A combinação do título acima remete a jogadores de renome que fizeram do futebol uma paixão nacional. Poderíamos lembrar de Bellini, capitão que ergueu a taça do primeiro mundial do Brasil, em 1958, na Suécia; Franz Beckenbauer, capitão que ergueu a taça do bicampeonato mundial da Alemanha, em 1974, no próprio solo alemão; Daniel Passarella, capitão que ergueu a taça do primeiro mundial da Argentina, em 1978, em solo argentino; ou Fabio Cannavaro, capitão do tetra italiano em 2006, na Alemanha.
São inúmeros os jogadores espalhados pelo mundo que fazem a proteção do gol, aliviando a pressão em cima do goleiro. No Chuteira de Ouro, os zagueiros costumam fazer a diferença, tanto na defesa quanto no apoio ao ataque. Um deles tem pinta de surfista, mas gosta mesmo é de futebol e ostenta a braçadeira de capitão do melhor time do momento, o campeão Arouca. Trata-se de Vitor Martins, o Vitão. Sereno dentro de quadra e solícito fora dela, ele sabe que para se obter o sucesso tem de haver amizade e, principalmente, tranquilidade. O zagueiro também tem a ciência de que sua equipe é o time a ser batido , mas não foge à luta. E ainda vive a expectativa de levantar pela segunda vez consecutiva o troféu de campeão da Ouro.
Na entrevista abaixo, Vitão não alivia nas respostas e mostra que bom zagueiro também tem de chegar junto fora das quatro linhas. Ele rechaça o rótulo de time mais odiado do Chuteira ao Arouca; esclarece a polêmica envolvendo o jogador França, além de enaltecer os laços de amizade dentro de uma equipe. "Não tenho dúvidas que é melhor ter um time de amigos. O Arouca é um time de amigos", define Vitão.
Você concorda que o Arouca é o time mais odiado do Chuteira de Ouro?
Eu não sei se isso é uma opinião unânime. Sei, sim, que existem alguns times que não simpatizam muito conosco. Porém, tanto o Arouca quanto o Arouquinha tem um grupo muito fechado. Ficamos muito só entre nós antes e após os jogos. Agora, não acredito que somos os mais odiados, de verdade.
São 34 jogos invictos no Chuteira, sem contar dois festivais. Como conseguem se manter tanto tempo sem uma derrota no Chuteira de Ouro?
Olha, pra falar a verdade, eu não sabia exatamente desse número. Eu acho que o segredo é justamente não pensar nisso. Se você perguntar para cada um do Arouca, cada um vai falar um número de jogos diferente.
Muitos que enfrentam o Arouca acusam a equipe de ser violenta, muito em função de supostas cotoveladas distribuídas no decorrer da partida. Você considera seu time violento?
Na verdade, no ano passado fizemos um workshop com o Jon Jones (lutador de MMA) em uma excursão aos EUA (risos). Isso de violência não existe por parte do Arouca! Todos os times têm jogadores que chegam mais junto. A diferença é que o Arouca tem vencido seus jogos, e resta ao perdedor chorar. Quando o SNG estava numa melhor fase todos o acusavam de ser violento e tal. Então, não me importo com isso e sei que não é verdade.
E o França, que sempre é lembrado como um jogador maldoso?
O França é meu amigo de infância e tenho certeza que é uma das pessoas de melhor coração que eu conheço. Dentro de quadra, é um leão e ganha 99% das bolas que disputa com os atacantes. Talvez isso irrite e faça com que a choradeira seja maior. Não há maldade, e sim, qualidade.
Fale um pouco do Galizé no comando técnico da equipe. A entrada dele para gerir o time dento de quadra foi fundamental?
Eu já falei diversas vezes da importância dele. Ele manja muito de futebol, inclusive já pedi para ele tentar carreira, fora que a leitura de jogo dele é impressionante, tanto é que os números mostram isso. Além disso, um cara que abdica de jogar apenas para cuidar do time merece muito respeito de todos. Aproveito esse momento para agradecer em público a dedicação dele conosco.
Como é, hoje, a relação do Arouca com o Arouquinha? Vocês são times de amigos mesmo? Qual a importância deles na campanha do seu time?
