Na base do entrosamento do grupo, Bacana fez história no último sábado, assim como o Condor s. Com a presença em massa do elenco, fica complicado de o time perder o embate
“Com nosso time completo, fica difícil ganhar de nós”. Esta frase, proferida ainda nas rodadas finais da fase de classificação por Marcelão, técnico do Bacana, dá a dimensão não só da grandeza do resultado obtido pelo time ante o atual campeão Arouca nas quartas de final: mostra a todos que confiança e determinação podem, sim, fazer a diferença em uma fase tanto cruel quanto alentadora como essa de mata-mata.
O Bacana fez história por conta do entrosamento de seus jogadores, mas, principalmente, por conta da vontade de alçar voos mais altos – do que simplesmente aqueles voos alcançados até agora. Resumindo: a síndrome de nunca chegar ao topo tem de ser erradicada de vez. E a chance é agora.
A situação da equipe é idêntica à vivida pré-título pelo Arouca. O time amarelo e azul sempre vinha de boas campanhas. Mais além: os jogadores do elenco gostavam muito da competição, e o título seria a cereja de um bolo confeccionado há muito tempo, por várias mãos. A obstinação pelo caneco foi grande, tanto que no primeiro semestre de 2012 eles acabaram com a síndrome de perdedor que já começava a acompanhar a equipe. Para isso, apostaram na base que vinha jogando junto e se reforçaram. Mais que isso: trabalharam o lado psicológico, e enfim levantaram a taça. O Bacana começa a seguir os mesmos passos da sua vítima das quartas de final. E tem tudo para estar em mais uma decisão de Chuteira de Ouro.
Quem conhece o mundo do campeonato já ouviu, em algum momento, o desejo de Marcelão: o título da Ouro. Trata-se de um manager dedicado ao que faz (tanto que comanda dois times), e também, um ousado técnico. É que o Bacana joga um futebol ofensivo, com apenas um zagueiro na maioria dos seus jogos. Conta, ainda, com jogadores de qualidade, como Demehur e Rômulo, dupla que inferniza as zagas adversárias há muitos certames. E o principal: quando há unidade, é difícil os derrotar. Completo, o Bacana se transforma em uma máquina ofensiva, que visa o gol nos 50 minutos de jogo. E, ainda, sabe se defender como poucos. O time conta com bons defensores e, também, com um goleiro inspirado: o já MVG do campeonato, Daniel.
Pela frente, o Bacana terá o Mulekes, em uma semifinal que promete ser de ataque contra... ataque. Sim, as características dos times são parecidas, ou seja, quem comparecer à quadra 5 no próximo sábado terá um espetáculo à parte. E com os times completos, a decisão para saber quem vai para a final deverá ser épica – na verdade, será nova revanche da final de um ano atrás, quando o Mulekes se sagrou campeão em cima do Bacana.
Ter o time completo é o maior problema, mesmo em uma fase decisiva – na qual aquele jogador que compareceu pouco durante a campanha faz questão de largar a namorada em casa para ajudar os companheiros. Nunca é previsível saber se um compromisso fora do Chuteira pode tirar um jogador dos embates de sábado. Por exemplo, há rumores que Gian, cerebral meia do Mulekes, pode não jogar. Não é o caso de enfraquecimento do time, caso se confirme, mas que a partida terá outra dimensão, terá.
Um jogo que traduziu bem o que é ter o elenco completo em uma decisão foi Só Quem Sabe x Condor s, valendo a terceira vaga do dia nas semifinais da Bronze. Sem dúvida, realizaram a melhor partida de todo o Chuteira de Ouro no segundo semestre em termos de emoção. O embate acabou em 1 x 1 no tempo normal e em novo empate sem gols na prorrogação. A pelota teimava em não entrar. Ora pegava na trave, ora nos zagueiros, ora esbarrava nos erros de finalização. O maior volume nos ataques foi do Condor s, mas o SQS também chegou várias vezes e... faltou o matador. No caso, há a dúvida: e se o artilheiro do time, Serjão, estivesse em quadra, o placar seria o mesmo? O SQS não contou nem com o goleador e nem com seu manager, Ricardinho Mezadri. Completos, a história poderia ter sido diferente. A prova é o próprio Condor s: estava completo.
O goleiro-artilheiro Quintanilha reapareceu depois de alguns jogos afastado e garantiu a passagem da equipe às semifinais – e à Série Prata – nas cobranças de pênaltis, defendendo a 11ª tentativa do SQS. É certo que Bomba, Bruninho e Coloral não estiveram em quadra, mas só a presença dos dois primeiros incentivando o time do lado de fora já fora suficiente para contagiar os outros jogadores. Unidade é isso: ajudar a equipe independente das situações. Com os times completos e com a cabeça no lugar, qualquer uma das 12 equipes que entrarão em quadra valendo as semifinais pode ser campeã. Ou alguém ainda tem dúvidas de que não existem mais zebras na fase atual da competição? A partir de agora todos estão sendo observados. Todos deverão trabalhar, e bem, suas cabeças.
A unidade é encontrada em todos os times. CAV e Fiorella se enfrentam no outro jogo de semifinal da Ouro. Duas equipes entrosadas e com foco no título. Há unidade. Roletinha e Zenite de um lado, Mercenários e Med Taubaté do outro. Quatro times entrosados e com foco no título. Há unidade, também. O Coringa duela contra o Condor s, e os novatos Báguas e Palestrinha se encaram na luta para chegar à final da Bronze. Todos entrosados. Há unidade em todos eles. O diferencial, a partir de agora, será o psicológico. E, claro, a presença de todos do elenco. Não é só ao Bacana que deve funcionar a expressão "com o time completo...". Estar completo é a garantia de entrega, de raça, de paixão. O resultado positivo pode não chegar. Mas sair de cabeça erguida de quadra é o prêmio principal para quem é, acima de tudo, apaixonado por este esporte que nos move, o futebol.
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