencemos e convencemos com bons jogos”, reflete.

Caio, ícone do Estudiantes e exemplo de reação pessoal pela sua recuperação de lesão no joelho, corrobora os argumentos do colega: “Acho que começamos mal porque nos primeiros jogos o time sempre jogava desfalcado, e não digo desfalcado de um ou dois jogadores, e sim de uns 3, 4 titulares. A partir da metade da primeira fase, os jogadores começaram comparecer com mais frequência, e a arrancada começou exatamente quando reintegramos o Lorente à equipe”, afirma.

De fato, a presença de Lorente tem sido de grande importância para os homônimos do atual campeão da Taça Libertadores. O camisa 18, com grandes exibições é, junto com o atacante Bahia, o jogador da equipe com mais estrelas no ranking MVP, 7 para cada um. “É o cérebro da equipe”, aponta Rafinha. Com relação aos elogios, Lorente declara: “Eu tento sempre ajudar o meu time, seja com passes ou jogadas individuais, busco sempre a melhor opção”.

Outra dupla muito bem na fita entre o grêmio estudantil futebolístico são os homens de meio, Vitinho e Lê Raito. “Eles têm muita qualidade na marcação e sabem sair jogando como ninguém. Normalmente quem vê de fora não dá valor a esse tipo de atleta, mas quem joga com eles sabe como fica fácil atuar ao lado deles”, diz Lorente. Já Rafinha, companheiro de área de ambos, declara: “A marcação desse cara [Lê Raito] não é brincadeira, parece um carrapato! Enquanto isso, o Vitinho também é muito importante na marcação e tem um excelente passe”.

Caio finaliza a sessão de elogios. “O Rafinha e o Vitor fazem uma dupla que eu acho perfeita para o society, enquanto o Rafinha é alto e forte, conseguindo ganhar todas as bolas, o posicionamento do Vitinho é perfeito, além da ótima qualidade de saída de bola”.

Além disso, o trio cita outras peças que ajudaram o time no decorrer do campeonato, como Porps, Paulão e Bahia, entre outros. Com a moral restabelecida, é hora de pensar no mata-mata e, pelo jeito, após o triunfo contra o Kadência nas oitavas, há muita confiança entre a tropa dos educandos. “Temos muitas chances de chegar de novo entre os finalistas. Técnica o time tem, e muita, agora temos que manter a garra”, assegura Lorente.

Já Rafinha analisa: “O Estudiantes vem crescendo no momento certo, isso é bom. No último jogo, o time soube atacar na hora certa e se defender para segurar o resultado. O SNG [adversário das quartas] é sempre um difícil adversário, senão o mais difícil, um time que poupa energia e a usa sabiamente. Vamos ter dificuldade para superá-los”.

Por falar em Se Não Guenta, os hermanos do CDO não crêem em um clima de revanche contra a equipe de Renê. Vale lembrar que os alvirrubros venceram, no gol de ouro, os laranjinhas na semifinal da sexta edição do certame da Pompéia. Eis o que dizem cada um:

– “Pela parte do Estudiantes não, até porque nós que ganhamos deles. Mas será um jogão de bola!” – Rafinha.

– “Não acredito em clima de revanche, o que vai acontecer é um grande jogo de futebol onde as duas equipes vão correr até o ultimo segundo de jogo para conquistar a classificação” – Caio.

– “Só se for da parte deles, porque o nosso time sempre entra em campo pra vencer seja qual equipe for!” – Lorente.
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