Na semana passada, Kansado, Lodetti e MachuPichu largaram na dianteira – e mostraram aos demais concorrentes que darão o máximo que puderem na tentativa de terminar na primeira posição, de suas respectivas chaves, a fase de classificação. Porém, juntos a eles, alguns ‘intrometidos’ buscam eliminar o favoritismo atribuído até então. São os casos de Fúria, Real Madruga e Ras Time, que também realizam boas campanhas no início da Série Prata.
No Grupo A, as equipes advindas da Bronze do semestre passado dão as cartas. Com duas vitórias em dois jogos, Kansado e Lodetti provam que os comentários acerca de os respectivos elencos serem dignos de Série Ouro são reais. O problema é que o Fúria também quer sua fatia nesse bolo valendo a primeira posição. E, além de a base ser a mesma que joga há anos, e estar devidamente reforçado, outro fator está ao lado do time: a experiência dentro do Chuteira.
Sucão, Fagner, Carnaval, os irmãos Motta e Fábio Caruzo, entre alguns outros, continuam no elenco, qualificando-o e, ao mesmo tempo, fomentando a amizade entre si que se sutenta durante muitos anos. O salto de qualidade veio com a chegada do artilheiro Papai do Axé, homem-gol que fez do Elite já um time vice-campeão da Bronze. Protegido pela sólida defesa e abastecido por um meio de campo de qualidade, Papai vai abrindo defesas adversárias, ora servindo companheiros para o tento, ora ele próprio empurrando a redonda às redes. Dessa forma, o Fúria goleou o SPQSF na primeira rodada e, no último sábado, aproveitou a desorganização do Cabeça Rachada para fazer 10 x 5 com tranquilidade.

O time do “capitão” André é o intrometido que faltava ao Grupo A. Sem ele, seria provável que as ações da chave fossem amplamente dominadas pelas equipes que derrotaram a Cachorro Velho e TCM na segunda rodada (aliás, o triunfo de virada do Lodetti sobre o Cachorro foi espetacular). Fortalecido neste primeiro semestre, o Fúria tem tudo para atrapalhar a vida dos rivais e dar, como diz Victor Petreche (The Veras), mais tempero ao grupo até então fadado à polarização. Algo parecido com a chave B, que não chega a ter uma centralização entre times tão definida como no outro grupo. Mas os torcedores assistem ao MachuPichu dar surras nos rivais, e acompanham a sempre interessante persistência do Ras Time em busca de uma conquista.
A equipe dirigida por MaRá deixou boa impressão pela campanha na Copa Apertura e finalmente vem ganhando o devido respeito dos torcedores rivais justamente por se mostrar aguerrido e técnico ao mesmo tempo – sempre apostando em Macaulin e Rernanes na linha e, principalmente, nas defesas acrobáticas, elásticas e decisivas de Cipó. O Ras, devagarinho, vai se aboletando entre os líderes para, ao término da primeira fase, tentar abocanhar a vaga direta na divisão que disputou recentemente.
Outro ‘insolente’ no Grupo B que ousa destronar o MachuPichu da liderança é o Real Madruga. Atual vice-campeão da Bronze, os seguidores da lenda que apanha da dona Florinda no seriado Chaves venceram bem o Bufalos, por 4 x 2, e alcançaram os 100% de aproveitamento. Mais que isso: o Madruga vem, a cada semestre, mostrando ter cacife para brigar pela Ouro até o final.
Trata-se de um estilo de jogo parecido ao Ras e, até mesmo, ao líder peruano. Sabe mesclar força física com qualidade técnica de alguns jogadores, casos de Zaron, Bruninho e Caio, tornando o time mais consistente na corrida pela primeira posição. Para melhorar, o entrosamento de seus jogadores é um júbilo ao Real Madruga, já que em momentos da partida o conjunto acaba sendo o grande diferencial.
Apenas duas rodadas não são suficientes para apontar quem realmente irá ficar com a primeira posição, quem passará à segunda fase e quem não vai conseguir fugir do rebaixamento. Vide os casos como o de Acidus (que perdeu feio na estreia, mas reagiu muito bem contra o Inflação), The Veras (sempre disposto a incomodar quem está relativamente tranquilo), Bengalas (que derrubou o Roletinha e anotou sua primeira vitória prateada), ou o Camaro (outrora apontado como favorito e que, agora, ostenta a lanterna do Grupo A). Contudo, os ‘intrometidos’ podem dar o devido suspense à divisão que ainda é uma incógnita diante de tantas forças (pelo menos no papel).
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