Se têm times identificados com alguma divisão, dois deles se enfrentarão neste sábado. Ras Time e Roleta Russa Olímpico reencontram-se mais uma vez, revivendo memórias de duas equipes que iniciaram suas trajetórias praticamente juntos. Pela 4ª jornada do Grupo B da Série Prata, a luta é por crescimento em meio à mutação da divisão de 2009 para cá.
Para quem não tem ideia, quando Roletinha e RT ingressaram no Chuteira – na década passada ainda –, só havia duas divisões: Ouro e Prata. Inclusive, ambos começaram nesta última – a atual, no caso. O Roleta Olímpico foi criado para dar morada à garotada que acompanhava o time matriz, Roleta Russa (atualmente na Série Aço). Era um tempo no qual o campeonato ainda era chamado de “romântico”. Porém, os anos passaram e mais divisões foram criadas. Só que os times, jamais deixaram de figurar nas duas principais divisões – um sobe e desce que marcou as equipes.
O reencontro será nostálgico, mas também atual. Tanto Rodrigo Luiz quanto Theo sabem que o passado não volta, e, entre um clássico de times amigos, nenhum lado quer ficar para trás – sobretudo num grupo complicado como o que estão. O Duelo desta semana é especial pela história que essas duas equipes construíram, mas também pelo momento ímpar de jogarem em alto nível mesmo depois de uma década. Confira cinco perguntas para cada um e entenda por que esse confronto tem história!
Cinco perguntas para Rodrigo Luiz (Roleta Russa Olímpico):
Já se viu uma melhora no Roleta Olímpico diante do Real Madruga. Mesmo assim, foi contra um rival histórico ao qual o time é superior no número de vitórias entre si. Inclusive, há relato de que o time merecia vencer. O Roletinha é confiável para este semestre?
Com certeza é confiável. A base do time continua a mesma do último semestre e estamos com muitas peças novas que vem demonstrando muita vontade, alguns até surpreendendo, como o Hugo, que em alguns jogos vem sendo muito decisivo. Contra o Real Madruga já demonstramos uma melhora em relação à parte defensiva e ao controle do jogo. Contra o The Veras, por exemplo, até tivemos o controle do jogo na maior parte do tempo, mas estávamos tomando muitos gols, e dificilmente um time que toma 5 ou 6 gols por jogo vai acabar vencendo. Contra o Real Madruga foi diferente: jogamos com muito mais atenção e soubemos envolver o adversário. Os jogadores que entraram nesta Prata estão demonstrando muita vontade de ajudar, estão abraçando a ideia do Baru
(ténico do time) e somando pro time. É claro que pode demorar um pouco pra cada jogador conhecer o estilo do outro, mas acredito que mais uns dois ou três jogos o time evolua bem no entrosamento e só tende a melhorar.
Mesmo assim, o Kuminha continua sendo o jogador mais citado por imprensa e adversários. O Baru assumiu o comando do time e ganhou reforços. Existe a possibilidade de fugir um pouco da dependência dele e do Pina? Por exemplo, queria ver mais o nome do Rodrigo nas matérias, sendo mais decisivo...
O Kuminha, indiscutivelmente, é o nosso principal jogador, um cara que qualquer time queria ter e que tentam "tirar" de nós. Quanto à dependência, acredito que, com o estilo de jogo e a qualidade com a bola no pé dele (Kuminha) de buscar sempre a bola, é inevitável que o procuremos bastante e que o jogo passe por ele quase sempre. Como citei acima, um jogador que tem chamado bastante a atenção é o Hugo, que tem ajudado bastante a desafogar nosso jogo, porque, normalmente, no mano a mano, ele sempre leva vantagem – o que acaba quebrando a marcação do outro time e facilitando nosso jogo. Além dele, outros jogadores de frente têm esse poder de decisão também. O time só precisa passar a confiança que eles precisam. Além disso, nos últimos jogos evoluímos em relação à defesa apoiar na chegada à frente para finalizar, o que acaba dando mais opções nas formas de buscarmos o gol também.
O Grupo B é de times considerados fortes e favoritos a título. Só que o Roletinha é mais experiente por ter disputado a Série Ouro recentemente por vários anos. Como usar isso a favor do time sem cair na armadilha da idade?
A experiência de ter jogado a Ouro com certeza ajuda em relação a saber que, quando você pega um time “cascudo”, como o Fora de Série – que perdemos na 1ª rodada –, não podemos ter 5 minutos de falta de atenção que o jogo pode ser decidido, como que foi o caso
(7 x 2 ao adversário). Em relação à idade, acredito que não temos este problema ainda, até porque a maioria dos jogadores não chegou à casa dos 30. Mas, hoje, nossa realidade é diferente: muitos jogadores mudaram de um ano e meio pra cá, então, pra recuperar a confiança, temos que ter os pés no chão para saber que nosso time é forte para disputar atualmente a Prata. Conforme formos evoluindo e recuperando a confiança, podemos pensar mais alto, no título e no acesso, mas é muito cedo pra pensar nisso ainda.
Vários clássicos do Chuteira estão de volta. Neste próximo sábado teremos Roletinha x Ras Time. Rivais históricos. Conte alguma lembrança boa e outra ruim diante do tradicional adversário.
