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ENTREVISTA #02 – SEGURANÇA E CARISMA NADA ENFERRUJADOS

Seguro embaixo das traves e carismático fora de quadra, Ferrugem mostra que é bom também com as palavras

O Chuteira tem um número incontável de bons goleiros. É Papa Burguer (Só Resenha), Marco (Diabos Negros), Cipó (Ras Time), Alemão (Real Paulista), Roland (Basicus), entre tantos outros já consagrados. E, como diz o ditado, sem um bom guarda-rede não há boa equipe. É assim que funciona no Di Primeira. O time está na sua segunda temporada disputando a Série Ouro e possui um conjunto interessante, com o ex-capitão Simon – com bem frisa nosso entrevistado (leia o porquê mais abaixo) – à frente do elenco, Cris Ferreira no meio e Dodô no ataque, além do técnico Molão, de volta ao comando neste ano, organizando. Entretanto, dentro da área, quem dá as cartas é Vinicius Tegani, ou simplesmente Ferrugem.

Aos 23 anos, menino ainda, Ferrugem é uma das caras do Di Primeira no Chuteira, além de ser a segurança que qualquer equipe tanto necessita. É bom debaixo das traves, é esperto para ligar o ataque, mas fora das quadras (especialmente no site) tem uma característica peculiar: fala muito! Sem papas na língua, não poupa jornalistas – tanto que foi convocado para o primeiro confronto Imprensa x Anti Imprensa, realizado no fim do ano passado –, adversários e mesmo companheiros, quando estes merecem um puxão de orelha. Porém, engana-se quem pensa que isso o torna um daqueles jogadores chatos ou “folgados”. Pelo contrário, ele tem consciência plena do que pode e deve fazer com os colegas. “Respeitar a todos é o primeiro passo para ser respeitado e ter novas amizades”, aponta o titular da meta do Di Primeira.

Confira a seguir entrevista com Ferrugem, um dos personagens mais carismáticos do Chuteira de Ouro.

Seu apelido é porque você parece o Ferrugem que jogou no Palmeiras ou porque todo ruivinho vira Ferrugem desde criança?
A segunda opção. Quando eu jogava campo com uns 8 anos, tinham mais de dois Vinicius, aí o treinador de goleiros resolveu me chamar de Ferrugem. E é assim até hoje.

Como surgiu o Di Primeira e por que este nome?
O Simon e um amigo dele, o Claudio, trabalhavam no Banco Real na época da criação, mas estavam insatisfeitos no time em que jogavam o campeonato interno do banco. Então saíram e montaram um novo time. Só que conheceram o Chuteira pouco tempo depois e resolveram ingressar nele. E o nome é Di Primeira porque o Claudio dizia que o Simon segurava demais a bola e tinha que soltar mais "di primeira".

Conte um pouco da trajetória do time no Chuteira.
O Di Primeira entrou no Chuteira de Prata no segundo semestre de 2010. Naquela ocasião, caímos nas semifinais. No semestre seguinte, fomos até as quartas. No segundo semestre de 2011, o Leandro chamou o Molão para ser o treinador, e ele impôs algumas condições. Uma era ter liberdade para mexer no time, da forma que quisesse, e a outra era trazer alguns jogadores. Foi aí que eu, Elias, Cristian e Jocélio viemos. Chegamos até a final da Prata, infelizmente tomamos um sacode do MachuPichu e perdemos o título, mas subimos para a Ouro. Na principal divisão, reformulamos um pouco o elenco, e vieram o Lapinha e o Dri. Perdemos o Molão para a empresa dele, e o Cadu tomou as rédeas do time. Classificamo-nos no sufoco, mas acabamos caindo para o Bufalos num sol de ‘60° na sombra’, e com um gol contra do Simon. Este ano chamamos o André e o Chico, o Molão voltou e estamos na luta para uma melhor colocação à próxima fase e, quem sabe, surpreender muita gente.

O Di Primeira é um time que a maioria acha que não fede, nem cheira . Como fazer para ter um reconhecimento maior e alcançar um status de respeito?
Acredito que a maioria pensa assim porque, até agora, não fizemos nada de muito grande para poder cobrar um ‘respeito’ maior. Dentro da quadra, todo mundo nos respeita, em nenhum jogo fomos menosprezados. O respeito dos times é conquistado dentro da quadra, ganhando jogos, fazendo boas partidas. Falando ninguém consegue nada. Acho que por isso, também, nosso time não se envolve em polêmicas com outros times, nem com a Organização. Exceto quando quase agredimos o árbitro que ofendeu nosso jogador (V Chuteira de Prata) e tivemos punições individuais, além de nos tirarem 2 pontos, o que impossibilitou nosso acesso direto para a Série Ouro. Ao menos fomos à final e subimos.

O time se envolveu numa polêmica no ano passado quanto a um WO. O que refletiu na equipe ter levado uma punição como a que tomaram? Acharam injusta? Por quê?
Achei que foi justa sim. Tivemos um vacilo: o Simon, que estava com o uniforme, chegou atrasado, o adversário quis jogar, mas a Organização não autorizou, e fomos penalizados com o WO. Tem outros campeonatos que o WO significa eliminação. Tomamos a punição de começar com menos 2 pontos, e ainda assim conseguimos nos classificar no sufoco. Achei mais errado quando o Canhedo Beppu entrou contra nós com 4 na linha e forçou um amarelo para o jogo acabar. Na época fiquei meio revoltado, mas como não sei os motivos não posso julgá-los.