A relação é ótima, por incrível que pareça. Sempre que possível assistimos aos jogos um do outro. A diretoria do time é a mesma, e sempre tomamos as principais decisões em conjunto. Isto facilita bastante o relacionamento e os pensamentos dos times. Quando eles estão torcendo por nós, dá mais tesão de jogar. No título do Arouca todos entraram em quadra e vibraram como se eles também tivessem ganhado. Isso não tem preço!
Volta e meia existe uma discussão sobre o que é melhor: ter um time formado por amigos ou não. O Arouca é um time de amigos ou segue outra filosofia? Quem pode fazer parte do elenco?
Não tenho dúvidas que é melhor ter um time de amigos. O Arouca é um time de amigos. Eu mesmo já tive o pensamento de contratar , mas percebi que não leva a nada. Hoje no elenco só temos o Orley, que veio de dentro do Chuteira. O pessoal não gosta dele no time, e ele não é exatamente nosso amigo (risos). Acho que hoje encontramos a fórmula certa de agregar ao time. Pra mim, o cara tem que ser parceiro em primeiro lugar para fazer parte do grupo. Quem vai no churrasco tem mais moral do que quem faz gol.
Na fase de mata-mata, o Arouca encara o vencedor de Bacana x My Balls. Tem preferência de adversário, ou qualquer um deles é válido?
Não temos preferência nenhuma. Tudo que jogamos até agora já não vale mais nada. Serão três finais se quisermos ganhar de novo. O Chuteira é muito complicado no mata-mata. Contra o Bacana já jogamos várias vezes e conhecemos mais o time deles. Já o My Balls sabemos que é um time fortíssimo, pois mesmo após as adversidades conseguiu a classificação.
Alguns dias após o título na Ouro, no semestre passado, o Lucas (Organização) me comentou que você havia dito a ele que “a ficha não havia caído ainda”. Essa conquista era mesmo uma obsessão a você, particularmente?
Na verdade, quando conquistamos o campeonato não era mais uma obsessão. Foi justamente quando demos uma desencanada e passamos a nos divertir mais jogando que o título veio. Mas não dá pra negar que fiquei muito feliz, ainda mais sabendo o quanto que o nosso presidente, o Ricardo, desejava esse título.
Qual foi o momento mais triste do Arouca dentro do Chuteira de Ouro?
Acredito que foi a eliminação para o Mulekes, nos pênaltis (no tempo normal, 0 x 0, e triunfo do Mulekes nas penalidades máximas por 4 x 2, válido pelo XII Chuteira de Ouro). Fomos muito bem o campeonato inteiro e saímos sem perder nenhum jogo. Ali o time já estava pronto para ser campeão.
Quem são os amigos do Vitão dentro do Chuteira?
Tem bastante gente que eu tenho amizade ali. Posso estar me esquecendo de alguém, mas, assim rapidamente, posso citar o time inteiro do Rabeloska, do qual fui fundador; Renê, Alan, Fabinho, Ronei e todos do SNG; Darian, Miranda, Vitinho, Papa, Cris, Fabricio (Só Resenha); Caio Fleischmann, Bettoni, Cidrão (CAV); Cris, Célio e Dri (Di Primeira); Lê e Paulinho Caieiro (My Balls); Sucão e o pessoal do Fúria; Di, do Elefantes; Vini Costa, Wellington e o time do Real Paulista; Caetano (Mulekes); Marcelão (Bacana); Rodrigo e Rafinha (Joga 13); Cunha (Fora); Henrique (Mercenários); Lucas P., Lói, Louis e Caio Ferin (Acidus); Barath e você, Douglas (Invictus); Dani Fischer (DPGamos), entre outros (risos).
Você tem toda panca de surfista. Pratica? Gosta de outros esportes além do futebol?
Nada. Não sei nem como se sobe numa prancha (risos). Mas tenho uns professores bons, como o Galizé e o Vaskinho (Rabeloska) se um dia for me aventurar. Gosto muito de vôlei e ando praticando lutas ultimamente, mas nada muito sério. A minha paixão mesmo é o futebol!
Você pode realizar a façanha de levantar pela segunda vez consecutiva o troféu de campeão da Ouro. Já pensou nisso? Está se preparando mentalmente ou está na base do deixa levar ?
Seria fantástico ser bicampeão do Chuteira, mas não penso nisso. Vamos levando tranquilo. Mesmo porque, se não der certo, nada vai mudar na nossa trajetória.
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