Para Sucão, capitão e manager do Fúria, acima de tudo está a união que caracteriza toda família. O lema é ganhar ou perder, sempre unida
A luta é corriqueira contra o rebaixamento. Há 2 anos o time do Fúria briga para não descer à Prata. Em 2009 o time já experimentou o gostinho, mas, após a subida, não quer saber de visitar a divisão do meio do Chuteira.
A briga na parte de baixo da tabela é ruim, claro, mas acima de tudo está o grupo, a família Fúria, como bem chama Luis Gabriel, também conhecido como Sucão, manager e capitão do time. Sim, o mais importante é estar junto, se divertir juntos – ganhando ou perdendo. Assim, se o time cair, ele não liga: quer ver a família Fúria sempre unida.
Ao mesmo tempo que comanda o Fúria fora de campo, cuidando do financeiro e de tudo que envolve a gerência de uma equipe, ele se mostra cada vez mais jogador coringa, tanto que já passou por diversas posições até se fixar neste semestre como goleiro. Quem pensa que ele está ali quebrando o galho se engana. “Sempre fui goleiro, joguei nas divisões de base dos 3 grandes de São Paulo nessa posição”, revela.
Na entrevista da semana, Sucão abre o jogo. Rechaça a fama de “time violento” que acompanha a equipe há anos; fala da família Motta; explica por que o time tem tantos capitães; e elege a queda para a Série Prata, em 2009, como um momento marcante do time no Chuteira de Ouro. “Ali vimos os parceiros de verdade, dentro do time e no Chuteira como um todo”, analisa Sucão.
Confira abaixo o que o líder do Fúria tem de melhor, e por que seu apelido não é ‘Cervejão’.
Como surgiu o Fúria e como o time chegou ao Chuteira de Ouro?
O Fúria surgiu em 2003 no futsal, com alguns jogadores do time da escola E.E. Capitão Pedro Monteiro do Amaral. Após uma parada no time em 2007, voltamos com ele no Chuteira em 2008. Em 2007 alguns jogadores jogaram o Chuteira pelo Fora de Série. A partir daí, conhecendo o campeonato, retomamos o time no society.
Na minha primeira temporada no campeonato, acompanhei o pega-pega entre Fúria e SPQSF pela vaga na Ouro. O Fúria acabou levando. Mas, depois disso, não vi mais o time brigando por liderança. Realmente são muito diferentes as divisões? Por que tanta dificuldade na Ouro?
O SPQSF é um grande adversário, com grandes pessoas. O Chuteira é forte e evoluiu nos últimos anos. As 3 divisões mostram isso. São 3 níveis diferentes, cada vez mais parelhos, mas a "ouro é a OURO". Se colocar os 6 primeiros colocados da Ouro no Paulista de Society, tenho certeza que se sairão bem. Sobre nosso time, ele tem de estar completo. Jogamos no limite físico e técnico. Quando falta alguém, sofremos, mas isso também é pela filosofia do time. Para jogar no Fúria tem que ser parceiro, jogador de grupo.
O Fúria é muito dependente dos irmãos Adriano e Thiago Motta?
São os craques do time, assim como o Fagner era, isso não tenho dúvidas. Mas não podemos depender deles, até porque são visados e não conseguem render todo o jogo. Temos outros bons jogadores que tem que dividir a responsabilidade, e quando cada um faz a sua parte, vencemos. Por isso não acho que algum time depende de alguém, mas eles fazem a diferença para nós. Sou a favor do coletivo, jogar para o time, dessa forma o individual aparece.
A braçadeira de capitão, hoje, está com você. Mas antes era do André. Por que a troca?
O Fúria tem 3 capitães: Eu, André e Adriano (Motta), na sequência. No futsal e na Ouro (este antes de cair) era eu; na Prata optamos pelo André (por eu estar jogando no gol e um pouco longe dos árbitros). No retorno à Ouro, me machuquei e ele seguiu. Com a minha volta naturalmente voltou para mim, mas isso é o de menos, temos vários líderes dentro do grupo.
