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Não há outra palavra para definir ver times de tradição em posição complicada, ao mesmo tempo em que “estreantes” de divisão seguem bem. Fogo de palha? Novas forças nascendo?

Tá certo que a confusão de times antes de o início das quatro divisões do Chuteira de Ouro complicou um pouco a bolsa de apostas entre jogadores, torcedores e simpatizantes. O sobe e desce entre séries acabou confundindo um pouco e, além disso, está forçando alguns fenômenos antes não visto: times de tradição que andam sofrendo, equipes já com uma certa experiência na liga surpreendendo, desconhecidos se tornando famosos e times adormecidos renascendo de uma forma postivamente assombrosa. E um divisor de águas acometerá a vida de todas agremiações na terceira rodada: será a hora de separar os meninos dos homens. Quem quer se divertir ganhando ou quem quer apenas curtição e sem ligar para resultados. Quem quer ser um campeão ou apenas um coadjuvante. No próximo sábado, 1/3 da primeira fase será completada. E a hora da verdade, exaltada.

Na berlinda, hoje, equipes acostumadas com a vitória. É estranho ver a tabela da Série Ouro e constatar que SNG, Bacana, Arouca e Fiorella navegam por mares complicados – próximos à zona de rebaixamento. Tá certo que o Bacana paga pelos erros de sua torcida na decisão anterior da divisão ante o CAV – começou com dois pontos a menos a competição –, e que o Fiorella tem um jogo a menos em função da chuva na primeira rodada. Mesmo assim, em outras épocas, essas quatro equipes estariam ou na dianteira ou no meio da tabela após duas rodadas. Pois é... outras épocas. O Bacana vem apresentando bom futebol e deve subir na tábua de classificação com certa tranquilidade. O Fiorella é incógnita, pois ainda não estreou no campeonato. Já Arouca e SNG...

Os mega-campeões enfrentam dificuldades nos primórdios do campeonato e estão sendo colocados em xeque pelos pífios desempenhos até o momento. O SNG, por exemplo, agora tem um comandante técnico, mas ainda patina. O Arouca manteve sua base e conseguiu se reforçar, mas ainda não encontrou a fórmula mágica que o levou a grandes conquistas. Na terceira rodada, terão adversários que tentam se firmar na Série Ouro: Med Taubaté e Só Resenha, respectivamente, irão medir se SNG e Arouca têm bala na agulha para buscar o título ou se apenas cumprirão tabela daqui para frente. Cumprir tabela, sim, pois os emergentes do Chuteira de Ouro estão mostrando grande potencial. Ou alguém esperava ver o Zenite dividindo a liderança com o campeão CAV no Grupo A? Ou até mesmo ver Acidus na ponta, e Mercenários como líder por pontos perdidos no Grupo B? Realmente a Série Ouro está esquisita, ou diferente, ou deliciosamente oculta.

Na semana passada foi destacado o péssimo início de Ras Time e Camaro em suas jornadas. Porém, na rodada seguinte, ambos venceram. Culpa da imprensa? Quer dizer que, após esta análise, na terceira rodada Fiorella, Bacana, SNG e Arouca vencerão? Pode acontecer, sim, mas não por culpa da injeção de ânimo fornecida por pessoas que levam informação e opinião aos leitores. Se acontecer triunfos dessas equipes, bem como de outros times que andam maus das pernas, será pelo comprometimento que cada jogador terá com seu patrimônio. Se pensar no melhor à sua agremiação, mais chances de vitória. Se pensar em não se ‘atracar’ com os árbitros e apenas aceitar o resultado final, mais chances de vitória. Agora, se o jogador pensar na cerveja pós-jogo, se pensar que o árbitro está agindo de má-fé, se pensar na balada da sexta-feira ou na que virá no sábado, sim, esse jogador será um menino no jogo dos homens.

Tornar-se gente grande não é fácil. Veja por exemplo o caso do Condor’s, na Série Prata. Era o maior sonho do time, que sofreu algumas temporadas na Bronze mesmo acolhendo um grupo de jogadores bons e alcançando um entrosamento invejável. Chegou, dentro do campo, a uma condição mais prateada. Hoje, não desperdiça a chance conquistada e brilha na liderança do Grupo A – ao lado do The Veras. Já sabe que, para ser grande, precisa pensar grande. É esse o pensamento a ser seguido. Pensamento partilhado pelo próprio adversário de liderança. Não é só o Condor’s que quer crescer, o Veras também quer. Para isso, manteve sua base de sempre, mas mudou um pouco seu jeito de jogar. Agora, a vitória deve vir à base de muito suor. Assim, mantem-se na ponta esperando sua chance de voltar à Ouro.

Imiscuindo-se, as forças da Prata vão dando um sabor especial à divisão. O Bufalos está voltando. E o Só Quem Sabe se apresentando. São os líderes da chave B e esperam, sim, por dias melhores. Mas não dá para deixar de lado o péssimo início do Elefantes Indomáveis. Time com prestígio no Chuteira, a ‘tromba’ anda murcha, não incomodando ninguém. Preocupa. E mesmo que o discurso de Douglas Latorre (ele não é o capitão do time e, sim, o goleiro Chacha) seja o de pregar diversão, ninguém gosta de ser taxado de ‘novo Haka’ da liga, afinal, ser saco de pancadas desanima e muito. Campeonato esquisito esse também...

A estranheza aumenta quando se toma ciência que o Roleta Russa é o líder do Grupo B na Bronze. Como assim estranheza? Sim, é a palavra correta para se destacar brilhante início de semestre. Tudo porque a antiga força do Chuteira quer voltar a ser grande. Manteve a base que vem jogando junto há alguns semestres (Guaraná na meta, Alemão e Preto na zaga, Ceron no meio e Folha no ataque), mas, principalmente, a direção pesada de Baru fez mexer nas estruturas do time. A filosofia ‘joga quem está comprometido’ é a melhor a ser adotada quando um time não quer ser mais menino. E com a fórmula da Bronze igualada à fórmula da Ouro e da Prata, o tiro curto que o Roleta precisava está em suas mãos. Só precisa manter o calibre em dia e a mira, no alvo certo. E não é somente o Roleta a ressurgir: fiquem de olho no Camelo, dois jogos, duas vitórias.

E assim o Chuteira de Ouro 2013 vai caminhando. Na Série Aço fica difícil apontar altos e baixos, afinal, trata-se de uma nova divisão. Mas que Lodetti, Exilados, Magnatas, Bengalas e Real Paulista Classic vão brigar pela vaga direta na Bronze via Grupo B, isso é uma certeza. Já no Grupo A, quem esperaria um Os Mostarda tão ardente? Pois a equipe de Cadu assimilou bem o fato de querer ser grande, e tornou sua chave estranha. Porém, esquisito mesmo é sentir que a segunda rodada desgastou algumas relações (a conversa de quase uma hora pós-empate com o Bacana não é comum ao Arouca, bem como não é normal o técnico Roberto Solcia sair de quadra no meio do jogo dizendo não treinar mais o CAV após novo conflito de egos com seu manager...). Mesmo assim, a mesma segunda rodada trouxe novas fórmulas e novas saídas para as mesmices de Chuteira de Ouro. Estranho saber que a terceira rodada vai acabar com alguns sonhos. Contudo, a mesma rodada trará novas lideranças para apimentar as divisões. A estranheza que nos move...
 
 
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