Sossegado, de bem com a vida, companheiro. Não é fácil ter essas três qualidades reunidas em uma única pessoa. E, quando achamos alguém parecido, provavelmente desconfiamos. Mas, com Carlos Eduardo Mantovani é diferente: ele é a pessoa que possui as três qualidades. Ou seja, pode-se confiar. Comunicativo, guerreiro, apaixonado por futebol. Pronto! Cadú é outra quase unanimidade dentro do Chuteira de Ouro. Vide o número de amigos do capitão d’Os Mostarda: seja na Ouro, na Prata, ou em sua divisão, Bronze, ele transmite uma energia positiva por onde passa. Quem ganha com tanta paz interior são aqueles que com ele convivem.
Cadú é o idealizador do time mostarda que mescla bom futebol com companheirismo. Na entrevista da semana, ele abre seu coração e conta (quase) tudo de sua vida. Fala de como surgiu o Os Mostarda; rasga elogios ao arqueiro do time, Polito; explica a situação atual do time na Bronze; além de revelar como foi trocar sua ligação familiar forte pelo casamento. “Sempre fomos muito unidos em casa, meus pais e meus dois irmãos, então, me desapegar disso tudo foi doloroso. Mas o casamento é algo muito legal”, exalta Cadú.
Confira a entrevista exclusiva da semana, com o carismático camisa 10 do Os Mostarda. E saiba o porquê do nome do time.
Confesso que tem muitos jogadores carismáticos no Chuteira, mas você é um dos mais queridos, por tratar todos de igual para igual. Isto vem de formação, ou aprendeu no decorrer da vida?
Poxa, confesso que me pegou de surpresa agora. Eu acho que nem sou tão conhecido no Chuteira, até porque nosso time é um time sem expressão ainda na liga (risos). Mas, de qualquer forma, agradeço as palavras. Bom, fui criado aprendendo a respeitar a todos com igualdade, seja uma pessoa mais velha, de cargo profissional inferior ou de outra raça. Tenho meus princípios e acredito que todos somos iguais perante aquele que nos criou. Por isso tento ser amável com todos, mesmo que de vez em quando o futebol te faça ficar mais nervoso (risos).
Você é magricelo que nem eu. Apanha muito em quadra? Como faz para escapar da marcação? (não vale responder "ficando no banco", hein)
E olha que eu engordei, hein?! (risos). Sou um cara que não gosta muito de jogar de costas para a marcação exatamente por causa disso. Mas não posso te contar como faço pra sair dela, senão vai ficar mais fácil ainda me marcar (risos). Eu gosto de jogar de frente para o adversário, ir pra cima, apostar na velocidade. Mas sou um jogador bastante solidário, gosto de dar passes, ver o jogo, tentar achar uma brecha pra algum jogador que esteja melhor posicionado e tal. Acredito que cada jogo eu tenha que me superar, pois têm marcadores e marcadores, então, tenho que estudar cada adversário, jogo a jogo.
Esta é a 5ª temporada d’Os Mostarda no Chuteira. Quais as evoluções sentidas por você ao longo desses quase 3 anos, em termos de campeonato e de conhecer pessoas novas? Por quê?
Quando entramos na liga, o que foi passado pra gente é que o campeonato era amador, mas não é bem isso que sinto do Chuteira. Sinto que, desde a Organização, até alguns times, estão muito mais próximos do profissional do que do amador. Talvez por isso o campeonato tenha ficado tão disputado ao longo desses anos. Com o Os Mostarda, aprendemos muita coisa jogando contra grandes times. Eu sou um cara muito comunicativo, gosto de conhecer gente nova. Então, tirei de letra isso, pois me dou bem com quase todos os times onde conheço jogadores. É isso que faz do Chuteira um ambiente gostoso, porque, além de você bater uma bola com seus amigos, ainda tem o pessoal dos outros times, com quem a gente troca ideia e tudo mais.
Quando a Bronze foi criada, fiz uma matéria explicando a origem dos times. Um deles, claro, era o Os Mostarda, e me lembro da origem, principalmente, do nome da equipe. Conte para quem não conhece, ou refresque a memória de quem já sabe, a trajetória do time até chegar no Chuteira de Ouro.
O time, na verdade, é formado por amigos que se conhecem há 15, 20 anos. Crescemos todos juntos na Igreja Batista do Morumbi e jogávamos futebol de salão toda semana com o pessoal da igreja. Combinávamos de chegar juntos para podermos cair no mesmo time. Com o tempo, eu e mais 4 amigos resolvemos criar o time em 2006. Na real, tivemos a ideia de fazer um uniforme e chamamos mais amigos para fazerem também. Já com o uniforme, começamos a marcar alguns “amistosos” contra times de conhecidos. Depois de alguns anos, conhecemos o Chuteira e resolvemos arriscar. O nome surgiu a partir do conhecido Coronel Mostarda, do jogo Detetive. Ele é o nosso patrono! E por isso o nome é Os Mostarda, sem ser no plural.
