Grupo B da Prata se mostra o mais equilibrado do Chuteira de Ouro e prova que apontar ‘grupos da morte’ antes do tempo pode ser um caminho perigoso
Três pontos separam o líder do Grupo B da Prata do nono colocado. Parafraseando e adaptando uma célebre frase do ex-presidente Lula, “nunca antes na história” do Chuteira de Ouro teve um grupo tão equilibrado como este – pelo menos no início. Afinal, o XTJ – nono na tábua de classificação – pode sair da zona de rebaixamento direto ao grupo dos que se classificam à próxima fase já na próxima rodada. Ou seja, o equilíbrio é enorme no grupo que era apontado como "o mais fácil", numa comparação com a chave A.
Quando foi realizado o sorteio da composição dos grupos, o som uníssono era: o Grupo A tem Mercenários, Império, Acidus, Veras, Cabeça etc., ou seja, seria o mais complicado. Apontavam apenas o Maciota´s como franco favorito a cair para a Bronze. Em detrimento, o Grupo B seria mais tranquilo para o Roletinha abrir caminho de volta à Ouro. Não está sendo uma verdade. Pelo contrário, após 3 rodadas, vemos um Grupo B acirrado. Sim, o Roleta Olímpico, mesmo caindo diante do XTJ, ostenta a liderança do grupo, ainda. Mas graças às derrotas diretas de times que estavam em sua cola.
Foi o caso do Bufalos. O time de Frika e Dinho estreou com duas vitórias e pavimentava seu caminho para a disputa com o Roletinha pela primeira posição do grupo. Tudo estava indo muito bem – inclusive com o revés do rival direto na partida anterior. Porém, não contavam com a força mental do TCM, que acertou um 4 x 2 desconcertante e tirou do adversário a chance de liderar isoladamente o grupo. De quebra, garantiu o equilíbrio da chave. São justamente times como o TCM a instalar a igualdade e emoção no grupo. O time do Marcião vai brigar até o fim pelas primeiras posições – quem sabe não belisca um vaga na Ouro vencendo o grupo.
Outra equipe que ‘embolou o meio de campo’ da chave B foi o Elite. Talvez seja o time mais tachado de ‘meia-boca’ no Chuteira de Ouro inteiro. Essa pecha o acompanha desde a Série Bronze – inclusive na temporada em que foi vice-campeão e chegou à Prata. Entretanto, o que se vê é um time aplicado taticamente, entrosado, e com jogadores interessantes, como o raçudo Rafa Gomes e o habilidoso Manza. E ainda contava com o ‘matador’ Papai do Axé, que tinha mais panca de treinador do que de atacante. Mas, esse “time dos tiozinhos joga muita bola”, como disse uma vez BB Chapeleiro. Sim, o Elite tem uma boa equipe e ajuda na manutenção do equilíbrio neste grupo.
São 5 times com os mesmos 6 pontos (Roletinha, TCM, Elite, Med e Bufalos), e só não teve o NGM se juntando a eles porque uma confusão envolvendo um suposto apito custou dois pontos à equipe. No duelo contra o Ras, o time de Messi parou e... lá se foi a vitória. Mesmo assim, o empate serve para mostrar que o equilíbrio é a tônica do grupo. Equilíbrio que não se enxerga em nenhuma outra divisão.
Falamos na semana passada que duas rodadas ainda são insuficientes para cravar qualquer prognóstico. Dizer que a partir da 3ª rodada já é possível fazer apostas é um pouco mesquinho, mas também não se pode ficar esperando mais rodadas para projetar quem sobe e quem desce. Até porque se trata de certames de tiro curto. Hoje foi a 3ª rodada, amanhã é a 4ª, depois a 5ª, e quando menos se espera já chegou a rodada final. Ou seja, no Grupo B da Prata, quem está lá em baixo tem todas as condições de alcançar a ponta em duas rodadas. No caso dos outros grupos, de outras divisões, não.
Na outra chave da Prata, por exemplo, dificilmente a briga pela liderança sairá das mãos de Mercenários e Zenite – os dois melhores times do grupo até o momento. Muitos dirão que o Inflação e o Cabeça Rachada – e por que não o The Veras? – ainda têm condições. Mas o fator psicológico começa a prevalecer. O Mercenários, por exemplo, já derrotou 3 candidatos diretos à vaga na Ouro. Na teoria, já se livrou das equipes mais fortes do grupo. Vai precisar, agora, provar que chegou a sua hora e não tropeçar nos times que estão na rabeira. O primeiro desafio deste tipo será no próximo sábado, ante a pedra no sapato Maciota´s.
Nas outras divisões não há tanto equilíbrio. Quem se aproxima disso, talvez, é o Grupo A da Bronze, no qual 3 times dividem a liderança e a diferença do líder para o 10º colocado é de apenas 4 pontos. Mas, se for para falarmos de equilíbrio neste grupo, então, é bom ficarmos apenas com quem disputa a primeira posição: Condor´s, Báguas e Basicus começam a despontar como favoritos à vaga na Prata. No Grupo B, caminho livre para o Palestrinha brigar (na bola) com o Coringa pela liderança – mesmo com o bom início de temporada de DPGamos e Roleta Russa.
A diferença mais contundente entre a Prata e a Bronze está no número de rodadas. O equilíbrio demonstrado no Grupo B prateado é algo ímpar – nem pode se tomar como parâmetro. Mais 3 rodadas e as duas chaves da Bronze já terão bem definidas suas situações. No caso da Prata, as definições podem ocorrer na penúltima rodada apenas. O Grupo A, antes apontado como o ‘grupo da morte’, parece se encaminhar para o ‘grupo de dois times’, é verdade. Porém, o Grupo B, após a rodada 3, ganhou demais em emoção. Talvez o encanto se acabe já no próximo fim de semana. Ou não.
Um cenário hipoteticamente difícil de ocorrer – mas crível – seria uma vitória do XTJ contra o Diabos Negros e empate nos outros 4 jogos do grupo. Pronto. Uma combinação dessas traria mais emoção a uma chave já excitante. E provaria a todos que estavam no sorteio das composições das chaves que ‘grupos da morte’ só existem quando o certame acaba. Qualquer previsão é passível de mudança. No caso da Prata, a mudança de equilíbrio entre os grupos já ocorreu.
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