Existem jogadores no Chuteira de Ouro que se misturam às suas equipes. Você conseguiria pensar em Renê Araújo vestindo outra camisa a não ser a do tricampeão SNG? Ou imaginaria ‘Doutor’ Anibal jogando por outro time sem ser o Med Taubaté? Ou Marcelão afastado da família Bacana? Realmente são situações complicadas de pensar quando existe a ciência da paixão de certos jogadores ao seu time. Este é o caso de Márcio Di Petta, o popular Marcião, goleiro e manager do TCM? – equipe que surpreende os adversários a cada semestre.
Marcião pode ser considerado a alma da equipe. Ele é apaixonado pelo que faz: prestar serviços ao TCM?. E este amor é incondicional: enquanto esteve fora de forma, mostrou sua hombridade tanto em ceder a vaga na meta a um goleiro melhor fisicamente quanto a ficar torcendo do lado de fora. Assim é Marcião: companheiro e passional. E sua vida vai ficar mais agitada daqui para frente. É porque, além da classificação para as quartas de final à Prata para encarar o forte Med Taubaté, o goleiro-manager-técnico recebeu a notícia que será papai em breve. Um prêmio a uma figura carismática do universo Chuteira de Ouro.
Confira na entrevista abaixo se ele fica incomodado quando falam que o TCM? é fraco; qual o limite do time no Chuteira; quem o ajuda na manutenção da equipe; de onde saiu o nome TCM?; e como ‘enquadrou’ certos jogadores do elenco para cessarem as brigas em quadra. “A partir do momento que trocamos algumas peças, e que a base do time colocou na cabeça que não adianta nada ficar discutindo e que isso só nos prejudicava, ficamos mais tranquilos pra jogar”, revela Marcião.
Divirtam-se lendo e aprendendo com o fisioterapeuta que é apaixonado pelo Chuteira e pelo TCM?. E não tenham medo!
O nome TCM? (Tá Com Medo?) foi escolhido para se igualar à sigla do SNG? Explique a origem e por que a escolha.
Primeiro devo falar que quem fundou o TCM? não fui eu, foram o Claudio (Fidalgo, zagueiro), o Raffaele e o Guga. Estes dois não jogam mais. E como quase todas as equipes e jogadores do Chuteira, o Claudio e o Raffa jogavam em outro time, no caso o Fúria. Tá Com Medo?, na verdade, vem de uma expressão que o Claudio usava muito quando alguém negava qualquer tipo de confronto em algum jogo. Aí quando ouvia negativa, ele respondia: “Bebe leite”. Por isso não tem nada a ver com o SNG.
Quando entraram no Chuteira, o time dava um certo trabalho à Organização por causa de um comportamento inadequado. De repente, o TCM? tornou-se uma das equipes mais tranquilas. Por que gostavam de uma discussão com adversários e árbitros? A que se deveu a mudança radical?
O Chuteira se transformou em uma competição grandiosa, além de ser a nossa diversão e lazer de todo sábado. Por isso ninguém gosta de perder, mas nossa equipe se sentia e percebia que tinha muita má vontade de arbitragem. ‘Nêgo’ dando pancada, etc., enfim, coisas de jogo. Só que nossos jogadores não levavam pra esse lado – inclusive eu, que já cheguei a ficar suspenso sem jogar (risos) –, achavam que tudo se resolvia na discussão. A partir do momento que trocamos algumas peças, e que a base do time colocou na cabeça que não adianta nada ficar discutindo e que isso só nos prejudicava, ficamos mais tranquilos pra jogar e, hoje, tenho certeza que muita gente simpatiza com nossa equipe. Creio que mudamos muito quando disputamos o III Chuteira de Bronze.
Quando o TCM caiu para a Série Bronze, em 2010, sua obsessão passou a ser demover a equipe à Prata. Por quê? A Bronze é tão demérito disputá-la assim?
Se caímos foi porque merecemos e não apresentamos um bom futebol no V Chuteira de Prata, e uma das razoes foi pela falta de cabeça de alguns jogadores que lá estavam. E não que jogar a Bronze seja algum demérito, tem muito time lá que não faria feio na Prata e também na Ouro, mas primeiro, ficaríamos sempre com o estigma de time ruim. Segundo, como fomos um dos times que praticamente iniciou a Série Prata (disputamos desde a II edição), no mínimo nosso lugar é lá (risos).
E o limite do time no Chuteira de Ouro, qual é?
Sempre entramos pra ganhar, mas por sempre nunca acreditarem no nosso time, falo que entramos pra não cair. Aí vamos degrau por degrau. Hoje, por exemplo, nosso limite é tentar chegar a semifinal em diante. Tento colocar na cabeça do pessoal que cada jogo é uma final.
Os líderes do TCM? são amigos da galera do Condor s. Mas percebe-se um certo ar de competição entre as equipes. Isto é verdade? Vocês chegaram a disputar uma das vagas na Prata?
