A primeira final do semestre coloca frente a frente dois times do Grupo A do XII Chuteira 5. De um lado, o Loloverpool, dono da melhor defesa da competição e ainda invicto; do outro, um Sexta-Feira que foi brocando e superando os obstáculos iniciais para, no mata-mata, impulsionado por uma vontade fora do comum, derrubar favoritos e chegar à decisão.
O bom momento que ambas as equipes vivem tem respaldo nos trabalhos que Cadú, pelo Loloverpool, e Saraiva, do Sexta-Feira, fazem dentro e fora de campo. Ambos são atacantes que – apesar de serem mais do estilo garçom – deixam seus golzinhos de vez em quando. Além disso, são corresponsáveis fora de quadra pela organização da equipe, ao lado de Vavá e Marcelo respectivamente.
São atributos que justificam um
Duelo especial da grande decisão deste sábado, que o leitor confere abaixo seguido de uma breve análise dos times pela ótica de nossos repórteres Matheus Mazzo, admirador do futebol do Loloverpool, e Gustavo Guimarães, cuja presença de um antigo ídolo ajudou a abrir os olhos para este Sexta-Feira.
Confira abaixo 5 perguntas para cada atleta e, em seguida, as análises:
5 perguntas para Saraiva, do Sexta-Feira:
De verdade, esperava o Sexta-Feira na final?
Sim, achava que tínhamos chances de chegar a final. Nosso time é muita raça. Sabíamos que íamos classificar, mesmo com os -3 pontos iniciais
(punição referente ao semestre passado), mas quando ganhamos do Panela (quartas de final), eu tive mais certeza ainda.
O que mudou no time para essa virada de chave no mata-mata após uma fase de grupos de certa forma sem empolgar?
Mudaram muitas coisas, vamos lá: primeiro, encontramos um time base com a volta
(de suspensão) do Marcelo, e isso faz uma grande diferença, já que estávamos acostumados a jogar com um pivô. Boa saída de bola (Renan e Rodriguinho) e um mais marcador (Falcone). Na frente, um pivô (Marcelo). No meio, Hollywood, que corre o jogo inteiro, eu, Saraiva, que faço gol e cadencio mais o jogo. Em segundo, e mais importante, mudou a gana, a vontade de ser campeão.
O Sexta-Feira é um time de amigo, especialista em jogar e fazer churrasco, como vimos nas últimas rodadas. Com o time subindo de divisão e tendo jogos teoricamente mais difíceis, não tem receio de perder essa essência?
O time é de amigos e muito unidos. Um time tem que ser assim dentro e fora de quadra. Não temos apenas um cara diferenciado no time mas sim vários. E temos três nomes que podem reforçar o elenco para o ano que vem. Então vamos com tudo para subir direto para a Bronze, fazendo churrasco e bebendo cerveja.
No semestre passado, o Sexta-Feira tinha jogadores amigos do Wake ‘n’ Bake (Cury, Dani, Nieto, Lucão). Com o acesso, eles optaram pelo Wake e vocês ficaram órfãos, de uma certa forma. Recearam por perder competitividade? Como fizeram a reposição? O Sexta-Feira vai ainda encarar o Wake na Ouro? Como seria esse jogo? Guerra ou compadrio?
Foram perdas que sentimos até a página 2, até chegarem os novos jogadores. Perdemos Lucão? Chegaram Falcone e Tutty; perdemos Daniel e veio Rodriguinho; perdemos Cury, veio Hollywood. E vamos, sim, jogar contra eles na Ouro! Dentro vai ser guerra mas acabando o jogo é resenha juntos.
O que sabe e espera do Loloverpool na final?
Vai ser um ótimo jogo. Temos jogadores rápidos, assim como eles, e temos mais experiência. Isso é um ponto positivo para nosso time. E temos dois brocadores na frente, Marcelo e Saraiva. Tenho certeza que vamos ganhar este jogo. O título vai ser do Sexta-Feira.
5 perguntas para Cadú, do Loloverpool:
De verdade, esperava o Loloverpool na final?
Eu sempre acreditei no potencial da equipe e sempre esperei que nosso time fosse para a final, desde a Copa Estrelato do semestre passado. Temos um elenco bom e comprometido. Eu e o Vavá já vínhamos conversando sobre o Chuteira por saber que é um campeonato onde todas divisões são bem disputadas e decidimos unir a turma de amigos que sempre jogou junto em escola, clube, times etc. para formar o Loloverpool.
Apesar de muito jovem, o time conseguiu se sair muito bem quando enfrentou Panela (1ª fase, basicamente valendo o acesso antecipado), quando empatou, e nas semifinais ante o Tirinhas. De onde vem essa maturidade para jogos difíceis? Acha que essa juventude pode atrapalhar na decisão?
Nosso time titular, mesmo sendo jovens, todos já jogaram na várzea. Nós sabemos lidar com provocações e catimba dos mais experientes. Nosso time está focado e vai deixar tudo dentro de campo. Acredito que nada possa nos atrapalhar sábado.
O time ainda não perdeu nessa edição. É um peso maior jogar um mata-mata sabendo que a primeira derrota é sinônimo de eliminação (no caso atual, vice-campeonato)? Como lidar com isso? O time está pronto para uma decisão com gol de ouro? Shoot outs até?
