Em 2010, equipes fizeram a grande decisão da Série Ouro. Após dois anos, as situações são distintas: o tricampeão pode não avançar à fase mata-mata, e a equipe celeste pode cair para a Série Bronze
Na 10ª edição da Série Ouro (disputada no segundo semestre de 2010), SNG e Fora de Série (FDS) chegaram ao ápice de qualquer campanha: a grande final. Foi uma decisão, até certo ponto, inusitada. De um lado uma equipe acostumada a títulos no Chuteira, mas que amargava dois vice-campeonatos seguidos, até então: o SNG. Do outro lado, aquele que foi considerado o patinho feio da final: o FDS. O resultado, claro, importava às equipes, principalmente se fosse positivo. À competição, não importava muito quem vencesse, já que a decisão trouxe de volta um megacampeão e fez emergir outra equipe que se tornaria sinônimo de pedreira dali por diante. O título ficou com o SNG, que fez uma segunda etapa irrepreensível e massacrou o adversário por 5 x 1. Mesmo assim, ninguém saiu triste da quadra 5 naquela tarde do dia 18 de dezembro.
Dois anos se passaram e os protagonistas da decisão voltam a ser destaque, e novamente de forma parecida. Mas, ao invés de alegrias, o sentimento que se passa nos times, hoje, é de angústia. As respectivas situações são delicadas, sobretudo a do FDS. O time de Rica pode amargar, pela primeira vez, o fato de disputar a Série Bronze em 2013. Já a equipe de Biro está em situação menos desconfortável – não tem chances de cair –, mas está próximo de um momento inédito, o de não se classificar à fase mata-mata pela primeira vez no Chuteira de Ouro. Com certeza os managers das equipes e os jogadores que protagonizaram aquela decisão de 2010 prefeririam um momento mais harmonioso para a reta final da fase classificação. Não terão.
O SNG é, hoje, a equipe mais tradicional do Chuteira de Ouro – talvez ao lado do Fiorella Brasil. Não somente pelo tempo de casa, mas pelas conquistas obtidas ao longo de quase 6 anos de história no Chuteira de Ouro. Sempre que os grupos são sorteados, há um temor em encarar o SNG na fase de grupos por outras agremiações. Esse respeito é o que move, hoje, o time, porque o futebol demonstrado pela equipe laranja e preta até agora vem deixando seus torcedores preocupados. O risco de uma eliminação precoce nunca foi tão grande. E os principais jogadores sabem disso. O semblante de desassossego estampou os rostos de Fabinho, Sampa e Biro – após empate conturbado ante o Jeremias. O SNG não consegue repetir sua fórmula de sucesso: a experiência de seus jogadores aliada à habilidade e entrosamento do elenco.
Na final de 2010, muitos foram os destaques, mas que hoje são apenas reminiscências de uma equipe temida. Ronei, o melhor jogador daquele torneio, não apresenta seu bom futebol, que alia técnica e rapidez; a zaga, que conta com Leo e a chegada de Fernando Forte, ainda não encontrou um modo de marcar melhor após contusão de Allan; os goleiros, são três no elenco, ao contrário do planejamento, são uma tormenta à equipe, já que Sampa ficou várias partidas fora e Baki, reserva imediato, não tem comparecido ao PlayBall; e o artilheiro Renê anda em baixa, cabisbaixo. A fórmula do SNG não é mais a mesma, no momento. Porém, se alcançar a classificação, dará muito trabalho aos concorrentes ao caneco. O SNG não é mais o time a ser batido – este posto é ocupado pelo atual campeão Arouca, que há algumas temporadas roubou a atenção do time de Abelha. Mas, tirar a força de uma equipe acostumada a vitórias pode ser uma cilada. Vide o CAV no torneio passado, que não viu a cor da bola nas quartas de final.
Mesmo o time se encontrando em uma situação adversa como agora, jogar contra o SNG sempre traz um certo glamour a qualquer equipe. Basta perguntar ao manager do É Verdadeee, Gavião, que se lamenta até hoje o fato de ter cumprido suspensão justamente contra a equipe multicampeã. Esse respeito é o que move o SNG, e também o FDS, que vai se despedindo da Série Prata de forma melancólica. É consenso entre a maioria das pessoas que o time de Clebão é bom, portanto, o que acontece para estarem tão mal? E a indagação tem sentido. O esqueleto do time continua lá: Rica e Argentino na zaga, Rezende e Rodrigo Cunha fazendo o meio, Du Formiga no apoio, e Clebão no coringa, dentro e fora de quadra. O que diferencia o FDS de 2010 para este momento é o comando de ataque.
A equipe sempre teve a filosofia de apostar em uma defesa forte e partir aos contra-ataques. E nessas descidas, tinha um finalizador à altura da competitividade e entrosamento da equipe. Na ocasião da final, era Orley o atacante que balançava as redes adversárias. Ele saiu do FDS para jogar no Arouca. E parece que levou consigo mais da metade do futebol da equipe azul. O FDS não conseguiu repetir a fórmula que o levou ao vice-campeonato da Série Ouro – seu momento mais sublime dentro do Chuteira de Ouro. Tudo porque não encontrou um matador que pudesse fazer a função que Orley exercia. Nesta edição da Prata o martírio permanece, e deixa os simpatizantes do time estarrecidos. Lói, xerife da zaga do Acidus, sempre pergunta "aonde vai parar o FDS?". Com a atual campanha e a falta de sorte que acompanha o time, o destino bate à porta da Bronze. O Fora pode ser o segundo time da Ouro a chegar à Bronze, coisa que fez o Roleta Russa no semestre passado.
Porém, nada está perdido. Basta uma vitória simples ante o rival direto na luta pra fugir da degola, o Maciota´s, e torcer para um tropeço do Allianza Sagrado contra o Cabeça Rachada. Mas aí reside o maior problema do FDS: vencer, algo até então inédito neste certame. O alento é que nenhum de seus concorrentes diretos na fuga do rebaixamento venceu também. Se o FDS não tiver cabeça no lugar, dificilmente escapa do rebaixamento. E a mesma sugestão cabe ao SNG, que vai decidir sua vaga justamente contra a outra equipe tradicional de Chuteira, o já classificado e líder invicto Fiorella. Ou seja, é preciso que, nessa rodada final, SNG e Fora façam coisas até então inéditas na competição: o Fora de Série tem de vencer, o Fiorella tem de ser derrotado.
Cabeça fria e coração quente, dois sentimentos que podem fazer SNG e Fora de Série voltarem a ser protagonistas, de forma positiva, e escapar de um fiasco enorme para o tamanho da tradição de cada um deles.
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