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EFICIENTE NO ATAQUE E NA DEFESA, CABEÇA RACHADA É O NOVO CAMPEÃO DA BRONZE

Foi uma decisão dura e emocionante, com o Elite vendendo caro o troféu à equipe de melhor campanha da Bronze; Luisinho Fernando roubou a cena, marcando dois gols e, no fim, levando cartão vermelho



TEXTO Douglas Almasi Santos
FOTOS Andressa Babu

Melhor campanha da fase de classificação – e a consequente classificação à Série Prata vencendo o grupo A. Melhor ataque da competição. Uma das melhores defesas. Maior número de vitórias. Jogadores experientes – campeões dentro do Chuteira por outras equipes. Time respeitado por todos que participaram do IV Chuteira de Bronze. Com números assim, seria difícil alguém contestar a eficiência e o melhor futebol apresentado pelo Cabeça Rachada. O Elite tentou desafiar a certeza, colocando-se na oposição à equipe que melhor soube aliar marcação forte com toque de bola envolvente. Mas, mesmo lutando do começo ao fim, a ‘zebra’ comandada por Sardinha, Rafa Gomes, Choni, entre outros, não foi párea para o time do técnico Leandro. Assim, o Cabeça Rachada herda do Bonde dos Abelhas o título de campeão da divisão de acesso à Série Prata.


Cabeça Rachada: campeão invicto do IV Chuteira de Bronze


A surpresa em ver o Elite na final era um contraste com a certeza do Cabeça na decisão. Durante a semana, jogadores de outras equipes estavam incrédulos com o time de Diego medindo forças com a equipe de Salvador. Por exemplo, o líder do DPGamos, Denão, manifestou seu assombro no site. “MEN-TI-RA!!!”, exclamou o folclórico ex-técnico (e ex-jogador também?). De fato, ver um time apontado como força menor durante todo o semestre na final era, no mínimo, esquisito. Porém, analisar o Cabeça na decisão era barbada. Antes de a bola rolar, Luisinho Fernando, um dos destaques do time verde, mostrava-se concentrado ouvindo música em seu i-pod. Parecia distante do momento decisivo – passava até a impressão de estar alheio ao jogo. Porém, o camisa 14 seria fator decisivo para o resultado final.


Elite: vice-campeão do IV Chuteira de Bronze


Silvião, ao contrário, mostrava-se confiante e antenado com a decisão. “O Cabeça é um bom time, mas nós vamos para cima. Assim como nós, é um time trombador. E nós vamos jogar no corpo a corpo, tentando devolver o jogo deles na mesma moeda”, revelou o zagueiro, um dos destaques do Elite durante o campeonato. Do outro lado, Tché pregava respeito ao adversário – ciente da bela campanha do time apontado como ‘zebra’. Perguntado como fazer para anular a ‘surpresa’ Elite, o camisa 10 disse que, “primeiro de tudo, a humildade é fundamental”. Tché, em nenhum momento, deixou de duvidar da capacidade do outro finalista. “Todo mundo aponta o Elite como ‘zebra’. Mas eliminar Inflação e XTJ na sequência não é para qualquer um. Portanto, temos de respeitar e fazer nosso jogo”, complementou o craque.

Times aquecidos, cara ou coroa sorteado, e tudo pronto para o início da grande decisão na quadra 14. Mas, como todo campeonato amador de futebol, algo faltava: o Elite apareceu sem duas camisas de jogo, o que os forçou a jogar com o uniforme e emprestado do Rabeloska – equipe que acabara de sagrar-se vice-campeã da Série Ouro, perdendo para o Arouca. O azul da camisa do Elite deu lugar ao vermelho do time mackenzista. E, assim, foi dado o apito inicial do embate.


