Quando Bruno Bollito chegou ao Chuteira, trouxe consigo mulher, filha e uma disposição ímpar para encarar, todo sábado, uma jornada desgastante. E tudo para transformar o Mercenários em uma equipe do mesmo nível de Bengalas, SNG e Arouca. Era a chamada fase de transição do ‘Chuteira romântico’ para o ‘Chuteira profissional’. E, mesmo sendo uma equipe sem tradições, o time que tinha Marquinhos como co-líder passou a mostrar mais a sua cara e a aparecer ao circo chuteirense.
Porém, no primeiro semestre de 2014, com a equipe já na Série Ouro, desavenças no elenco fizeram com que o ambiente do time ficasse amargo. Para piorar, conflitos internos levaram Bollito a se revoltar e sair do Mercenários. Resolveu, ao lado de Luiz Minici e Lucas Sabatim, montar uma equipe competitiva, mas que fosse de amigos: o Nois Que Soma. O que Bollito, Minici e Sabatim não sabiam é que, quatro anos depois, o NQS se tornaria a melhor equipe de todos os tempos do Chuteira, ganhando todos os títulos que disputou.
Em fevereiro, o atual tetracampeão da Série Ouro venceu, pela segunda vez consecutiva, a Copa dos Campeões e se consolidou na liderança de número de títulos dentro do Chuteira (são 10 agora), mas dessa vez sem a presença de Bollito – que no início do ano se mudou para a capital do Paraná e se afastou de suas funções no Nois Que Soma.
Mesmo a mais de 400 km de distância, acompanha o time e mostra sua satisfação com o que ajudou a criar. “Sempre acreditei na força do nosso time desde a criação. Claro que, com o subir das divisões, o nível e a dificuldade iriam aumentar, mas sempre acreditei, e sempre buscamos ser os melhores sem perder a essência”.
Bruno Bollito se separou, mudou-se para Curitiba, noivou e agora vive uma fase mais tranquila de sua vida. Mesmo assim, não foge da raia. A partir de agora, viaje nas ideias e comentários (sem papas na língua) de um dos maiores vitoriosos da história do Chuteira.
Curitiba, Bollito? Como assim? Conte para nós essa nova jornada.
Pois é, nada foi programado, tudo foi acontecendo, e hoje estou em Curitiba. E digo mais: estou noivo
(risos)! No início de novembro, eu e um amigo decidimos passar um final de semana em Curitiba. Nessa viagem, eu e a Gaby, que viria a se tornar minha noiva, ‘ficamos’ (eu já a conhecia há alguns meses, após uma viagem que ela fez pra São Paulo). Nada foi programado, tudo foi acontecendo naturalmente e, após essa viagem, não ficamos sequer um final de semana sem nos ver. Nesse período teve pedido de namoro e pedido de noivado, até que decidi me mudar pra Curitiba após o carnaval. Loucura, né
(risos)? Mas sempre fui assim em qualquer coisa na minha vida, com muita intensidade, e se acredito em algo sigo até o fim!
O que está fazendo aí? Pretende ficar por quanto tempo? E sua filha nessa?
Hoje, o foco da minha vida para o futuro está todo em Curitiba, quero me estabelecer por aqui; a cidade é boa de se morar, mais tranquila que São Paulo. Estava precisando disso
(risos)! Minha filha é a parte dolorosa da história. Nunca fiquei longe dela desde seu nascimento – até mesmo quando me separei da mãe dela procurei ao máximo ser presente. Não está sendo fácil, mas procuro estar sempre em contato. Ela já veio pra Curitiba algumas vezes e, sempre que possível, farei com que venha me visitar, assim como irei também pra São Paulo. Você a conhece há muito tempo, né, ela está crescendo, ficando uma moça linda, mas, para mim, será sempre minha princesinha.
Mas aí não tem Chuteira. Como sobreviverá sem, por exemplo, eu te encontrar num sábado e dizer “Bollilove!”?
