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ENTREVISTA #03 – PARA DENÃO, SÓ FALTAM AS GALOCHAS

Denão já discutiu com árbitros, organizadores, repórteres, adversários, mas sempre sem perder a ternura e a autenticidade em nome de um amor maior: o DPGamos

O leitor certamente já ouviu a expressão popular “chato de galocha”. Pois nosso entrevistado da semana, Denis Fischer, o Denão, é quase um deles – só faltando mesmo as galochas para ele ser um autêntico chato!

Sim, oras, porque causar polêmicas, discutir com organização, criticar repórteres e defender arduamente – mesmo sem sólida argumentação – jogadores e DPGamos é quase o cotidiano desse jovem que ainda leva a alcunha de ser o irmão caçula de Daniel Fischer... Vê-se que teve a quem puxar, não?

Brincadeiras à parte, Denão é figura ímpar dentro do Chuteira, um dos jogadores mais críticos que já se teve notícias em campos chuterísticos, tanto que ele se defende da pecha de chato: “Não sou chato, mas sim crítico. Até que não consiga ao menos expor o meu ponto de vista e ter algum tipo de resposta, fico torrando mesmo”, confessa o hoje técnico do DPGamos.

Exatamente, Denão diz o que pensa (até demais muitas vezes) e não mede esforços na defesa de sua equipe. Isso já gerou diversas alfinetadas, quando não bordoadas, na imprensa do Chuteira quando trocavam um nome, erravam a descrição de um lance ou simplesmente falavam mal do DP nas reportagens de jogos (estamos esperando o mesmo após ele ler esta matéria). Essa sua postura levou-o a ser convocado para defender – e ser capitão – do time Anti-Imprensa no fim de 2011. Coisa para poucos.

Porém, se tem algo que ninguém pode negar de Denão é a paixão que sente por seu time, o DPGamos. “O DP, no Chuteira, surgiu com a minha vontade de trazer o grupo de amigos da faculdade para jogar bola juntos, mesmo depois do fim do curso”, comenta o ‘sr. Polêmica’, que, inclusive, já cedeu seu nome para eleger os mais chatos do Chuteira, o “Troféu Denão”.

Confira abaixo entrevista exclusiva com uma das figuras mais conhecidas do nosso campeonato.

Como foi fundado o DPGamos? Por que esse nome?
O DP é originalmente um time de faculdade, fundado no Mackenzie para jogarmos um campeonato entre classes. O primeiro nome do time foi Só Nas Piriguetes (não tínhamos nome e o cara que foi inscrever o time colocou essa beleza de nome). No ano seguinte, tínhamos uma certeza: esse nome tinha de mudar. E entre uma aula e outra surgiram vários nomes e ideias. Eis que em um jogo de palavras surgiu a ideia do DPGamos: é a mistura de DP (de dependência na faculdade mesmo) e Pegamos (já que não éramos os mais estudiosos). Por isso a bomba no símbolo. O nome pegou e ficou ‘famoso’ entre todos, e até hoje falamos de DPGamos não só como um time, mas como um grupo de amigos.

Fale da passagem de Lói pelo comando técnico da equipe. Quanto tempo ele ficou? Por que saiu? Há chances de um retorno dele para coordenar o time?
O Lói chegou num momento em que precisávamos nos organizar e também de alguém para comandar tanto as substituições quanto as mudanças. Ele ficou cerca de 2 semestres. Marcados por muitos altos e baixos, até que chegou o momento em que o Acidus começou a decair e ele não tinha cabeça para cuidar dos dois, e pediu para sair. Chances dele voltar? Não sei. As portas nunca se fecharam para ele, mas não afirmaria um retorno.

E a sua aventura como técnico? Como está sendo? Pretende continuar à frente da equipe? Por quê?
Putz, é uma posição muito ingrata. É duro você ser o responsável pelas alterações e tudo mais. É chato ter de tirar alguém que quer jogar, e sei bem o que é isso, porque já joguei muito ali. Mas ao mesmo tempo está sendo uma grande experiência e aprendizado. Uma grande aventura mesmo, lidar com os sentimentos de todos e etc. Não sei se continuo. Gosto muito de estar à frente do DP e ficaria extasiado em ser campeão ou levar esse time pra cima como o ‘professor’, mas não jogar pelo DP é algo muito ruim. Quero estar dentro de quadra. Mas tudo depende da minha recuperação (Denão rompeu os ligamentos do joelho), e do desejo do time também. Tudo ficará ‘no mistério’. O futuro do DP será decidido nos próximos meses.

Olhando para trás, hoje, como analisa o fatídico jogo entre DP e TCM, quando houve a suposta troca de árbitros no decorrer da partida por parte do seu irmão Daniel? Acredita que seu time ficou com uma imagem arranhada após o episódio?
A troca não foi solicitada. O árbitro, que era péssimo (pra variar), não teve pulso para aguentar reclamações do Dani (Fischer) e disse que não apitaria mais. Não foi nada que pedimos ou tiramos ele. Qualquer um viu que não foi a troca de árbitros que nos favoreceu. O “novo” árbitro não entrou para nos favorecer. Jogamos melhor, viramos e ganhamos na bola. Falem o quiserem, usem como desculpa, mas quanto a isso tenho a consciência tranquila. Quanto à imagem do time, acho que ficou meio que uma marca contra nós – para alguns times. Mas nada que me importasse. Porém, acho que o fato nos prejudicou muito depois, como birra de árbitros e mesmo da organização (fatos já resolvidos).