O Cabeça começou com tudo, atacando muito e parando na defesa do Elite



Com seu tradicional toque de bola, o Cabeça fazia a pelota passar de pé em pé, à procura de uma brecha no sistema de marcação adversário. O time teve duas tentativas, mas sem sucesso e sem levar perigo. Cada jogador do Elite buscava uma melhor posição na quadra grande – não estavam habituados com o novo ambiente. Mas foi do Elite a primeira boa chance: Rafa Gomes fez boa jogada pela esquerda, gingou na frente do marcador e passou no meio para Papai do Axé. O camisa agora 18 dominou, enquanto dois jogadores do Elite abriam um em cada ponta, esperou e arriscou a bomba – que Macaco jogou por cima a escanteio. O zagueiro Fabinho ficou na bronca com a marcação errada do seu time.

O primeiro bom momento do Cabeça Rachada foi em cobrança de falta pelo lado esquerdo. Luisinho Fernando foi para a cobrança e rolou atrás para o tirombaço de Tché. A bola passou pelo goleiro Diego, mas Adriano colocou o pé em cima da linha para salvar o Elite de sofrer o primeiro tento. Foi uma amostra do poder de fogo demonstrado pelo Cabeça na etapa primeira. Aliás, o time de Peu era mais ativo em suas investidas, em detrimento ao recuo do oponente. Porém, a equipe de Manza se defendia bem e valia-se dos contra-ataques para assustar o oponente. Em um deles, o Elite recuperou a bola em um passe errado de Fernando Forte. Manza recebeu e avançou pelo meio, arriscou o chute, que desviou na zaga, e saiu com perigo a escanteio.


Mutssa, velho artilheiro da Equipe Bróder, esteve presente para prestigiar o Cabeça e seu antigo companheiro de equipe, o goleiro Macaco


O sistema defensivo armado pelo Elite fazia efeito. Em novo contra-ataque, Vagner deu um lindo drible no marcador e chutou, mas a bola saiu com muito perigo. A resposta veio em linda troca de passes. Pelo lado direito, Michilin avançou e tocou para Tché; o camisa 10 tocou para Peu, que de primeira achou Luisinho Fernando. O camisa 14 encheu o pé, a bola passou por um vendido Diego, mas, dessa vez, foi Manza – de cabeça – quem salvou o Elite em cima da linha.

Foi a partir daí que o Cabeça passou a dominar as ações da partida. Com toques envolventes e rapidez nas transições de jogadas, o time passou a encurralar o adversário em seu campo de defesa – lembrando, em alguns momentos, o jogo que consagrou o Barcelona mundialmente, mantendo a posse de bola e atacando. Em nova troca rápida de passes, Tché recebeu na direita e arriscou de bico, mas a pelota pegou na trave esquerda de Diego e saiu. Depois, Luiz Guilherme roubou a bola no meio de quadra e avançou livre sem marcação. Pensou na melhor jogada e arriscou o chute, porém, sua tentativa saiu fraca, no centro da meta, e apenas consagrou o goleiro.


Nos pés (e chuteira) de Papai do Axé estavam as esperanças de gol do Elite


Na cobrança de escanteio de Luisinho Fernando, a bola foi na cabeça de Peu, que desviou, mas Diego estava atento e fez difícil defesa. Depois de muito tempo o Elite voltou a atacar. Em cobrança de falta, Silvião deu uma cacetada no meio do gol. Macaco não quis saber de brincadeira e colocou as mãos na trajetória da bola, jogando-a para escanteio. Na sequência, o ataque ‘elitense’ pressionou a saída de Luisinho Fernando, que acabou tocando errado pelo meio. Rafa Marques chegou como um foguete para o chute, mas Fabinho travou de forma espetacular a tentativa do zagueiro.

Essa foi a última tentativa do Elite no primeiro tempo, porque, a partir daí, só deu Cabeça Rachada. E com gols. Tché fez o trabalho de pivô de forma perfeita, ajeitando para o tiro forte de Gabriel. Diego deu rebote, a zaga do Elite vacilou, e a bola voltou para os pés de Tché, que achou Luisinho Fernando livre na área. Ele apenas desviou e saiu para o abraço. Vantagem do Cabeça, de forma merecida, tamanho o volume de jogo apresentado.


