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CRÔNICA # 8 – OS HOMENS QUE ME PERDOEM, MAS MULHER É FUNDAMENTAL



O mundo ainda é cercado de pensamentos e atitudes extremistas. Algo que envergonha as pessoas preocupadas com as igualdades sociais e a equidade entre raças e gênero. Falando em gênero, os pensamentos preconceituosos ainda não se dissiparam quando a questão envolve o “domínio” masculino sobre o feminino. No futebol, isso ficou nítido durante décadas. Porém, atualmente, é difícil encontrar alguém que ainda ache o esporte bretão algo exclusivo de homem. Essa assertiva já não serve para o moderno século XXI. Não que os homens tenham perdido terreno na modalidade a qual sempre dominaram. É que as mulheres quebraram tabus inimagináveis em outras épocas e, com sua classe, elegância e fibra, passaram a fazer parte do cenário antes recluso ao ‘macho’.

Para os olhos dos despercebidos, não há representatividade nisso; para os atentos, foi uma conquista social digna de entrar nos anais da história. As mulheres não têm jeito: são lindas e já estão inseridas no futebol. De forma imperceptível para alguns homens; porque, para outros, é a satisfação de ver aliados dois de seus prazeres universais.

De repente, o terreno selvagem exclusivo do macho foi ganhando a companhia da fêmea. Ainda bem. E havia alguma dúvida de que o Chuteira de Ouro não teria o prazer de ver o brilho feminino aos sábados? Claro que não! Se você é homem, como eu sou, já percebeu que as mulheres estão espalhadas pelo PlayBall (sem contar as que estão distantes, apenas torcendo em pensamento). Um dia desses, no meio da árdua labuta, encontrei uma mulher fascinante por lá. Não me esqueço da bela morena que ia para apreciar um dos 64 times que englobam a competição. Não somente pela beleza paralisante da moça, mas também pela simpatia desferida aos olhares humanos – pelo menos aos meus olhos. Durante umas semanas, o prazer de ir ao Chuteira para ver os jogos e as belas jogadas ganhou um aliado: a morena. Sim, perfeito, era o casamento ideal. E quando trazem uma cerveja ao mesmo tempo... aí fica melhor ainda! Mas a morena bonita anda um tanto sumida...

A história da mulher no Chuteira de Ouro teve um início, sim. Alguns vão reivindicar que foram as torcedoras do Arouca a iniciar o que é, hoje, essa dimensão feminina no melhor torneio de futebol society da cidade; outros, dirão que foram as torcedoras de time A ou B. Todos enganados! A história da mulher, no Chuteira, começou na própria casa de cada jogador: com exceção do macho que mora sozinho e não tem ninguém na vida, os outros sempre tiveram o apoio e a oração da mãe, madrasta, namorada, noiva, amante, amiga etc. Não adianta: são essas mulheres – as que zelam por nós – que começaram a história feminina ‘chuteirense’. Depois, aos poucos, o local dos jogos foi tomando corpo e a forma das belas curvas das mulheres.

É de um prazer sem precedentes chegar ao PlayBall, passar pelos corredores e ver as mulheres, sentadas, assistindo à partida do seu macho querido (abram a mente, pois não me refiro apenas ao namorado). Todas concentradas, nervosas, descabelando-se por uma marcação contrária ao homem que veio assistir. Sim, as torcedoras são o brilho que faltava ao recluso ambiente de sábado à tarde. Qual é a mais bonita torcedora? Sei lá. Cada um tem a sua apreciação. O que eu sei é que dá prazer ao passar pela quadra onde estão jogando Só Resenha, Xoras, Elefantes Indomáveis, SPQSF, Fúria... Não, meus amigos, não sou um pervertido que fica a admirar a mulher alheia: é que o ambiente fica muito mais leve, de verdade, mesmo quando elas soltam um “Vai tomar no c*, juiz do c*!” com aquela delicadeza mas, ao mesmo tempo, força que lhes são peculiares.

E aí a gente continua adentrando o universo do Chuteira e começa a perceber que as mulheres estão em todas as partes. É de uma alegria ímpar ver as mães dos jogadores, sentadas, agonizadas pelos filhos que ali praticam o esporte que escolheram. Afinal, se os players estão lá, é porque tiveram – na boa parte de sua totalidade – o apoio incondicional de sua genitora. As mães irradiam tranquilidade, deixando o ambiente mais brando, mais solto, mais com cara de família. As mães dos jogadores merecem um parágrafo à parte. Mais que isso: merecem um livro!

O passeio continua, bem como a presença das mulheres para o deleite masculino. Poucos dão bola, mas elas comandam dentro da quadra também: algumas árbitras ajudam a acalmar os ânimos exaltados da rapaziada. Mesmo quando é a própria árbitra a marcar algo contrário ao pensamento do jogador. Todavia, na hora da reclamação, os machos recuam nas ásperas falas – ficam até mais ‘docinhos’. Pois é, não adianta: elas, as mulheres, comandam.

O espetáculo feminino permanece entre todos os lados. Fim de jogo, você vai ao bar comprar algo para beber; ou você, como torcedor, vai ao mesmo bar comprar uma cerveja. Quem te salva nesse momento? As mulheres que ali estão para nos servir. E tem mais. Quando todo mundo vai embora, e às 20h só têm membros da Organização, junto à meia dúzia de gatos pingados tomando suas cervejas, quem passa o rodo na sujeira deixada durante todo o dia? Elas, claro. Até nisso elas deixam o ambiente mais leve. Ai se um dia dessem valor a esse tipo de trabalho...

E as mulheres alcançaram a segunda classe mais achincalhada do Chuteira de Ouro: a imprensa! Como é bom ver repórteres mulheres tendo o mesmo espaço que os repórteres homens. Elas têm a mesma capacidade de enxergar o jogo; até se sobressaem aos homens por ter um olhar mais amplo da partida, por exemplo, na hora de escolher os MVPs e MVGs. A mulher, na imprensa do Chuteira, é o tabu quebrado que mais me alegra. Teremos até uma repórter especial para os vídeos (pelo menos uma vez)! Sim, porque ver Folha, Weinny, Guil Nasser, André Gajardoni, sempre, deixa a vista masculina cansada durante a semana (e no próprio ambiente de jogo).

Quem falou que futebol, o Chuteira de Ouro incluído, é coisa só para macho? Não é! Extremismos ficam lá no Oriente Médio. O universo ‘chuteirense’ necessita da presença da mulher. Valorizá-las – por ter de aturar os ataques de estrelismo, ou por conter a euforia por uma vitória, ou por sacrificar uma tarde de sábado só pra ver um bando de homens correndo atrás de uma bola – é o mínimo. O Chuteira de Ouro precisa das mulheres. Até mesmo aquelas que proíbem seus parceiros de ir ao PlayBall jogar nas tardes de sábado... Elas minam o desejo desses caras, mas fazem parte do nosso sagrado campeonato.

Mais uma semana vai começar; queremos o sábado, o grande dia de rodada. Com isso, sei que chegou o momento de olhar as mulheres – lindas e guerreiras – que nos acalmam. Quem sabe, um dia, não teremos o Chuteira Feminino, né!? E eu continuo ali, louco para ver as grandes jogadas, à espera do retorno da bela morena...
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