Bruno Costa, o chapeleiro do Chuteira, é o “veterano” num time repleto de jovens talentos. Ao lado de Bolacha e Kraudio na direção do XTJ, montou uma equipe que hoje briga pelo título da Bronze após garantir vaga na Prata
O chapéu é um dos dribles mais lindos de se ver aplicar. Tudo pela dificuldade e plasticidade da jogada, na qual o dono da posse da bola tem de passá-la por cima da cabeça de seu oponente. Em 2010, um repórter novato na profissão viu Bruno Costa – atuando pelo DPGamos – aplicar chapéus nos adversários. O repórter olhou na súmula o apelido que Bruno ostentava: BB. Daí nasceu o BB Chapeleiro, um dos jogadores de maior longevidade dentro do Chuteira e que já passou por time que já se foi e outros que ainda permanecem no campeonato.
Atualmente, BB defende as cores azul, amarela e branca do XTJ, equipe que venceu o Grupo B da Bronze e que estará na próxima edição da Prata, desafiando times como Fora de Série, Med Taubaté, Acidus, Mercenários, entre outros. De forma franca, o ‘chapeleiro maluco’ do Chuteira detona a arbitragem e o “protecionismo” a times próximos à Organização, lembra de seus colegas de Mentira Sem Maldade, critica os ‘politicamente corretos’ e espera que o título desta edição da Bronze venha a ser seu momento mais marcante desde sua primeira participação, no I Festival Bola na Rede.
Confira a seguir a entrevista com Brunão, para os ‘xaropes’, ou simplesmente BB Chapeleiro, para outros.
Por quantos times você já jogou no Chuteira? Descreva suas passagens por cada um deles.
Já participei de alguns times no Chuteira. São muitas histórias, muitas amizades e algumas confusões (risos). Comecei no I Festival Bola na Rede com meus amigos de infância, pelo Só Risada. Mas jogamos apenas os dois primeiros festivais. Alguns desses amigos ainda estão no Chuteira, a maioria no Coringa (Mauricio, Regis, Rafinha, Ligeiro e Kaka) e outros dois no CAV (Léo e Fernando Cidrão). Depois, junto com os colegas de empresa (a turma dos estagiários), fundamos o Mentira Sem Maldade e chamamos mais alguns amigos para jogar o IV Chuteira de Ouro. Era um time ruim. Hoje, depois de anos, assumo isso. Saí do MSM e passei pelo Basicus, do meu amigo, ou melhor, do amigo de todos no Chuteira Rodrigo Barath. Joguei lá na época das vacas magras, quase não vencíamos, tudo dava errado. Foram dois semestres na ‘Fênix Rosa’, gostava do time. Fico feliz de ver a equipe como está hoje. Depois, recebi o convite de outra pessoa muito querida no Chuteira, o Dani Fischer. Foi apenas um semestre no DPGamos, jogava bastante nessa época com o prof. Lói (risos), que me deixava à vontade para jogar do jeito que mais gosto no society. Durou pouco, porque os ‘xaropes’ já estavam chegando no semestre seguinte, onde estou pelo quarto torneio seguido.
Como surgiu o XTJ?
O XTJ já tem uns 8 anos. Só que jogava apenas salão e jogos na região onde moramos. Eu conheci o Allan e o Kraudio – ao meu lado, a diretoria do time – quando resolvi, depois de velho, voltar a frequentar a igreja, ir à missa, fazer crisma, essas coisas. Comecei a jogar com a molecada nesses ‘contras’ no futsal. Aí dei e ideia de jogarmos o Chuteira. O pessoal curtiu, e estamos aqui há dois anos.
Você presenciou várias mudanças no Chuteira. Como acompanha o crescimento do campeonato? Partilha da mesma opinião de Gui Fenômeno (jogador do Primatas) em relação aos politicamente corretos ?
Nossa, quando joguei o Chuteira pela primeira vez, era apenas um grupo de 12 times. Nunca imaginei que chegaria ao porte que tem hoje. Eu gosto de ver o campeonato grande como está, ver times brigando nas taças de estações para entrar na Série Bronze. Mas, infelizmente, em alguns aspectos o campeonato não acompanha essa evolução. É ‘chover no molhado’ falar de arbitragem, né? Tem juízes que não têm condições. Outro ponto a ser trabalhado é um certo protecionismo às equipes ligadas à organização e reportagem. Com relação à opinião do Gui, eu concordo plenamente. Tem hora que é chato entrar no site e ver nos comentários “respostas prontas”, não pode criticar ou falar uma verdade que é falta de respeito, tem que ser certinho. Porra, ninguém está comentando sobre economia ou política no site do Estadão. Fazem falta comentários do tipo que Tom e Denys faziam. Esse falso moralismo afasta muitos de se manisfestarem no site. Pra mim, tem que ter um pouco de ‘zoação’, faz parte do futebol isso.
O XTJ vem mostrando um bom futebol ao longo desta edição da Bronze. O que mudou?
