Se após o sorteio das chaves da Série Bronze alguém apostasse que Astúcia e Só Quem Sabe brigariam pela liderança, essa pessoa poderia até ser internada. Passadas duas rodadas, porém, essa mesma aposta transformaria a mesma pessoa em uma espécie de visionária. O Chuteira de Ouro é e sempre será assim. Por isso, que tal deixarmos os times serem felizes?
A pergunta tem mais a ver com o estado de espírito. O Astúcia vem numa crescente de deixar muitos managers com inveja. Alcançou uma maturidade na campanha da última edição da Aço a ponto de ganhar seu grupo e chegar na atual divisão antes dos que seriam finalistas. Na Bronze, passou por Olimpo e Cachorro Velho com duas goleadas, deixando simpatizantes do torneio e imprensa sem ter o que dizer. Alcançou 6 pontos e vai ficando mais próximo de, no mínimo, permanecer onde se encontra.
O adversário, o Só Quem Sabe, é tradicional na Bronze. Estreou em 2011 junto a times históricos, como CAV e Rabelosca, fazendo daquela edição a mais forte que já aconteceu. O tempo passou, o SQS conquistou a Série Prata, disputou a Ouro, mas o tempo começou a ser implacável – fazendo com que os líderes tomassem algumas decisões não condizentes com a história do time. 2019 chegou e a mentalidade mudou. As origens do SQS parecem ter sido retomadas, e isso reverberou nas vitórias sobre Se7e de Perdizes e Parceradas.
No sábado, ambos chegam sob olhares diferenciados. A desconfiança sempre haverá; isso não quer dizer que não possam sonhar! Logo, Neymárcio, pelo Astúcia, e Marques, pelo SQS, começam a imaginar sorrisos mais largos no rosto em meio à concentração e disposição para fazer de uma partida de 'patinhos feios' uma exibição de gala ao público. Confira cinco perguntas para os jogadores, estes aproveitando o momento para darem muitas risadas.
Cinco perguntas para Marques (SQS):
A média de idade do SQS passou a casa dos 30 anos. É de conhecimento que apenas vontade de jogar futebol não basta para jogar o Chuteira de Ouro. Além desse fator, e da forma física - e a amizade -, o que move o time a ainda jogar a competição com o mesmo entusiasmo de quando chegou? Como, em 2019, conseguem ter uma competitividade ao ponto de liderar atualmente seu grupo?
O principal objetivo do SQS desde sua criação (20 anos atrás), e vinda pra São Paulo, era montar um time de amigos e, claro, de preferência competitivo, para brigar por vitória e títulos. Tivemos algumas tentativas de reposição ou de reforçar o time com bons jogadores ao longo dos anos, mas percebemos que só ser bom de bola não bastava para vestir o manto e fazer as coisas fluírem como queríamos. Além disso, este ano conseguimos juntar as fases boas de alguns jogadores (Alemão, por exemplo) com jogadores que estavam machucados, como Jacobi, Rodriguinho e Tessarin, que são bons jogadores e que podem fazer a diferença. Hoje, mesmo com algumas gerações de diferença (uns com 20 outros com 30 e poucos com quase 40), podemos afirmar que o SQS é uma grande família. Esse espirito de família de correr um pelo outro até o fim é o que nos motiva a cada dia e nos faz competitivos. Hoje em dia ninguém quer perder par ou ímpar na rua, imagina uma partida de futebol em família.
Isso não descarta as desconfianças de outros times, da imprensa e outros setores que acompanham a competição. 2018 foi o pior ano do SQS no Chuteira. O elenco realmente mudou, ou melhor, voltou a ter mais tranquilidade – sobretudo em decisões de arbitragem? Se voltou, a quem condicionar as novas atitudes, estas mais serenas?
A desconfiança com o SQS sempre existiu desde o primeiro ano. A maioria dos times já se conhecia ou era formado por ex-jogadores de outras equipes, meio que uma “panela”, no bom sentido. Essa desconfiança muitas vezes nos fortaleceu no passado e ainda fortalece muito, portanto, se puder fazer um pedido à organização e comissão técnica dos outros times, continuem desconfiados. Pra falar a verdade, a gente adora quando não botam fé no SQS, principalmente a imprensa
(risos). Acaba nos motivando mais contra times tidos como “favoritos”, nos tornando um time chato e indigesto, independente da divisão do adversário. Foi justamente em 2018 que resolvemos mudar a estratégia do SQS, chamando alguns jogadores que não tinham a mesma essência dos mais antigos de casa (me refiro a estar presente em festas, churras, 'cigarrada' ou uma simples 'breja' após o trabalho), assim vimos que era hora de mudar algumas coisas ou a tendência era cair de divisão novamente e perder de vez o tesão de jogar/competir. Com isto, decidimos que era melhor vir com um time contado com tesão de jogar e competir do que inflar o time com 20 jogadores com pouco comprometimento e que vencer ou perder era indiferente para alguns. Acho que não teve um único responsável pela mudança de atitude e resultados em 2019. No SQS cada um faz sua parte, o segredo é dar responsabilidade para todos no time. Temos uma diretoria com um responsável por cada setor do time, e quando você une organização e comprometimento com todos em busca de um único objetivo, que é vencer o jogo, independente de acertos ou muitos erros da arbitragem, e/ou nossos jogadores, as coisas começam a dar certo. Esse ano começamos a colher frutos destas mudanças de comportamento e mentalidade.
