As grandes histórias do esporte não são necessariamente aquelas que terminam em pódio, título ou medalha de ouro. Elas são, independente do resultado obtido, as que trazem em seu percurso o ingrediente chamado superação.
Pois é, a superação supera todos os demais ingredientes em se tratando do esporte, e se acaba em vitória, mais ainda. Geralmente a superação vem após uma subida meteórica, em que um time/atleta chega ao ápice, mas, por motivos os mais diversos, despenca rumo ao fundo do poço. Ali, no fundo do poço, sozinho, com frio, no escuro, as coisas são nebulosas e ficam indefinidas. Continuar? Mas como? Como superar uma contusão grave, um rebaixamento, uma derrota no minuto final em que se deve percorrer tudo de novo para tentar chegar novamente àquele momento de uma possível adiada glória?
Devemos dizer que não é fácil. E no Chuteira o pior momento que um time pode viver é o rebaixamento. Sim, quando o time luta por nove jogos e encontra, ao fim, o tão temido fundo do poço. Após cair, levantar não é dos exercícios mais fáceis. Pelo contrário, no Chuteira há diversos exemplos de equipes que, ao cair, ficam por lá e desistem. Vira uma espécie de knock down definitivo. Subir, cair e levantar é algo que só os grandes possuem. Requer força de vontade, muita luta, reflexão, autoconhecimento e futebol, claro. Neste semestre, o Joga 13 emplacou tudo isso e conseguiu retornar à Série Ouro após um ano e meio do rebaixamento, na 10ª edição, em novembro de 2010.
Naquela oportunidade, a equipe foi lanterna do grupo e caiu ao perder para o Fora de Série na rodada final. O 13, que já foi das grandes forças do Chuteira, duas vezes campeão do Festival Bola na Rede, quatro vezes semifinalista (da 3ª à 6ª edição), temido por muitos por seu futebol força e grito de guerra intimidador (quem não se lembra do “quem manda nessa porra?”), acabou desfigurado. Passou por duas Pratas sem brilho (6º e 4º colocados na 1ª fase), longe dos líderes, com derrotas para equipes de muito menor expressão. Enfim, o 13 foi tido em certo momento como acabado.
O ano de 2011 foi marcado por mudanças profundas na equipe, com a saída dos principais jogadores e o retorno de outros. Desanimados, vários jogadores deixaram a equipe. Seduzido pela lábia do CAV, Lele deixou o 13 na metade de 2011, após jogar uma Prata. Junto a ele foi Guma. Rodrigo, o eterno capitão, também abandonou o barco e foi tentar a vida na Ouro, no Fora de Série (com quem por sinal acabou sendo rebaixado no mesmo semestre). Choco e Zóio também disseram adeus. Aquele Joga 13 dos primórdios já não existia mais. Chegaram caras novas, novos amigos, Rafinha e Daniel tentaram reaver a alegria do time de jogar. Nada parecia dar certo. Entretanto, o time fez o périplo clássico dos heróis que descem ao inferno antes de retornar aos céus.
Lele foi campeão com o CAV na Prata, fazendo o gol do título. Guma abandonou o futebol. Rodrigo e Zóio, em baixa, retornaram ao 13, assim como Lele, no início deste ano. Trouxeram alguns novos jogadores, outros, de antigas épocas, voltaram, como Muralha e Fino. Baixaram a bola, definitivamente, e perceberam que aquele 13 que amedrontava adversários já não existia mais. Era preciso uma nova filosofia, de velhos amigos jogando bola e sendo feliz. Foi o que conseguiram no decorrer deste semestre.
A alegria de jogar bola voltou. As vitórias, na hora certa, vieram. A sorte que parecia faltar há tempos emergiu do chão por duas vezes, em dois gols de ouro no mata-mata. As mãos santas de Muralha surgiram em momentos que outrora as de outros falharam. O resultado está aí para todos verem e apreciarem: o Joga 13 voltou.
Sim, senhores, o Joga 13 está de volta à Série Ouro, e justamente quando seus jogadores perceberam que o que importava ali era estar junto, jogar juntos, beber juntos, um por todos e todos por um. De cara nova, mas com roupagem velha, o 13 conseguiu repatriar jogadores que durante mais de 3 anos foram a cara do time. Falar no 13 era ter Lele, Rodrigo, Guma e Choco rapidamente em mente. Na descida ao inferno, eles deixaram a equipe e quem segurou o rojão foi Rafinha, Daniel, Alemão, Doce. Como um casamento, na saúde e na doença, nos altos e baixos, estes nunca deixaram de ser trezera.
A esses fieis é que o Joga 13 deve esse se levantar que trago no título desta crôica. Foi graças a eles, que não abandonaram jamais a essência de ser 13 – e isso podem carregar consigo e com orgulho enquanto ali permanecerem, a certeza da lealdade às cores da equipe –, que a série Ouro do semestre que vem terá de volta um gigante do Chuteira.
Sim, senhores, o Joga 13 voltou. Se para ficar, não sabemos, mas é certo que fica para sempre o exemplo de superação que o time, especialmente os jogadores acima referenciados, deu a muitas outras equipes que caem e desistem de querer se levantar.
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