Seu novo uniforme é de PR1MA! Facilitamos a sua vida!

    Agilidade e comodidade para você focar apenas no que importa... o seu time! @pr1masports e (11) 99210-4656

    Veja mais

CRÔNICA DE UM REBAIXAMENTO EM CONJUNTO, POR R. BARATH


Publius, Barath e o chapéu rosa adquirido recentemente e Baru: protagonistas de um confronto que selou queda dos dois rivais


Sábado, última rodada da fase de classificação, Basicus e Roleta Russa se enfrentavam em situações opostas mas ao mesmo tempo similares. O primeiro, já rebaixado e sem ganhar nenhum jogo, enfrentava o Roleta Russa, que só podia sonhar em escapar do rebaixamento com a ajuda de outros times. Para tanto, precisava vencer o Basicus e torcer contra Fora de Série e Giro SP. A Giro venceu e se safou. O Fora viria depois. Antes, o Roleta tinha de fazer a lição de casa.

No texto abaixo, assinado por R. Barath, capitão do Basicus, este relata como foi o jogo em que definiu os rebaixados do Grupo B para o Chuteira de Prata. Escrito em terceira pessoa, ele relata coisas que só quem estava jogando viu ou percebeu. E eis a visão de um jogador de um time que tinha duas certezas naquela tarde de 8 de novembro: estava já rebaixado, mas ia levar o Roleta Russa junto com ele para o Chuteira de Prata. Dito e feito. Com a palavra, tal qual virou tradição, R. Barath, desta vez protagonista de uma queda envolvendo o Roleta Russa.


BASICUS: COMO PODE? Como pode um time rebaixado, há 20 rodadas sem vencer um jogo oficial (somando Chuteira IV, V e II Festival), com um ponto negativo na tabela e, sacrificado com justiça pelos outros times por ter cometido um WO, terminar um campeonato tão feliz e ovacionado por diversas torcidas?

Pois é, esse time é o BASICUS, da camisa rosa, que encerrou no último sábado dia 08 a sua participação na V edição do Chuteira de Ouro como o time mais festejado – não por seus méritos obviamente, mas por proporcionar às diversas torcidas, principalmente a do FORA DE SÉRIE – que dependia de um revés do Roleta Russa para não ser rebaixado –, um momento único.


O time do Basicus caiu para a Série Prata, mas felicidade de todos era contagiante, afinal, tinha levado o Roleta Russa ia para o buraco com eles: “Vamos para o inferno, mas levamos o Roleta junto”, comentou Barath


INTRODUÇÃO: A BATALHA DOS MAIS AFLITOS

Não era o Náutico que jogava contra o Grêmio no dia 21 de novembro de 2006. O mês é o mesmo e os times, completamente diferentes: BASICUS e ROLETA RUSSA.

Para quem conhece a história dos dois times, sabe que não foi das melhores, mesmo que nunca tivessem disputado um jogo sequer. Na verdade, o confronto – que já é passado – ficou nos bastidores.

Como adivinhar que os dois times, mais que aflitos, se cruzariam justamente na última rodada e que, mesmo com o Basicus rebaixado há duas rodadas e Roleta dependendo de um resultado positivo contra o time rosa para permanecer na série ouro do Chuteira, proporcionariam um jogo tão emocionante para quem esteve presente? Como adivinhar que o Roleta Russa passaria momentos de aflição contra o time rosa, e que de um placar folgado de 4 a 1 viesse o trágico empate?

Naquele exato momento antes da partida, Roleta (6 pontos) e Fora de Série (7) ainda brigavam pela última vaga para sair do desespero de receber o passaporte para a Série Prata no ano que vem, pois Giro SP, anteriormente também na briga, ganhara de Muleke Piranha e escapara da degola, ou seja, expectativa de um jogo mais que emocionante.

O CONFRONTO: PRIMEIRO TEMPO E JOGO DE XADREZ

08 de novembro de 2008, 17h00

Os dois times começaram o jogo bem cadenciados, respeitando o campo adversário, tanto que nem Publius e Paulinho do Basicus e nem Caju e Luiz do Roleta conseguiam perfurar as defesas adversárias. A primeira ação foi de R. Barath, que trocou - após 15 minutos de jogo - de uma vez só os dois atacantes por Harada e Fernando, para dar mais velocidade ao time. Harada foi rápido e logo assustou o goleiro Casari, com chute forte após batida de escanteio, que passou perto da trave. Chute rápido e cartão amarelo rápido também, e Harada foi descansar, após discussão com Martins, que o juiz não aceitou.

