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ENTREVISTA # 5 – MAIS MADURO, MAIS FOCADO E MUITO MAIS GOLS

O Só Resenha passou de time moleque para time maduro. Muito disso é reflexo do próprio processo de amadurecimento do seu presidente, Victor Baldin, que na conversa abaixo conta um pouco sobre isso, além de explicar o ímpeto ofensivo, marca registrada da equipe, e onde arruma tantos bons jogadores

Dancinhas, rapidez nas jogadas, futebol envolvente, e gols, muitos gols. Alguns times podem, dentro do Chuteira, encaixar-se nas características descritas. Mas sempre que é proferida a palavra ‘ofensividade’, a maioria dos boleiros já remete ao Só Resenha. O time verde, preto e branco é, realmente, uma máquina de fazer tentos. Somente nesta temporada foram 52 gols em 9 jogos da primeira fase do XIII Chuteira de Ouro – quase 6 gols por partida!

O sucesso do time passa, em primeiro lugar, por seu presidente. É Victor Baldin, ou mais conhecido como Vitinho, quem toca o barco do Resenha. O time estreou em 2010 na terceira edição da Série Prata. Venceu naquela oportunidade e subiu para a Ouro. Desde então, vem dando trabalho aos grandes times do certame. Entretanto, Vitinho não quer saber apenas de dificultar o caminho dos outros e ser reconhecido como um futebol ofensivo em meio a tanta prioridade com a defesa. Vitinho, assim como todo o Resenha, quer títulos. Até o momento, foram três disputas da Ouro, três vezes classificando-se – e sendo eliminado – no mata-mata.“Perdemos duas vezes por 1 x 0 e uma vez por 2 x 1. Foram jogos decididos em detalhes, que vamos amadurecendo com o tempo”, explica o camisa 17. Se a eliminação sempre veio, sendo uma delas em semifinal (diante do Fora de Série, no X Chuteira de Ouro), talvez tenha chegado a vez do Resenha. Afinal, com dois anos de Chuteira, o time está mais maduro e mais focado, mas não deixou de lado a velocidade e a habilidade de sempre.

Confira a entrevista do responsável principal pelo Só Resenha, time classificado como ‘chato’, mas que sempre dá um charme a mais à competição.

Como nasceu o Só Resenha e por que este nome?
Em 2009, cada um seguiu seu rumo em diferentes faculdades, mas não mudamos o rumo dos finais de semana. Era futebol e churrasco como de costume, porém, o futebol é apenas entre nós, amigos de infância. Foi aí que surgiu a ideia de montar um time, “que já estava montado”, e participar de campeonatos. A intenção definitiva, não me lembro de quem veio, sei que estava eu, Renatinho (hoje nos EUA) e Dioguinho (que já jogava no Arouca) e começamos a rabiscar o que seria o Só Resenha. O nome não foi tão difícil achar. Nos churrasco eram só resenhas, Dhani e Darian sempre foram os mais ‘resenheiros’, e são ainda. Renatinho e o Fabricio são outros, e foi aí que surgiu o nome.

Vocês são considerados um time bom, porém, jovem, o que remete a certa irregularidade. Porém, essa característica já tem alguns anos. Quando a equipe irá amadurecer e vencer a Ouro?
Somos um time jovem, sim, mas creio que mantemos uma regularidade de bons jogos. Podemos sempre sair com a derrota, mas não perdemos por estar mal, e sim por merecimento dos adversários. Nos mata-matas, quando eliminados, perdemos duas vezes por 1 x 0 e uma vez por 2 x 1. Foram jogos decididos em detalhes, que vamos amadurecendo com o tempo. Vencer a Ouro? Espero que este semestre, já que estamos com um time bom e conseguimos estar entre as melhores campanhas da primeira fase. Mas para isso precisamos provar mais. Não adianta fazer a melhor campanha e cair no mata-mata. Dizemos que são dois campeonatos distintos, fomos bem no primeiro (fase de grupos) e agora começa outra competição, aonde é matar ou morrer. Sem dúvidas, dos anos que estamos no Chuteira, essa Ouro é a competição com mais time com chances de título, e uma delas iremos enfrentar já nas quartas de final. Que vença o melhor.

O único título da equipe, dentro do Chuteira, é a Série Prata. Que lembranças tem daquele tempo e daquela campanha?
Foi uma campanha perfeita e foi, sem dúvidas, o que fez o Resenha crescer e se manter. Nunca tínhamos disputado nenhum campeonato como Só Resenha. Em 2009, apenas jogamos a FutLiga aos trancos e barrancos, muitas vezes quase que sem time pra jogar. Foi quando achamos o Chuteira através do Dioguinho, e em nossa primeira participação fomos campeões quase que invictos, perdendo apenas uma partida. Foi um ano muito bom (o ano de 2010). E ainda tivemos no segundo semestre, em nossa primeira participação na Ouro, uma participação até as semifinais. Em nossas conversas pré-jogo sempre falamos ‘vamos jogar o futebol de quando estávamos na Prata’, conhecido entre nós como ‘ousadia e alegria’.

