Ter carisma não é para qualquer um. Tem de haver simpatia, honestidade, sorriso no rosto e estar de bem com a vida. Tudo isso, pelo menos, na aparência. Nos sábados de Chuteira de Ouro é possível encontrar pessoas com estas características. Um deles é carismático sem fazer esforço. Ama o que faz: ser manager de um time, hoje, respeitado na competição. Com tantos atributos, é difícil passar despercebido por Lucas Otsuka de Freitas, o Lucão, líder do Zenite – equipe que briga com o Mercenários pela vaga direta na Ouro no Grupo A da Série Prata.
Na entrevista abaixo, Lucão lembra do saudoso Zica Futebol e Quadrinha (ZFQ), a mudança de nome para Zenite, a passagem de time fraco para um time respeitado, quem é melhor entre dois jogadores da equipe, a amizade com o The Veras, e ainda aposta na vaga na Série Ouro, acompanhada do caneco da Prata. “Desde o início do campeonato eu tenho falado para os meus companheiros: não quero só subir para a Ouro. Quero chegar lá como campeão da Prata!”, acredita Lucão. Deleite-se, caro leitor, com o papo com uma das novas figurinhas mais carimbadas do Chuteira de Ouro.
Pensando nas perguntas, lembrei-me do saudoso Zica Futebol e Quadrinha. Fale mais sobre o ZFQ, como surgiu, por que este nome, como era a vida do time etc.
O ZFQ foi uma grande loucura. Tínhamos um grupo de amigos muito bons de bola e gostaríamos de participar de campeonatos. Sem conhecer muito o futebol society, nos aventuramos na segunda divisão do Campeonato Paulista. Nem nome tínhamos ainda, mas era óbvio que seríamos a zebra do torneio, provavelmente por isso somos considerados zebra até hoje, pois, assim, começou. Éramos a ‘zica’, ou o Zica. Deu muito certo, fizemos uma ótima campanha no Paulista. O campeonato foi essencial para que criássemos uma estrutura excelente para os jogadores, para tirar um pouco a ideia de time de amigos. Pra mim, isso foi o que possibilitou o crescimento da equipe.
Por que a mudança de nome para Zenite? E por que este nome?
A mudança era justamente para tirar o tom de brincadeira do time. Queríamos, e queremos, ser um time mais sério, de amigos, sim, mas que disputa campeonato e que tem seus objetivos. Campeonato não é brincadeira, você precisa evoluir sempre. No começo, a evolução foi fora de quadra com a mudança de nome, estrutura etc. Depois foi dentro de quadra, até montarmos um time realmente competitivo. Zenite é o auge, onde queremos chegar, o Z remete ao antigo Zica, e principalmente por causa do time russo, o Zenit, em alta nos últimos anos.
A camisa do time lembra muito a do Uruguai. Por que esta cor e modelo?
Na verdade, a referência foi o Manchester City, um time em alta – além do próprio Zenit. Procuramos sempre o melhor para nossa equipe e precisávamos renovar o uniforme. Pelo visto acertamos em cheio na escolha da cor, material, modelo. Os jogadores gostam e criou-se uma nova identidade para o time.
Como chegaram ao Chuteira de Ouro? Você, particularmente, gosta muito do campeonato, não é?
Ah, isso é uma longa história. Um dos ícones do Chuteira, Victor Petreche (The Veras), meu amigo de faculdade, sempre me falava desse torneio – apesar de nunca ter me convidado pra jogar no Veras (risos). Ele sempre contava seus feitos, golaços, mvps, artilharia etc... Era tanta empolgação que resolvi colocar o Zenite. Melhor decisão que fizemos, é um campeonato exemplar. Tivemos o prazer de entrar diretamente na Prata. Nele podemos juntar os amigos de time e disputar em alto nível uma competição muito bem organizada.
O Zenite é um dos times mais disciplinados do Chuteira. Esta é uma filosofia da equipe? Por quê?
Com certeza é um princípio da equipe. A gente não precisa pedir disciplina para os jogadores porque só entra no Zenite aqueles que tenho certeza que posso confiar. Estamos lá para jogar futebol, sempre em alto nível e respeitando o adversário. Jogar campeonatos como o Paulista, ou mesmo a Futliga, nos ensinou a sempre respeitar o adversário. Não são nossos inimigos, pelo contrário, dentro do Chuteira muitas vezes enfrentamos nossos amigos. É assim que eu acho que o time pode chegar à Ouro, jogando bola e respeitando o adversário.
O time mudou muito desde que passou a se chamar Zenite. Antes, não era levado tão a sério. Conte quais as principais mudanças ocorridas para que a equipe se tornasse, hoje, respeitada.