Numa conversa rápida com o Alê (goleiro do time), acabei dizendo que apenas o Muka teria capacidade de jogar uma Série Ouro. Ele, observador, falou de outros jogadores. Independente de quem tem condição de jogar em qual divisão, o elenco tem condições de vencer o grupo realmente e, principalmente, teria fôlego para uma nova Prata? O momento às vezes não engana?
No futebol a parte física e condicionamento contam bastante. Nos dias de hoje, então, com a molecada cada vez mais nova, nem se fala. O Muka mais uma vez está fazendo um bom ano com a gente, mas também já rodou em outros times até mais fortes que o SQS e de divisões superiores, e não desempenhou todo futebol que ele tem e como tem feito no SQS (o tal lance de jogar em família). A nossa maior motivação é levantar o nosso terceiro caneco no Chuteira, principalmente a Série Bronze (muitos times “favoritos” não têm sequer um). Já fomos campeão da Prata, e para quem está desde o início sabe que falta faz um bom campeonato na Bronze, e seria perfeito com o título. Acho muito cedo para falar em jogar a Prata ano que vem, tem muita água pra rolar, muita dividida para disputar e muito suor em quadra. Lógico que com duas vitórias em dois jogos, a imprensa e algumas pessoas começam a especular os favoritos, mas sabemos que futebol é resultado e, se não vencer a próxima partida, independente do adversário, não passa de um palpite. No entanto, não podemos achar que o momento do SQS são apenas dois jogos, fomos vice-campeões este ano contra o Fúria Moleque na US Cup jogando bem, e fizemos dois bons jogos com o Divino, que passou o carro em geral no Festival Bola na Rede. E poderíamos ter vencido uma dessas partidas. Agora vamos focar nas seis finais da Bronze, somar nossos pontos e ver como acaba essa fase de grupos.
O jogo contra o Astúcia será importante pois definirá o líder, mas, principalmente, quem terá gás para ir até o final com condições de ficar na primeira posição. O oponente vem de um acesso e, principalmente, mostra consistência defensiva e tática. Lembra, inclusive, o estilo do SQS. Como tornar a partida interessante tecnicamente, já que as táticas são bem parecidas? O público assistirá a um jogo monótono em termos de ataque?
Você que já acompanha o SQS há algum tempo sabe que esses são os jogos que mais gostamos de jogar. Já fizemos grandes jogos com grandes equipes que muitos acreditavam em uma derrota elástica do SQS, e o resultado não foi o que os palpiteiros de plantão esperavam. Como diz o ditado, o jogo é jogado e o lambari é pescado. Acho que o fato dos times jogarem de forma parecida, pode ser um jogo mais estudado no início, mas como vale a liderança provisória, uma hora terão de sair em busca do resultado – o que pode deixar o jogo mais interessante, principalmente na parte ofensiva. Uma coisa é certa: sábado o SQS entra em quadra focado em busca de 3 pontos, independente de quem esteja do outro lado! Esperamos que a frase “não contavam com minha astúcia” não aconteça. Brincadeiras à parte, caso o resultado não seja positivo, não podemos achar que a fase de grupo acabou, ainda teremos 15 pontos para disputar. Além de SQS e Astúcia existem outras boas equipes que podem “roubar” pontos dos líderes e entrar também na briga, como o caso do Plata o Plomo, que tem um jogo a menos e pode igualar os 6 pontos dos líderes.
O SQS entrou no Chuteira justamente numa Bronze que marcou história. Após 8 anos, volta ao protagonismo na mesma divisão. Do que sente saudade desde 2011 e que poderá servir de inspiração ao confronto direto contra o Astúcia? Como transformar o improvável em certeza buscando as lembranças do passado?
A Bronze sempre teve um sentido especial para o SQS. Todos os nossos acessos para a Prata foram na base de estar no lugar certo e na hora certa com desistências ou times já classificados entre os finalistas, mas nunca por acaso, sempre tivemos nossos méritos terminando entre os 4 ou 5 primeiros colocados no geral. Na velha guarda do time tem quem brinque que nossa queda da Ouro depois de um ano jogando a principal divisão do Chuteira foi pra pagar uma dívida que temos por não ter sido campeão da Bronze e os acessos terem “caído no nosso colo”. Quem sabe esse ano pagamos a nossa dívida e aspiramos voos mais altos em 2020!? Já estivemos lá antes e sabemos o caminho. Não sei se saudades é a palavra, mas no primeiro treino que juntamos a galera do SQS estourei o tornozelo e fiquei 6 meses fora assistindo esses caras que mal conhecia jogar e não sabia se ia continuar no time. Hoje, 8 anos depois, jogo bola com esses mesmos caras e tenho prazer de chamar de família. Acho que o que mais me inspira é a realização daquilo que desenhamos lá em 2011, um time só de amigos cachaceiros, competitivo e brigando por títulos. Essa realização não tem preço e me inspira para cada jogo ao lado deles. Como gostamos de dizer na nossa roda antes e após os jogos, "sábado é tudo nosso e nada deles! Raça e Cachaça"!