Em 2010 foi criado o “Troféu Denão” do Chuteira, que premiaria o jogador mais chato do torneio. E levou seu nome por você ser classificado como chato. O que pensa disso? Você se acha chato? Leva na brincadeira? Por quê?
Levo na brincadeira, claro! Meus comentários nessas matérias deixam isso claro. Só acho que eu não poderia ganhar um prêmio que leva meu nome. Seria como o Pelé ganhar o Troféu Pelé! (risos). Não me acho chato, mas, sim, crítico. Só brigo pelo que acho certo, e o mínimo que espero é ser escutado. Até que não consiga ao menos expor o meu ponto de vista e ter algum tipo de resposta, fico torrando mesmo. Gosto de discussões, são enriquecedoras, e se mais pessoas pensassem assim, muitas melhorias poderiam ser feitas (não só no Chuteira).

Como é a sua relação com o Daniel Fischer, teu irmão, dentro do DP? Há muita briga?
(Risos) Pergunta difícil essa. Minha relação com o Dani é uma típica relação de irmãos: brigamos, concordamos, discordamos, vibramos, discutimos etc. E no DP não seria diferente. Gosto muito de ter meu irmão comigo. É bom ganhar ao lado da sua família, e ter o apoio dela nas derrotas. Mas, principalmente agora na posição de técnico, eu faço de tudo para tratá-lo como um jogador apenas. Lá dentro, além de irmãos, somos técnico e jogador. E isso também acaba criando conflitos. Mas faz parte. No dia seguinte fica tudo certo!

Qual foi, na tua opinião, o melhor momento do DP na história do Chuteira?
Pra mim foram vários. Mesmo quando perdíamos, sempre curti muito os momentos pós e pré-jogos, quando dávamos risada de tudo mais. Mas, falando de vitórias, o semestre passado foi o grande momento do DP: lideramos campeonato, apenas duas derrotas na competição e uma eliminação (injusta) para o campeão. Fomos muito bem, vibramos, nos emocionamos e muitos outros paravam para ver o DP jogar. Foi demais. Pena não termos sido premiados com a classificação, merecíamos muito.

E o pior momento?
Com certeza foi a inter-temporada de 2011. Fomos rebaixados no fim do primeiro semestre e, depois disso, quase não tivemos time para jogar o segundo semestre. Tive de apelar para as redes sociais e todos que conhecia para podermos ficar no Chuteira. Acho que ali foi o fundo do poço pro DP e, principalmente, para mim. Mas renascemos!

Você trabalha com um dos jogadores mais polêmicos do Chuteira, o João Corazza. Quem conversa com ele, percebe que se trata de uma boa pessoa. Mas, dentro de quadra, ele se transforma em uma outra pessoa, desequilibrado emocionalmente em determinados momentos. Como é lidar com ele? Por que ele leva tantos cartões? E o grupo, como reage em relação a ele?
Cara, o João é sensacional. É quase um caso de estudo (risos). Lidar com ele é mais uma experiência enriquecedora. É interessante ter de lidar com esse tipo de situação e conseguir evoluções. Ele já foi muito problemático dentro de quadra, mas o que ferrou mesmo ele foi a fama. O s árbitros distribuíram muitos cartões para ele simplesmente pelo fato de ser ele. Cansei de ver cartões injustos para ele. O time reage como reagiria com qualquer outro jogador. Um cartão prejudica a equipe, então, óbvio que ninguém apoia isso. Mas ele evoluiu muito, e só quer jogar a bola dele tranquilo, sem que ‘pesem’ na dele. Ele está mudado e confio muito nele.

Você faz parte de uma geração que brigava, sem compromisso, para fugir das últimas posições da Prata. O campeonato cresceu e hoje tem uma nova era, com Série Bronze e sem mais times de amigos apenas para jogar bola. Todos querem vencer e subir. Como você encara essa passagem?
Nunca pensei muito nisso. Acho que o crescimento do Chuteira não influencia no crescimento do DP. Mesmo que criem 10 divisões, e que fiquemos na última, estaremos lá brigando para subir, porque é isso que buscamos. Vencer com o DP e brigar pelo time, não importa aonde seja. Ou seja, o negócio é encarar a realidade do momento.

Em 2009, DP e NGM tinham times opostos ao que apresentam hoje. Inclusive, disputaram, na última rodada, confronto direto para ver quem era o pior time do Chuteira na ocasião. E o NGM ganhou. 3 anos depois, como encara aquele jogo? Sente vergonha por isso?
Vergonha? Não mesmo. Para mim foi mais um jogo. Só que teve muito sensacionalismo à toa. Não teve nada de mais, e nem foi um bom jogo. Para eles era final de campeonato. Para nós era o final do campeonato. Bem diferente. Vocês (da imprensa) ficaram perguntando para Joga 13, Red Devils e Voando baixo se se envergonhavam por perder do DP? O futebol permite isso: podemos ganhar e perder de qualquer um. Vergonha é machucar alguém de propósito, desrespeitar adversário e coisas do tipo. Ah, e falando em ‘ser o pior’, o confronto direto não mudava em nada a posição dos times na tabela. O NGM continuou sendo lanterna e a gente, vice-lanterna. Mesmo perdendo o jogo, o pior time foi o NGM. Tiveram a pior campanha e ficaram atrás. Teve apenas efeito moral.
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