O nosso estilo de jogo consiste em um futebol leve e alegre, com certeza tem um peso maior em jogar um mata-mata, mas nós não deixamos esse peso interferir em nosso estilo de jogo. Estamos preparados para qualquer situação no jogo de sábado, e vamos com o intuito de se divertir mais um jogo.
O Cadú foi destaque no semestre passado. Desta vez o Camper apareceu bem, sendo o MVP da competição. Fora eles, Vavá, Magnata, Ronaldo, Espinheira... De onde vem tanto moleque bom? Às vezes não tem uma disputa de ego pra ver quem é o MVP, artilheiro, camisa 10 etc., coisas que vemos sempre em times?
A molecada tem recurso
(risos). Toda segunda-feira, quando saem os MVPs de cada partida, nós brincamos entre a gente, quem é o artilheiro e tal. Mas de forma alguma temos disputa de ego dentro do time. Antes de qualquer um, o grupo está sempre acima.
O que sabe e espera do Sexta-Feira na final?
Bom, nós jogamos com eles na fase de grupos, não estávamos com o time completo e houve aquela confusão da arbitragem na hora do nosso shoot out e saímos com o empate em 1 x 1. Nós iremos sempre manter nosso estilo de jogo, se alguém tem que se adaptar, será sempre nosso adversário. Vamos pra cima deles sem subestimá-los.
DESTRINCHANDO O LOLÓ
Por Matheus Mazzo
Finalista do Chuteira 5, a equipe que vem encantando na competição tem vários pontos positivos a serem destacados. Os alvirrubros jogam um futebol pra frente, buscando sempre chegar ao campo ofensivo, mas sem perder a responsabilidade na defesa, tanto que foi a melhor defesa da 1ª fase (14 gols em 7 jogos). Com muito toque de bola, principalmente pela região central da quadra, o Loló consegue realizar muitas infiltrações, contando com a habilidade e velocidade de Cadú. Além disso, Vavá, que atua como homem de referência no ataque, é um atacante completo. O camisa 7 realiza de forma impecável o papel de pivô e tem excelente poder de finalização, tanto com os pés quanto com a cabeça.
Contudo, o grande segredo está no meio campo. A dupla Felipe e Camper funciona como o motor da equipe. O camisa 8 – MVP da 1ª fase – faz temporada de excelência, cria muitas jogadas ofensivas, servindo os companheiros e finalizando a gol, não à toa, é o goleador máximo do Loló na competição, com 9 tentos (Olivier, do Los Borrachos, já eliminado, soma 13 gols). Aliando juventude à experiência, habilidade e velocidade à vontade de vencer, o Loloverpool brilhou no segundo semestre de 2019, tornando-se uma equipe praticamente imparável, tanto que ainda não perdeu na temporada.
DESTRINCHANDO O SEXTA-FEIRA
Por Gustavo Abraão
O Sexta-Feira é uma grata surpresa nesse Chuteira 5. Com a saída dos seus principais destaque da Estrelato passada, que optaram por jogar no Wake ‘n’ Bake, o time chegou com – 3 pontos e sob suspeita. A campanha inicial – 2 vitórias, 1 empate e 2 derrotas – ajudou a criar uma pulga atrás da orelha nos analistas do Planeta Chuteira. Só que a chavinha começou a mudar justamente na 6ª rodada, quando venceu o 1000Gols por confortáveis 6 x 3.
Não foi por acaso que isso tenha acontecido. Foi neste confronto que Girão chegou à equipe, trazendo consigo a experiência dos tempos de jogador profissional – e acostumado a acessos (um com o Taubaté, no Paulista da Série A3, e outro com o Remo, no Brasileiro da Série D, ambos em 2015). Já naquela partida ficou claro que ele poderia ser uma peça essencial tanto na transição da defesa para o ataque quanto como elemento surpresa no sistema ofensivo.
Também chamou a atenção o rápido entrosamento com Renan. O camisa 32 se mostrou um atleta bastante versátil e confiável pela sua capacidade de leitura de jogo. Ele, porém, não poderá encarar o Loloverpool, já que quebrou o pé, motivo que já o deixou de fora da semifinal ante o Murajuba. Dessa forma, o Sexta-Feira vai depender muito das ações ofensivas de Hollywood e torcer para que Marcelo não esteja tão nervoso e fique bastante centrado nas quatro linhas.
Todo esse novo cenário ofensivo se refletiu em uma defesa mais sólida, como bem mostra a campanha no mata-mata. Nas quartas de final, tomou apenas um gol do Panela, que marcara incríveis 37 gols na fase de grupos (média de mais de 5 por partida); enquanto, na semifinal, conseguiu anular Pepe, grande destaque do Murajuba, na maior parte do confronto (apesar dele ter anotado os dois gols da equipe). Muito disse também se deveu à melhora de produção do goleiro Ronny, que se mostra cada vez melhor e confiável.
Depois de superar a segunda melhor defesa da 1ª fase (Murajuba, com 15 gols), o Sexta-Feira tem a missão de derrubar a barreira campeã da competição, justamente o Loloverpool, que sofreu apenas 18 gols em 9 jogos (média de 2 por jogo).
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