Quando cheguei ao PlayBall já vi de cara o Weinny de câmera em punho, dentro de seu coletinho maroto, pronto para uma tarde de Fatos & Fotos em que o Folha não apareça em metade das fotos. Próximo dele só o Lói, sem um copo de cerveja numa mão e a garrafa a seus pés. O sol ofuscava minha vista a ponto de boné e óculos de sol não serem suficiente.
Era pouco depois do meio dia e a tarde do Chuteira começava lentamente. Nos alto-falantes do PlayBall, não era o CD de pagode ou o Skank que tocava. Pensei ter ouvido um Los Hermanos, quem sabe até Ricky Martin. Na primeira partida do dia, às 12h30, já tinha mesário pronto na porta da quadra, árbitros no meio de campo e, pasmem, times uniformizados, com numeração confirmada em súmula, e aptos a iniciar a partida dentro do horário programado. Seria a primeira vez na história do Chuteira que isso aconteceria.
A Bronze começou com o Irado´s em campo. O Weinny já tinha tirado fotos e já estava na linha lateral para fazer seu time voar em campo. O adversário pouco importa – o ponto é que, após os 50 minutos de bola rolando, com 3 gols do meu amigo Will Eirado, que enfim desencantava, o time tricolor da Bronze venceu e, mais importante, convenceu. E olhe que o Weinny colocou todos seus craques para jogar. O Sani comandou a defesa e saiu como um dos MVPs. A tarde começava mesmo bem.
Em seguida, ao me voltar para a Ouro, mais especificamente à quadra 4, às 13h35 já tínhamos jogo com 5 minutos de bola rolando. Os árbitros levaram uma partida do Arouca sem nenhum problema, sem cartões, sem reclamações. E olhe que o Arouca perdeu! Melhor que isso, só se o Bengalas ainda estivesse jogando e... Bom, deixa pra lá.
Sim, o Arouca perdeu, o Galizé não foi expulso, o Mauricio fechou o gol e não rolou voadora em ninguém. Não haveria discussões infundáveis durante a semana para julgar os malfeitores da rodada. Melhor: o Carioca não foi o culpado da derrota e os times saíram abraçados de quadra. Na sequência, o Arouquinha entrou em campo e a galera do Arouca estava no alambrado incentivando o time com educação e respeito, sem xingar os árbitros e ofender adversários. E olhe que o árbitro era o Luxemburgo, que resolveu adentrar o espírito Chuteira e deixou de dar uma reversão e não amarelou o jogador que jogava com a camisa para fora do calção.
Ao lado, pude ver a derrota do Roleta para o Fora de Série sossegadamente, sem ninguém vir reclamar de algo ou me chamar para resolver algum pepino. Até saboreei uma cervejinha, mesmo não gostando da bebida amarga.
Porém, como nem tudo é perfeito, o Denão apareceu para falar comigo. Sim, o Denão do DP, o mais chato do Chuteira. “Lucas, valeu por apoiar o DP”. Deu-me a mão e foi-se embora. Em seguida, mal tinha me recuperado do baque, apareceram Tom e Denys para pagar o campeonato do Bucets. Pagaram em dinheiro, à vista, tudinho. Nenhuma dívida para o ano que vem.
Meu sossego acabou quando tive de entrar em campo com meu Invictus. Líder do grupo, teríamos um jogo chave para as pretensões de subir para a Prata. Confiante, meti logo 3 gols para poder pedir a música à nova dupla de repórteres do TV Chuteira, que filmaram todos meus gols, um de bicicleta, diga-se de passagem. Ainda mandei um “Chupa, Iago” quando vi a tatuagem despontar no horizonte. O Invictus goleou, fui MVP e o Canova, MVG da rodada. O Bento fez outros 2 gols e saiu aplaudido pelo Murilo, Ozil e Pi, todos amigos deles do tempo de Irado´s.