O maior momento d’Os Mostarda, ao longo das 5 temporadas, foi aquele jogo de quarta de final contra o CAV, no II Chuteira de Bronze – no qual vocês, franco-atiradores, dificultaram a vida da equipe de Roberto Solcia e cia.? Ou teve outro momento mais importante? Por quê?
Acredito que aquele jogo foi fora do normal. O CAV vinha como o grande favorito da chave e já tínhamos feito um grande jogo contra eles (4 x 5) durante a fase de grupos. Naquele momento, extraímos algo além do que a gente estava acostumado e apostamos na superação. Tanto foi que o jogo foi decidido somente aos 20 minutos do 2º tempo, quando eles abriram o placar. Aí, como faltava pouco, resolvemos ir mais pra cima e abrimos espaços para eles anotarem mais dois e fechar em 3 x 0. Tinha muita gente assistindo e quase todo mundo veio parabenizar nosso time pela raça que a gente demonstrou. Claro que sair ali doeu, até porque, pelo que foi o jogo, qualquer um que saísse vitorioso teria conseguido a vitória com justiça. Mas foi contra uma excelente equipe e reconhecemos o favoritismo deles. Ganhar ali seria zebra (risos). Também, no mesmo campeonato, tivemos mais uma oportunidade de brigar pelo acesso à Prata em uma repescagem contra o Coringa. Mais uma vez fizemos um jogão e levamos a decisão para os pênaltis. Infelizmente eles nos superaram nas cobranças e conseguiram o acesso. Mas, fora esses dois jogos, já tivemos grandes clássicos ao longo desse período no Chuteira.
Uma vez ouvi de você algo mais ou menos assim: "Não faço questão de sair da Bronze, porque aqui jogo tranquilo". Confirma a assertiva? Assim continua sendo a sua filosofia, e, claro, a do time? Por quê? (Risos) Na realidade, não foi no sentido de negativar a nossa equipe, tampouco de mostrar que não temos chances. Quis dizer que, pra mim, não importa em qual série estamos, se eu estiver com o Os Mostarda, jogo até a série Latão. Porque eu amo esse time e me dá prazer estar com meus amigos. Mas claro que a gente entra sempre buscando a vaga, e essa é a filosofia do time.
É difícil administrar o Os Mostarda? Como é reunir os jogadores? Tem a ajuda de alguém?
Não vou negar, é complicado, sim. Mas não por ser o Os Mostarda, acredito que seja com qualquer time. Eu lido com pessoas diferentes, com costumes diferentes, gênios diferentes. Mas como conheço todos há muito tempo, sei mais ou menos como lidar com cada um. Eu cuido de toda logística, da parte administrativa, financeira. É como se fosse uma empresa mesmo. Quando acho que estou muito sobrecarregado, tenho a ajuda do Polito, do Tatá, do Bruninho. Assim fica mais fácil. Nos falamos todos os dias por e-mail, saímos juntos toda semana, estamos sempre unidos.
Conte um pouco como é conviver dentro e fora de quadra com uma das figuras mais carimbadas do Chuteira, o arqueiro do time, Polito.
Ahhhhhhhhh, Polito!!!! (risos) O Polito é um grande goleiro. Passa confiança para o time e ama esse time assim como eu. Fora de quadra, esse rapaz é meu padrinho de casamento, é quase como um irmão. Temos uma relação muito bacana desde pequenos. Ele é um cara de muita personalidade, uma pessoa guerreira e carismática. Ele é até mais político que eu! (risos).
Recentemente, você passou pela experiência do casamento. Era isso que esperava? Como está a vida ao lado da tua companheira? Parece que ela apoia o Os Mostarda, não?
Realmente era mais do que eu esperava. Como sempre fui um cara muito apegado à família, foi um momento difícil de acostumar. Sempre fomos muito unidos em casa, meus pais e meus dois irmãos, então, me desapegar disso tudo foi doloroso. Mas o casamento é algo muito legal, você tem mais ainda sua privacidade, você faz as coisas do seu jeito, você toma as decisões junto com a esposa. E a gente se dá super bem, ela é muito compreensiva com relação ao time. Ela sabe que no meu sangue corre essa bagaça (risos).
É imbecilidade da minha parte perguntar se houve algum momento ruim do Os Mostarda dentro do Chuteira? Pergunto, porque parece que vocês nunca têm problemas. Se houve algum momento para se esquecer, qual foi e por quê?
