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Passada a euforia das conquistas, veio a realidade. E ela não foi tão generosa nas estreias de Ras Time e Camaro nessa temporada de 2013

Estreia é quase sempre complicada. Gera ansiedade, angústia, incerteza. Imagina então para quem está começando sua jornada em uma nova divisão, ou até em um novo campeonato? A probabilidade de acontecer todos os sentimentos citados em uma forma potencializada é grande. E aquela expectativa de começar com o pé direito pode correr diante da realidade: o buraco pode ser mais embaixo.

Quem provou desse chavão popular na rodada inaugural do Chuteira de Ouro foram Ras Time e Camaro. O primeiro, veterano de liga, debutou na Série Ouro e foi engolido. Já o segundo começou sua vida na Bronze e... também foi engolido. Perceberam que suas vidas não serão fáceis nas próximas oito rodadas caso queiram alcançar suas metas projetadas nesse início de jornada.

Tudo porque o objetivo principal sempre é precedido pelas pequenas barreiras impostas no caminho. Ao Ras Time, talvez seu alvo fosse mesmo alcançar a Série Ouro – independente da forma como alcançou a vaga (a partir de uma desistência). Mas já que chegou aonde sonhava, não deve querer fazer feio diante dos olhos das outras 79 equipes da liga Chuteira de Ouro, afinal, encontra-se no grupo de elite. E aqui cabe outra máxima de efeito devastador: fácil é chegar no topo, mas para se manter lá... Talvez o azar do Ras tenha sido enfrentar, logo em seu primeiro confronto dourado, o atual vice-campeão e máquina de fazer gols Bacana. Talvez porque realmente quem está na Ouro não irá encontrar facilidade. Ou alguém duvidava que a vida do Ras seria difícil caso o time encarasse, hipoteticamente, equipes sempre apontadas como forças secundárias, como Arouquinha e Fúria, na primeira rodada? Difícil alguém acreditar que há vida tranquila na Ouro.

Logo após o embate, já tomando sua cerveja e refletindo sobre o mau começo, Flash chegou a duvidar da força do Bacana – mesmo com o placar final em 9 x 4. Ou melhor, duvidar da virilidade contumaz da divisão. Falta de força no sentido de marcação. “Achei que o time deles deixa jogar mais e não pressiona tanto na marcação. Esperava uma Ouro mais pegada”, dissertou Flash. Mas as aparências enganam, afinal, o Bacana é o time mais ofensivo da Ouro no que tange a esquema tático, já que é a única equipe do Chuteira a jogar com apenas um zagueiro ao longo do jogo. Trata-se de uma exceção em um mundo repleto cada vez mais de marcação, força física e defesa. Se para Flash a Ouro não pareceu tão monstruosa assim, talvez ele mude de opinião quando encarar Arouca, Fiorella, Primatas... No próximo sábado mais um confronto complicado: o renovado Só Resenha, que despachou o Roleta Olímpico – até então favorito à vitória.

O Ras começa a perceber que para se manter na divisão terá de seguir as palavras que todo sábado o capitão do Acidus, Lói, profere: “Na Ouro, é matar um leão por sábado”. E ele tem razão, afinal, placares como os de Ras x Bacana ou Primatas x SPQSF são raros de acontecer em uma série deveras ‘casca grossa’. E as expectativas derrubaram outro estreante: o Camaro. Talvez tenha sido a maior surpresa da rodada a goleada acachapante sofrida pelo time do ‘carro amarelo’. No confronto ante o Roleta Russa, a equipe de Ceron e Folha aplicou um 9 x 5 fora da realidade das duas agremiações. Onde está a surpresa? Há, sim, um fator surpreendente. Ou melhor, dois fatores surpreendentes. Acompanhem como um mesmo placar pode direcionar alguns caminhos.

O Camaro disputou as duas últimas taças do festival As Quatro Estações realizadas no período de novembro até fevereiro: Taça Primavera e Taça Verão. Na primeira disputa acabou sucumbindo na decisão diante do bom Peneira (que, ao contrário do Camaro, começou sua vida com uma fácil goleada ante o TNT). Teve de entrar na Taça Verão para ver concretizado seu sonho de começar na liga Chuteira de Ouro pela Série Bronze. Na disputa por pênaltis, em mais uma final, derrubou o TáLigado e sagrou-se campeão. Eis aí a expectativa criada em cima de duas boas e promissoras campanhas. Mas a Taça não tem o mesmo peso da Liga, e o Camaro foi massacrado em sua estreia.

A partir daí vem o segundo fato inusitado a partir do placar de 9 x 5: quem venceu, e renasceu (pelo menos nesse início), foi o – de uns tempos para cá – achincalhado Roleta Russa. A equipe de Alemão caiu de produção nos últimos anos. Viu sua filial Roleta Olímpico formar uma equipe jovem, unida e habilidosa. Viu também sua outra filial – Roleta Russa Clássico – equiparar-se ao Roleta principal em termos de campanha – mesmo que sendo pífias. Ainda por cima vê seu principal rival histórico – Acidus – de volta à Série Ouro. O ‘Roletão’ caiu no ostracismo do Chuteira de Ouro. Daí a surpresa ao ver um placar tão elástico como o construído na quadra 9. O goleiro Guaraná até se queixou de que não o procuram mais para entrevistas. Se o barco do Roleta Russa continuar fluindo pelos mares dessa forma, não só o arqueiro como todos os outros jogadores serão requisitados em matérias ou para entrevistas.

O Roleta foi bem. E o Camaro, foi mal? Não, o Camaro foi péssimo. Pode ter havido ansiedade pela estreia? Pode. Pode ter havido ausência de jogadores no dia? Pode. Pode ter havido mais vontade por parte do Roleta? Pode. Só não pode é aceitar um placar tão gigante como o sofrido na rodada primeira, afinal, trata-se de um time advindo de um título. Se havia expectativa dentro do grupo de jogadores perante a estreia, é preciso pensar que também havia expectativa por parte de quem acompanha a Série Bronze pelo início do ‘carro amarelo’. Assim como havia expectativa sobre os começos de Peneira, No Bid (que também decepcionou) etc.

A vida dentro do Chuteira é dessa forma: não é fácil para ninguém. 
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