Craque Lucas em campo: 3 gols, sendo um de bicicleta dedicado ao Caballero
Para retribuir a gentileza, corri ver o Camelo ganhar mais uma. O Noal fez gol de pé direito, mas quem destruiu foi meu camarado Iagol, que fez jus ao apelido. O Henrique jogou e estava calmo. Na saída, até bateu papo com o pessoal que zuou o cabelo cheio de gel dele. Nada abala o bom humor do garoto.
Sim, radiante, feliz da vida, nem preciso contar que, à margem do campo, dirigindo o Acidus, a máquina amarelo-limão voltou a ser o Acidus Kompressor. Novo nocaute com o Louiz fazendo gol e não perdendo bola tentando dar rolinho. O Lói, mesmo ganhando, jogou calado e, ao sair para comemorar e beber, não ficou gritando na orelha de todo mundo (e cuspindo, claro) “Aqui é Acidus, Caraleo!!!”.
Após nova derrota do SPQSF, em conversa com o Jaja, ele demonstrou interesse em jogar no Acidus. Já assinamos um pré-contrato, para alegria do Caballero. De relance, ouvi um papo estranho de que viria um quarto time Roleta por aí. “A freguesia vai aumentar”, pensei e sorri sozinho. Cruzei com o Folha e ele não estava contando mais uma das mesmas histórias de sempre para as pessoas de sempre e na mesma empolgação de sempre. Pelo contrário, o Folha estava sereno e, pela primeira vez, não o via com o jeito de político em época de campanha, sendo justamente... político, sorrisos para todos os lados e querendo agradar a tudo e a todos.

Após derrota dos Roletas, Folha não saiu pelo PlayBall em campanha política e ficou tranquilo vendo os jogos
O dia ia chegando ao fim e o SNG entrou em quadra. Mesmo com o Renê fazendo 3 gols (depois de tomar muito suco de laranja) e se igualando a mim na artilharia do dia, o tricampeão perdeu o jogo. Os jogadores saíram cabisbaixos, sem reclamar e nada nervosos. As palavras “juiz filho da p*” não foram ouvidas uma vez sequer. Na hora de irem embora, o goleiro Sampa passou por mim, me deu a mão e um abraço fraternal. Antes de ir embora, virou-se pra mim e disse: “Lucas, a culpa não foi sua”.

”A culpa não é sua, Lucas”: Sampa perdeu com o SNG e saiu mais calmo do que chegou
Escureceu, mas a temperatura não baixou tanto a ponto de termos de descolar um casaco para não morrer de frio. O PlayBall já ia se esvaziando e as partidas finais se encerrando. Foi só nesse momento que o Caio Fleischmann apareceu. Estava feliz da vida com mais uma vitória do seu CAV e seus dois gols, mas ainda não tinha conseguido contratar aqueles jogadores que tanto queria. A negociação estava emperrada. Quem sabe na semana que vem consiga anunciar no twitter os novos reforços, sempre um mais bombástico que o outro. “O CAV vem forte, malandro!”, e foi-se embora junto a Quintanilha, Vitinho picareta e Robertão.
Fim da rodada e chega o Barath para pegar carona e comemorando a 3ª vitória seguida do Basicus. Sim, o time do futuro virou presente e segue bem no campeonato. O camisa 9, cujo nome não pode ser dito, fez até gol e beijou a aliança em homenagem à em muito breve futura esposa. O Puff era só alegria – afinal, ele marcou gol, e batendo tiro de 9 metros. Melhou: não tomou bolada no saco e nem saiu machucado
Luzes apagadas, súmulas em mãos, o Douglas aparece feliz da vida, sem a cara de mal humorado que sua fisionomia teima em transmitir. “Deve ser a barba por fazer”, penso eu, mas não digo nada para não estragar o bom humor do nosso grande cronista/repórter. Até porque ele havia confirmado que ia em casa após a rodada jogar pôquer e conversa fora.
Ao fim do sábado, chego em casa exausto, sento no terraço e me preparo para rapelar o Lói, o Dani, o Weinny e o Victão no pôquer. Pizzas pedidas, toca o interfone. Na hora de descer, ouço o Lói: “Deixa que eu pago”. Sério? Pensei em dizer que não precisava, que era minha vez de pagar, mas achei deselegante da minha parte. Afinal, para que estragar um sábado tão perfeito quanto este?
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