(Risos) ‘Bollilove’ é boa! Época em que eu e o Noal
(ex-Camelo, Arouca Jrs., Mercenários e atualmente no Magnatas) chegávamos numa ressaca desgraçada para jogar
(risos)! Foi uma fase boa: ‘Bollilove’ chegou à seleção da Ouro
(risos)! Vou sentir saudades com certeza. São quase 7 anos de Chuteira, desde a criação do Mercenários, em 2011. O campeonato sempre foi um lugar de diversão para mim. Teve um período da minha vida no qual passei uma grande dificuldade financeira, e só não trabalhava de domingo a domingo pois decidi que teria que tirar um dia de lazer e diversão, e esse dia era todos os sábados no Chuteira. Boas lembranças.
Com tua saída, retorna outro idealizador do NQS, Maciel. O que especificamente ele fará no time? Atuará em todas as frentes como você? E o que o técnico tetracampeão da Ouro espera do novo (mas conhecido) comandante?
Maci é um cara excepcional. Conheci-o na época do Mercenários, mas na separação dos times ele não acabou vindo comigo. Porém, sempre tive muito respeito por ele e nossa amizade não se abalou. Ele já está conosco desde o bicampeonato da Ouro, ajudando na organização do time junto a mim, Tinho e Luiz, dentro e fora de quadra. A princípio ele não pode ser muito presente nos sábados devido ao nascimento de seu filho, mas nos ajuda sempre, e isso continuará acontecendo. É amigo de todos do elenco, conhece muito de futebol. Já esteve à frente do time em algumas oportunidades e não tem muita novidade para ele. Maci é um monstro, uma pena as lesões, e a idade
(muitos risos), estarem fazendo com que ele não consiga mais nos ajudar muito dentro de quadra.
Como o elenco do NQS lidou com essa sua mudança? Como os jogadores reagiram?
Quem gostou foi o Uber
(ex-jogador do time, atuou pelo Camelo em 2017), né, pois assim ele pode voltar para o time
(risos)! Brincadeiras à parte, ali são todos meus amigos fora de quadra, frequento a casa de todos e vice-versa. A falta mesmo a gente vai sentir é da amizade, de estar junto se divertindo aos sábados. Isso será muito ruim.
Às vésperas de iniciar o mata-mata, como o Bollito vê o Nois Que Soma?
O NQS continua forte como sempre. A nossa força principal não está na habilidade de cada jogador, mas, sim, na amizade verdadeira que temos ali. Ninguém recebe para jogar, pagamos o torneio do nosso bolso para manter o time, pagamos do nosso bolso para reunir os amigos aos sábados, pagamos do nosso bolso para ter o gosto de levantar uma taça com um irmão verdadeiro e isso nos faz campeão. Como diz a nossa música: “Somos o Nois Que Soma, não pagamos salário, sou tetracampeão, nunca fui rebaixado”
(risos).
Diante da mudança no comando técnico, é possível que, finalmente, o NQS perca um mata-mata? Porque está ‘chato’ entregar medalhas para vocês (risos). Como fazer com que a motivação permaneça?
Nós fizemos algo no Nois Que Soma muito difícil de ter no futebol: juntar amigos verdadeiros bom de bola. Os meninos têm prazer de jogar e pagar para manter o NQS. Muitos ali já jogaram, tentaram ser profissional, ganharam dinheiro com futebol e ganham para jogar outros campeonatos por outros times. Todos ali não tinham motivo nenhum para tirar dinheiro do próprio bolso para manter um time de futebol, e por que eles fazem isso no Nois Que Soma? Porque amam o time e amam os amigos. Isso nos motiva e nos faz campeão.
Muitos sabem quem é o NQS e o Bollito, porém, poucos conhecem a história da criação do time. Passados 4 anos, qual seu balanço em relação à trajetória do time?
