Chega uma hora na vida de uma instituição, como de uma pessoa, que é preciso definir o que vai querer ser. Pois o Chuteira já passou dessa hora. Hoje, às vésperas de completar 6 anos de existência, estamos naquele momento de escolha diante da encruzilhada. Não que antes não tivemos opções do que ser ou do que se tornar, mas o caso agora é outro. E diante de conflitos que beiram ser casos de polícia, a única saída para que o Chuteira continue a ser respeitado e existir é adotar a política da TOLERÂNCIA ZERO.
Já punimos times, suspendemos jogadores, eliminamos equipes, enfim, buscamos a justiça a partir dos erros e abusos daqueles que teimam em dirigir na contramão do que sempre pregamos no Chuteira – respeito, amizade, solidariedade, futebol. Ofensas e agressão, ou aquilo que fere o espetáculo que é o futebol, foram com o tempo tendo punições cada vez mais rigorosas. Adiantou?
Sim e não. Sempre após a tempestade vem a bonança, como diz o ditado. De fato, sempre percebemos isso e sempre acreditamos que a punição maior a um time/jogador era ficar de fora da festa de todo sábado que é o Chuteira por algumas semanas. Parece que tal punição, hoje, não segura mais os instintos primitivos de alguns, que parecem não fazer esforços para mantê-los trancados no calabouço de seus inconscientes.
Quando os instintos se transformam em covardia e agressão pura e simples, sem a noção de que o ato de agredir pode gerar resultados um tanto quanto trágicos, é hora de parar e repensar o processo e ver onde se errou. Erramos ao não expulsar jogadores e equipes? É possível educar alguns que se dizem homens responsáveis e trabalhadores que em pleno sábado, num momento de competição, mas, acima de tudo, diversão, resolvem emboscar um indivíduo e, camuflados na falta de identidade que a massa lhe traz, bater, chutar semelhante caído ao chão como se fosse um ser inferior? Muitos não fariam isso a um cão, para ficar no exemplo banal do cotidiano, por que com um companheiro?
Nesse momento de nossa encruzilhada, quando os ânimos se exaltam e a saída diplomática parece perder terreno para a guerra, paramos e refletimos. Com um voto de confiança dado às duas equipes que entraram num conflito no último sábado, não as expulsaremos do Chuteira. Porém, tal acontecimento nos faz trazer à tona uma nova política, uma nova maneira de lidar com as equipes e jogadores, A TOLERÂNCIA ZERO.
A partir de hoje, ficam todos os jogadores e times avisados que qualquer atitude de agressão física levará a uma sanção não temporária, mas definitiva. Jogador que agredir, dentro ou fora de campo, adversário/colega/amigo/repórter/árbitro será expulso do Chuteira. Time que brigar será sumariamente eliminado do Chuteira. Não há mais segunda chance, não há mais aviso, não há mais tempo para o arrependimento e o perdão.
Quando o nosso universo de diversão e futebol vê corriqueiramente casos de polícia, é hora de pôr a mão na consciência e mudar. Não vamos esperar um companheiro ficar cego, paralítico ou mesmo morrer para ver que esses excessos estão a ameaçar a própria existência do Chuteira. Porque, apesar da morte ser uma realidade um tanto quanto distante para muitos em nossos sábados, ela, na verdade, dá mostras de estar bem viva quando casos como o do último sábado irrompem. Ela está mais próxima do que podemos imaginar. E, acreditem, se ela um dia vir a comparecer, ela não estará limitada a um indivíduo. Ela será como uma avalanche, levará a todos e não restará pedra sobre pedra do que um dia foi o Chuteira.
Que todos possam repensar em atitudes, controlar os instintos, saber enxergar no outro um colega, amigo, parceiro, e fazer, dentro e fora de quadra, o que todos buscam ao sair de casa, deixar família, gastar dinheiro e tempo – a apoteose do futebol e da diversão.
PS – As punições da semana serão divulgadas ainda hoje.
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