No fim do primeiro tempo, gol do Cabeça, de Luisinho, quase embaixo da trave


Pouco tempo depois, rápido contra-ataque do time que estava na frente do placar. O lançamento feito foi tão perfeito, que encobriu o zagueiro, achando Luisinho Fernando dentro da área, na ponta esquerda. O artilheiro projetou o corpo e acertou um lindo voleio, jogando no canto oposto – do lado esquerdo de Diego, que nada pôde fazer.

O jogo foi ao intervalo com vantagem de dois tentos ao Cabeça – e um Elite aturdido pelos gols sofridos. Todavia, a etapa derradeira traria fortes emoções aos torcedores presentes. “Não te falei que o Cabeça ia vencer fácil?”, gritou, da arquibancada, Osvaldo Artini, o Vadão, técnico do Roletinha. Porém, este repórter respondeu: “Calma, o Elite já virou um jogo de quartas de final fazendo 3 gols em 4 minutos”. O time de Choni não fez três, mas vendeu caro o título ao adversário.


Ainda no primeiro tempo, o segundo gol, também de Luisinho: o Cabeça abria dois gols de vantagem


Logo na saída de bola, ela chegou ao ataque para Papai do Axé. O artilheiro fez o trabalho de pivô atrás para a chegada de Rafa Gomes, que soltou a bomba, mas Macaco espalmou a escanteio. A resposta veio na forma de contra-ataque, após vacilo de Silvião. O lançamento da zaga encontrou Peu sozinho, livre de marcação, porém, no momento de girar o corpo, Sardinha – que entrara no lugar de Diego – já estava em cima do camisa 19 e atrapalhou a conclusão.

O Cabeça Rachada, em vantagem, já não se preocupava em atacar. Defendia-se muito bem e explorava os contra-ataques. Seu sistema defensivo era eficiente, com a dupla Fernando Forte e Fabinho destruindo os ataques. Mesmo assim, o Elite ia tentando na forma de escanteios. No primeiro, Vagner cabeceou, mas por cima da meta de Macaco. No segundo, Papai do Axé jogou na área e Rafa Gomes desviou com a perna direita, mas a tentativa também foi para fora.


No segundo tempo, a inversão: pressão do Elite em busca do empate


Os ânimos se acirraram quando cartões amarelos foram distribuídos. O primeiro a esfriar a cabeça por dois minutos fora de quadra foi Luisinho Fernando. E, poucos segundos depois, Fabinho e Bin Laden se estranharam, e cada um foi pensar sobre a confusão no banco de reservas. Mesmo assim, o Cabeça se segurou – e ainda atacou: Salvador tocou para Michilin na ponta esquerda. O camisa 2 rolou atrás para o chute violento de Fabinho, que saiu por cima com muito perigo. O Elite respondeu quando Rafa Gomes puxou o ataque pelo meio e abriu para Manza no lado direito da área, que logo rolou para Papai do Axé, mas o ‘matador’ chegou atrasado e não pegou na bola como queria.

O gol do Elite estava maduro – já que a postura defensiva do Cabeça sofria com as investidas do time de Vagner. Quase saiu com Choni: ele tocou no pivô para Papai do Axé, que devolveu, mas Macaco saiu arrojado e evitou o tiro. Mas, depois, não teve como evitar o tento de desconto. Saída desastrosa da defesa do Cabeça Rachada, Rafa Marques recuperou pela esquerda e cruzou rapidamente a Papai do Axé. Com Macaco fora do gol, ficou fácil ao artilheiro só empurrar a pelota às redes.


A estrela de Papai do Axé apareceu e o elite diminuiu a vantagem na metade da etapa final


Assim, os minutos finais da decisão pegaram fogo. Quanto mais o Elite atacava, mais o Cabeça se defendia – além de valer-se dos contragolpes. Em um deles, Tché recebeu no bico da área direita e acabou acertando o travessão. Em seguida, Fernando Forte partiu de seu campo de defesa em alta velocidade. Rolou para Luisinho Fernando no meio que, rapidamente, acionou Tché no lado esquerdo. O camisa 10 achou Fernando Forte livre, debaixo das traves, mas o zagueirão pegou muito em baixo da bola, e ela carimbou o travessão.


