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DE OLHO NA RODADA # 04 – O RENASCER DAS TRADIÇÕES

Na rodada 4, DPGamos e Fiorella renascem no Chuteira e querem acabar com qualquer prognóstico antes feito; já outros times de tradição ainda patinam em suas divisões

Quando Daniel Fischer, técnico do DPGamos, encontrou Douglas Almasi, um dos organizadores do campeonato, em frente à quadra 8 – após triunfo do DP – logo lhe deu um forte abraço e proferiu: "Eu te falei que a gente não ia perder para o Palestrinha!". A rodada 4 do Chuteira de Ouro teve muitos gols e muitos resultados finais importantes, como a grande vitória do Arouca em cima do CAV; os triunfos suados de Mercenários e Zenite, colocando-os em pé de igualdade para o embate do próximo sábado; o massacre do Primatas contra um ex-campeão; ou até mesmo o passeio dado pelo Acidus sobre o Cabeça Rachada. Mas nenhum resultado foi mais expressivo do que a vitória do DP sobre o Palestrinha da Catarina por 7 x 5. Expressivo não só porque era um confronto direto, mas também foi um momento divisor de águas na vida de um dos times mais folclóricos do Chuteira – mas que quer ser respeitado.

Desde que caiu da Série Prata para a Bronze, em 2011, tanto Daniel quando seu irmão Denão tem como obsessão a volta à divisão de onde eles nunca deveriam ter saído – pelo menos na opinião de ambos. Porém, as temporadas vividas na Bronze deram uma certeza não só aos irmãos Fischer, mas também a todos que conhecem a fama do time: o DP não tinha time para subir e, se um milagre desse a vaga à equipe, bateria na Prata e voltaria. Não é o caso, neste momento. O DP tem o seu melhor início de temporada desde que ingressou no Chuteira. São 4 partidas, e o time soma 10 pontos. Um começo fantástico para um time que... bem, nem era considerado um time. Quase ninguém aposta no DP quando os bolões para o Chuteira são feitos. Quase ninguém , porque Dani Fischer sempre acreditou.

Para fazermos uma simples análise do time: o próprio Dani saiu das 4 linhas para atuar como técnico da equipe; foi mantido o zagueiro e capitão Zeca, um verdadeiro xerife na proteção da zaga; recrutou dois jogadores esquecidos em outras equipes, BB Chapeleiro (XTJ) e Will Eirado (Irado’s); conta com a excelente fase de Kaká, um dos destaques do XTJ na campanha que o levou à Prata no semestre passado; apostou no problemático, mas bom jogador, João Corazza; e comprou uma briga pelo passe de Richard Souza, que quase foi para o Acidus na entresafra. Estes pontos citados, juntos, estão fazendo com que o DP cresça a cada partida dentro do certame. Uma campanha que o deixa em condições de sonhar com a vaga direta à Prata. Mas alguns fantasmas deverão ser exorcizados caso a meta do time seja a primeira colocação do Grupo B.

É que o DPGamos tem a ruim fama de ser o time Robin Hood , ou seja, tira pontos dos fortes, mas entrega aos fracos. Aconteceu tanto em outras edições da Bronze quanto nesta mesma temporada: apenas empatou com o vice-lanterna Opalas, custando 2 pontos importantes à equipe. Se a equipe não tivesse perdido esses pontos, seria o líder da chave – colocando pressão em cima dos favoritos Coringa e Palestrinha. Neste sábado, o DP terá uma nova chance de se livrar da pecha de Robin Hood do Chuteira : tem pela frente o jogo mais fácil entre as 3 equipes mais bem colocadas do grupo, o Derrubada. Mas o time de Garotto e Pedro Mé faz, talvez, sua melhor campanha desde sua entrada no Chuteira. Apesar de não ter vencido ainda, perdeu apenas uma vez – foram 3 empates! Ou seja, problemas à vista para o time que rouba dos ricos, mas cede aos pobres.

Outro time que renasceu dentro do Chuteira de Ouro e que faz uma campanha sensacional neste início é o Fiorella, na Ouro. Quase ninguém assiste aos jogos do time, uma vez que, por questões profissionais, jogam sempre no fim do dia. Porém, o Fiorella sempre está no bolo de times que se classificam à fase final. Nesta temporada está fazendo mais: é tão 100% quanto o Arouca. A receita da equipe é simples: os irmãos Rogerinho e Tiago, este conhecido como Tigu, são os motorzinhos no meio de quadra; a precisão e competência de João Paulo Arcanjo no comando de ataque; conta com as boas partidas de Edson Claro (apesar de pouco ter aparecido neste semestre); trouxe um camisa 9 competente, Mauricio Leal; e tem em seu técnico seu porto-seguro , já que a experiência no Chuteira de Ouro de Ricardo Tavano tem de ser levada em conta.

O problema do Fiorella é diferente do problema do DP. Se este último tem complexo de gente grande, o primeiro tem a sina de ir bem até a metade: o carma do Fiorella são os mata-matas. Faz tempo que o time faz boa campanha na fase de classificação, mas cai na fase final. Isso é um caso de estudo, inclusive, já que o Fiorella, pouca gente tem ciência, está na galeria dos campeões da Ouro. Assim, também precisa exorcizar seu fantasma: o da morrer na hora de matar. A equipe é temida e respeitada por todos no Chuteira, mas precisa começar a se respeitar. Por enquanto, tem feito isso com maestria.

Se equipes tradicionais como DP e Fiorella renasceram após 4 rodadas, o mesmo não se pode dizer de Fora de Série, Bacana e Real Paulista. Trata-se de times que, antes mesmo do sorteio para a composição das chaves, carregavam o status de pedreira . Não é o que acontece na prática. A situação mais crítica é a do Real Paulista. Classificado como força para a liderança de seu grupo, o time do goleiro Alemão amarga a lanterna da chave A, e sem muita perspectiva de reação. Um momento delicado à equipe, que está minguando a cada rodada.

As situações de Fora de Série e Bacana não estão tão distantes: ambos frequentam a zona de rebaixamento de suas divisões. O problema maior é que, diferente da Bronze, não há adversário ideal para começar uma reação: todos os jogos na Prata e na Ouro são complexos. Restam apenas 5 jogos para estes times provarem que ainda são a força apontada no sorteio dos grupos. 5 jogos para todos renascerem, igual a DP e Fiorella. Ou, pelo menos, para renascerem na surdina, como a Fênix eterna do Basicus, que quer beliscar uma vaga na Prata – e (quase) ninguém está enxergando.
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