A boa vem fácil: no último semestre, tínhamos o "jogo da vida" contra eles, porque os dois times estavam disputando posições. Era nosso último jogo da fase de grupos, enquanto eles ainda teriam um. Se perdêssemos estaríamos praticamente rebaixados pra Bronze. Mas, como vencemos, além de fugir do rebaixamento, ainda garantimos a classificação antecipada em pelo menos sexto lugar, em um grupo que estava muito equilibrado. Começamos o jogo perdendo de 2 x 0, mas fomos superiores no restante da partida e conseguimos virar... Aí foi só alegria e ‘breja’ pós-jogo. Lembrança má não me recordo, até porque só estou há 3 anos com o time e não joguei muitas partidas contra o Ras. Mas, pensando bem, tem um jogador do outro lado que normalmente nos ajuda em outros torneios, além de organizar e fazer churrasco, ‘hamburgada’ etc.: Rernanes, ídolo
(risos)! A lembrança má é que ele fará isso pelo outro time e não por nós. Mas, ‘tamo’ junto se quiser confraternizar!
Duas equipes que já estão há mais de 10 anos no Chuteira, mas o momento é de reinvenção dos dois para superar justamente o tempo. O público que já acompanha os times desde suas criações verá o mesmo que os novos simpatizantes, já que muitos estão sabendo se tratar de um legítimo clássico ao ler este Duelo?
Acredito que será um jogo muito equilibrado, como tem sido nos últimos confrontos. Por ser em uma quadra teoricamente pequena, e os dois times buscarem bastante o gol, o jogo será aberto, com bastantes chances de gol pros dois lados. Acredito que vai ganhar quem errar menos e estiver concentrado, principalmente na marcação – e de matar o jogo quando tiver a chance. Acredito em nossa vitória como no último semestre.
Cinco perguntas para Theo (Ras Time):
Se o Ras Time fosse um filme, seria Cocoon? Afinal, impressiona o time ter uma média de idade considerada alta para a Prata e ainda surpreender...
Cocoon é tipo os textos do Chuteira de Ouro: ninguém vê
(risos)! Se o Ras fosse um filme, seria o
Se Beber Não Case. Um monte de velho fazendo coisa de moleque. Aí chega na hora esquece tudo (caneleira, uniforme, documento), atrasa... Mas, não importa o que aconteça, no final a gente sempre fica louco e se diverte. Igual no filme. E os ‘tiozinhos’, quando aparecem em peso, sabem jogar bola.
Houve uma expectativa enorme com o Ras nos últimos semestres. Os pontos altos foram a final perdida para o Astúcia no Festival Bola na Rede, há u m ano, e a eliminação para o 2 Tok's na semifinal da Prata, em novembro do ano passado. O Theo ainda vê o time se fortalecendo de novo para mais uma tentativa? De fora, o que se vê é uma equipe um tanto ligada quanto não...
Vale lembrar também a eliminação para o Hooligans na semifinal da Divisão Ouro na Copa Apertura, em março! Quando o time vem em peso, é forte e tem casca grossa. A gente faz frente com equipes apontadas como as mais fortes, a exemplo do 2 Tok´s. Mas, jogar completo, hoje é uma raridade. O pessoal não tem mais só lição de casa pra fazer, né? Fora que, depois dos 30, é uma lesão por jogo, e isso acaba atrapalhando o desempenho, principalmente nas fases de classificação.
Trata-se de um grupo difícil, com muitos times considerados favoritos até para levantar caneco. Em meio a ele, o que o RT está fazendo para honrar suas tradições e não ser o 'saco de pancadas' que alguns andam imaginando? Indo além: o Ras veio para quê neste semestre?
O Ras nunca foi saco de pancada! Nem quando caiu da Ouro! Sempre brigamos em alto nível e, mesmo quando disputamos a parte de baixo da tabela, brigamos até a última rodada. Quero saber quem são esses “alguns”. Ou “algum”, né. Tenho nome e sobrenome desse meliante, mas vou ficar na minha porque o Ras é muito grande. Sobre o que estamos fazendo pra honrar as nossas tradições, o de sempre: tomando cerveja, ganhando peso e revelando uns craques todo campeonato. Pode ter certeza que vai ter sempre um representante do Ras alcoolizado no Chuteira de Ouro.
Contra o Roletinha, um jogo que promete fortes emoções tanto quanto ao passado quanto ao presente, já que ambos precisam da vitória. Quais suas lembranças desses confrontos? Tem muita história ‘cabeluda’ pra contar?
Roleta Olímpico é um time parceiro. Os caras gostam tanto da gente que vivem querendo roubar atletas nossos. Fezolas, Rernanes... E tem o Silas que eu ‘tô’ ligado também! A gente já perdeu e ganhou deles, mas a vitória que ficou marcada foi na final de um torneio interno Roleta com convidados! Levamos o caneco na casa deles! Você precisava ver a hora da entrega das medalhas! Esse jogo de agora vai ser bom demais, pode anotar. Os dois times precisam ganhar, se conhecem e não tem picuinha um com o outro. Que vença o melhor, desde que seja o Ras.
Muitos clássicos do Chuteira neste grupo envolvendo Ras, The Veras, Roletinha e Fora de Série. Equipes que começaram lá atrás, a maioria até na própria Prata há 10 anos, e que voltam a se enfrentar. O tempo passou de qual forma de lá para cá, Theo? Em meio a tantos rostos novos, seja por idade ou por jogadores trazidos de fora pelos times, como você se sente?
Porra, para de chamar a gente de velho! Tem menor de idade no nosso time até! Pra mim, o tempo só serviu pra me tornar mais caneludo e violento. Na temporada que eu voltei da lesão no tornozelo, tomei mais cartão amarelo que em todos os outros Chuteiras. Que sirva de recado pros próximos adversários
(risos). Desde a criação do Ras, em 2009, o Chuteira cresceu bastante e apareceu um monte de time novo. A molecada que chegou é boa, claro, mas as equipes mais antigas é que dão a graça às Divisões. É aquela coisa da tradição, que só o tempo traz mesmo. Então o time todo do Ras está se sentindo bem pra porra, fora as dores de velho. Você precisa da gente, Lucas Pires!
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