O Resenha se envolveu, na mesma edição, em uma briga com o Jeremias. O que ocorreu e, passados dois anos, o que ficou de lição desta confusão?
Foi um fato lamentável. Nos envolvemos em uma briga, sim, mas tem coisa que acontece para que possamos aprender com os nossos erros. Tiramos um ou outro do time, que sempre arrumavam confusão, e mostramos para os que permaneceram que o Só Resenha, dentro de quadra, é futebol e sempre prezamos a paz e alegria entre nossos amigos. E essa briga com o Jeremias beneficiou o Fora de Série. O Fora foi um rival que se tornou um clássico dentro do Chuteira, por ficarmos disputando a ponta da tabela daquela edição da Prata durante toda a primeira fase. Ponta essa que só ficou com o Fora de Série porque perdemos 2 pontos na briga diante o Jeremias. Assim, só nos restou chegar à final para alcançar a vaga na Ouro. Foi o que fizemos.

Existe alguma polêmica envolvendo o zagueiro Cris Nicolas? O time tem problema com ele? Por que ele chegou a perder a faixa de capitão certa vez?
Nenhuma polêmica. O Cris é um grande amigo de todos, respeitamos muito ele não por ser o mais velho do time, e sim pela pessoa que é. O Cris foi uma das principais pessoas a manter o Resenha no início. Foi com ele que contamos quando estávamos em nosso pior momento, em nosso primeiro ano, como citado acima. Não tínhamos elenco, problemas com o uniforme etc. Ninguém tem problema com ele. Às vezes rola umas discussões, pois como jogador ninguém gosta de sair. E o Cris é um cara que dá o sangue pelo time e, claro, quando sai fica bravo. Isso é normal, é um cara brigador por manter o Resenha, e discussão acontece em todo time. Mas como todos do time, é um cara querido entre todos.

Os irmãos Dhani e Darian Cerra são fundamentais ao Resenha. Sem eles, o time não flui. Você concorda com isso? Por quê?
São sem dúvida fundamentais, mas não só os irmãos, como a família Cerra. Temos o primo ainda, Matheus, que vem crescendo e ganhando espaço no time. Eles são fundamentais assim como o Fabricio, o Cris, o Diego etc. Eles são os que mais conhecem o Resenha, estão desde o primeiro jogo. Ano passado perdemos o Dhani e o Renatinho de uma vez. Na ocasião não conseguimos repor bem a perda de dois titulares, tanto que tivemos nossa pior campanha na Ouro, sendo eliminados nas oitavas de final pelo SPQSF. Este semestre contamos com a volta do Dhani e do Brunão. Tivemos ainda a chegada de alguns como Éder, Pão, Rafinha, Éverton, Papa e o Miranda. Este se encaixou no time como titular justamente no meu lugar, mas está valendo. No Resenha não tem segredo: quem está melhor joga, não importa se sou eu – o "presi”, como chamado por alguns – ou qualquer outro. O que for melhor para o Resenha será feito. Este semestre o Sanny chegou a tomar a vaga do Cris, mas por motivo de contusão ficou afastado por 5 jogos e, consequentemente, perdeu a vaga novamente.

Fale um pouco da participação do Diego (uma mistura de técnico com manager) dentro do Resenha?
Fundamental. Certa época o Diego foi o ‘sr. Resenha’. Contas, jogos, técnico, tudo estava com ele. Junto ao Cris, chegou no momento que mais precisávamos e colocou organização no time, não só dentro de quadra. Aos poucos foi me passando algumas coisas e hoje, junto com o Dhani e o Bruninho Trovão, organizamos toda parte extracampo. Hoje deixamos ele jogar mais e dividimos as tarefas.

E a torcida feminina do Resenha? É composta basicamente por quem? Você considera as resenheiras como pioneiras no Chuteira?
Como em qualquer time, a torcida é importante fora de quadra. A torcida é composta por namoradas, amigas e irmãs dos atletas do Resenha. Uma vez ou outra aparece uma mãe por lá. O time sente e se anima com a presença delas, pois sabemos que elas estão lá realmente torcendo por nós – e principalmente quando tem namorada do lado de fora. A minha, por exemplo, cobra, grita e xinga se tiver que xingar. O Dhani é um jogador que quando a namorada vai só não faz chover dentro de quadra. É gol com coração, beijo na aliança. Sem contar que a companhia delas é importante, é um apoio extra quadra. Se são as pioneiras eu não sei. Há quem diga que sempre teve torcida feminina, mas eu nunca vi. Podem não ser as pioneiras, mas são, sem dúvidas, as mais fanáticas.