Cinco perguntas para Neymarcio (Astúcia)
E o "time que só ramela", hoje, ganhou respeito e notoriedade, mostrando consciência tática e técnica para alcançar a Bronze e vencer seus dois jogos iniciais. Mesmo assim, ainda terá muita gente desconfiando do Astúcia nas próximas rodadas, sobretudo se ocorrer um revés ante o SQS no confronto direto. Vida meio 'severina' essa do Astúcia, não acha?
Mesmo com a desconfiança de muita gente, estamos no caminho certo pensando jogo a jogo, um passo de cada vez. Já mostramos nosso potencial na edição da Aço passada, terminando a fase de grupos invictos e com a conquista do acesso em primeiro lugar. Esperamos repetir esse feito na Bronze este semestre, mas sempre com os pés nos chão e focados em cada jogo. O confronto direto desse sábado é muito importante, temos que entrar focados e manter o mesmo nível apresentado nas duas primeiras rodadas e, com certeza, o resultado positivo irá aparecer. Estamos no caminho certo.
Em 2015 foi criado o Dodô Futebol Show, e em um dos quadros, os irmãos Soares foram entrevistados. À época, o Arthur revelou que o time iria para a Série Ouro. Hoje, 2019, ainda passa pela cabeça do elenco jogar a principal divisão? Discursos como o do Marquinhos, de que está "velhinho", não são apenas para despistar?
Somos muito conscientes e com os pés no chão. No momento a Série Ouro está em um patamar acima, mas não podemos descartar essa hipótese. Com o amadurecimento da equipe e cada vez mais um correndo pelo outro, e o coletivo se sobressaindo, podemos, sim, sonhar em um dia disputar a Ouro. Mas estamos totalmente focados no momento em fazer uma ótima campanha na Bronze, com o pensamento de subir para a Prata. Em relação ao discurso do meu irmão, mesmo com seus 30 anos ainda tem muita lenha pra queimar e está em ótima fase. Espero que continue assim até o final do Chuteira para buscarmos o título.
Os holofotes estarão apontados ao Astúcia após este Duelo #13. Mais do que o uniforme do time, inspirado no Chapolin Colorado. E, sábado, o confronto contra o SQS dará o norte que a imprensa precisa para ver se os times estão prontos para baterem de frente com Plata o Plomo e Soberanos na luta pelo acesso à Prata. Quais os planos para o time dar o salto que tanto deseja? O jogo deste sábado está em qual patamar de importância para o elenco?
Realmente é o grande jogo da rodada nesse sábado. Nunca enfrentamos o SQS, mas sabemos que é um time muito bem organizado e que tem uma história longa no Chuteira, espero que seja um grande espetáculo e que possamos sair com a vitória. O grupo está muito equilibrado.
(No passado) já enfrentamos o Soberanos e ganhamos de 5 x 2 e perdemos para o Plata de 3 x 5, ambos jogos muito disputados - com uma qualidade alta e decidido nos detalhes. Todos os jogos serão assim a partir de agora. Mas esse sábado podemos abrir 3 pontos de vantagem na liderança, o que seria de extrema importância para o restante da competição. O elenco já está totalmente focado e é isso que vamos em busca.
Dois jogos, duas vitórias. O Astúcia não está sentindo um peso a mais na nova divisão? O que acham da disputa em meio aos 'franguinhos' que comem após suas partidas?
Nós já disputamos a Série Bronze diversas vezes, creio que esta é a que estamos melhor preparados taticamente, psicologicamente e, acima de tudo, unidos! O grupo criou uma amizade que não tinha antigamente, agora ficamos sempre reunidos após todos os jogos fazendo aquela resenha e 'cornetando' todas as partidas. Devemos muito isso à dupla Bruno e Marquinhos, que começaram essa resenha e agora já é marca registrada de toda equipe. Sempre estamos atentos em jogos de todas as divisões, mas sábado passado demos uma atenção especial à grande vitória do IMZT sobre o Vendetta (um abraço pro nosso grande amigo Aidar!). Sábado tem mais frango a passarinho pra galera, quem quiser é só chegar!
Contra o SQS, será um jogo de duas defesas sólidas. Isso quer dizer que teremos poucos gols? O que fazer para não deixar um jogo importante cair num marasmo de dar sono?
Será um confronto muito estudado e de duas defesas muito sólidas, mas também dos dois melhores ataques da competição até aqui. Resumindo, será um baita jogo! Dificilmente nosso time tem jogos de dar sono atualmente, esperamos continuar nessa boa fase. Espero que seja um ótimo espetáculo e que possamos sair com a vitória e calar mais uma vez os críticos. Vamos, Astúcia!
Comentários (0)