Você é um cara muito querido nos corredores do PlayBall. Como é a sua relação com jogadores dos outros elencos?
Acho que a questão de nunca falar mal dos outros times, não ficar discutindo com um ou outro, e, principalmente, respeitar a todos, sem levar discussões de dentro da quadra pra fora, é fundamental para isso. Tive entreveros com o Nelsinho (Arouca Jrs.) e com o Noal (ex-Camelo, e atual Arouca Jrs.), mas que ficaram dentro da quadra. Respeitar a todos é o primeiro passo para ser respeitado e ter novas amizades. E acho que também o fato de ser um cara meio conhecido já, de tantos times que eu jogo, alguns já terem me visto por aí, em outras quadras e/ou campeonatos, ajuda muito.

Como é a relação com seus companheiros de time?
No time tem um cara que considero meu irmão, o Lapinha. Visito a casa dele, ele a minha, e a gente joga junto em todos os times. O Dri é praticamente meu parente, já que é namorado da enteada do meu pai. Molão, Lê, Cris, André, jogamos juntos faz um tempo maior. E o pessoal ‘antigo’ do Di Primeira, eu aprendi a gostar jogando junto. Já fomos pra balada juntos, e considero todos como meus irmãos. Estamos passando por uma leve crise, mas isso é passageiro. Logo nos resolvemos. Falo com o Simon e o Dodô diariamente. Não diferencio os amigos antigos dos novos.

Quem são as pessoas que você admira dentro do Chuteira de Ouro? Por quê?
Tem muita gente que vou acabar esquecendo. O pessoal da Organização eu admiro, pois aturar 64 times reclamando de tudo que é coisa não deve ser fácil (risos). Mas tem muita gente que vejo com vontade em melhorar os times, fazendo de tudo. O Baru (do trio Roleta Russa), que joguei contra nas duas viradas; todo o pessoal do Fúria; Caio Fleischmann, do CAV, que eu conheci outro dia e já considero bastante; os primos Cidrão; o Folha, que é uma piada, mas gente fina demais. E também a maioria dos caras que converso muito, os goleiros: o Léo Ballestero, que quando eu crescer quero ser bom igual ele; o Gui e o Mauricio dos Aroucas, que jogamos algumas vezes contra quando eu jogava pelo UFA; Tcheik, do Maciota s, que é lá da quebrada e é meu amigo há tempos.

Tem algum time que vocês se espelham dentro do Chuteira?
Espelhar-nos, acho que nem tanto, pelo menos no meu modo de ver. Mas cada time tem sua característica, tem que pegar um pouco de cada um e tentar agregar ao nosso. A união e a humildade do Fúria é algo de se admirar. A organização dos Roletas, o ‘projeto’ do CAV (risos), entre outros.

O que você pensa das polêmicas envolvendo os árbitros e alguns jogadores? Acredita que há favorecimento a algum time?
Polêmica envolvendo arbitragem tem em todos os campeonatos, e isso sempre vai ter. Claro que às vezes aparenta que a arbitragem tem uma tendência a fazer vista grossa para quem é mais antigo do Chuteira. Não acho que em nenhum jogo fomos prejudicados tendenciosamente, mas tem muito árbitro que atrapalha o jogo, por ser ruim mesmo, e acaba causando indignação em ambos os times.

Dentro do Di Primeira, qual a importância do ex-capitão Simon, na tua visão?
O Simon é importante, mas ele deixou de ser o capitão, pois este posto é meu agora (risos)! O Simon é o cara que une o time, cobra a gente pra pagar as parcelas em dia. É ele que vai atrás de muita coisa, mas tratamos o mesmo como mais um, porque ele não é o cara mais responsável do time. Afinal, chega bêbado, atrasado (risos). Ele, eu, o Leandro, somos meio que o elo entre os que ‘vieram de fora’ e os ‘mais antigos’ do time.

Você acha possível o Di Primeira surpreender favoritos ao título, como SNG e Arouca, e levar o caneco?
Tenho certeza que sim. Não só o Di Primeira como qualquer outro time que se classifique. O jogo é resolvido dentro da quadra, jogando 7 contra 7. Como não são pontos corridos e é um jogo só no mata-mata, qualquer coisa pode acontecer. O que você fez na primeira fase pode ir tudo pelo ralo em um dia que dê tudo errado para o seu time e tudo certo para o outro. Favoritos são apontados por tradição, pelo que apresentaram na primeira fase, mas em mata-mata vale muito mais a raça de um jogo do que foi mostrado anteriormente.

Como é carregar a pecha de ser o único goleiro que já jogou o Chuteira de Ouro e levou gol do Weinny Eirado? Você ouve muito por conta disso?
Isso aí foi arquitetado para o Weinny não desanimar do Chuteira! Me colocaram pra jogar num time (o Anti Imprensa, diante do time da Imprensa em dezembro do ano passado) que não tinha uniforme, não tinha técnico, só tinha um zagueiro e, pelo que aconteceu, não tinha goleiro também (risos). Tudo bem que no gol do Weinny o cara que deu o passe (Douglas Almasi), na verdade, chutou para o gol e errou. O Weinny foi dominar e acabou mandando pra rede! Mas não posso negar que levei o gol. Quem sempre lembra dessa cena é o Weinny, que não deve dormir até hoje, o Lucas e o Douglas. Fora isso, o pessoal em geral não lembra muito. Levar gol do Weinny tudo bem, mas levar gol do Lucas, jamais!!! (risos)
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