Esta é a primeira temporada do Papa Burguer no time. Como foi a adaptação dele no time? Qual a importância dele para o elenco?
É a primeira temporada de muitas. O Papa caiu literalmente como uma luva no elenco do Resenha. Além de ser ‘resenheiro’ (no sentido de contador de história) é um cara humilde e parceiro. Pela pessoa que é, acredito que não teria problema de adaptação em time nenhum. Sorte a nossa que veio parar no Resenha, através do empresário e zagueiro Cris, que, na ocasião, achou o Papa revoltado no vestiário (após um WO do Canhedo) e ali mesmo selou a contratação para a próxima temporada. E tem contrato até o fim de 2014 (risos).

O Resenha é uma fábrica de revelar bons jogadores? De onde vocês tiram tantos jogadores habilidosos?
Montamos o elenco baseado nos times que jogamos quando ainda éramos crianças. Dhani, Darian e Fabricio são rodados no futebol. Em cada canto que vamos jogar, eles conhecem alguém. Isso facilita um pouco para trazer jogadores com qualidade para compor o elenco. Ano passado tivemos o Valdir como revelação do campeonato e, felizmente para ele, tivemos a perda dele para o futebol profissional (hoje no futebol da República Tcheca). Em contrapartida, contamos com o futebol do Éder, que, mesmo sendo zagueiro, é o artilheiro do Resenha e vice da competição. Creio que é um candidato a revelação do semestre. Sem contar ainda que não temos no time o Dioguinho e o Bettoni (CAV). Este último esteve com o Resenha no início e hoje tem o sonho de voltar a jogar do meu lado, assim como em 2003/2004, quando eu cobria ele no meio campo. (risos)

Quem são as pessoas que o Vitinho respeita e admira dentro do Chuteira? Por quê?
Respeitar, respeito todos. Esse é o mínimo que precisamos pra estar nesse ambiente. Admirar, creio que todos os “presidentes” de cada time, por manter a organização e fazer o time estar presente aos sábados para que possamos abrilhantar a competição. Sei que ser manager não é nada fácil. Tenho amizade e um carinho especial pelo Marcelão (Bacana). Pude construir uma amizade com o Renê (SNG), que, junto ao Quim (Arouca Jrs,) foi um dos que nos ajudou na campanha de doação dos alimentos. O eterno e polemico Bizú, grande amigo que conheci no Chuteira. Tenho um carinho pelo time do Fúria. Além de ser o único que se manteve na Ouro desde que subimos no mesmo ano, é um time brigador, leal e difícil de se jogar, embora não esteja entre os primeiros. Respeito muito o Sucão. Tem o time do Bufalos também, que nunca tinha tido muito contato, mas acabamos por conhecê-los melhor no semestre passado quando fomos derrotados por 2 x 1. Tem grandes pessoas no time. E, claro, o mais baladeiro de todos, Gegê. O sonho dele é jogar no Resenha. Ele já me falou, mas quer que eu vá pedir pro Baru liberar (risos). Eu já disse pra ele, a camisa 31 está guardada para quando quiser.

Em 2011, você, especificamente, saiu revoltado de quadra após um empate com o Acidus. Na ocasião, você saiu disparando contra a arbitragem e o Acidus. Você tomou gancho pela confusão, mas o Resenha, depois disso, mudou. Temos de fato um novo Resenha todo sábado, em termos de atitude?
Infelizmente foi um jogo em que tivemos ‘lambanças’ da arbitragem, e com a adrenalina do jogo, infelizmente, perdi sim a cabeça. Porém, após o jogo, de cabeça fria, conversei com o Douglas Almasi (um dos organizadores do Chuteira), uma grande e admirável pessoa, e nessa conversa pude ver alguns pontos negativos da minha atitude que poderiam prejudicar ainda mais minha equipe. A primeira coisa foi pedir desculpas ao meu time, que, como presidente, sou o último que devia ter perdido a cabeça – e na ocasião fui o primeiro. Pedi desculpas ao Lucas e à organização como um todo. E como organizador/técnico/jogador, o Lucas soube entender, e o que aconteceu dentro da quadra ficou dentro da quadra. Peguei alguns jogos de suspensão, mas nada fora do normal (risos). Quanto às atitudes, sim, temos um Resenha mais maduro e mais focado em vencer o jogo. Fato é que o clima esquentou no jogo diante do CAV, e dessa vez fui o primeiro a entrar no meio e tirar todos do Resenha da confusão. Sempre tem um de cabeça quente, mas estávamos focados e tiramos todos do elenco do entrevero. Esse é o Resenha de hoje. Sempre frisamos, começou a confusão, sai do meio.

O Resenha é sinônimo de ofensividade? Por quê?
Sim. Mesmo às vezes querendo segurar um pouco o jogo, somos ofensivos. É característica, não temos como mudar. Temos jogadores rápidos, o que facilita a troca de passes, contra-ataques e a chegada ao ataque. Felizmente está dando certo e, com bons jogos, conseguimos acabar a primeira fase com o melhor ataque.
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