Ele é bronzeado, mas pretende ser prateado. No comando do Coringa desde sua fundação, em 2009, Mauricio garante que o time veio focado a voltar à Série Prata
Ele nasceu gaúcho, mas adotou São Paulo. Diz-se gremista de coração, mas Coringa de alma. Se todo gaúcho é macho, como adoram reafirmar os homens do estado mais ao sul do Brasil, Mauricio Cardoso não foge à regra. Gaúcho, gremista e coringa, uma combinação ímpar no Chuteira.
Extrovertido, simpático, companheiro e determinado. Maurício cansou de ver o time derrapar e escapar na curva. Com contratações que chegam a um time, quer de qualquer maneira configurar nos times da Prata em março do ano que vem. “Pelo grupo ou mata-mata, uma vaga é do Coringa”, já avisa ele aos adversários. A contar até a 4ª rodada, quando o time venceu todas as partidas e é líder isolado, sua profecia não parece longe de acontecer.
Nesta entrevista descontraída, ele fala de sua mudança para São Paulo, como chegou até o Chuteira de Ouro, lembra-se dos parceiros e abre uma guerra (sadia) contra Lucas Pires. “Ele nunca gostou do Coringa”, acusa. Confira abaixo o que Mauricio tem de melhor (e de pior).
Por que Coringa, e não Charada, Pinguim, Bane...?
Bom, Coringa é porque eu e o Kaká (fundador do time, hoje não mais em atividade) queríamos um nome de time diferente e fácil de pronunciar. Demos sorte de achar o logo perfeito, também. Símbolo e nome ‘Coringa’ acabaram dando certo com as cores que imaginávamos de uniforme, e todos do time aprovaram e gostaram da ideia. A princípio, a loja de som e acessórios do irmão do Kaká iria nos patrocinar – por sinal, ela se chamava Coringa também – mas acabou não dando certo. Mesmo assim, o time continuou a caminhada.
Como nasceu a equipe e como chegou até o Chuteira de Ouro?
Eu e o Kaká somos os idealizadores. Jogávamos o Chuteira pelo Só Lance, que infelizmente acabou desistindo de campeonatos. Assim, os jogadores acabaram se espalhando por outros times. Na verdade, hoje são estrelas por onde jogam (Philip, no Mulekes e indo para o Real, e Ronei, hoje no SNG, são dois bom exemplos). O restante do elenco nós já tínhamos, pois na época jogávamos salão todos os finais de semana e a base já era certa, faltava apenas ajustar o time pro society. O Coringa acabou nascendo como um time de ‘amigos’ que queria estar juntos nos finais de semana. Esse era o nosso objetivo.
O Coringa apareceu, saiu e voltou. O que ocorreu para a equipe sair do campeonato e voltar um tempo depois?
Ocorreram alguns problemas, sim, principalmente financeiros. Ficamos devendo uma boa grana pra Organização e acabamos desistindo de jogar durante um semestre. Decidimos voltar justamente pela falta que sentimos de jogar pelo Coringa e de estar com os amigos nos finais de semana. Pagamos a dívida e voltamos com o espírito diferente, e com algumas caras novas também.
No retorno ao Chuteira, encontrou muitas diferenças no campeonato?
Sim, o campeonato está gigantesco. Posso falar porque, quando joguei o meu primeiro Chuteira, eram apenas 10 times. A qualidade técnica das equipes melhorou muito. A organização do campeonato também. O Lucas soube gerenciar bem isso, colocou peças chaves nas 3 divisões e hoje o Chuteira é isso que todos nós vemos nos sábados à tarde: um ‘legado’ difícil de se encontrar em qualquer outro lugar. Todos gostam de estar lá pelo clima, jogos e ambiente proporcionados.
Você é gaúcho, certo? Mora há muito tempo em São Paulo? Por que veio para cá?
Sou gaúcho e gremista, moro em São Paulo desde os meus 5 anos. Meu pai trabalha viajando muito e São Paulo acabou sendo a cidade onde acabou ficando um período maior e, como eu e minhas irmãs tínhamos que estudar e ter continuidade na vida, meu pai acabou escolhendo São Paulo para morar.
Chegou a jogar algum campeonato society por lá? Tem muita diferença de estilo? Encontrou algum Chuteira de Ouro dos Pampas?
Não joguei campeonatos justamente por morar aqui. Mas joguei festivais tanto de salão quanto de society, e vou muito no período de férias pra lá. O futebol é diferente, sim. A pegada é maior, acho que por característica do futebol gaúcho o jogo é mais aguerrido também.
O Coringa é um time bem visto no Chuteira. Quem são os amigos do Coringa?