Passados os dois minutos, Publius voltou para completar o time rosa e, rápido como Harada, chutou no canto direto de Casari, desta vez a bola estourou nas redes do goleiro do Roleta. Golaço de Publius, Basicus 1 a 0 no placar e 2 a 0 nos cartões amarelos, pois o artilheiro, jogando a camisa 10 que foi de Lapa e inspirado no homem-aranha de uma das rodadas anteriores, repetiu o ato e subiu no alambrado para comemorar com a EB. A arbitragem não permitiu comemorações assim e aplicou um “detefon” amarelo, deixando novamente o time rosa com um a menos e, mais uma vez lembrando a batalha dos aflitos, já o que Grêmio, naquela ocasião, acabou o jogo com quatro jogadores a menos. O caminho do Basicus parecia ser o mesmo.

Tem coisas que não são difíceis de acreditar, mas acontecem. Após a suspensão temporária de Publius, Ladeira, zagueiro do Basicus, solicitou que fosse pedido um tempo, pois sentia o time cansado dentro de campo. Solicitou para Barath que solicitasse ao árbitro. Barath titubeou, mas atendeu ao chamado do time. Voltando ao jogo, não demorou para o Roleta empatar com o algoz Brian (jogou um jogo pelo Basicus no IV Chuteira), após erro de Saulo, que, cercado por três atacantes do Roleta, não conseguiu fazer nada a não ser consolar e pedir desculpas a Goku, após o gol de empate. “Na hora que o Ladeira pediu que eu solicitasse o tempo, quase neguei, pois me lembrei do jogo contra a EB, que pedimos o tempo, voltamos e tomamos o gol de empate”, relembrou e lamentou Barath.

TRANSIÇÃO: DO EMPATE PARA O EMPATE

Fim de primeiro tempo e o jogo continuou, no segundo tempo, com um ritmo alucinante. As estratégias, para quem não acompanhou, ganharam uma atenção especial, tanto que o Roleta botou, rapidamente, três balas no tambor e detonou o Basicus, em apenas treze minutos, com gols de Luiz, Martins e Rick, todos de contra-ataque e todos com muita força por parte dos atacantes do Roleta. A bola entrou “chorando” em dois deles e Rick teve que usar muita calma e habilidade para vencer Goku, com um chute no cantinho.

Aquela defesa rosa, tão forte e segura no primeiro tempo, já não era a mesma, estava cansada. Não só isso: na frente, só Publius parece com vontade de correr e chegar ao gol adversário. Mais uma vez o time do Basicus parecia à beira de um ataque de desespero e desorganização. Teve momentos do jogo que o Basicus nem atacava e nem defendia. E o Roleta passou a, para variar, perder gols, principalmente com Bob, que de Bobgol nesse jogo não teve nada. Aliás, bem poderia ser chamado de Bobperdegol, pois ele desperdiçou vários deles.

Eis que o Basicus volta com Paulinho no ataque, mas, se posicionando na zaga, Publius continuava jogando – e bem, ainda bem – no ataque, mas achava que a melhor posição dele era no meio para frente. Fernando deveria soltar a bola, mas só segurava, talvez tentado pelos gritos de “olé” da torcida, que gritava a cada drible que ele dava. Da defesa, o raçudo Saulo não agüentava o cansaço e pediu para ser substituído. Du Formiga, o incansável meio-campista, também se cansou e o time do Basicus já desesperava a torcida do Fora de Série, e entristecia as torcidas da EB, Joga 13, Tosco, Acidus, Melville e outras mais, que já chamavam o Basicus de time ridículo.

Sóbrio e com fôlego, Harada, que foi prejudicado pela quantidade de cartões que o time levou, pois entrava e saía toda hora, e Cavalera, que, para quem não viu, carregou o piano e criou, serviu, chutou e também marcou os jogadores do Roleta, ocupou todos os espaços. Ladeira também não mostrava cansaço e continuava concentrado na partida.

Mais mudanças, desta vez na zaga, Baru entrou pelo Roleta e R. Barath entrou pelo Basicus, junto com Saulo, que, descansado, remontava a zaga que jogou nos últimos dois jogos do time rosa. Mal entrou, Saulo já saiu, desta vez após mais uma confusão envolvendo Martins. Não contentes com o amarelo para os dois, continuaram a bater boca – se é possível, para quem conhece Martins, que ele tenha aberto a boca para xingar e ameaçar – e foram embora mais cedo com cartão azul. Assim, deixaram cinco jogadores para cada lado.