Já estivemos muito perto do acesso por duas vezes. A primeira foi no I Chuteira de Bronze, quando tomamos o gol da derrota para o Maciota’s faltando 2 minutos para o fim do jogo. E a segunda no torneio passado, quando perdemos para o Bacaninha nos pênaltis. Em quase todas as edições tivemos um time, no mínimo, 30% diferente da edição anterior. Jogadores bons passaram, mas muitas vezes sem comprometimento. Dessa vez o critério de comprometimento foi o principal na hora de chamarmos novos jogadores. Montamos um time com jogadores comprometidos e também de muito bons jogadores. De ruim só tem eu (risos).Temos também alguém desde o início do campeonato que fica somente como técnico, que é o caso do ex-capitão Bolacha, que infelizmente operou o joelho no final do ano passado e está se recuperando. E o ponto forte do time é a união.
Vocês tinham um jogador que destoava do elenco. A saída dele fez o conjunto melhorar? Por quê?
Tínhamos um jogador que não estava na mesma sintonia do grupo, só trazia problemas. Chegamos ao ponto de 90% do time querer esse cara fora. Coincidência ou não, nos dias em que ele teve atitudes que não condizem com o espírito de grupo, a vitória não veio. Foram dois empates. A saída dele fez um bem enorme para o time, foi onde ficamos mais unidos. O ambiente fica a cada sábado melhor.
Muitos consideram o XTJ um bom time, mas que irá bater e voltar na Prata. Concorda com isso? Por quê?
Primeiro de tudo: quem fala isso, não deve ter visto 1/3 dos nossos jogos, além de não ter critério algum e argumento embasado para tal. Isso para não falar que não entende nada de futebol e do histórico recente do Chuteira. Quem acompanha os acessos à Prata vê que o time que sobe como o XTJ, líder na fase de grupos, além de não voltar, briga pelo acesso à Ouro. Quase todos eles se classificaram ao mata-mata. Por isso não concordo nem um pouco com isso, ainda mais se levarmos em consideração a dificuldade do Grupo B, vide times classificados para as quartas de finais. Dos 8 times, 6 são do nosso grupo.
Por que o apelido de BB Chapeleiro ?
A parte do ‘BB’ é muito antiga. Chegou no Chuteira junto com o Mentira Sem Maldade. Era um apelido (Bebein) que alguns amigos da empresa que eu trabalhava na época me colocaram. Como o MSM foi formado principalmente por essas pessoas, pegou. Já o ‘Chapeleiro’ veio quando o Douglas (Almasi Santos) começou a fazer as reportagens do DPGamos, e eu, em 2 jogos seguidos, que já estavam perdidos, comecei a me divertir em quadra distribuindo chapéus nos adversários. Acho que todos sem produtividade nenhuma, simplesmente pela diversão (risos).
Você é um cara muito querido por vários jogadores. E quem são as pessoas que o BB gosta no Chuteira?
É difícil eu não gostar de alguém, prezo sempre pelas amizades e é bom estar nos lugares que frequento. Gosto dos meus amigos de muito tempo que citei acima, que jogaram comigo no Só Risada, que é a molecada do Coringa, mais os primos Cidrão. A propósito, volta logo, Léo, melhoras na recuperação. Gosto muito e sou grato ao pessoal que me abriu as portas de seus times: Rodrigo Barath e os irmãos Fischer (mais o Daniel, porque o Denão é muito chato). Do pessoal mais antigo, gosto da rapaziada do SNG e NGM – Renê, Márcio, meu vizinho Memé (risos). Gosto do pessoal que era do Joga 13 (Choco, Doce, Guma e outros). Tem também figuras carismáticas como Folha, Lói, Pedro De Luna. Tem a turma dos repórteres gente boa, Douglas e Bento. Da nova geração, tem o pessoal do Mostarda, que são todos muito gente boa. O Ricardo do Absolutos. Melhor parar de citar senão certeza que vou esquecer de alguém, tem muitos que não citei acima.
E as pessoas que saíram e sente saudade?
Sinto saudade do pessoal do MSM. Eu brigava muito com eles, mas são muito meus amigos e gostaria que eles estivessem aos sábados no PlayBall para tomarmos umas. Sempre falei para eles que nunca mais jogaria no mesmo time, principalmente ao Du Menotti, e mantenho minha posição (risos).
Qual o momento mais marcante do BB dentro do Chuteira? Por quê?
Não tenho um momento que considero mais marcante até hoje. Foram muitos momentos. Acho que o momento mais marcante está para chegar. Com um título, quem sabe no dia 23 de junho, junto com o time que mais gostei /gosto de ter participado no Chuteira.
Brunão ou BB Chapeleiro? Por quê?
BB Chapeleiro falei acima o porquê. Brunão é só a rapaziada do XTJ que me chama assim, talvez por eu ser o mais velho do time. Quando comecei a jogar, a maioria tinha apenas 16, 17 anos, e eu já era ‘veterano’ com 20 (risos). Tem outro apelido ainda conhecido no Chuteira, que muita gente me chama assim, que é Big. Dentre os três, do que me chamar eu atendo (risos).
O BB continua no XTJ pra próxima temporada ou vai tirar o chapéu em outros ares?
Já bati o recorde de semestres em um único time, gosto muito do XTJ e pretendo continuar. Mas quem sabe o que pode acontecer amanhã.
Os chapéus permanecem ou mudou o estilo de jogo? (risos) Os chapéus estão em falta ultimamente. A seriedade do time nesse semestre para chegar ao objetivo da Prata foi muito grande. Mas se pintar a oportunidade não vou hesitar (risos).
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