Derrubando palpiteiros de plantão, que viam o Elite como carta fora do baralho, o time foi valente e mostrou determinação ímpar para chegar à final da Bronze. Muito disso se deve a Papai do Axé, um homem de família e “de peso” do ataque elitista
Se te disserem que o rapaz da foto abaixo pesa 88 quilos e é o terceiro artilheiro da atual Série Bronze, com 18 gols, você acreditaria? Pois é, eis o que afirma o Papai do Axé, camisa 9 do Elite, time finalista do IV Chuteira de Bronze. Se no quesito peso ele pode tentar enganar, quanto aos gols não há nenhum engano. O papai da Rafaella balançou mesmo as redes nessa temporada, sendo três deles nas semifinais diante do XTJ.

Para a decisão da Série Bronze, o Elite precisará jogar mais que do apresentou até hoje se quiser se sagrar campeão. Isso porque o adversário é o matreiro Cabeça Rachada, time recheado de craques, como Luisinho e Tché, e dono de uma defesa de dar inveja à do Corinthians. Vai ser contra a muralha verde e preta que o Papai do Axé, seus 88 quilos (claro, claro) e os demais companheiros, que derrubaram favoritos como Inflação e XTJ, vão por à prova para garantir buscar o título neste sábado.
Na entrevista abaixo, Rafael Ursaia, mais conhecido como Papai do Axé, explica o apelido, fala sobre a equipe ser apontada como zebra e conta um pouco da trajetória do Elite na atual competição.
Quem é Papai do Axé? Por que o apelido?
O Papai do Axé é um cara simples, casado, com uma filha linda, “um pouco” acima do peso, que gosta muito de jogar uma bola com os amigos e dar risada. Esse apelido foi sendo criado com o tempo, pois quando era solteiro frequentava muito estas micaretas, carnavais fora de época. Logo casei, virei pai, e muita gente começou a me chamar de PAPAI... “Fala, Papai”, “Fala, Papai”, e me questionavam se continuaria indo ao AXÉ. Continuei, e essa brincadeira pegou no Chuteira. No ano passado teve um jogo em que fiz 7 gols e pedi para o redator escrever: “Escreve aí, escreve aí que o PAPAI do AXÉ fez 7 hoje”.
(risos) O apelido deu certo, mas não passa de uma simples brincadeira.
Como nasceu o Elite?
A base do Elite é formada pelo time de campo da Anhembi Morumbi, que atuou no período de 2002 a 2007 (tem gente que entrou depois ou saiu antes). Um time vencedor, campeão da FUPE (Federação Universitária Paulista de Esportes) invicto em 2004. Por curiosidade, aquela linha de zaga era formada por Zinho, Silvão, Adriano e Manza, todos jogando muito no Elite hoje.
O Rafa Gomes, que deixou o Jeremias para fundar seu próprio time, chamou o Manza e o Choni, que reuniram os demais jogadores de campo da Anhembi Morumbi. Eu entrei com o convite do Manza, meu parceiro. No society, fomos campeões metropolitano e paulista no início dos anos 2000, e com alguns kilos a menos
(risos). eu vim e trouxe comigo o goleiro Sardinha.
Foram dois torneios e campanhas fracas na fase de grupos. Por que o time cresceu tanto no mata-mata da atual competição?
Acho que no primeiro campeonato, não fomos muito comprometidos. Não nos conhecíamos, não tínhamos afinidades, e isso faz diferença. Muitos jogadores faltavam e nem sempre conseguimos jogar com o time completo. Basicamente todo o time sempre jogou campo, e acredito que demora um pouco para se adaptar a uma nova realidade. Começamos a melhorar e se adaptar no final da fase de classificação. Acredito que conseguimos crescer no mata mata, pois o time realmente se uniu, com apenas um objetivo, sem nenhuma vaidade.
Como analisa a campanha do Elite nesta edição da Bronze? Foram muito mais longe do que imaginavam?
Acredito que o comprometimento de todo mundo aumentou. Hoje temos 2 goleiros, temos banco para revezar, principalmente com o atacante aqui, que não está tão magrinho quanto deveria.
(risos) Sempre acreditamos, não entraríamos em um campeonato com no mínimo 11 jogos se não acreditássemos. Afinal, deixamos de lado compromissos, família, para se dedicar a isso.
Quem você considera o(s) destaque(s) do time na competição? Teme que o sucesso atual leve a que alguns jogadores sejam assediados por outros times e deixem o Elite?
Acho que nosso forte é o conjunto, pois nem sempre é o mesmo jogador que está decidindo a partida. Cada um tem sua qualidade, isso tem nos ajudado, principalmente no mata mata. Acredito que alguns jogadores podem ser assediados para mudar de time, mas acho difícil de alguém sair. Todos são das categorias de base e tem amor pelo time.
