Se tem uma final em que o inesperado se deu, é esta da 12ª edição da Série Bronze. Quando todos esperavam o duelo final entre Só Risada e Raça – os dois melhores times da 1ª fase – surgem dois intrusos para atrapalhar a vida dos pais Dinás de plantão. Ou alguém em sã consciência apontaria o Roleta Russa Clássico como finalista no início da competição???
Na análise do início dos playoffs da Bronze, falamos de um Big Four (Só Risada, Raça, The Veras e Só Quem Sabe) e de como nenhum time tinha sido capaz de vencê-los em 9 rodadas (com exceção de um time). Pois não é que no mata-mata eles conheceram a derrota e estão eliminados?
O caminho do Roleta Russa Clássico foi de superação e sofrimento. 3º colocado no Grupo A (atrás, claro, de dois do Big Four), dono de uma campanha com 5v, 2e e 1d, mostrou-se um time dificílimo de se bater. Se na fase de grupos obteve vitórias suadas, apertadas, no mata-mata soltaram o botão de ataque e anotaram 7 gols sem sofrer nenhum em 2 jogos (4 x 0 pra cima do Corleone e 3 x 0 sobre o The Veras – e aqui caía o primeiro do Big Four!). Aí, nas semifinais, o tira-teima ante o Só Risada. O temível Só Risada, da melhor defesa do campeonato e ainda invicto. Na 1ª fase, um empate em 2 x 2 com o goleiro Leonardo brilhando. E não é que a igualdade se repetiu? Outro 2 x 2 no tempo normal e prorrogação. A decisão viria após 10 cobranças de pênalti, com uma bola na trave para o time soltar o grito de finalista. E outro membro do Big Four eliminado!
Do outro lado, o Império Celeste, também 3º colocado, só que do Grupo A. Quer outra coincidência com o Roleta? Nos 2 primeiros jogos do mata-mata, não sofreu gols. Bateu o Shakthar dos Leks por 4 x 0 e, após um 0 x 0 no tempo normal, anotou o gol de ouro e avançou ante o Só Quem Sabe (bye bye Big Four!). Aí foi a vez do temido Raça. E quer outra coincidência??? Outro tira-teima, já que os times também tinham empatado na fase de grupos (4 x 4)!
E o Império Celeste queria essa final. Lutou bravamente ante o Raça, esbravejou com juiz, brigou entre si, falou um monte, viu gol de empate com falta não marcada, mas alguma coisa ali manteve o time sob controle. Em tempos passados, alguns já teriam perdido a cabeça e posto tudo a perder. Quando do empate em 2 x 2, do banco alguns ensaiavam uma falação que poderia gerar expulsão e a derrota emocional (já se viu esse filme). Uma voz da arquibancada gritou: “Filho da p*, ainda tem jogo! Filho da p*, ainda tem jogo!” E tinha jogo mesmo, tinha tempo para a vitória, e o Império tinha Guedes. E quem tem Guedes pode esperar tudo! Bola na área no alto e lá foi o grandão empurrar a cabeça para a final! Explosão no banco, na arquibancada, e tudo graças a uma voz de consciência – um tanto quanto indelicada (ninguém é perfeito) – que tocou a alma daqueles que já queriam chutar o balde. O Império Celeste, sob as rédeas do controle emocional, é time que pode muito! E fez o que ninguém conseguia fazer desde o meio do ano passado – bater o Raça! E adeus ao último dos Big Four!
Roleta Russa Clássico e Império Celeste. Final improvável, a final daqueles que ousaram bater de frente com o Big Four e reescrever a história. Cada um despachou dois deles e mostrou seu valor. O Roleta Clássico, ratificando a posição de segunda força do clã roleta sem apresentar um destaque individual; o Império resgatando certa aura celestial perdida com a sequência de rebaixamentos e descontrole emocional.
O Império Celeste tem Guedes, MVP da competição. Porém, acima dele há um conjunto que funciona bem desde seu goleiro (Gamarra, em grande fase), passando pelo xerife Jonny, no melhor estilo Dirty Harry, até chegar ao capitão matador. O Roleta Clássico tem o mesmo conjunto e um goleiro fantástico. Brunão pode ser a referência técnica, mas a chegada de Douglas e Faustinho de trás transformam o time em uma arma poderosa de contra-ataque.
Entretanto, acima de tudo, de técnica, conjunto, tática, existe algo que une esses dois times e transforma assisti-los jogar num espetáculo à parte – transborda alma de cada jogador e membro da comissão técnica em campo. Não posso deixar de citar o técnico Vini, que a cada jogo eu fico receoso dele ter um ataque do coração (e ele também!). Do outro lado, Jonny, que não tem medo de cara feia, não tem papas na língua, não tem vergonha de dar bicão e não tem nenhuma vergonha de chorar e se emocionar. Vendo ele em campo ou no banco, é uma espécie de bomba relógio emocional, sempre prestes a explodir. Para o bem ou para o mal.
Independente de quem ganhar, certo é que haverá choro, de tristeza e de alegria. E existe coisa mais bonita no futebol do que a emoção extravasando diante da glória de uma vitória ou a tristeza da derrota?
Comentários (1)
- Pedro Guedes
jun 24, 2016Parabéns pela matéria, Lucas. Uma final cheia de emoções com certeza. Que vença o melhor. Vai, Império!!!