O Neno (manager do Condor’s) é amigo de infância do Claudio e também o conheço desde os meu 17, 18 anos. Outra, ele entrou no Chuteira jogando duas temporadas pelo TCM? (III e IV Chuteira de Prata). A competição entre nós se deve muito, acho eu, por nunca querer perder de amigo e também que no Condor’s tem muito jogador que foi do TCM?. Pois então veio a última rodada do III Chuteira de Bronze e, quem ganhasse, carimbava passaporte pra Prata. O jogo terminou 2 x 2. Subimos pelas semifinais e eles ficaram nas quartas, se não me engano.
Todos o associam à equipe logo de cara. Mas nós que conhecemos bem o TCM? sabemos que você não é o único responsável pela montagem e manutenção do elenco. Quem cuida, além de ti, da ‘família’?
O Claudio, na verdade, é nosso presidente, fundador etc. Tudo começou com ele. Estou no TCM? desde o início, mas era mero jogador. A partir do III Chuteira de Prata ele pediu pra ajudá-lo na organização e daí por diante fomos agregando o pessoal, a diretoria, onde todas as decisões passam por ela: Zé Roberto, Thiagão, Pasquali e Alemão.
A impressão que passa é que o TCM? é o patinho feio da Prata. E este conceito acompanha o time desde que retornaram à Série. Como é conviver com este estigma? Você fica chateado em ver seu time ser taxado de fraco?
Não fico chateado por ter essa fama. Primeiro, porque sei das qualidades das pessoas que jogam no TCM?, segundo, porque acho que as pessoas se apegam muito no que ouvem. Quando o pessoal vê nosso time jogar sempre vem com aquela frase: “Me falavam que o TCM? era ruim, mas não é nada disso” (risos). Mas, no fundo, é sempre bom ser considerado “azarão”, pois entram pra jogar contra nós mais relaxado.
Mas você há de convir que eliminar um time forte como o Inflação foi uma surpresa. Ou não?
Sabíamos mais ou menos como jogava o Inflação e quais eram seus principais jogadores. Passamos a semana inteira analisando como pararíamos Chide, Rodella e cia., e o que combinamos de fazer no jogo. Deu certo, portanto não foi surpresa.
Você está de volta ao gol do TCM?. Por que ficou afastado da meta um tempo? Qual a sensação de voltar ao gol? Como avalia seu desempenho atual?
Não existe titular no gol do TCM? hoje em dia. Quem está bem joga, ou eu, ou o Lucas, que é um ótimo goleiro. Como teve uma época que estava muito acima do peso, aliado com alguns problemas de trabalho, resolvi ficar mais comandando do que jogando. Na última pré-temporada emagreci 15kg, comecei a jogar durante a semana também pra pegar ritmo e o resultado foi mostrado dentro de campo: quando o TCM? precisou de mim, sabia que podia confiar.
E para 2013, o que o TCM? está preparando? Alguma novidade para o elenco? A briga é para não cair de novo (risos)?
Para esse ano vamos manter o mesmo elenco e trazer dois jogadores para completar e manter o nível. Um é o Danilo Piza, que retorna ao TCM? (jogou o III Chuteira de Bronze conosco) após duas temporadas no Inflação, e outro está em "negociação", muito perto de fechar, e só posso adiantar que disputou o último Chuteira de Prata (risos) Também estamos trabalhando para deixar a irregularidade de lado. Não podemos, por exemplo, fazer um ótimo jogo, como foi contra o Inflação, e na fase seguinte entrarmos desligado, como foi contra o Med e quando acordamos já estava 4 x 0 pra eles.(risos) Por isso mesmo, ficando a um jogo do Chuteira de Ouro, acho que não brigamos mais para cair e sim para sempre classificarmos entre os 6!
O senhor será pai em breve. Como foi receber essa notícia e como se prepara para tal missão?
É uma sensação muito boa e indescritível saber que vou ser pai. Espero que eu seja para ele no mínimo a metade do que meu pai é pra mim até hoje. E esse lado família procuro levar para o esporte, já que meu pai é professor de educação física e cresci no meio do esporte, quando ele era técnico de times de vôlei e futebol.
Você destoa da maioria dos jogadores do Chuteira porque é roqueiro. Já o vi debatendo sobre heavy metal com Ragazzo e Henrique (Invictus) e Caballero (Acidus). Desde quando é apaixonado pelo rock? E o que acha de Marcelo Bizú (Bengalas) e suas tentativas infinitas de tentar te converter para o axé music?
Quando tinha 6 anos ouvi Deep Purple e desde então nunca deixei de ouvir o bom e velho rock ‘n’ roll. Um dia, conversando com o Caballero, descobri que ele gostava muito do mesmo tipo de som e fomos pegando amizade através disso também. Quando falei que iria ao show do Iced Earth, ele ficou maluco, aí disse que tinha um jogador do Invictus que curtia muito e que também ia ao show. Me apresentou ao Ragazzo, com quem peguei uma amizade e que sempre que posso vou em shows com ele. Já em relação ao Bizú, como ele é conhecido no Chuteira? Mau caráter! Portanto, Marcelo “Mau Caráter Mor” Bizú, pode postar quantas ‘podreiras’ quiser que não vou curtir axé, pagode, ‘sertanojo’ e afins. Essas músicas são coisas do capeta! (risos)
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