Quando lemos ou ouvimos por aí sobre diversos assuntos, não é raro aparecer o termo: “São os dois lados da mesma moeda”. E sempre encaramos os dois lados como antagônicos, sendo um bom e o outro ruim, um certo e o outro errado, mas isso é uma questão cultural e minha passagem com o FMC pelo Chuteira foge um pouco dessa realidade.
Estreamos no Chuteira de Aço em 9 de março de 2013 – há dois anos portanto. Antes jogamos algumas taças classificatórias, mas eu pouco via os campeonatos e não conhecia praticamente ninguém. Naquela estreia, contra o Magnatas, o placar acabou 2 x 1 pra eles. O jogo foi equilibrado, parecia que com o tempo e o decorrente entrosamento – e já sem o frio na barriga da estreia –, ajudariam o time a jogar o campeonato de igual pra igual.
Próximo jogo: Bengalas! A nossa conversa era de que enfrentar um time tricampeão da Ouro era complicado demais, mas que não iríamos desistir. Final; 6 x 0, para eles, claro! Continuou assim por dois anos, por quatro Chuteiras de Aço. O saldo disso: 3 vitórias, 4 empates e 28 derrotas. Um histórico nada agradável se não fosse por um detalhe: o prazer de estar lá em todos os sábados!
Os nossos jogos eram 12h30? Ficávamos até as 18h. Era as 18h? Chegávamos às 12h30. A nossa conversa regada a cerveja, acompanhando os outros jogos e comparando com os nossos era o que nos dava força para continuar e fortalecia ainda mais a nossa amizade. Dentro das quatro linhas eram discussões, reclamações, brigas e, quando acabava, ficávamos a semana toda comentando MVPs, tabela, próximo adversário, matérias e o que mais aparecia.
Durante a semana toda, era sempre tensão em busca de uniformes, jogadores comprometidos, escalações, horários, pagamentos. Isso, claro, fez com que as coisas não fossem só risadas. Muito estresse nos acompanhou nesse tempo. Eu não conseguia mais ajudar na organização do time e jogar. Em cada jogo era um amarelo, talvez vermelho, uma discussão e às vezes uma punição. E eu sou o tipo de jogador que se pode chamar de problemático. Por outro lado, a cada rodada uma nova amizade nascia. Milhares de conversas fora das quadras fizeram com que o ambiente ficasse cada vez melhor.
Infelizmente neste ano o FMC não está mais jogando o Chuteira. Precisamos parar – temporariamente – por problemas de lesão (muitas) e por não conseguir montar um elenco suficiente para a disputa. Nesses dois sábados de rodada, a angústia por não participar foi grande. Afinal, o que fazer num sábado à tarde depois de dois anos fazendo a mesma coisa?
A minha resposta foi: ir mesmo assim e assistir aos jogos! Eu não tinha mais motivos para me preocupar com alguma equipe, se eu ia ou não jogar, com o horário do jogo, do pessoal chegar na hora ou separar documentação e passar numeração. Eu só precisava escolher um jogo e assistir. Assim, nesses dias, peguei uma cerveja, uma cadeira, sentei e torci! Cornetei a arbitragem, “ajudei” na bateria com a torcida zica pelo Zenite, gritei praticamente todos os gols que saíram. Todos que estavam ali, de alguma forma, eu conhecia e muitos se tornaram amigos nesse período.
Eis os dois lados daquela moeda do início deste texto, a do participante do espetáculo e a do espectador. Sinto falta de jogar e de participar, é óbvio, mas também gosto de não ter a responsabilidade que as equipes têm. Algumas delas têm o lado certo? Existe um lado ruim? Isso vai da opinião de cada um, mas em uma todos concordam: o futebol ali é nossa diversão e, como diz o
slogan do Chuteira, diversão é o nosso esporte!
Rodrigo Herranz era jogador do famoso FMC até o fim do ano passado. Em 2015, o time encerrou temporariamente suas atividades no Chuteira. O time, não ele, já que ele comparece todo sábado para rever o pessoal e ver alguns jogos. Prepara-se para ser repórter do Chuteira.
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