O Roleta teve ainda mais chances para aumentar, com investidas rápidas do trator Gegê, que, em uma das arrancadas, levou uma trombada de Ladeira e se beneficiou com o cartão amarelo do adversário.

Com um jogador a menos de cada time e com o Basicus jogando mais dois minutos com outro desfalque numérico, mais estratégia e R. Barath solicitou que Publius voltasse para marcar mais e também fizesse o papel do armador, deixando Fernando e Cava mais livres pelas pontas. Publius atendeu e mal sabia que esse seria o caminho para que ele saísse como destaque do jogo. Em tabela rápida entre os três dianteiros, Publius recebeu a bola frente ao goleiro Roleta e só deu um “totó” para encobrir o arqueiro Casari, diminuindo para 4 a 2 num belo gol. “Eu nunca tinha feito um gol assim na vida”, celebrava ao fim do jogo Publius.

Com a zaga novamente composta por Ladeira e Barath, O jogo de futebol society do time rosa mudou para futebol americano, afinal, o Basicus atacava e defendia em bloco. Em uma dessas investidas, a bola bateu no zagueiro Barath e sobrou livre para Publius chutar com raiva, gritando, de bico, afundando Casari e desesperando os já aflitos naquele momento Roletas. 4 a 3 para os Roletas e a vantagem diminuindo. O tempo se esvaindo, mas não na velocidade que os acuados Roletas queriam. No jogo das estratégias, foi a vez do Basicus pôr o Roleta para correr e se perder em campo.

Contra-ataque do Roleta e Bocha, em velocidade, chutou pela esquerda do ataque, mandando um torpedo que Goku espalmou e ainda tocou na trave. No rebote, Bob dominou e não conseguiu chutar, após desarme firme e despacho da pelota de R. Barath, na cara do gol. A torcida gelou achando que Barath, na zica, pudesse ainda colocar para dentro sem querer.

Um fato que muitos não se lembravam é que o Roleta já havia cometido sete faltas. Nem foi preciso lembrar quando cometeram a oitava faltando 4 minutos para o fim da partida. Fernando e Publius se apresentaram para bater. De um lado, o homem que havia feito os três gols do time rosa, do outro, o driblador, que até o momento não havia brilhado. Decisão: Fernando seria o batedor, com consentimento de R. Barath (vejam abaixo a conversa entre Barath, Fernando e Foguinho do Roleta).

RB: Fernando, olha para mim. O Publius marcou os três gols hoje, você pode escolher em bater ou deixar ele bater.
FE: Deixa eu bater, eu vou fazer.
(Chega Foguinho para catimbar)
FO: Fernando, sua perna está pesada.
R: Fernando, a perna que está pesada é do cara de chuteira vermelha do seu lado, esquece que ele existe.
FE: Eu estou bem, estou com confiança.
FO: O que você falou de mim, Rodrigo?
RB: Você não ouviu, Foguinho?
FO: Não, o que foi?
RB: Problema seu, presta atenção da próxima vez.

E Fernando bateu o tiro de 9 metros. E, para delírio de Foguinho e dos Roletas, bateu muito fora, mais de metro um chute tosco, fraco, mascado, daqueles de quem chutou chão. Há quem diga – e parece unanimidade – que foi um dos tiros de 9 metros mais medonhos visto no Chuteira. Após o erro de Fernando, Foguinho se dirigiu ao capitão Barath, olhou nos olhos dele e deu uma risadinha, lembrando que a perna de Fernando, realmente, estava pesada.

MOMENTO DE DUPLA REDENÇÃO

O jogo prosseguiu com a torcida esperando o pior – o apito do árbitro. Um minuto para acabar o jogo e, quem diria, Fernando, o driblador, que nada fizera de efetivo até aquele momento, que jogou fora a chance de empatar a partida, recebe a bola pelo lado esquerdo do ataque, corta para dentro tirando o zagueiro da jogada (seria Foguinho?) e manda um torpedo em direção ao gol de Casari. A bola segue baixa e ainda pinga no chão ao lado de Casari antes de balançar as redes e levantar de vez a galera do lado de fora. O tiro que saiu pela culatra da pistola Roleta virou uma granada e trouxe a dona morte do rebaixamento vestida de rosa para visitar o elenco Roleta. Fernando foi abraçado, beijado, tomou “peba”, safanão, tapa na nuca. Depois de tudo isso, Barath se dirigiu a Foguinho, o chamou, deu um sorriso maroto e não precisou falar mais nada.