Qual o grau de importância ao Fúria a não presença do Fagner no time?
Ele é o nosso jogador mais completo, tecnicamente e taticamente, simples assim. Um cara desses faz muita diferença no time, mas como falei antes não podemos depender de um jogador. Faz falta, mas o time segue. Outros têm que assumir a responsabilidade.
Jogadores de outras equipes já classificaram o Fúria, em outras épocas, como "um time violento e que usa a artimanha da pancada para vencer jogos". Hoje, o que se vê é um time mais calmo: jogando duro, mas na bola. Realmente houve essa mudança, ou você não concorda com a afirmação acima?
Nunca concordei. Na realidade, o Chuteira como um todo ficou mais pegado, com isso esse tipo de comentário parou. Sempre jogamos duro e continuamos assim, mas com o tempo nosso time melhorou taticamente. Dessa forma cometemos menos faltas, e acho que ninguém teve tantos jogadores com lesões sérias como o nosso time. 3 caras do nosso time romperam o ligamento dos joelhos aqui, por faltas sofridas, mas isso é do jogo, resolvemos na quadra e pronto.
Fale um pouco da chegada de Roberto Motta, pai dos irmãos Motta, ao comando do time.
Eu e o Adriano estávamos muito sobrecarregados. Eu principalmente, coordenando o time dentro e fora da quadra. Dessa maneira achamos melhor trazer alguém para nos ajudar, assim eu teria mais atenção nos bastidores e me concentraria em jogar mais. Tenho responsabilidade direta pela forma do Fúria jogar, mas com o senhor Roberto as coisas ficaram mais fáceis, afinal duas cabeças pensam melhor que uma. É mais um para compor a nossa família Fúria.
Você é zagueiro, goleiro, técnico, manager... Em qual posição ainda não jogou?
Você esqueceu de colocar pivô (risos). Na realidade, sempre fui goleiro, joguei nas divisões de base dos 3 grandes de São Paulo nessa posição. Quando parei de tentar ser profissional, aos 18 anos, passei a me divertir e jogar na linha. Fiquei 8 anos sem colocar uma luva. Até que caímos para a Prata e não tínhamos goleiro. Hoje ajudo o time aonde precisar. Não tenho mais essa vaidade de jogar aqui ou ali, e, sim, de assumir a minha responsabilidade no jogo, seja na linha ou no gol.
É muito sacrifício o que você já fez e ainda faz?
É muito difícil mesmo manter um time: parte financeira, jogadores, uniforme, controlar o emocional, escutar a todos, tomar decisões, ser o chato (isso sou mesmo) (risos). Mas tudo isso é possível porque tenho verdadeiros amigos ao meu lado. Adriano, André e todos os outros. É muito gratificante quando nos reunimos, com filhos, esposas, todos juntos se divertindo. Acompanhar isso é muito legal. Hoje já temos um novo integrante, o Renan, filho do Adriano, isso não tem preço. Como digo sempre, é muito mais difícil vencer com essa filosofia, mas o prazer que temos de jogar juntos ajuda. Pelo que vejo, poucos times têm isso. Querer vencer, isso queremos, claro. É difícil dessa maneira? É, mas, beleza, ‘vamos cair para dentro’ sempre. E no final será uma festa.
Qual o momento mais marcante do Sucão dentro do campeonato?
Sem dúvidas foi queda/acesso à Ouro. Digo a queda porque ali vimos os parceiros de verdade, dentro do time e no Chuteira como um todo. E no acesso, porque foi o nosso melhor momento.
Para finalizar, uma pergunta inevitável: por que Sucão? Faltou cerveja na tua juventude?
Cara, esse apelido tem uma história engraçada. Foi a prima do Adriano que deu há uns 11 anos. Mas aí fica para uma outra oportunidade, não quero arrumar briga em casa, sou casado... e bem casado (risos). Mas cerveja não falta. Ela está até abreviando a minha carreira (risos). O Sucão técnico talvez venha antes do esperado.
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