Não é imbecilidade, longe disso. Tivemos alguns momentos ruins, sim, como os primeiros jogos na Liga, onde tivemos problemas com a arbitragem e não estávamos conseguindo os resultados, ainda não tínhamos aprendido a jogar campeonato, etc. Fora isso, tivemos um período conturbado, também, quando nosso primeiro técnico saiu do time, pois estávamos abusando um pouco da liberdade e da amizade. Começamos a cobrar muito um do outro e, para evitar confundir as coisas, ele optou por sair e manter a amizade numa boa. E esse semestre estamos em uma fase dolorosa também, mas a amizade supera tudo isso.
Somente uma vitória nesta edição da Bronze. O que acontece com a equipe, Cadú? Querem ficar atrás do Irado s? (Risos). A nossa rivalidade com o Irado’s é saudável, é coisa de dentro da quadra mesmo. Fora dela, tenho amizade com o Alan, é um time que respeito bastante. Infelizmente esta edição da Bronze não está sorrindo pra gente. Fizemos alguns jogos pra esquecer, mas, em sua maioria, fizemos grandes partidas, só que os resultados não estão aparecendo, como foi contra Palestrinha, Roleta Russa, Absolutos. Não tivemos nenhum jogo fácil até agora, mas tivemos jogos na mão, com o resultado favorável, em que vacilamos e acabamos cedendo o empate ou até mesmo a derrota. Acontece, são essas coisas que deixam o futebol sendo esse esporte louco e maravilhoso de jogar e assistir. E, também, a Bronze não é fraca, não. O nosso grupo tem muitos times fortes, a disputa pelo G-8 só vai terminar na última rodada. Está tão fácil entrar na lista dos classificados como na lista dos rebaixados. A diferença de pontos que separam as duas listas é mínima, muitas vagas ainda estão indefinidas.
Por que tanta má fase?
Como disse há algum tempo, não tem uma explicação. Acho que temos sentido o condicionamento, o psicológico tem afetado bastante durante as partidas... Tivemos ótimos jogos, mas vacilamos e deixamos as vitórias escaparem. Isso tudo pesa na hora de segurar um resultado, como foi contra o Toque Me Voy na rodada passada. Temos mais duas paradas duríssimas para tentarmos nos manter na Bronze. No feriado, pegamos o Opalas, que está quase na mesma situação nossa, ou seja, ambos vão entrar precisando vencer. Na última rodada encaramos o DPGamos, diante do qual nosso retrospecto é ruim, sem contar que estão voando em quadra. Fácil, né? (risos) Mas enquanto os aparelhos estiverem ligados, Os Mostarda respira e vou suar sangue pra tentar manter o time na Liga.
Como vai ser se Os Mostarda cair?
Ainda não parei pra conversar com o time. Se cair, digo por mim, continuo com a equipe para tentar reerguê-la. A minha vontade é continuar com Os Mostarda na Liga. Acredito que consiga manter o time e tentarei reforçá-lo. É uma experiência que não gostaria de passar, mas se vier mesmo a acontecer, será para o bem do time.
Sei que a lista é grande, mas fique à vontade para citar e descrever: quem são os amigos do Cadú no Chuteira de Ouro?
Tem muita gente que eu gosto e respeito no ambiente do Chuteira. Com certeza vou me esquecer de vários, mas vou citar alguns. Primeiramente tenho que citar o Thomas (Elefantes Indomáveis), que foi quem nos apresentou o campeonato. Estudamos juntos no colégio, éramos grandes parceiros e jogávamos sempre juntos. Um cara que gosto e respeito demais. Ainda dentro do Elefantes tem o Chacha, o Richard, o Daniel, Douglas. Tenho bastante amizade com você, Douglas Almasi, que sempre está na torcida pela gente, é um cara muito divertido e correto. Tem o Lucas Pires, que apesar de já ter ouvido pelos corredores da Playball que ele parece ser um cara áspero e inalcançável (por se tratar do organizador do campeonato), eu penso exatamente o contrário. Ele é uma pessoa muito flexível e respeitosa. Gosto muito do sábio Ragazzo (Invictus), que é um cara muito leal e experiente. Ainda posso citar vários caras por quem tenho um grande respeito e admiração: Vinicius Bento (Invictus); irmãos (Dani e Denis) Fischer, Kaká e BB Chapeleiro (DPGamos); Bolacha e Kráudio (XTJ); Folha e Baru (Roleta Russa); Rodrigo Barath (trio US); irmãos (Weinny e Will) Eirado; Caballero (Acidus); Zukauskas, Vina, Fábio Reimberg (Império Celeste); Jerry (Maciota´s); Coqueiro (BDA); Neno, Diony (Condor’s); Rapha Bernardes, Luiz Pane, Dudu (TNT); Marcelo Huerta (árbitro); Mattheo, Ric (Xoras); Allan (Irado’s); Maurício (Coringa); Danilão (Toque Me Voy); Robertão Solcia, Bettoni, Caio Fleischmann (CAV). Alguns eu converso pouco, mas tem outros que também nem citei, porque a lista é grande (risos). E, claro, nem preciso dizer os jogadores do meu time, né?!
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