O Coringa é bem visto por que não somos de briga e confusão, nos relacionamos bem com várias equipes. Gosto e torço por CAV, Joga 13, Jeremias. Na verdade, se for listar todos os times que eu e os caras do Coringa conhecemos, vai faltar espaço aqui. Preciso mencionar o Bruno Costa (BB Chapeleiro, atualmente no DPGamos), um parceiro do Coringa há muitos anos. Um dia ele joga um campeonato com a gente.
Você anda pra lá e pra cá pelos corredores do PlayBall com o Rafinha Carvalho e semre uma garrafa de cerveja. Vocês dois juntos aprontam, hein...
Que é isso (risos). O Rafinha é um irmão que ganhei na vida. Estamos juntos desde o começo do Chuteira e vamos permanecer até o fim com o Coringa. A garrafa é nossa companheira porque sempre chegamos mais cedo que os outros do time, então, nada melhor que beber uma cerveja pra assistir aos jogos, ‘cornetar’ alguns e mandar um ‘chupa, Lói’ de todo sábado à tarde.
Por onde anda meu xará Douglas Ratão ?
O Ratão tem contrato com o Corinthians. Ele joga pelo time de masters, e os jogos, infelizmente, são de sábado à tarde. Pode não parecer, mas ele tem 31 anos e as contusões começaram a pegá-lo de jeito (risos). Vejo ele todo dia, pois trabalha comigo, mas aos sábados ele realmente anda meio ausente. No mata-mata ele volta com tudo.
Quem são as peças-chave do Coringa neste semestre? Por quê?
A diferença está aí, não temos uma peça-chave neste semestre, todos são fundamentais. Cidrão, Pi, Careca, Renatinho, Farias, Rafinha, Dé, Gui Frederick, Gui Polisel, Régis, Cristiano Japa, Matheus ... A nossa chave neste semestre é a união.
O Coringa se reformulou para este semestre. Quais foram as novidades? Agora, com este time, vai brigar pelo quê?
A reformulação começou com a volta do Léo Cidrão, que tinha ido para o CAV. Ele trouxe um espírito novo ao Coringa. Eu estou trabalhando muito e estava ficando sobrecarregado com toda a correria de comandar o time. O Léo veio na melhor hora. A volta do Renatinho foi um passo importante e de última hora que agradou não só pelo futebol como pela amizade. Nos conhecemos há muito tempo. E os outros reforços são o Pi, ex-Camelo, "namoro" antigo do Coringa (sempre chamamos e acabou dando certo na hora certa); Dé Correia, amigo do Léo e que acabou encaixando perfeitamente no time (já é da nossa família); e o Gui Frederick, que veio do CAV e nem precisou de muito tempo também para mostrar futebol. Virou um Coringa bem rápido.
Tem um momento ímpar na vida do Coringa, dentro do Chuteira, que você queira destacar? Por quê?
São dois. O primeiro quando nos classificamos para a Prata contra o Os Mostarda. Esse foi nos pênaltis e um nervosismo sem igual. E o segundo foi o jogo contra o Diabos Negros quando estávamos na Prata. Era a rodada final, mas na verdade era um mata-mata, afinal quem ganhasse se classificava e quem perdesse voltaria para a Bronze (o empate era deles). Jogamos em cima o tempo todo e não conseguimos o gol, acabamos perdendo de 1 x 0 e a chance de permanecer na Prata foi por água abaixo.
O Lucas Pires (membro da organização do Chuteira de Ouro) tem algum problema com o Coringa, na tua opinião? Você acha que ele persegue vocês?
Apesar de ser uma ótima pessoa e um bom caráter, o Lucas nunca gostou do Coringa. O motivo exatamente eu não sei. Não quero explicações da parte dele também, mas quando o Coringa perde, ele sempre vem com uma gracinha e um sorriso gigante pra cima da gente e, quando ganhamos, ele desdenha do nosso time. Conseguiu até tirar ponto nosso já nesse campeonato. Só espero não ter que depender da decisão dele pra algum benefício ou malefício ao Coringa (risos). (Obs. do entrevistador: quem puniu o Coringa com a perda de um ponto foi a Organização, mediante invasão de quadra de um elemento estranho à partida que configurava ameaça aos jogadores presentes)
O Coringa, neste semestre, é o time do povo no Grupo B - ante o Palestrinha da Catarina? O time sobe de divisão? De qual forma?
Não somos o time do povo, somos um time de amigos que estamos focados nessa vaga pra Prata. O campeonato está no começo ainda, muita água vai rolar. Falam muito do Coringa e do Palestrinha, mas tem DPGamos e Só Quem Sabe juntos na tabela. Respeitamos todos igualmente e estamos pensando jogo a jogo. Pelo grupo ou mata-mata, uma vaga é do Coringa e vai ser difícil tirar da gente o direito de disputar a Prata semestre que vem.
Comentários (0)