Jogo mais brusco também esteve presente: acima e abaixo, Luisinho e Choni são derrubados em momentos distintos da final



Drama, emoção, nervos à flor da pele. Luisinho Fernando, no afã de tirar a bola do adversário após perder na linha lateral de ataque, acabou acertando um pontapé em Rafa Gomes por trás. Os árbitros lhe atribuíram cartão vermelho – deixando o Cabeça com um jogador a menos. Pouco depois Modé fez falta na entrada da área, deixando o time com dois a menos. Eram já 25 minutos, e na cobrança da falta o lance final. A última oportunidade de haver prorrogação partiria dos pés de Papai do Axé, mas sua cobrança para o lado esquerdo foi até displicente, facilitando o corte realizado por um dos jogadores que compunha a barreira. E, assim, não houve tempo para mais nada: Cabeça Rachada campeão da Bronze vencendo por 2 x 1 o Elite.


Sem grandes exaltações, Cabeça Rachada do capitão Fabinho venceu e levou a taça de campeão da Bronze


A entrega das medalhas acabou em uma festa ao Elite. Cada sorriso estampado nos rostos dos jogadores traduzia a felicidade pelo vice-campeonato. Após a decisão, Choni – já de banho tomado – colocou em xeque os objetivos da equipe para o próximo semestre. “Não sei o que faremos: se vamos entrar na era da ‘vitória acima de tudo’, ou se continuaremos com a nossa postura, que é a de jogar bola e se divertir, independente do resultado”, indagou o camisa 7. Ele diz já estar conversando com alguns amigos a fim de reforçar o elenco à Prata. Ele ainda aproveitou para rasgar elogios ao Os Mostarda. “Sou amigo de alguns jogadores e eles mesmos dizem que o objetivo do time é se divertir, não importa em qual divisão. Ou seja, estamos divididos sobre o que faremos”, completou.


Enfileirados, jogador por jogador recebeu a medalha de campeão das mãos de Daniel Fischer


Já pelos lados do vencedor, um dos destaques do campeão durante todo semestre, Luisinho Fernando não escondia a satisfação em ganhar mais um título dentro do Chuteira de Ouro (já fora bicampeão da Ouro com o Bengalas). “Esse título tem um gosto diferente, melhor. Fui campeão da Ouro, mas em um time onde não conhecia direito as pessoas. Aqui, joguei com amigos, isso é o que interessa. E não importa que seja a Bronze, o peso é igual”, desabafou o camisa 14.


Elite fez a festa mesmo com a derrota: sentimento de dever cumprido com o time chegando além do que esperavam


Outro jogador que conquistou título no Chuteira anteriormente, Salvador, era só alegria, ressaltando que é “sempre bom estar com os amigos”. Lembrou de Fernando Forte e Luisinho Fernando – jogadores que também conquistaram canecos no Chuteira em outras ocasiões – , e elogiou o rival de decisão. “O Elite é um time difícil. Os caras complicaram. Mas isso só veio a engrandecer nosso título”, falou Salva.


Animador das finais, Barath fez a festa junto a Tché (dançando a música que leva seu nome) e também indicando (abaixo) quem era o cara do Cabeça, o técnico Leandro




O Cabeça Rachada se junta a Diabos Negros, Rabeloska e Bonde dos Abelhas na galeria dos campeões da Bronze e já começa a mirar a Série Prata. A decisão do IV Chuteira de Bronze foi um sucesso, e na bola somente, provando que futebol se ganha com paciência e tranquilidade – e não com pancadaria e intimidação barata, como se viu anteriormente. Tem de ter cabeça fria, saber ganhar e perder. Cabeça rachada só no nome do time campeão mesmo.





Ficha técnica

23/06/2012 – Final do IV Chuteira de Bronze: Cabeça Rachada 2 x 1 Elite

Gols: Luisinho Fernando (CR); Papai do Axé (E)

Cartões amarelos: Modé, Fabinho e Luisinho Fernando (CR); Silvião e Bin Laden (E)

Cartão vermelho: Luisinho Fernando (CR)
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