A desolação do Roleta era notória. Ainda tentou um ataque, mas nada que o desespero, com a ajuda de Ladeira, não pudesse anular. O Basicus, para alívio do Fora de Série e, desta vez, alegria e êxtase da torcida, via ali a primeira oportunidade de fazer algo de efetivo no torneio. Se não foi possível conquistar os três pontos, pois o apito final do jogo soou em seguida, ao menos a honra de tirar o -1 da tabela de classificação. Mais: impunha ao Roleta a pecha de vítima do destino, vítima de uma plantação caprichada da diretoria Roleta. Com o fim do jogo, não havia dúvidas quanto ao significado daquele empate: o Roleta estava rebaixado para a Série Prata. A torcida gritou, vibrou e cantou. E os jogadores do Basicus nunca festejaram tanto um empate quanto este em 4 a 4 com o outrora considerado time grande Roleta Russa.


Festa ao fim do jogo: Basicus inteiro comemora


Na comemoração, R. Barath ainda desfilou com a camisa do ex-jogador do Basicus Mutssa, homenageando e agradecendo a presença da torcida EB. Curiosamente, não se sabe por que, Barath desfilou no campo de chapéu rosa, ao estilo cowboy. “Eu conhecia uma loja que vendia chapéu rosa que me indicaram uma vez, mas não sei se faliram, pois tentei contatar os donos e não consegui. Acho que estavam jogando golf, realizando festivais ou, sei lá, surfando por aí. Aí resolvi comprar na concorrência”, completou, feliz da vida, Barath, que desfilou sob olhares Roleta de pura decepção.

Sobre o jogo e tudo mais, Barath falou mais e mais, não perdendo a chance de agradecer todos e cutucar outros. “Depois do empate por 4 a 4 com o Roleta, deixo minha admiração pelo momento que Baru aceitou participar da foto dos rebaixados. Não esperava isso, mesmo. Agradeço ao Batata, técnico da Giro SP, que fez uma palestra motivadora para todos nós do Basicus antes do jogo. Isso realmente mexeu com os jogadores, sem contar a cerveja e o churrasco no final, junto com um dos maiores mitos do Chuteira, Renê, do SNG. Estivemos ao lado de celebridades. O Saulo, por exemplo, mesmo após o final do jogo ainda falava que as palavras de Batata fizeram ele gritar que nem louco, até ficar sem voz. Fiquei muito, mas muito feliz com o Cava, que jogou como há muito tempo não jogava (não tecnicamente, mas pelo brilho): ele fez de tudo e, sim, foi o homem que ligou o time do meio para o ataque, melhor para o Publius, que marcou três, foi um monstro e assustou a defesa adversária o tempo todo. Parabéns pelo destaque do jogo, ele mereceu. Levei o Publius para casa e ele estava alterado, acho que por causa da felicidade e não pela cerveja que ele consumiu. Realmente ele estava muito feliz, como nunca vi antes. Não vou escrever sobre todos, mas Ladeira e Du foram consistentes em todo o tempo que jogaram e, lógico, Harada, deixo o meu abraço para você, pela paciência e dedicação que teve (comentada por todos) nesse jogo. Realmente demos o melhor de nós. Agradeço a todos do elenco, mas depois escrevo para todos, certo, Goku, e Paulinho, Fernando, que se redimiu?” – declarou rapidamente Barath antes de ir participar da festa do rebaixamento do Roleta.

Para os times rebaixados, agora é aguardar o ano que vem e planejar o futuro, mas antes tem muito Chuteira pela frente, mais jogos emocionantes e as torcidas de Basicus e Roleta, que se juntarão ao Atlético Osasquense e MSM no Chuteira de Prata, estão convidadas para prestigiar as fases finais do campeonato. Para os dois times, resta torcer pelos demais times, mas principalmente daqui em diante sempre relembrar do último jogo: o Basicus, para o bem, como exemplo de superação a ser seguido, o Roleta, para o mal, como uma mácula de um time que tinha tudo para chegar mas decepcionou. Cada um deve aprender com os erros, acertos e fracassos da temporada, e buscar mudar e consertar o que ficou faltando. Mas uma coisa é certa: o jogo entre Basicus x Roleta Russa, sem dúvida, já entrou para a história e sempre será lembrado como o jogo em que o pequenino Basicus, que nunca venceu um jogo oficial do Chuteira, foi rebaixado, mas levou consigo o outrora posudo Roleta Russa. Em tempo: Roleta Russa e Basicus já despontam como protagonistas do primeiro clássico do Chuteira de Prata. O mundo dá mesmo voltas.

Comentários (0)