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CRÔNICA # 21 – OS ELEITOS

Algumas frases são repetidas com tanta exaustão que acabam sendo tomadas como verdades absolutas. Dentre elas, existe uma que me marcou bastante durante a infância e que eu discordo integralmente: “Política, futebol e religião não se discutem”. Nada soa mais repressivo e hipócrita do que essa expressão. As pessoas precisam aprender a discutir as coisas sem aquele velho objetivo de ganhar de alguém, de impor a opinião a qualquer custo. Existem muitos aspectos que merecem ser discutidos e que podem proporcionar boas reflexões.

Bom, desabafos à parte, gostaria de excluir a religião desse texto, não por achar que é um assunto intocável, mas por considerar um momento propício para estabelecer uma analogia entre o nosso querido Chuteira de Ouro e o famigerado período eleitoral. Estamos perto do segundo turno na capital paulista e o clima é de guerra dos extremos, o que também é uma ideia fabricada da realidade, já que as diferenças entre os candidatos são muito menores do que ambos tentam pregar.

A verdade é que, assim como o futebol, a política me desperta um interesse absurdo. Sempre gostei do período eleitoral, acho uma época muito legal para se analisar a vida de um país, estado ou cidade. Esse vício em acompanhar a movimentação política me despertou a vontade de comparar as eleições com o nosso aclamado campeonato de todos os sábados.

As semelhanças são muitas, a começar pela disposição dos times e dos partidos. Na Ouro, por exemplo, dá para se observar com clareza quem é grande e quem é nanico. Quem tem investimento e quem tenta fazer algo na independência. Quem tem experiência na disputa e quem ainda precisa ganhar algum traquejo nos momentos decisivos.

O atual campeão Arouca é um belo exemplo. Não dá para falar que é um figurão do Chuteira, um partido que sempre venceu e se manteve em destaque. Mas a verdade é que o Arouca passou um bom tempo lutando por espaço, com uma proposta diferente, um jeito criativo de trabalhar dentro e fora de quadra. Aconteceram algumas derrotas, principalmente diante daqueles times mais experientes, acostumados com o pleito, que sempre cresciam na hora decisiva. Na temporada passada, a situação mudou de figura, e o esquadrão amarelo conquistou o eleitorado de vez e saiu do quase. O futebol envolvente, veloz e equilibrado foi premiado pela conquista da principal divisão do Chuteira.

Uma nova temporada começou e o Arouca parece ter tomado gosto pela política, digo, pela liderança do campeonato. Em sete jogos venceu seis e já se isolou na liderança de seu grupo. E a promessa é de mais uma conquista. Se é apenas promessa de campanha, nós só vamos descobrir no final do campeonato.

Apesar do favoritismo do atual prefeito, quero dizer, campeão, tem muito partido querendo voltar ao poder. O dinossauro SNG nunca quer largar o osso. Faça chuva ou faça sol e está lá a equipe do Renê querendo conquistar o eleitorado. O programa de governo é sempre o mesmo: pragmatismo, conservadorismo defensivo, sem esquecer das investidas pontuais e certeiras na hora de atacar. E não dá pra negar que a receita já deu muitos frutos, afinal, é o único partido que ainda está no Chuteira que já conseguiu a reeleição.

Também tem gente nova querendo aparecer nesse cenário político. O CAV está longe de ser um partido nanico, apesar do pouco tempo de atividade. A agremiação conta com investimento pesado e de bom tempo de televisão. Depois de uma derrota na última eleição, o Clube Atlético da Vila voltou com artilharia pesada e promete surpreender no segundo turno da competição.

Antigos figurões voltaram de vez para a disputa nas cabeças. O Fiorella, que já conseguiu até se eleger, andava meio esquecido nas últimas temporadas, mas resolveu se organizar e o resultado está na bela campanha da primeira fase. Quem é rei nunca perde a majestade, e por isso o líder do Grupo B mostra muita tranquilidade para fazer seu jogo de segurança defensiva e decisões ofensivas precisas e sensatas.

O Joga 13 já foi grande, mas tinha perdido a força e despencado para o pelotão de baixo. Porém, a ideologia do 13 nunca morreu e, com a volta do artilheiro Lele, voltaram os dias de glória e o papel de protagonismo no Chuteira.

Enfim, daria para comparar cada equipe com algum tipo de partido, mas o tempo é escasso e o espaço, curto. No fundo, eu só quis deixar uma mensagem de que é possível ter consciência política ou ser apaixonado por futebol sem partir para a violência, para os ataques gratuitos. O importante é saber se posicionar diante dos fatos que acontecem ao nosso redor e ter responsabilidade na hora de tomar qualquer decisão. Agora chega de blábláblá, porque de conversa fiada já basta o horário político obrigatório. Que a bola role e que vença o mais honesto, digo, o melhor.
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