Palestrinha da Catarina e Coringa tiveram paciência e vão decidir a Bronze; Mercenários e Zenite chegam igualados à final da Prata; e no principal jogo de todo o Chuteira de Ouro ao longo do semestre, a vibração pode fazer diferença na decisão da Ouro entre CAV e Bacana
No próximo sábado as três divisões do Chuteira de Ouro apresentarão novos campeões. Independente de quem vier a vencer, o caneco ficará em boas mãos, afinal, chegaram as equipes mais regulares durante todo semestre. Não quer dizer que seria injusto se Mulekes, Fiorella, Med Taubaté, Roleta Russa Olímpico, Báguas e Condor s estivessem na decisão de suas respectivas divisões. Porém, o que faltou a estes times sobrou a Bacana, CAV, Mercenários, Zenite, Palestrinha da Catarina e Coringa: psicológico em dia. Assim, a maturidade demonstrada em quadra determinou que os torcedores presentes ao PlayBall no dia 15 de dezembro terão jogos emocionantes e, principalmente, de qualidade.
Na Série Ouro, principal divisão do Chuteira, chegam dois times cujo seus comandantes não escondem suas obstinações: o título e a coroação na divisão mais acirrada do campeonato. Marcelão, pelo Bacana, e Caio Fleischmann, pelo CAV, sempre demonstraram o desejo mútuo antes de o certame começar. O Bacana sofreu ao longo do campeonato com a falta de elenco; já o CAV, não, porque montou dois times de Ouro em seu cast. O Bacana comeu o pão que o diabo amassou com a desconfiança de outras equipes, e por que não, do seu próprio manager – que apostava que o time brigaria para não cair; já o CAV, não, porque sempre fora apontado como um dos semifinalistas desde antes o início do torneio. O Bacana passou sufoco com suspensões e contusões de jogadores importantes; já o CAV foi o time fair play da divisão – nenhum suspenso em todo o certame.
Teria o Bacana, portanto, alguma chance frente ao CAV nesta decisão? Com certeza! Afinal, ao CAV falta-lhe um detalhe de suma importância em uma fase decisiva: vibração. E o Bacana tem de sobra. Se alguém tem dúvida se é melhor montar um time de amigos ou um time de boleiros, a final do XIV Chuteira de Ouro é um prato cheio a um estudo acadêmico e um grande passo para sanar a interrogação. Afinal, se o CAV vencer, prova que times montados com jogadores que não se conhecem pode dar certo – desde que haja pulso firme de quem comanda e planejamento. Agora, se o Bacana for o campeão, muitos irão dizer que time de amigo é muito melhor e sempre terá vantagem. Nas semifinais, a união do Bacana superou o forte Mulekes; e a frieza do CAV passou pela barreira imposta pelo Fiorella. Na final, será campeão quem souber dosar os dois conceitos: quente e frio.
Passando à decisão da Prata, muitos esperavam que o Mercenários faria a final ante o Roleta Olímpico. Mas o time de Kuminha foi todo remendado à semifinal contra o Zenite e deu adeus às chances do primeiro título da família Roleta Russa no Chuteira de Ouro. Mesmo assim, os meninos do Olímpico venderam caro a derrota. Foi apenas no gol de ouro, após empate em 1 x 1 no tempo normal, que o Zenite alcançou a final. De forma merecida, sim, mas a equipe não vem demonstrando bom futebol – o mesmo que o levou à segunda posição do Grupo A na fase de classificação. Sofreu para bater o The Veras nas quartas de final e, na semifinal, contou com a sorte para estar na final. Mais ainda: alguns jogadores começam a demonstrar confiança excessiva (a mesma apresentada pelo DPGamos antes do jogo fatídico contra o Os Mostarda, na última rodada da fase de classificação da Bronze). Aqui reside o perigo ao time, e também, a esperança do Mercenários.
A melhor equipe de todo o VIII Chuteira de Prata até o presente momento faz o inverso do adversário da final: os jogadores têm os pés no chão e sabem que, quanto menos retórica agora, mais chances de aproximação do título terá. E olha que o Mercenários poderia se gabar diante do Zenite, afinal, a equipe da auxiliar técnica (ou seria técnica mesmo?) Dani Reina nunca perdeu para o time de Negão. Mas os erros cometidos no passado trazem um momento de cautela e concentração ao Mercenários, que tem um conjunto de maior qualidade e que tem como meta a objetividade. Traçou o plano de chegar à Ouro e conseguiu. Traçou o plano de alcançar a final e chegou até ela. Traçou o plano para ser campeão. Tem tudo para ser. Não é o favorito, mas tem a cara e o coração de um campeão. Quem sentiu isso foi o Med Taubaté, que sucumbiu no gol de ouro diante de uma equipe amadurecida.
Falando em amadurecimento, o Coringa chegou à decisão da Bronze. Merecidamente. O planejamento feito por Léo Cidrão e Maurício antes de a bola rolar no certame é de causar inveja às demais agremiações. Tiveram foco desde o princípio e souberam levantar a cabeça mesmo em momentos adversos. O Coringa está na decisão por merecimento, afinal, jamais desistiu. Perdeu ponto na tábua de classificação por conta de invasão de quadra de torcedor, mas ergueu a cabeça e continuou. Empatou um jogo que estava praticamente ganho ante o DPGamos na fase de classificação, mas não desanimou e continuou sua perseguição ao então líder. Conquistou a vaga na Prata, mas obteve outro foco, no caso, o caneco. Está na decisão porque montou uma equipe competitiva, com Farias, Renatinho e Rafinha Carvalho jogando muita bola, e porque não conta vantagem antes da hora.
Só que igualmente à equipe, o novato Palestrinha da Catarina também quer ser campeão. A máquina mortífera de fazer gols voltou a funcionar na semifinal. Jogando com um ataque arrasador, sob o comando do bom camisa 7 Lukinhas e com o apoio dos meias - principalmente Hiro –, o Palestrinha soube explorar a cabeça quente de alguns jogadores do Báguas e, na base dos contra-ataques, matou a partida. Foram toques envolventes que desconcertaram a marcação adversária. E ainda agradecem o nervosismo do Báguas. Com o placar final em 4 x 3, fica a pergunta: e se os dois jogadores do Báguas que tomaram azul infantilmente, por conta de uma reclamação acintosa de uma reversão em cobrança de lateral, não tivessem perdido a cabeça? O Palestrinha valeu-se do destempero laranja e soube impor seu ritmo alucinante de ataque. Mereceu a vaga na final.
A partir de agora é separar os meninos dos homens. Separar quem bebe leite de quem bebe cerveja. A quadra 14 será palco de três decisões ímpares. Apontar favoritos é dar tiro no pé. No máximo, consegue-se apostar nos prediletos de coração – não em favoritos. Coringa x Palestrinha da Catarina às 13h30min. decidindo a Bronze; Mercenários x Zenite às 15h valendo a Prata; e a grande final será às 16h30 entre CAV x Bacana, válido pela Ouro. Finais de arrepiar, e com times para admirar. Os campeões podem ser qualquer um. Só não podem tirar o brilho de um semestre repleto de lances bonitos, de muita bola na rede, de muita cerveja, de muita emoção.
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