(risos) A nossa principal estrela ainda está em nossas categorias de base, o Marquinhos, filho do goleiro Sardinha. Ele é nosso torcedor número 1, esteve em todos os jogos nos apoiando e futuramente terá oportunidade no time principal.
O Elite era pouco ou quase nada falado no Chuteira. Isso agora vai mudar?
Era pouco falado e aos poucos tivemos uma repercussão maior, ainda mais estando em uma grande final, mas o time como um todo sabe que não ganhamos nada, e que mais difícil do que chegar a uma final é ganhá-la, ainda mais contra um time invicto com a melhor defesa e melhor ataque. Difícil será se manter.
Como encaram a pecha de sempre que o time ganha ser surpresa? Há boatos de que um membro da Organização queimou a língua com vocês, é verdade? (risos)
Encaramos com naturalidade. O time é muito maduro, sabemos das nossas deficiências e das nossas qualidades. Não ligamos muito para isso. Se torcida ganhasse, o futebol seria de outra maneira. E, sim, realmente o Lucas, após o confronto das quartas de finais, perguntou para o Manza nos corredores do Playball: “E aí, perderam de quanto???” Neste momento o Manza disse: “Perderam??? Ganhamos de 5 x 1!” Depois disso ele sempre brinca com a gente. Quando subimos para a Prata ao vencer o Inflação, ele falou: “O Elite na Prata??? Não é possível!!” Tudo isso levamos na brincadeira, como de fato é.
Ser apontado como zebra incomoda? Ou o Elite é daqueles que adoram ser assim considerados e aprontar?
Como disse, não ligamos muito pra isso. Nosso time tem os pés no chão, não liga muito pra essa questão de ser ou não zebra. O que sempre nos incomodou foi o contínuo descrédito nas matérias dos jogos, pois nunca exaltaram nossas qualidades e sim o dia ruim dos nossos adversários, mas relevamos também e levamos numa boa.
Vocês fizeram dois jogos fantásticos nessa fase eliminatória. A virada contra o Inflação e a vitória sobre o XTJ. Conte um pouco desses jogos e como foi o papo antes e depois das partidas. Era o sentimento de descrença no feito ou o espírito de “eu já sabia”?
Foram 2 grandes jogos, fomos francos atiradores, havíamos perdido para o Inflação de 4 x 1 na fase de grupos e de 7 x 1 para o XTJ. Não tínhamos a certeza que daria para ganhar, mas não abdicamos da vitória. Nosso discurso antes da partida foi: “Já chegamos até aqui, não podemos morrer na praia. Vamos jogar com raça e vontade que o resultado vem”. Contra o inflação, sinceramente não acreditei que poderíamos virar, pois eles abriram 4 x 2, mas conseguimos virar rapidamente. Contra o XTJ, fomos muito bem no primeiro tempo e abrimos margem para tentar manter o resultado
(3 x 0). Os dois times são muito rápidos e com muito entrosamento. Não foi fácil, mas tudo deu certo!
Vocês derrubaram um invicto, o XTJ. Agora é a vez de outro, o Cabeça Rachada. O que esperam desse jogo? Como vencer um time muito forte na defesa e com o melhor ataque da competição?
É mais uma pedreira, mas principalmente em final, não tem jogo fácil, ainda mais se o time tem a melhor defesa e o melhor ataque. Vamos ter de estar numa tarde muito inspirada para que tudo possa dar certo.
O Bacaninha, no semestre passado, teve trajetória similar à de vocês. Passou lá atrás na fase de grupos e desbancou favoritos. Porém, perdeu a final e, na Prata, foi muito mal e caiu. Acredita que o mesmo pode acontecer com o Elite na Prata? Se não, como fazer para se manter na Prata?
Acho que não, pois cada caso é um caso, não é possível comparar. Acho que precisamos completar o elenco, pois os caras que chamamos estes ano não se adaptaram e aos poucos foram saindo do time.
Você pode explicar como que um atacante gordinho (com todo respeito) como você pode ter feito 18 gols?
Sinceramente, não sei como explicar. Acho que só consegui por causa do time mesmo. O principal é a confiança de todos. Sempre na minha vida fui zagueiro, porém os quilos foram chegando, e eu estava pensando em parar quando o Manza me incentivou a ir para o ataque. A adaptação não foi fácil, pois não é fácil ficar todo jogo tomando bordoada de tudo que é lado.
Faltam 3 gols para você ser artilheiro? Acredita que ainda dá?
Acho difícil, principalmente na final é um jogo de poucos gols, todo mundo muito nervoso.
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