Antes, muitas equipes não eram levadas a sério dentro do Chuteira porque o campeonato não era tão desenvolvido como hoje. O Zenite acompanhou as mudanças da competição, se organizou dentro e fora de quadra. Se preparou porque temos vontade de vencer e chegar lá entre os principais times. Só é levado a sério quem leva a sério. Ainda seremos muito mais respeitados do que somos hoje, sem perder a essência.
Você é apaixonado pelo que faz, não é: ser jogador, manager, técnico... Por que encarar tanto trabalho? É recompensador?
Jogador, hoje “reserva”. Manager, com muita ajuda. Técnico, jamais! (E o Zenite 12, hein?) Desde a fundação do time, colocamos um cara para comandar exclusivamente a equipe. É bastante trabalho, sim, mas encaro mais como um lazer. Recompensador é ver meus jogadores como Léo Ballestero, Fê Rampazo, Bob Fenômeno, Guga atuando no Zenite com muito orgulho, participando e jurando amor ao time. Recompensador é ver Negão, Bruninho, P.O., Zé Bahia jogando juntos desde a época de escola, quando tínhamos 15 anos de idade, em altíssimo nível. É recompensador por sermos um time de amigos altamente competitivo.
Você tem uma relação muito boa com muita gente do Chuteira. Fale dos seus principais amigos dentro da competição. (Risos) Caio Fleishmann, com certeza, um torcedor do Zenite, e de mais uns 5, 6 times dentro do Chuteira de Prata! (risos). Mas tenho grandes amigos mesmo, a maior parte pertencia ao Chuteira de Prata, quando entramos na liga. Marcião, do TCM, palmeirense fanático como eu e que de vez em quando joga uma bola com a gente na nossa quadra. O Gavião, do É Verdadeee, que já vestiu a camisa 9 do Zenite certa vez, assim como o Reyna. O pessoal do Ras também, Mercenários. E, obviamente, o pessoal do time em que me inspiro: Pedro de Luna e sua trupe do The Veras, companheiros dentro e fora de quadra.
Qual o momento que você quer apagar da tua mente quando pensa no Chuteira de Ouro? E o melhor momento?
O pior momento dentro do Chuteira foi quando perdemos para o Irado’s num Festival Bola na Rede há bastante tempo, que culminou na saída de um dos principais nomes do Zenite desde sua fundação, o treinador Amaury Magalhães, que acabou pedindo demissão aos prantos (risos). O melhor momento, certamente, foi a vitória sobre o Arouca no último Festival, nos pênaltis, com muita gente assistindo, torcida contra e a favor, filmagem do jogo e muita comemoração. Aquilo foi só uma prévia do que podemos fazer daqui pra frente.
Fê Rapazzo ou Zé Bahia? Qual dos dois é melhor, na tua opinião?
Que fria! Sou fã do futebol do Zé Bahia, pela sua irreverência, explosão e habilidade. É aquele tipo de jogador que joga até descalço, não liga para o adversário, mete ‘caneta’ quando não precisa, toma cartão amarelo quando não pode, acaba com o Acidus. Quer coisa melhor que isso? Um jogador que só joga muito contra o Acidus? (risos). Nos dois últimos campeonatos, foi nosso principal jogador e poderia ser neste também, mas a bebida e as baladas não possibilitaram tal feito. O Fê Rampazzo é a grande revelação do Chuteira, um craque de bola, nunca vi tanta vontade num jogador antes de uma partida. Tem muito ainda pra mostrar e vai mostrar, mas ainda precisa de muito arroz e feijão pra chegar aos pés de Zé Bahia.
E o Zenite B, ainda existe? Desistiram de colocar a equipe no Chuteira de Ouro?
Existe, sim! O Zenite B, ou Zenite 12, é um projeto ainda. É um dos principais fatores de evolução do Zenite. Foi onde conseguimos ver e rever alguns valores para formar esta grande equipe que formamos para este semestre. O Zenite 12 fez história na Copa Federação no começo do ano, um projeto desses não pode parar. Na hora certa, o Z12 vai entrar no Chuteira, não para ser somente um coadjuvante, mas vem pra acrescentar muito ao campeonato. Só não entrou no Chuteira ainda por culpa do Hiro (Palestrinha da Catarina). Fizemos uma final antecipada contra eles na Taça Outono, infelizmente só um pôde entrar.
O Zenite vai pra Ouro neste semestre?
Vai! Porque o time quer e está preparado para isso. Tivemos a infelicidade de perder 5 atacantes contra o Mercenários, no jogo mais importante do semestre, e perdemos a partida. Tenho certeza que se estivéssemos completos, venceríamos. Mas, desde o início do campeonato eu tenho falado para os meus companheiros, não quero só subir para a Ouro. Quero chegar lá como campeão da Prata!
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