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CRÔNICA #3 – FUTEBOL, FAMÍLIA E AMIZADE

A vida nos dá, a cada dia, mais e mais valores universais. Durante muitos anos, o valor que mais considerava era o de contemplar a mim. Sim, traduzam para egoísmo. Um percalço aqui, outro ali, e o curso da vida foi mudando. Passei a perceber que outros valores estão acima de qualquer coisa. Hoje, consegui cair na real de que a família, e a amizade, fazem de um homem o ser humano mais feliz de todo o planeta. Nenhum romance, nenhum dinheiro, nada supera o fato de ter o apoio dos entes e amigos em determinados momentos. Andando há mais de um ano no Chuteira, percebi que família e amizade se fundem – tornando-se parte intrínseca da personalidade de alguns jogadores, técnicos, árbitros e colaboradores. O exercício é simples: basta parar – por cinco minutos que seja – e olhar ao seu redor; você acabará percebendo que o futebol fica, em muitos casos, num segundo plano.

Quase todos os sábados é aquela correria para colocar o time em ordem; durante a semana, para arrumar jogadores e o dinheiro para pagar a taxa de inscrição. Todavia, findado o martírio, os grupos se reúnem para discutir lances do jogo, dar risadas -regadas a cerveja -, enfim, deliciar-se com os parceiros que, como você, adora se sentir um verdadeiro atleta – e que ali estão para poder descarregar toda a tensão da semana. No exercício sociológico citado, já percebi vários grupos que se reúnem – têm verdadeira adoração pelo seu companheiro. Poderia citar vários times que são assim. Mas, apenas para exemplificar o dito, vou me referir a dois, apenas.

O primeiro é uma equipe da Ouro. Ela existe desde 2006, está no Chuteira desde 2008. São amigos de longa data. Perdendo ou ganhando, nunca deixaram de comparecer – além de ser um dos grupos mais leais que vi jogar no PlayBall. O The Veras personifica bem o sentimento de amizade. Seu líder, Pedro de Luna, fora de quadra, é um gentleman; dentro do jogo, transforma-se num guerreiro. O goleiro Benga, apesar do tamanho, é uma das pessoas mais tranquilas, além de ser excelente arqueiro e a cara do Gerard Depardieu. O Victor Petreche é um sarro: ganhando ou perdendo, ele sempre passa por mim e diz “Pô, Douglão, você não viu nosso jogo?”. O “figura”do Jairo sempre me chama para os “rolês” pós-rodada e ainda joga muito, além do caráter único. O Cucio é leal e objetivo. Isso porque tem, ainda, outros jogadores, como o Japa, o Moura, os irmãos Carrer... Sem contar o Kinho, que anda pelas bandas estadunidenses. Enfim, dá gosto de vê-los felizes, preocupando-se apenas em transmitir harmonia e mantendo a união que vem do bairro, ou da escola, ou da faculdade, ou do trabalho...


Família The Veras: amizade faz a força, time é praticamente o mesmo desde a fundação


No The Veras há amizade e respeito mútuo. São parceiros, verdadeiros camaradas. Se algum atleta está com dificuldades financeiras, os outros jogadores fazem uma ‘vaquinha’ para arrecadar a quantia necessária a fim de que todos estejam reunidos no sábado. Se há reclamação contra a arbitragem, todos se unem para pedir um pouco mais de rigor nas punições. Assim que termina o jogo, reúnem-se para celebrar mais uma partida disputada juntos. Ganhando ou perdendo, o The Veras é pura amizade, é pura família!

Outro time que dá sentido à palavra ‘amizade’ está na Prata. Ali estão faz um tempinho, sempre sonhando com a Ouro. São fanáticos pelo Chuteira. Mas são, acima de tudo, fanáticos pela amizade que nutrem. É muito legal ver a turma do Ras Time reunida todo sábado. Já começa logo cedo: o jogo deles pode estar marcado para as 16h30, mas, às 13h, já consigo visualizar o Iasi absorto, assistindo a qualquer partida que estiver rolando. Outro que está lá cedo, quase que sempre, é o Flash. Seu irmão, Sujeira, já até bateu boca comigo, tudo no afã de jogar e dar o máximo de si em prol do time. O Cipó é roots: goleiro-kamikase, sabe tudo debaixo das traves e ainda marca seus golzinhos. A dupla de artilheiros é um fenômeno: Leônidas e Rernanes, jogam muito. O Boing é bom de bola também. O Johnny Vasques é gente boa ao extremo. E ainda têm o Tchelo – pura raça – e o ‘menino’ Macaulin, compondo, com excelência, um grupo unido e aguerrido.

Mas não é o grupo dentro de quadra em si que chama a atenção: fora dela, esses rapazes dão show de companheirismo. Se o placar foi adverso, abrem uma cerveja para sanar o abatimento; se o placar foi vitorioso, abrem uma cerveja para contemplar o triunfo; se o placar foi de empate, abrem uma cerveja para celebrar a amizade. Uma união que, faça chuva ou sol, não é abalada. Na vitória ou na derrota, mantêm-se próximos, esperando o sábado seguinte para estarem juntos no Chuteira.

Muitos outros times se encaixam perfeitamente no quadro descrito sobre The Veras e Ras Time: a turma d´Os Mostarda, a rapaziada do SPQSF, os bacanas do Diabos Negros, os boas-praças do NGM, entre outros. Se você se identificou com algo até aqui citado, é porque seu companheiro te adora e quer você sempre perto aos sábados; se você ainda não vê traços de nada descrito em seu time, é bom começar a rever conceitos, deixar de ser ‘estrelinha’, deixar de lado o egoísmo de achar que ‘joga muito’ e começar a curtir mais a vida, curtir seus parceiros, aproveitar os momentos que a vida lhe propõe. Você pode chegar em um novo time e não conhecer ninguém, mas deve saber se aproximar do restante da turma e ver o que ela pode lhe oferecer.

Amizade é muito importante, não à toa é o lema do Chuteira. Sem uma, o ser humano nada é. Nos casos de The Veras e Ras Time, ali se encontra um hibridismo entre família e amizade, tornando-se um só sentimento. Se você não tem isso no seu time, sinto muito, pois não sabe como é bom ter um amigo ao lado.
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