Duas rodadas já se foram e, junto a elas, uma certeza: tem muito time que precisa alcançar sua independência, senão, é mudar de divisão em 2013
As Séries Ouro e Prata são de um tiro curto em sua primeira fase. Ou seja, se bobear, dança. Diferente da Série Bronze – com 11 jogos –, nas duas principais divisões do Chuteira de Ouro são realizados apenas 9 jogos para consagrar ou desgraçar um time. E a turma que se encontra na zona de descenso já ligou o sinal amarelo. Não são duas rodadas iniciais a determinar se uma equipe é favorita ao caneco ou candidata a trocar de divisão, mas duas rodadas são fundamentais para fomentar ainda mais os rumores sobre times que "fatalmente cairão" – segundo palavras de muitos jogadores nos corredores do PlayBall.
Essa é a independência que algumas agremiações precisam alcançar imediatamente: provar que estão em suas divisões por mérito – não por acaso. Exemplos bons são Fúria e MachuPichu. O time da família Motta aparece na principal divisão do torneio desde 2010. Já são 5 semestres disputando espaço com grandes equipes. Porém, a equipe oscila entre uma campanha não fede, nem cheira , e os constantes embates contra a zona de rebaixamento. No XI Chuteira de Ouro, escapou da degola na última rodada ante o Bacana. Mais de um ano depois, parece não ter forças para sair da posição incômoda vigente. Vide o massacre na rodada da Independência: derrota acachapante por 10 x 5 contra o campeão Arouca. Muitos podem atribuir a goleada ao feriado; mas, independente da data, o fato é que a defesa do Fúria já levou 17 gols em 2 jogos apenas!
A defesa, que era sua principal arma, está virando seu calcanhar de Aquiles. Times que enfrentavam a equipe de Fábio Caruzo sempre destacavam o quão chato era o Fúria, por marcar sob pressão e nunca desistir de um lance. Porém, parece que a fúria transformou-se em apatia. A equipe se desconcentra com uma frequência antes não vista; perde bolas, ou em passes errados ou em arremates sem precisão, com maior volume; ainda não assimilou o fato da presença de um técnico à beira da quadra; e se ressente da falta de seu motorzinho Fágner. Com estes fatores, uma volta à Série Prata vem ganhando forças. Sábado, o time terá mais uma oportunidade de marcar seus primeiros pontos diante do Primatas – e mais uma oportunidade de provar sua independência; talvez a última no semestre.
Outra equipe que flerta com sua independência dentro da Série Ouro é o MachuPichu. O time dos irmãos Ricci e Tebas tem história e título dentro do Chuteira de Ouro (foi campeão do V Chuteira de Prata). Entretanto, ainda busca o respeito de outras agremiações, que insistem em tachá-lo como "fraco". E esta não é uma verdade. Quem viu a excelente partida realizada pela equipe peruana na rodada da independência sabe do seu potencial. O MachuPichu, sem nenhum reserva e jogando debaixo do sol das 14 horas, segurou o quanto pôde o tricampeão SNG. Arrancava o empate até o ponteiro marcar aproximadamente 24 minutos da etapa final. Porém, uma patada de Biro colocou fim no sonho do time de conquistar um pontinho que seria salvador.
Mas, diferente do Fúria – que parece ter perdido o tesão em dividir as bolas ao melhor estilo Ouro –, o MachuPichu tem um fator que poderá o ajudar, e muito: raça não falta aos jogadores. Allan, um dos principais destaques do SNG, por estar machucado, assistiu à partida do lado de fora. Ele simplesmente não se conformava com a moleza de seu time – sem vontade aparente e com uma certa preguiça de disputar as jogadas. Em contrapartida, enalteceu a postura adversária – sempre gritando a seus companheiros que "parece que eles estão com um monte de reservas e nós, não".
A gana demonstrada pelo time vermelho e preto parece dar alento a seus simpatizantes. Entrosamento e alguns jogadores habilidosos a equipe possui. Raça, também. É preciso manter a mesma vontade nos próximos jogos e começar sua escalada para sair da degola. Todavia, terá de se resolver com o Mulekes na terceira rodada, no já chamado jogo da morte , uma vez que ambos ostentam a rabeira do Grupo B.
Outros times também estão atrás de suas independências. São os casos de XTJ e Bonde dos Abelhas, na Prata. Duas equipes advindas da Série Bronze com panca de Prata – chancelados por boas campanhas na divisão anterior. Mas, depois de duas rodadas, o que se vê são dois times perdidos com a atual temporada. No caso do XTJ, é até compreensível. Depois de excelente campanha na fase de classificação do IV Chuteira de Bronze – quando conquistou seu grupo e uma vaga na Prata –, o time de Magu caiu de produção. Porém, esperava-se o mesmo time envolvente e de toques rápidos e desconcertantes. Não é o que se viu em duas rodadas prateada. Já no caso do campeão do III Chuteira de Bronze, BDA, nota-se uma queda de produção aparentemente sem explicação, já que o elenco é praticamente o mesmo. O feriado prejudicou bastante o Bonde, que veio com dois reservas de última hora, mas mesmo assim o futebol de outrora não é mais o mesmo.
Os abelhas somam dois revés que deixam sua fanática torcida preocupada. O time que mostrou força nos dois últimos semestres parece distante – atrás de sua independência da pecha de time de Bronze . Nos casos de XTJ e BDA, é preciso um algo a mais para se tornarem uma equipe de respeito dentro da Prata – algo que, hoje, o TCM parece ter alcançado, em detrimento a um passado não muito remoto onde era motivo de chacota, inclusive.
Como costumam dizer os rapazes do SNG, e outros jogadores experientes, duas rodadas não é fator determinante para medir a sensação da divisão e nem parâmetro para cravar classificações. Mas, no caso da turma da zona do descenso, uma reação a partir da próxima rodada é fundamental. Isso porque o psicológico da equipe começa a ser afetada a cada derrota ou empate: a bola vai teimar em não entrar, a trave aparecerá cada vez mais, o ataque adversário fará um gol espírita etc. Os ‘lanternas’ precisam se espelhar no Arouquinha, líder do Grupo B da Ouro, que parece estar alcançando sua independência de sua matriz, o Arouca. Para os ‘donos da degola’, daqui por diante, é independência ou corte... da divisão.
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