Tudo começou em 2011. Eu, Kazu e Marquinhos tivemos a ideia de montar um time para entrar no Chuteira (vontade e sonho maior era do Kazu, que já jogava o campeonato, porém, tinha vontade de ter seu próprio time, que viria a se chamar Mercenários). Montamos o time, cada um ajudava em uma parte e isso fluía bem; o time era bom, ganhamos uma Bronze e uma Prata. Porém, quando chegou na Ouro, algumas coisas foram mudando. Comecei a não concordar com algumas coisas, via que o princípio da ideia do time (Eu, Kazu e Marquinhos) não era mais o mesmo. No início da temporada de 2014 começaram de fato os desentendimentos, cheguei a sair do time e voltei, porém, já não era mais a mesma coisa. Nesse período, já tinha muita amizade com vários jogadores (Felipinho, Paulinho, Noal, Guto, Dezinho, Iago, Luiz, Uber, Markinnelas e Andrey). Fizemos uma viagem para o Guarujá em um feriado e lá decidimos que, se tivéssemos a oportunidade, criaríamos um novo time. E a oportunidade apareceu. Abriu uma vaga no primeiro Chuteira 5 às vésperas das quartas de final da Ouro, o Lucas (
Pires, organizador) havia permitido a entrada do Nois Que Soma no campeonato e poderíamos terminar a Ouro pelo Mercenários. Só que daí já era tarde. Foi um ‘diz que me diz’, discussão para tudo quanto é lado e elenco rachado. Nessa história, dez jogadores vieram comigo (os citados acima). Sabatim
(atualmente no Magnatas) esteve junto comigo à frente na criação do time; chamamos nosso amigo Fezão, o Luiz
(Minici) chamou o Tinho, que não jogava o Chuteira, e assim se formou o primeiro elenco do Nois Que Soma, que desde então ganhou tudo no Chuteira.
E depois de todo esse tempo e imbróglio, como você vê, hoje, sua relação com o Marquinhos? Não se pode negar que as desavenças te fizeram ser megacampeão. Existe alguma possibilidade de reconciliação?
Muito se diz da briga e separação do Mercenários, mas uma coisa eu digo: se em um elenco que tinha quatorze jogadores, dez vieram comigo, acredito que meu lado estava correto. Além do mais, hoje, com nossa amizade dentro e fora de quadra, além dos resultados incríveis, tenho ainda mais a certeza de que fiz o correto. Depois da segunda derrota seguida do Mercenários para o NQS
(3 x 1 na final da XXI Série Ouro; a primeira foi por 4 x 0 na decisão da XIV Série Prata), nunca mais vi ele. Morávamos no mesmo prédio, mas me mudei de lá, perdi o contato total. Não guardo mágoas nem raiva, esses sentimentos não são bons, mas prefiro que se mantenha do jeito que está: ele vivendo a vida dele e eu vivendo a minha.
O Bollito também tinha desavenças com outras pessoas do Chuteira. Por que tanta polêmica, meu querido? (risos)
(Muitos risos) não é bem assim. Amigos que fiz no Chuteira não consigo contar porque são muitos. ‘Inimigos’, conto em uma mão
(risos). Na realidade, tinha um tal de Luisinho
(Fernando, tricampeão da Ouro pelo Bengalas e atual jogador do HidroNG), com quem tive muitas discussões. Esse era o único ‘inimigo’ que eu tinha no Chuteira. Porém, depois da última final da Ouro, teve mais alguns jogadores (um que, pós-jogo, guardava o uniforme no guarda-roupa pois nunca entrava em quadra, e um atacante que ‘reforçou’ a própria equipe dele por estar suspenso na final
(risos)) que entraram na pilha de querer vir discutir comigo e levaram 4 gols para casa e um título de vice. Acontece, faz parte
(risos).
O NQS, com o tetracampeonato, tornou-se o maior time da história do Chuteira, algo inimaginável em pouco tempo – destronando o CAV, algo que nem mesmo você imaginou. Ou imaginou?
Sinceramente, sempre acreditei na força do nosso time desde o início. Claro que, com o subir das divisões, o nível e a dificuldade iriam aumentar, mas sempre acreditei, e sempre buscamos ser os melhores sem perder a essência. Nosso foco sempre foi ser o maior do Chuteira, e conseguimos. E, aviso, ganhem as outras divisões, porque a Ouro tem dono
(risos).
É complicado perguntar qual sua maior alegria no Chuteira, pois deve haver algumas. Então, farei diferente: o que você não levará na bagagem memorial do Chuteira para Curitiba?
Pô, Douglas, não tem o que não levar. Vivi muitos momentos com vocês. Durante 7 anos, praticamente todas minhas tardes de sábado foram lá. Levo comigo saudades, muitas saudades.
E aquele jogo NQS x CAV, duelo dos tetracampeões, quando vai rolar?
Pô, esse jogo seria legal. Duas grandes equipes, uma que deixou sua marca e nós que continuamos querendo fazer nossa história mais brilhante ainda. Só que há chances de que seja o jogo do tetracampeão contra o pentacampeão,né!!!
(risos) Estou na torcida para isso.
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